Investigadores projectam «casa do futuro» a baixos custos
Investigadores de Coimbra projetaram uma casa modular, cuja tipologia pode ser facilmente alterada em função das necessidades dos moradores, e com baixos custos de construção, foi hoje anunciado.
O projeto assenta no uso intensivo de aço leve e resulta numa «redução de 28 por cento dos custos de construção», sendo o preço do metro quadrado 550 euros, «perfeitamente quase imbatível» para o mercado português, na opinião do coordenador, Luís Simões da Silva.
Projetada por uma equipa multidisciplinar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a vivenda, de arquitetura moderna, possui características «affordable houses» (casas acessíveis), e surge em resposta a um desafio lançado pelo maior grupo de indústria de aço do mundo – a ArcelorMittal, a grupos de investigadores de oito países, entre os quais Portugal.
O objetivo era uma habitação unifamiliar, a baixo preço, mas funcional e que cumprisse todos os requisitos técnicos, nomeadamente em termos de segurança, conforto térmico, acústico e de eficiência energética.
«A grande mais valia é que tudo isso foi conseguido a um custo baixo», disse o investigador da FCTUC à Lusa, sublinhando que, «esteticamente, se mantém uma casa portuguesa».
Uma das inovações é o processo modular de construção, que imprime versatilidade à casa, para que «muito facilmente evolua com as necessidades da família» que a habita.
Ao contrário do que se verifica com a construção tradicional, nesta casa do futuro «facilmente se consegue» efetuar uma remodelação sem que os moradores tenham de abandonar o espaço.
«As pessoas num dia conseguem reformular a sua casa e passar de dois para um quarto ou aumentar um quarto porque todo o processo é modular e é muito fácil conseguir ampliar a casa, mudar a tipologia, sem ter de a abandonar», disse o investigador.
Para que a casa fosse versátil e «funcionasse em qualquer zona de Portugal», foi projetada para «a região sísmica mais gravosa - Sagres - e para ter neve correspondente à zona da Serra da Estrela e vento correspondente à zona costeira», acrescentou.
Luís Simões da Silva explica que a redução dos custos comparativamente a uma casa semelhante mas de construção tradicional é possível não só porque a soma dos custos dos materiais e da mão de obra envolvida é «à partida, mais barata», mas também porque há um «ganho de dez por cento de área útil».
«Ao utilizarmos uma estrutura de utilização de aço intensiva, conseguimos, para o mesmo grau de isolamento térmico, ter paredes mais finas», ou seja, «para a mesma área de construção temos mais área útil, sem qualquer aumento de custo», frisou.
«Estamos a fazer esforços para que empresas (de construção) comecem a aplicar o conceito», disse o cientista.
Outros 15 grupos de investigadores da Índia, Brasil, China, Polónia, Suécia, Roménia, e República Checa apresentaram projetos semelhantes para o mercado dos respetivos países, em resposta ao desafio da ArcelorMittal.
Lusa