F-35A Lightning II na FAP

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JohnM

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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4425 em: Fevereiro 18, 2026, 11:54:49 pm »
Mais uma vez, não vou tecer quaisquer comentários técnicos sobre as capacidades dos caças. Quero focar-me exclusivamente na vertente estratégica.

Compreendo a tentação que muitos sentem em adquirir o F-35, por inúmeras razões. Ainda assim, causa-me alguma estranheza que foristas com capacidade de análise militar estejam dispostos a colocar em risco o futuro da aviação de caça da FAP. Uma eventual compra do F-35 representa, na prática, um “casamento” com a Lockheed Martin e com os Estados Unidos. Todos sabemos que a política de vendas norte-americana especialmente no que diz respeito ao F-35  cria uma dependência quase total, extremamente dispendiosa de manter e que pode tornar-se um problema sério no futuro, sobretudo tendo em conta a instabilidade política que os Estados Unidos atravessam atualmente.

Leio frequentemente o argumento de que outros países já fizeram essa escolha e nós ficamos sempre para trás. Bélgica, Dinamarca, Holanda, Alemanha entre outros escolheram o F-35 mas convém lembrar que todos ou quase todos já tinham as encomendas feitas há muito tempo, como é evidente pelos prazos de entrega. Portugal, pelo contrário, ainda não tomou uma decisão e deveria fazê-lo o mais rápidamente possível, precisamente por causa das listas de espera que continuam a aumentar.

Já foi amplamente discutido que existem problemas estruturais identificados nas células dos F-16 da FAP que não permitem, ou pelo menos não justificam, a sua conversão para o padrão Viper. Apesar de este facto ser do conhecimento geral, alguns continuam a insistir nessa possibilidade. Há também quem defenda que Portugal pode esperar mais três ou quatro anos antes de decider. No entanto, os sinais que chegam do outro lado do Atlântico não são animadores. Neste momento, tenho sérias dúvidas de que os resultados das eleições de novembro dependam exclusivamente da vontade dos eleitores. Outros dirão “esperamos até 2028, o laranja já lá não estará”. E se em 2028 vencer o homem dos sofás? Esperamos mais quatro anos? Entretanto, as listas de espera continuam a crescer, os prazos de entrega alongam-se e persistem dúvidas sérias quanto à longevidade e à real capacidade operacional dos nossos F-16.
Posso fazer previsões ainda mais pessimistas sobre o que se passa na América, mas o que aconteceu recentemente na Venezuela, que mais parece um assalto à mão armada ou o que se prepara para acontecer em Cuba parece não preocupar ninguém. Cuba vai colapsar e será forçada a comprar tudo aos americanos. Como estas ações aconteceram a países com ditaduras, muitos fecham os olhos, mas o mais provável é que outros casos se sigam. Sinceramente preferia que Portugal não ficasse dependente de um país que atua desta forma para nem falar da Gronelândia, Ucrania, Canadá, etc...

Portugal não precisa de F-35. Portugal precisa de caças capazes de cumprir as suas missões. Em caso de um conflito envolvendo a NATO, concerteza que Portugal irá participar, mas previsivelmente numa segunda linha. Israel atacou o Irão e não o fez apenas com F-35, o que demonstra que os caças de geração 4.5 têm utilidade e continuarão a ter um papel relevante no futuro.

Com os investimentos recentes ao abrigo do SAFE, com a LPM que deverá ser publicada em breve (esperemos que com um orçamento reforçado) e com um possível SAFE 2.0, Portugal ficaria melhor servido com caças europeus. Juntando a isto os novos submarinos de que tanto se fala bem como com investimentos em áreas, como fragatas adicionais ou MMPC e patrulhas costeiros.

Com tudo isto, Portugal ficaria equipado como nunca esteve mas mesmo assim parece nunca ser suficiente.

"Portugal não precisa de F-35s". Uma forma dissimulada de dizer que Portugal precisa de gripens.
Tu queres é "casamento" com a saab. Diz lá que não.  :D
Gostava que as pessoas que acham que Portugal não precisa de F-35 fossem perguntar aos pilotos se não se importam de entrar em combate com outro avião… é tão fácil falar quando não é a nossa pele em jogo…

JonhM, não estou a falar de capacidade de sobrevivência. Quaisquer que sejam as vidas em jogo é sempre algo a ter em conta se não o mais importante. Mas a verdade é que as escolhas têm de ser feitas e não essa decisão não usa um só critério. Se olharmos para os equipamentos disponiveis nas nossas forças armadas pergunto-me se estamos a dar aos nossos militares sempre o melhor para aumentar a sobrevivência dos mesmos? Quem me dera que assim fosse mas não é.

Eu não estou a por em causa que o F-35 é melhor ou pior do que outros caças. Acho que fui muito claro nesse aspecto. O meu raciocinio têm a ver com a dependencia mais elevada do F-35 em relação a outros caças e com a instabilidade e confiança zero na actual administração. Garantidamente sabes muito mais do que eu de politica americana e oiço com bom grado o teu optimismo e sinceramente espero que tenhas razão que dentro em breve tudo se resolva democraticamente. Mas infelizmente na minha opinião vai mais de encontro ao que disse o Mark Carney “We are in the midst of a rupture, not a transition”
E é verdade que finalmente o resto da NATO está a acordar para a necessidade de aumentarem as despesas militares. Também posso garantir que o sentimento de que os Estados Unidos estão a virarem-se para o Pacífico é transpartidário por estes lados. Os velhos Estados Unidos protetores da Europa acabaram e não voltam… mas isso não impede que se continue a comprar material americanos, se fôr claramente melhor que o europeu. Não é culpa dos Estados Unidos que a Europa tenha decidido abdicar de desenvolver um caça 5G… Como também disse, é perigoso olhar apenas para um momento temporal; se olhares para o futuro, vejo com tanta preocupação os desenvolvimentos na Europa como nos Estados Unidos… objetivamente, o F-35 é o melhor caça da atualidade e futuro próximo (e não é sequer uma competição renhida), o que oferece maior grau de interoperabilidade com os restantes parceiros NATO e o que oferece melhores condições de relevância num futuro a 20 anos ou mais… o resto são especulações e cada fará as suas.
 
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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4426 em: Fevereiro 19, 2026, 04:57:54 am »
Portugal está "casado" de forma oficial com a Lockheed (mais tarde, Lockheed Martin) há 40 e picos, quase a caminho do 50 anos. É o caso das OGMA, que são Centro de Manutenção Autorizado da Lockheed Martin desde 1982, inicialmente para o C-130 e posteriormente também para o P-3 e F-16. Aliás, as OGMA efetuavam trabalhos de manutenção a aparelhos da Lockheed muito antes disso, como por exemplo nos F-104G e TF-104G Starfighter da Luftwaffe que se encontravam sedeados em Beja.

Portanto, e se for somente por essa razão, diria que é óbvio que o argumento utilizado cai por terra e não é válido.
Saudações Aeronáuticas,
Charlie Jaguar

"(...) Que, havendo por verdade o que dizia,
DE NADA A FORTE GENTE SE TEMIA
"

Luís Vaz de Camões (Os Lusíadas, Canto I - Estrofe 97)
 
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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4427 em: Fevereiro 19, 2026, 05:13:50 am »
Portugal está "casado" de forma oficial com a Lockheed (mais tarde, gLockheed Martin) há 40 e picos, quase a caminho do 50 anos. É o caso das OGMA, que são Centro de Manutenção Autorizado da Lockheed Martin desde 1982, inicialmente para o C-130 e posteriormente também para o P-3 e F-16. Aliás, as OGMA efetuavam trabalhos de manutenção a aparelhos da Lockheed muito antes disso, como por exemplo nos F-104G e TF-104G Starfighter da Luftwaffe que se encontravam sedeados em Beja.

Portanto, e se for somente por essa razão, diria que é óbvio que o argumento utilizado cai por terra e não é válido.
Exatamente… se calhar, se os futuros governos Reform e Frente Nacional decidirem não intervir quando o amigo Putin decidir invadir os Bálticos e assim, a Europa como a conhecemos implodir, talvez estar casado com a LM e os Estados Undos volte a não ser assim tão má ideia… o que hoje é mau, amanhã pode ser bom… tomar decisões com impacto a 30 anos ou mais com base numa situação específica num instante temporal também específico parece-me muito má ideia…
« Última modificação: Fevereiro 19, 2026, 05:36:23 am por JohnM »
 
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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4428 em: Fevereiro 19, 2026, 11:13:44 am »
O problema é que os aliados que os compraram começam a realizar esforços (Jailbreaking) para evitar que se transformem do "melhor caça da atualidade e futuro próximo" para o melhor pisa papeis da atualidade e futuro próximo.
E isto não é sequer tema de discussão, a não ser que alguém o venha negar, é algo que a Noruega fez por receio de ver o seu investimento servir como alvo parado nas pistas.



E é verdade que finalmente o resto da NATO está a acordar para a necessidade de aumentarem as despesas militares. Também posso garantir que o sentimento de que os Estados Unidos estão a virarem-se para o Pacífico é transpartidário por estes lados. Os velhos Estados Unidos protetores da Europa acabaram e não voltam… mas isso não impede que se continue a comprar material americanos, se fôr claramente melhor que o europeu. Não é culpa dos Estados Unidos que a Europa tenha decidido abdicar de desenvolver um caça 5G… Como também disse, é perigoso olhar apenas para um momento temporal; se olhares para o futuro, vejo com tanta preocupação os desenvolvimentos na Europa como nos Estados Unidos… objetivamente, o F-35 é o melhor caça da atualidade e futuro próximo (e não é sequer uma competição renhida), o que oferece maior grau de interoperabilidade com os restantes parceiros NATO e o que oferece melhores condições de relevância num futuro a 20 anos ou mais… o resto são especulações e cada fará as suas.
 

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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4429 em: Fevereiro 19, 2026, 11:29:02 am »
Antes da 2022 a Rheinmetall produzia 70 000 munições de artilharia de 155mm. Os EUA 480 000.
Hoje a Rheinmetall produz 700 000 em fabricas espalhadas por toda a Europa. Depois da ampliação fabril e das linhas de fornecimento, acha que vamos voltar à posição de dependência anterior?
A Itália é o maior montador de F-35 fora dos EUA. Acabou de anunciar o investimento de mais 8,8MM€ a juntar aos já gastos 2MM€ com previsão de estender mais 8MM€ só para as fases 1 e 2 do desenvolvimento. mais do que o seu investimento em 90 F-35... Porque será? Acha que vão voltar a pular para a LM quando mudar o presidente? Vão deitar esse dinheiro fora, porque sim?


Portugal está "casado" de forma oficial com a Lockheed (mais tarde, gLockheed Martin) há 40 e picos, quase a caminho do 50 anos. É o caso das OGMA, que são Centro de Manutenção Autorizado da Lockheed Martin desde 1982, inicialmente para o C-130 e posteriormente também para o P-3 e F-16. Aliás, as OGMA efetuavam trabalhos de manutenção a aparelhos da Lockheed muito antes disso, como por exemplo nos F-104G e TF-104G Starfighter da Luftwaffe que se encontravam sedeados em Beja.

Portanto, e se for somente por essa razão, diria que é óbvio que o argumento utilizado cai por terra e não é válido.
Exatamente… se calhar, se os futuros governos Reform e Frente Nacional decidirem não intervir quando o amigo Putin decidir invadir os Bálticos e assim, a Europa como a conhecemos implodir, talvez estar casado com a LM e os Estados Undos volte a não ser assim tão má ideia… o que hoje é mau, amanhã pode ser bom… tomar decisões com impacto a 30 anos ou mais com base numa situação específica num instante temporal também específico parece-me muito má ideia…
 
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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4430 em: Fevereiro 19, 2026, 02:19:54 pm »
Antes da 2022 a Rheinmetall produzia 70 000 munições de artilharia de 155mm. Os EUA 480 000.
Hoje a Rheinmetall produz 700 000 em fabricas espalhadas por toda a Europa. Depois da ampliação fabril e das linhas de fornecimento, acha que vamos voltar à posição de dependência anterior?
A Itália é o maior montador de F-35 fora dos EUA. Acabou de anunciar o investimento de mais 8,8MM€ a juntar aos já gastos 2MM€ com previsão de estender mais 8MM€ só para as fases 1 e 2 do desenvolvimento. mais do que o seu investimento em 90 F-35... Porque será? Acha que vão voltar a pular para a LM quando mudar o presidente? Vão deitar esse dinheiro fora, porque sim?


Portugal está "casado" de forma oficial com a Lockheed (mais tarde, gLockheed Martin) há 40 e picos, quase a caminho do 50 anos. É o caso das OGMA, que são Centro de Manutenção Autorizado da Lockheed Martin desde 1982, inicialmente para o C-130 e posteriormente também para o P-3 e F-16. Aliás, as OGMA efetuavam trabalhos de manutenção a aparelhos da Lockheed muito antes disso, como por exemplo nos F-104G e TF-104G Starfighter da Luftwaffe que se encontravam sedeados em Beja.

Portanto, e se for somente por essa razão, diria que é óbvio que o argumento utilizado cai por terra e não é válido.
Exatamente… se calhar, se os futuros governos Reform e Frente Nacional decidirem não intervir quando o amigo Putin decidir invadir os Bálticos e assim, a Europa como a conhecemos implodir, talvez estar casado com a LM e os Estados Undos volte a não ser assim tão má ideia… o que hoje é mau, amanhã pode ser bom… tomar decisões com impacto a 30 anos ou mais com base numa situação específica num instante temporal também específico parece-me muito má ideia…
Aproveito para responder a ambos os posts… estás a responder a uma observação que não foi feita… a Itália está casada com a LM até o GCAP estar operacional, ou ter a maior linha de montagem fora dos Estados Unidos não conta?  A Europa desinvestiu brutalmente na sua Defesa depois de 1990, ao ponto de perder capacidades soberanas próprias em várias áreas, e agora está finalmente a tentar recuperar o tempo perdido, o que eu acho muito bem. Quanto mais armamento indígena e de qualidade europeu existir, melhor… nunca ninguém me viu a defender fragatas, IFV, SAM ou caças 6G americanos, pois não? Agora, o facto inegável é que a Europa abdicou de produzir um caça 5G e agora está a pagar o preço…

Quanto a essa história do jailbreak está mal contada e parece-me mais copium para consumo interno dos vários países que outra coisa… se alguém acha que a LM e o Pentágono foram incompetentes ao ponto de o software poder ser hackeado por três gatos pingados lá na Holanda, mas não pelos milhares de hackers estatais chineses e russos, tenho ali um negócio espetacular de venda de gelo a esquimós no qual estou à procura de investidores. Alguém viu a nova série da Galactica nos anos 2000? Os Cylons implantaram um vírus nos Vipers coloniais e anularam assim a frota inteira… Hollywood percebeu que existe esse risco em 2003, mas a LM é estúpida e não o fez em 2026… pois… volto a sugerir que vão perguntar aos pilotos da FAP se preferem entrar em combate em 2030 com outro avião que não o F-35 e depois venham aqui postar a resposta. Mas acho que o que é importante é mostrar o dedo do meio aos americanos e divorciar da LM a qualquer custo…
 
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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4431 em: Fevereiro 19, 2026, 02:28:40 pm »
Portugal quietly commits €2.8 billion to buy 14 advanced fighter jets that could reshape NATO’s future

https://secom.es/portuguese-fighter-jets-portugal-commits-billions-nato-future-reshape/
Gostava de saber as fontes usadas no artigo... a ser verdade, seriam excelentes noticias...
Acho que a primeira coisa que aparece diz tudo
 

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JohnM

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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4432 em: Fevereiro 19, 2026, 02:29:58 pm »
Nem de propósito, mal acabei de fazer o último post, cruzei-me com este artigo… antes que alguém continue a falar em jailbreaking, por favor leiam-no, para terem uma noção do ridículo que é esse conceito. Boa leitura…

https://theaviationist.com/2026/02/18/no-you-cant-just-jailbreak-the-f-35/?mc_cid=c2196d8a4a&mc_eid=7f9ef3cbad

Como é óbvio, esta análise tb se aplica a qualquer outro caça… no cenário hipotético/possível/provável que eu tenho vindo a apontar (e que, convenientemente, o povo mais anti-americano aqui do fórum tem ignorado), o Farage, ou a Marine, ou a Meloni, ou a Weidel podem fazer exatamente o mesmo ao EF e Rafale. Aí já na há problema? Asking for a friend…
« Última modificação: Fevereiro 19, 2026, 02:50:12 pm por JohnM »
 

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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4433 em: Fevereiro 19, 2026, 02:31:33 pm »
Portugal quietly commits €2.8 billion to buy 14 advanced fighter jets that could reshape NATO’s future

https://secom.es/portuguese-fighter-jets-portugal-commits-billions-nato-future-reshape/
Gostava de saber as fontes usadas no artigo... a ser verdade, seriam excelentes noticias...
Acho que a primeira coisa que aparece diz tudo

Pois, o Subsea tb já tinha confirmado que é fake news… quando as fontes não aparecem, dá logo para desconfiar. Obrigado.
 

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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4434 em: Fevereiro 19, 2026, 05:43:21 pm »
Mais uma vez, não vou tecer quaisquer comentários técnicos sobre as capacidades dos caças. Quero focar-me exclusivamente na vertente estratégica.

Começas mal. Os critérios técnicos são os mais importantes na escolha de um caça novo, principalmente quando o preço é tão elevado.

Na vertente estratégica, o F-35 é ironicamente o mais adequado. É o que tem utilização mais abrangente. Ao ser utilizado por tantos países, significa que mesmo que haja algum tipo de "corte" por parte dos EUA, vais ver esforço conjunto dos vários utilizadores para ultrapassar esse imprevisto.

Na vertente estratégica, a matemática suporta o F-35. A probabilidade de vermos o F-35 "bloqueado" por imposições americanas face a um conflito X, é consideravelmente menor do que a probabilidade dos 4.5G terem uma performance não-satisfatória nesse mesmo conflito (baixas elevadas).

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Compreendo a tentação que muitos sentem em adquirir o F-35, por inúmeras razões. Ainda assim, causa-me alguma estranheza que foristas com capacidade de análise militar estejam dispostos a colocar em risco o futuro da aviação de caça da FAP. Uma eventual compra do F-35 representa, na prática, um “casamento” com a Lockheed Martin e com os Estados Unidos. Todos sabemos que a política de vendas norte-americana especialmente no que diz respeito ao F-35  cria uma dependência quase total, extremamente dispendiosa de manter e que pode tornar-se um problema sério no futuro, sobretudo tendo em conta a instabilidade política que os Estados Unidos atravessam atualmente.

Comprar 4.5G novos, e ter que ficar com eles até 2060-70, num mundo de evolução de ameaças constante, é pôr em risco a aviação de caça da FAP.

Não é difícil perceber que drones furtivos, relativamente baratos e com capacidade BVR poderão colocar em risco os ditos 4.5G. E ao longo das décadas mais ameaças vão surgir.

De resto, o risco de bloqueios políticos podem acontecer com qualquer país, e consequentemente para qualquer avião. Fingir que só aconteceria com o F-35 é desonesto.

Citar
Leio frequentemente o argumento de que outros países já fizeram essa escolha e nós ficamos sempre para trás. Bélgica, Dinamarca, Holanda, Alemanha entre outros escolheram o F-35 mas convém lembrar que todos ou quase todos já tinham as encomendas feitas há muito tempo, como é evidente pelos prazos de entrega. Portugal, pelo contrário, ainda não tomou uma decisão e deveria fazê-lo o mais rápidamente possível, precisamente por causa das listas de espera que continuam a aumentar.

A pressa é inimiga da perfeição. Comprar aviões à pressa não faz sentido. Não estamos a falar de um programa barato e pouco complexo, tipo a compra de blindados 4x4. Seria o programa mais caro da história do país, não dá para fazer em cima do joelho, e muito menos com o risco de receber aviões obsoletos ao mesmo preço dos topo de gama.

Citar
Já foi amplamente discutido que existem problemas estruturais identificados nas células dos F-16 da FAP que não permitem, ou pelo menos não justificam, a sua conversão para o padrão Viper. Apesar de este facto ser do conhecimento geral, alguns continuam a insistir nessa possibilidade. Há também quem defenda que Portugal pode esperar mais três ou quatro anos antes de decider. No entanto, os sinais que chegam do outro lado do Atlântico não são animadores. Neste momento, tenho sérias dúvidas de que os resultados das eleições de novembro dependam exclusivamente da vontade dos eleitores. Outros dirão “esperamos até 2028, o laranja já lá não estará”. E se em 2028 vencer o homem dos sofás? Esperamos mais quatro anos? Entretanto, as listas de espera continuam a crescer, os prazos de entrega alongam-se e persistem dúvidas sérias quanto à longevidade e à real capacidade operacional dos nossos F-16.
Posso fazer previsões ainda mais pessimistas sobre o que se passa na América, mas o que aconteceu recentemente na Venezuela, que mais parece um assalto à mão armada ou o que se prepara para acontecer em Cuba parece não preocupar ninguém. Cuba vai colapsar e será forçada a comprar tudo aos americanos. Como estas ações aconteceram a países com ditaduras, muitos fecham os olhos, mas o mais provável é que outros casos se sigam. Sinceramente preferia que Portugal não ficasse dependente de um país que atua desta forma para nem falar da Gronelândia, Ucrania, Canadá, etc...

Ninguém sabe se a questão estrutural dos F-16 é um facto, ou se foi um exagero por parte da FAP para tentar incentivar o Governo a comprar F-35.

Não seria a primeira vez que chefias militares dizem algo que não corresponde à verdade.
Exemplo? Tivemos um CEMA que dizia que tínhamos uma Marinha moderna e capaz de lidar com todas as ameaças. Toda a gente sabe que isso não era verdade, nem de perto.

Depois temos de olhar às evidências. Se a frota de F-16 está por um fio, como é que se justifica cancelar a modernização das 3 aeronaves adicionais, que permitiam subir o número para 28, sabendo que na pior das hipóteses, podiam render as aeronaves em pior estado? É preferível manter a pressão sobre a frota, na esperança que o Governo comprasse F-35 a curto prazo?

Algo de errado não está certo.

Mas mesmo que suponhamos que isto é verdade, nada impediria a FAP de procurar F-16 em condições para permitir adiar a decisão do novo caça, e se necessário modernizá-los. Esta opção não seria diferente daquela que muitos apresentam, de comprar Typhoon e modernizar - a diferença é que com F-16 saía mais barato, e já temos pessoal formado para os operar/manter.

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Portugal não precisa de F-35. Portugal precisa de caças capazes de cumprir as suas missões. Em caso de um conflito envolvendo a NATO, concerteza que Portugal irá participar, mas previsivelmente numa segunda linha. Israel atacou o Irão e não o fez apenas com F-35, o que demonstra que os caças de geração 4.5 têm utilidade e continuarão a ter um papel relevante no futuro.

E que missões são essas? É que para as missões básicas, até um FA-50, com radar AESA serve. Para missões mais complicadas não podes estar dependente de 4.5G.

Falas em questões estratégicas, mas ignoras variáveis em que pode decorrer o colapso da NATO, e que de repente Portugal seria apanhado com as calças na mão, com um 4.5G com as suas limitações conhecidas, numa região onde os 3 países mais próximos terão caças muito mais capazes, ou muito mais numerosos, ou ambos, e nós teremos que nos desenrascar caso algum desses países resolva atacar.

Os 4.5G conseguem ter utilidade no campo de batalha moderno. Mas isto não é sinónimo de que o país pode depender deles para as próximas 3/4 décadas. E se o país só tem dinheiro e pessoal para operar 1 modelo, então que seja o modelo mais barato possível.

De notar que o F-35, devido à sua furtividade, consegue destruir alvos usando munições tipo SDB/JDAM-ER (que não chegam a custar 200k) sem correr o risco de ser abatido. Já um 4.5G para destruir o mesmo alvo, vê-se obrigado a usar um míssil de cruzeiro (a custar uns 2 milhões).

Podes usar 4.5G? Em certos casos podes, mas fica-te muito mais caro.

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Com os investimentos recentes ao abrigo do SAFE, com a LPM que deverá ser publicada em breve (esperemos que com um orçamento reforçado) e com um possível SAFE 2.0, Portugal ficaria melhor servido com caças europeus. Juntando a isto os novos submarinos de que tanto se fala bem como com investimentos em áreas, como fragatas adicionais ou MMPC e patrulhas costeiros.

Portugal não ficaria melhor servido com 4.5G europeus. Isto é objectivamente errado.

O resto são programas que nada têm a ver com o assunto, e que podem ou não acontecer.

A ironia, é que a compra de um eurocanard, poderá bloquear alguns desses programas por falta de verba, algo que não aconteceria com a modernização de F-16 para V, ou compra destes em segunda-mão.

Comprar eurocanards é um tiro no pé, não garantindo o futuro, e potencialmente bloqueando outros programas. Ao comprar F-35, pelo menos podias dizer que estavas resolvido em questão de caças por 3/4 décadas.

PS: adiar a compra do F-35 por uma mão cheia de anos, até pode ser benéfico, pois receberíamos uma versão mais avançada que a actual.
Adiar a decisão 3 ou 4 anos pode ser uma boa notícia nesse sentido.
 
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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4435 em: Fevereiro 19, 2026, 06:29:24 pm »
Começam a surgir rumores que a Alemanha pretende mais 35 F-35's para um total de 85 (35 iniciais+opção15+35 adicionais) após o fim do FCAS:


 
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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4436 em: Fevereiro 19, 2026, 06:35:33 pm »
Começam a surgir rumores que a Alemanha pretende mais 35 F-35's para um total de 85 (35 iniciais+opção15+35 adicionais) após o fim do FCAS:

The shock... the horror... the surprise...  :mrgreen:

Mas nós é que somos valentes e queremos dar o corpo às balas em aviões ultrapassados… It’s not the plane Maverick, it’s the pilot!  :Cavaleria1:
« Última modificação: Fevereiro 19, 2026, 06:42:23 pm por JohnM »
 
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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4437 em: Fevereiro 19, 2026, 06:41:45 pm »
Nada a ver com o fim do FCAS, desde sempre se falou em adquirir mais F-15 dos que foram comprados em 2022 até porque não são os suficientes para substituir os Tornado IDS e ECR

 

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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4438 em: Fevereiro 19, 2026, 07:13:27 pm »
Os Tornados ECR vão ser substituidos por 35 EF EK que já se encontram contratualizados.

Estes rumores têm por base umaa noticia da Reuters (coloco a parte do texto mais importante abaixo...).

"Asked for comment, a German government spokesperson denied any current plans to purchase additional F-35 fighter jets.
"There are no plans, and there is no decision," the spokesperson said.
A spokesperson for the defence ministry in Berlin said in a statement there were currently "no concrete plans or political decisions" for the procurement of more F-35s."

https://www.reuters.com/business/aerospace-defense/germany-seeking-more-f-35-jets-european-fighter-program-falters-sources-say-2026-02-19/

Calculo que o MOD Alemão esteja a pesar as múltiplas alternativas com que poderá colmatar o fim do programa FCAS, mas a não ser que a Luftwaffe vá ser aumentada  a verdade é que entre os 35 F-35A, os 15 Typhoon Quadriga que vão ser atualizados para EK e o ultimo batch de 20 Eurofighter T5 EK, estes aparelhos substituem por completo os (teóricos) "oitenta e qualquer coisa" Tornados da TFW 51 Immelman (recebe os 35 EF EK) e da TFW 33 (recebe os F-35A).
« Última modificação: Fevereiro 19, 2026, 07:21:13 pm por Sintra »
 
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Major Alvega

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Re: F-35A Lightning II na FAP
« Responder #4439 em: Fevereiro 20, 2026, 12:19:36 am »


Da famosa série para anjinhos tugas: "Buy European"

« Última modificação: Fevereiro 20, 2026, 12:21:06 am por Major Alvega »