Solar Orbiter vai ter sistemas de protecção térmica portugueses
Investigadores da empresa portuguesa Active Space Technologies estão a desenvolver sistemas de protecção térmica para o satélite Solar Orbiter, de observação do Sol, que a Agência Espacial Europeia (ESA) pretende lançar no espaço em 2017.
O projecto que começou a ser desenvolvido em 2012 prevê a entrega até ao final de deste ano de 33 sistemas de protecção térmica para os instrumentos científicos que vão a bordo do satélite.
Tratam-se de dispositivos que nalguns aspectos poderão ter semelhanças com os das máquinas fotográficas quanto aos mecanismos de automação e controlo de entrada de luz, mas que terão de ser capazes de proteger os instrumentos científicos das altas temperaturas da radiação solar.
“Têm de providenciar duas grandes funcionalidades, que são as duas térmicas”, explica Ricardo Patrício à
Lusa, aludindo à protecção térmica dos instrumentos, nas variações térmicas a que estão sujeitos e ao assegurar da funcionalidade para que por eles não passe luz.
Segundo o investigador, os sistemas terão também de ser fiáveis para assegurar a protecção quando for necessário utilizar os instrumentos científicos durante a missão espacial.
“É um satélite que está sujeito a temperaturas ainda mais extremas que o BepiColombo, pois está ainda mais próximo do Sol”, observa o responsável técnico da empresa, e um dos dois fundadores.
Para Ricardo Patrício, este trabalho constitui um dos maiores desafios da empresa sediada em Coimbra, quer pelo número de dispositivos encomendados, quer no volume de negócios, da ordem dos 1,2 milhões de euros, e por envolver diversas disciplinas na engenharia, mecânica, electrónica, mecânica estrutural e térmica.
A Active Space Technologies tem estado também envolvida no desenvolvimento de sistemas de protecção térmica para o BepiColombo, uma missão espacial a Mercúrio, que envolve a ESA e a agência espacial japonesa, prevista para 2013.
Para o BepiColombo, a Active Space Technologies desenvolveu ainda um instrumento ótico, um espectrómetro, que vai medir os níveis de sódio na atmosfera daquele planeta.
Para além disso, a empresa criou um aerogel que irá proteger das muito baixas temperaturas os circuitos electrónicos de equipamentos científicos do veículo de exploração a Marte, uma missão que a ESA tenciona lançar em 2016.
Os testes de validação, de qualificação espacial desse gel, foram já concluídos com êxito. Trata-se de uma espuma muito porosa, muito leve, com uma condutibilidade térmica muito baixa.
Ciência Hoje