No fim vai ser um programa em cada quintal
Os Estados Unidos vão ter dois e a Europa dois (GCAP e FCAS puramente francês, ou junto Espanha por causa da versão naval) ou três (se a Alemanha e Suécia juntarem forças). Se a Austrália, o Canadá e a Arábia Saudita entrarem no GCAP, vai-se tornar o caça 6G padrão e, provavelmente o mais capaz e barato, por virtude dos números de produção.
Padrão do quê?
Pelo número de utilizadores potenciais e números envolvidos, especialmente se Austrália, Canadá e Arábia Saudita entrarem.
NATO esta nas ultimas. GCAP provavelmente nem num programa do tipo SAFE pode entrar.
Então é padrão de 3 países aleatórios?
“Padrão” pode ser um termo demasiado forte, aceito, mas dos quatro (
potencialmente cinco) caças 6G ocidentais atualmente em desenvolvimento, é de longe o que tem maior potencial de exportação, senão vejamos:
F-47 e F/A-XX: Não ao ser exportados em configuração full. Limita automaticamente o número de países que os vão querer.
FCAS: Vai ser um 5.5G, especialmente se a Alemanha sair, porque se a vaca leiteira sai, a França não tem arcaboiço financeiro para o desenvolver sozinha ou com a Espanha. Vai ter como clientes algumas petro-economias menores… a sua melhor esperança é convencer a Índia a entrar como parceiro secundário…
Sueco-Germânico: Ainda não saiu do papel e, se algum dia sair, só vai estar pronto 10 anos depois dos outros… além disso, vai ser um caça tático, à semelhança do Gripen. Será o ideal para países da Europa de Leste na década de 50, para enfrentarem a Rússia. Fora da Europa tem poucas chances porque a Alemanha tem a mania de se armar em donzela e já vai chegar tarde ao mercado.
Quanto ao
GCAP, está a progredir bem e vai ser o primeiro caça 6G não-americano. Primeiro voo estimado para 2030, primeiras entregas aos esquadrões de treino em 2035-37 e aos esquadrões de combate em 2040 (o Japão tem urgência e não vai deixar os Europeus arrastarem-se). É um caça pesado, de muito longo alcance, que é exatamente o que países como a Austrália e Canadá precisam (ambos países sujeitos à “ditadura” da distância no Pacífico e Ártico e maioritariamente anglófonos, o que não é dispiciendo). Quanto à Arábia Saudita, só faz praticamente negócio como os EUA e o RU e já manifestaram vontade de entrar. Os números potenciais desses seis países, por si só, vão ser superiores aos de qualquer outro avião 6G.
Concordas com esta análise?
Quanto a Portugal, já defendi aqui várias vezes que o GCAP é exatamente aquilo que precisamos operacionalmente para defender o Atlântico, não uma caça tático com raio de combate de 500 milhas…