Tecnologia Portuguesa

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Lusitano89

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #480 em: Março 03, 2011, 10:30:43 pm »
Criado sistema que pode evitar tragédias como de Entre-os-Rios


Um grupo de investigadores do Instituto de Telecomunicações (IT), na Universidade de Aveiro, desenvolveu um sistema para monitorizar remotamente e em tempo real a integridade de obras de arte rodoviárias, que poderia ter evitado a tragédia de Entre-os-Rios.

"Este sistema permite avaliar com antecedência se algo está a correr mal numa determinada infraestrutura", disse à Lusa o coordenador do projeto, Rogério Nogueira, adiantando que com esta solução teria sido possível evitar a tragédia provocada pela queda da ponte de Entre-os-rios, que roubou a vida a 59 pessoas, em 2001.

O projecto, utilizando a tecnologia de sensores de fibra ótica, prevê a colocação de vários sensores de deformação, aceleração e temperatura, em pontos críticos das estruturas a estudar, que enviam os dados para um sistema central.

"Desta forma, é possível analisar em tempo real a integridade da estrutura e disparar alarmes em situações de risco", explicou o investigador, adiantando que o sistema é desenhado à medida e é alimentado com energia solar.

Segundo Rogério Nogueira, este sistema apresenta várias vantagens relativamente à forma tradicional de inspeção de uma obra de arte, que é a ida de um técnico ao local, periodicamente, para avaliar a estrutura.

"Neste caso, temos um processo que monitoriza todos os dias e envia os dados remotamente. Basta um sistema central que pode monitorizar várias obras de arte em simultâneo", justificou.

O investigador realça ainda que o sistema desenvolvido no IT pode ser usado em obras de arte antigas e servir também para monitorizar edifícios, por exemplo, por causa da questão das derrocadas.

"Já fizemos um trabalho numa igreja centenária da Misericórdia de Aveiro para registar a evolução das deformações num conjunto de pontos selecionados do arco-cruzeiro da Igreja", adiantou.

Esta solução foi desenvolvida através de uma parceria com a empresa JustBit e em colaboração com a Estradas de Portugal.

O sistema que está em fase de protótipo, vai começar a ser testado num viaduto na A17.

"Os sensores já estão instalados e o sistema vai começar a operar na próxima semana", adiantou Rogério Nogueira, acrescentando que, posteriormente, a solução será testada em outros cenários.

Lusa
 

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Lusitano89

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #481 em: Abril 04, 2011, 08:15:52 pm »
Universidade de Évora aposta em carvão de cortiça


A Universidade de Évora foi pioneira na transformação de desperdícios de cortiça em carvão activado, material de carbono com inúmeras aplicações, e quer agora criar um produto específico, superior ao comercial, capaz de interessar o mercado.

“O mercado está cheio de materiais nesta área e a grande vantagem” para atrair a indústria “será encontrar um material que se distinga dos outros”, afiançou hoje à Agência Lusa Paulo Mourão, da academia alentejana.

O investigador do Centro de Química de Évora revelou ser essa a linha da investigação em curso. Criar um carvão activado a partir de cortiça com “um desempenho diferente do clássico em relação a determinado poluente ou molécula”.  “Aí, abre-se um nicho de mercado e é nisso que estamos a trabalhar, tentar encontrar um casamento mais forte e duradouro do que aquilo que existe entre um dos nossos carvões activados e determinada molécula”, disse.
O Centro de Química de Évora acumula, há mais de 20 anos, experiência na área dos carvões activados. Com a tese de doutoramento de Paulo Mourão, num trabalho entre 1998 e 2006, a academia foi pioneira na sua obtenção a partir da cortiça.

A cortiça juntou-se, então, ao leque de materiais precursores que, mediante processos químicos e físicos, origina carvão activado, como recursos naturais (subprodutos agrícolas), produtos sintéticos (polímeros) e resíduos industriais. Este material é capaz de absorver (reter substâncias de um fluído na sua superfície sólida e volume poroso acessível) moléculas diversas, poluentes ou outros compostos e tem aplicações cada vez mais variadas.

“As mais conhecidas”, realçou, são nos tratamentos das águas residuais ou potáveis, gases, zonas poluídas e também em células de combustível das pilhas de armazenamento de energia dos carros de nova geração. Mas está também presente no dia a dia, com aplicações “mais básicas”, nomeadamente para “combater” odores, como nas palmilhas dos sapatos e em vários tipos de filtros, do frigorífico ao exaustor ou ao ar condicionado.

A nível mundial, o consumo de carvão activado “chega hoje às megatoneladas”, mas, em Portugal, referiu Paulo Mourão, “não seriam viáveis” os custos da produção em larga escala do produto. Sobretudo recorrendo à cortiça, cujos desperdícios originam vários subprodutos comerciais.

“Será complicado, porque há outras fontes no mundo e a indústria não está localizada em Portugal”, disse. Mas a situação pode alterar-se, caso o investigador obtenha um produto muito específico e superior ao comercial, que seria rentável. Aí, assegurou, poderia despertar o interesse do agricultor que possui uma área de montado, abundante no Alentejo, e até o “apetite” da indústria da cortiça, oferecendo-lhe um novo encaminhamento para os desperdícios.

“Estamos a trabalhar nessas áreas, vamos testando os nossos materiais. Em determinadas condições, parece-nos que será possível preparar materiais com características acima das normais”, limitou-se a desvelar, para já, Paulo Mourão.

Ciência Hoje
 

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Upham

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #482 em: Abril 05, 2011, 06:53:06 pm »
Boa tarde!

Este artigo recorda-me que quando comecei a trabalhar à quase 30 anos (numa empresa metalurgica) as máquinas industriais eram instaladas em cima de sapatas amortecedoras de vibrações cuja composição (tipo sanduiche, com camadas de vários materiais) incluia cortiça.  :wink:

Cumprimentos
"Nos confins da Ibéria, vive um povo que não se governa, nem se deixa governar."

Frase atribuida a Caio Julio César.
 

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Lusitano89

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #483 em: Abril 05, 2011, 10:05:55 pm »
IATA impressionada com a «mala inteligente» portuguesa




O consórcio português "Mala Segura", que desenvolveu uma "mala inteligente" com um sistema inovador de localização, apresenta em Outubro à Associação Mundial de Transporte Aéreo (IATA) uma solução desenvolvida do projecto que espera vir a ser implementada mundialmente.
Segundo adiantou à agência Lusa Bruno Pereira da Silva, da comissão executiva do consórcio, a IATA ficou "impressionada com a 'mala inteligente' portuguesa" - apresentada em finais de Março na reunião anual da IATA Baggage Working Group - e "deu sinal positivo para a apresentação de um plano de estudo alargado na próxima reunião, a realizar em Outubro".

Conforme explicou, o projecto português "foi apresentado como sendo uma nova visão da implementação de RFID ['radio frequency identificator'] em bagagens", numa altura em que a IATA equaciona "abandonar formalmente a tendência de generalização de RFID nas bagagens no sector da aviação, devido aos custos elevados inerentes à solução de etiqueta RFID descartável".

Segundo destaca, a tecnologia "representou uma surpresa e admiração para as companhias aéreas e para os aeroportos mundiais, dada a inovação apresentada mas, principalmente, o seu estado avançado de implementação".

Neste sentido, a IATA propôs ao consórcio nacional que, na próxima reunião da 'Baggage Working Group', apresentasse "um plano de estudo alargado da solução", envolvendo já a participação da indústria das malas e das companhias aéreas.

Conforme salienta Bruno Pereira da Silva, o 'Mala Segura' permitiu "que a IATA não abandonasse o projecto de generalização de RFID nas bagagens, prolongando-se o seu estudo de viabilidade".

O projecto da "mala inteligente" foi desenvolvido pela ANA (Aeroportos de Portugal), SETSA (Sociedade de Engenharia e Transformação), Critical Software, Tecmic (Tecnologias de Microeletrónica), Inov -- Inesc Inovação e PIEP (Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros) e recorre às tecnologias RFID, WSN ('wireless sensor network') e GPS/GSM ('global positioning system') para garantir a localização e rastreamento de malas "em permanência e a nível global, tanto em ambientes fechados como em espaços abertos".

O grande objectivo é evitar o extravio das malas nos aeroportos, segmento que pode significar 90 a 95 por cento do mercado, mas a tecnologia pode ser usada também no transporte marítimo, ferroviário ou rodoviário.

O projecto implicou um investimento de 2,5 milhões de euros, 1,5 milhões dos quais cofinanciados pelo Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), e foi desenvolvido ao longo de 30 meses.

Segundo dados dos promotores, em 2009 ter-se-ão extraviado 10 mil bagagens por dia nos aeroportos da União Europeia e 90 mil a nível mundial, o que significa 600 mil por semana e três milhões por mês.

A tecnologia do 'Mala Segura' consiste "numa espécie de etiqueta embutida nas paredes da mala, contendo informação padronizada sobre o passageiro", aliando as tecnologias WSN e GPS/GSM à já utilizada RFID, para "tornar o sistema menos sensível à ocorrência de erros".

Lusa
 

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Lusitano89

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #484 em: Abril 19, 2011, 08:53:30 pm »
Empresário de Boticas criou método de esterilização inovador


Um empreendedor de Boticas, município próximo de Chaves (Trás-os-Montes), Hélder Gonçalves, criou um método de esterilização de utensílios hospitalares inovador e suscitou o interesse de uma multinacional israelita que comprou a máquina e vai manter emprego qualificado no concelho.

O empresário, a trabalhar na área de esterilização há mais de 20 anos, deixou Lisboa e “rumou” a Boticas, terra dos pais, onde criou uma empresa que distribuía equipamentos de esterilização e desinfecção.

Contudo, novas regras “políticas” nos hospitais e algumas alterações nos concursos públicos fez com que a empresa perdesse clientes. Por isso, o empresário decidiu tirar um curso na Coreia do Sul onde recebeu “um certificado de estupidez” porque tudo que aprendeu estava “errado”.

De regresso a Portugal pôs “mãos à obra” e criou uma máquina esterilizadora com peróxido de hidrogénio, patenteou o processo de esterilização e registou a marca. Algumas das máquinas esterilizadoras foram vendidas para os Estados Unidos, Israel, Índia, Indonésia, Itália, Geórgia e Peru. Mas, “em Portugal ninguém as quer, os hospitais não têm interesse nos equipamentos nacionais”, frisou Hélder Gonçalves.

A máquina – realçou – tem custos de manutenção mais baixos do que as concorrentes. “Mas, perco os concursos de forma aberrante”, lamentou. Em Portugal, Hélder Gonçalves só conseguiu vender duas máquinas esterilizadoras: uma para o Hospital de Mirandela e outra para a Maternidade de Coimbra. Aliás, devido à “falta de reconhecimento e apoio” por parte do Estado português, a empresa foi aglutinada pela multinacional israelita Tuttnauer. O processo de esterilização deixou de ser português e passou a ser israelita, mas “a tecnologia continua a ser portuguesa, a construção é que é feita em Israel”, garantiu Hélder Gonçalves.

Os empresários lutam para criar produtos com alta tecnologia em Portugal, mas “depois ninguém se interessa pelo que é nacional”, continuou. Uma das cláusulas do acordo com os israelitas, segundo contou o empresário, foi a criação da Tuttnauer Portugal, em Boticas, pelo que “será possível manter e criar mais postos de trabalho”. Assim, alguns componentes primários da máquina continuarão a ser fabricados em Portugal.

Além disso, a distribuição para Espanha, França, Itália, Alemanha, Síria e Irão também será feita a partir de Boticas. A multinacional frisou, “estima vender 20 máquinas anuais”. O próximo passo é “criar um centro de investigação, no concelho, em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) de Vila Real”.

“Existe um projecto conjunto relacionado com a criação de um novo processo de esterilização na área industrial”, revelou Hélder Gonçalves. O empreendedor arrecadou, em 2010, o prémio Inovação Transfronteiriço à Excelência Empresarial da Confederação Empresarial de Ourense.

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typhonman

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #485 em: Abril 22, 2011, 01:39:23 am »
Citação de: "Lusitano89"
Empresário de Boticas criou método de esterilização inovador


Um empreendedor de Boticas, município próximo de Chaves (Trás-os-Montes), Hélder Gonçalves, criou um método de esterilização de utensílios hospitalares inovador e suscitou o interesse de uma multinacional israelita que comprou a máquina e vai manter emprego qualificado no concelho.

O empresário, a trabalhar na área de esterilização há mais de 20 anos, deixou Lisboa e “rumou” a Boticas, terra dos pais, onde criou uma empresa que distribuía equipamentos de esterilização e desinfecção.

Contudo, novas regras “políticas” nos hospitais e algumas alterações nos concursos públicos fez com que a empresa perdesse clientes. Por isso, o empresário decidiu tirar um curso na Coreia do Sul onde recebeu “um certificado de estupidez” porque tudo que aprendeu estava “errado”.

De regresso a Portugal pôs “mãos à obra” e criou uma máquina esterilizadora com peróxido de hidrogénio, patenteou o processo de esterilização e registou a marca. Algumas das máquinas esterilizadoras foram vendidas para os Estados Unidos, Israel, Índia, Indonésia, Itália, Geórgia e Peru. Mas, “em Portugal ninguém as quer, os hospitais não têm interesse nos equipamentos nacionais”, frisou Hélder Gonçalves.

A máquina – realçou – tem custos de manutenção mais baixos do que as concorrentes. “Mas, perco os concursos de forma aberrante”, lamentou. Em Portugal, Hélder Gonçalves só conseguiu vender duas máquinas esterilizadoras: uma para o Hospital de Mirandela e outra para a Maternidade de Coimbra. Aliás, devido à “falta de reconhecimento e apoio” por parte do Estado português, a empresa foi aglutinada pela multinacional israelita Tuttnauer. O processo de esterilização deixou de ser português e passou a ser israelita, mas “a tecnologia continua a ser portuguesa, a construção é que é feita em Israel”, garantiu Hélder Gonçalves.

Os empresários lutam para criar produtos com alta tecnologia em Portugal, mas “depois ninguém se interessa pelo que é nacional”, continuou. Uma das cláusulas do acordo com os israelitas, segundo contou o empresário, foi a criação da Tuttnauer Portugal, em Boticas, pelo que “será possível manter e criar mais postos de trabalho”. Assim, alguns componentes primários da máquina continuarão a ser fabricados em Portugal.

Além disso, a distribuição para Espanha, França, Itália, Alemanha, Síria e Irão também será feita a partir de Boticas. A multinacional frisou, “estima vender 20 máquinas anuais”. O próximo passo é “criar um centro de investigação, no concelho, em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) de Vila Real”.

“Existe um projecto conjunto relacionado com a criação de um novo processo de esterilização na área industrial”, revelou Hélder Gonçalves. O empreendedor arrecadou, em 2010, o prémio Inovação Transfronteiriço à Excelência Empresarial da Confederação Empresarial de Ourense.

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É vergonhoso que isto aconteça, é por isso que os "cérebros" saem lá para fora, assim como as grandes ideias, lá fora serve, aqui não....!!! :|
 

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Lusitano89

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #486 em: Maio 15, 2011, 05:26:16 pm »
Robô que detecta período fértil das porcas vence concurso de ideias da Universidade do Porto

 :arrow: http://tv.up.pt/videos/D9092GM4

Um robot que detecta o período fértil das porcas e confirma automaticamente a gestação três semanas após a inseminação é o projecto vencedor do concurso de ideias de negócio da Universidade do Porto (U.Porto) – que visa promover e gerar oportunidades para o aparecimento de propostas empresariais inéditas.

Idealizado por Rui Valpaços, o projecto vencedor, denominado “ScrofaTech”, apresenta como mais valia “garantir o sucesso na inseminação artificial” das porcas, uma vez que este robot tem uma câmara térmica para medir as diferenças de temperatura na vulva e dispõe de um “colete de prova”, que permite exercer pressão nos quadris do animal, simulando o varrasco (macho na cobrição).

O robot conta também com um ecógrafo inteligente sem fios para efectuar uma ecosonografia e verificar se o processo de inseminação foi bem-sucedido. O vídeo demonstrativo desta ideia de negócio, disponível online, refere que detectar o cio da porca no momento exacto “é um trabalho exaustivo”, sendo que “mesmo um trabalhador experiente tem dificuldade em saber precisamente qual o momento certo”.

Com a detecção exacta do cio, acrescenta, é possível aumentar a produtividade de leitões por ano e evitar “gastos desnecessários na alimentação” dos animais. Nesta 2.ª edição do concurso iUP25k, que este ano contou com a participação de centenas de grupos de pessoas, foi atribuído o segundo prémio ao projecto Scootzz, que consiste na produção e comercialização de scooters eléctricas, que assenta nas vertentes ecológica e redução de custos associados às deslocações nos meios urbanos.

LuSea é o nome do trabalho que venceu o terceiro prémio e “é uma ideia alicerçada no potencial biossintético de um grupo particular e muito diverso de microrganismos marinhos – as cianobactérias”.

Relativamente ao prémio do público, este recaiu sobre “InPhytro”, que “pretende recorrer a culturas in vitro/biorreactores como via de propagação e crescimento das plantas medicinais seleccionadas em condições totalmente controladas (luz, atmosfera, composição química do meio, etc.)”.

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Lusitano89

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #487 em: Maio 23, 2011, 09:57:18 pm »
Universidade do Minho inova no tratamento do ar de interiores


Uma equipa da Universidade do Minho (UM) está a desenvolver um equipamento “pioneiro” que “melhora significativamente a qualidade do ar” no interior de edifícios e que permite poupança na factura energética além de ter “boas perspectivas de mercado”.

De acordo com a UM, três investigadores na área de engenharia estão a levar a cabo o desenvolvimento de um “dispositivo que tem acção sobre parâmetros microbiológicos, reduzindo a presença de bactérias, fungos ou legionella, entre outros” actuando também sobre os elementos físico-químicos, como dióxido de carbono, monóxido de carbono e ozono. “Acreditamos que o equipamento vai efectivamente tratar e purificar o ar; não é um mero aparelho de ventilação”, afirmou o investigador Rafael de Sousa.

A UM esclareceu que “a qualidade do ar interior é melhorada com a introdução de um sistema próprio de tratamento, que cumpre rigorosos parâmetros legais” e que “a diminuição da factura energética é conseguida graças a estudos em análise fluidodinâmica computacional (CFD), que baixam as potências necessárias”.

Outra vantagem deste dispositivo, adiantou a UM, é que devido “ao elevado número de doenças respiratórias e à crescente preocupação com a exposição a agentes tóxicos e patogénicos, a investigação tem boas expectativas de mercado”.

A equipa do projecto é constituída por três engenheiros: Ivan Abreu, mestrado em Engenharia Mecânica e que tem amplo trabalho em CFD na Fórmula 1 e em aviões de voo não tripulados, Rafael de Sousa, mestre em Engenharia Biomédica e bolseiro na TecMinho, e também Amaral Nunes, professor doutorado do Departamento de Engenharia Mecânica da UM.

Ciência Hoje
 

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Malagueta

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #488 em: Maio 26, 2011, 03:19:05 pm »
A FiberSensing, empresa tecnológica portuguesa, integra o consórcio que ganhou o contrato para o fornecimento de sensores ópticos e unidades de medição optoelectrónicas ao ITER (International Fusion Energy Organization), revelou ao PME NEWS Rui Lousa, CEO da empresa.
 



 

O contrato assinado entre o consórcio constituído pela FiberSensing e a Smartec (empresa suíça do grupo Roctest) e o ITER visa assegurar "o fornecimento de um sistema de grande escala para a monitorização das bobinas supercondutoras do reactor de fusão nuclear ITER, bem como o desenvolvimento e qualificação de tecnologia-chave para o subsistema de monitorização e controlo da nova geração de reactores nucleares".

O ITER é um projecto científico cujo propósito é o "desenvolvimento de uma fonte de energia nova, limpa e sustentável, através da produção e comercialização da energia de fusão nuclear (o processo que ocorre no núcleo do Sol), procurando ser uma alternativa às convencionais fontes de dependência energética".

A fusão nuclear, ao que explica a FiberSensing, é um processo de produção de energia que consiste na fusão dos núcleos de dois átomos leves, como, por exemplo, o hidrogénio, o hélio, o deutério ou o trítio, para formarem elementos mais pesados, com redução da massa dos reagentes. A fusão nuclear é o processo responsável pela produção da energia do Sol e das outras estrelas. O Sol recorre à sua imensa massa e à força da gravidade para produzir as reacções de fusão. As principais vantagens deste processo, salienta a FiberSensing, são que a energia de fusão nuclear não emite partículas tóxicas para a atmosfera (ao contrário das energias fósseis), nem produz resíduos nucleares nocivos ao ser humano (ao contrário da energia nuclear actual).

Rui Lousa, CEO da empresa, salientou ao PME NEWS que "a participação neste projecto inovador à escala mundial e de grande dimensão científica é mais um reconhecimento objectivo da capacidade da tecnologia dos sensores de Bragg em fibra óptica, bem como uma demonstração cabal da capacidade das empresas portuguesas em competir com sucesso nos mercados internacionais."

A FiberSensing, fundada em 2004, é uma empresa tecnológica portuguesa, que se dedica ao desenvolvimento e produção de sistemas avançados de monitorização baseados em sensores de Bragg em fibra óptica. Entre os seus accionistas encontra-se a InovCapital e o INESC Porto - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto -, além do grupo de fundadores da empresa, investigadores do INESC Porto. Considerando a elevada sofisticação da tecnologia que fabrica, a empresa apostou na internacionalização, assumindo desde o início da sua actividade um posicionamento global, ao submeter com êxito vários projectos nacionais e internacionais ou através de parcerias com vários grupos internacionais de referência.

Actualmente, a FiberSensing opera a nível internacional com parceiros espalhados pelos quatro continentes e mais de 100 clientes em todo o mundo, maioritariamente nos EUA, Brasil, Espanha, Alemanha, Suíça, França, Grécia, Itália, Hungria, Taiwan e Colômbia.

Os principais mercados de actuação são os sistemas de monitorização para infra-estruturas de produção e distribuição de energia, as grandes obras de engenharia civil e geotécnica e as indústrias aeronáutica e espacial. Entre os projectos de maior referência recentemente desenvolvidos e participados pela Fibersensing destacam-se os contratos com a AIRBUS, com a ESA (Agência Espacial Europeia) e agora com o ITER.
 

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nelson38899

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #489 em: Junho 04, 2011, 10:26:27 am »
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Projecto Gradouro galardoado nos EUA

 

O projecto Gradouro, sediado no Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) e desenvolvido conjuntamente pelo Centro de Tecnologias Mecânicas e de Materiais (CT2M) e pelo Centro de Física da UMinho, foi novamente galardoado (ver anexo) no maior simpósio mundial de joalharia, o Santa Fe Symposium. A 25ª edição deste evento anual decorreu de 15 a 18 Maio em Albuquerque, New Mexico.

 

O Applied Engineering Award foi atribuído em reconhecimento do trabalho publicado pelo projecto Gradouro no que diz respeito a métodos que mostram os benefícios dos princípios da engenharia aplicados à indústria de joalharia. O prémio resulta da apresentação do trabalho “On the Use of an Induced Solidification Process Based on Mould Thermal Gradients to Reduce Casting Defects”. As técnicas demonstraram ser de extrema eficácia na qualidade dos produtos obtidos por fundição.

 

O prémio Honorary Ambassador of the Santa Fe Symposium on Jewelry Manufacturing Technology foi atribuído pela organização do simpósio e pelo sector de joalharia mundial, em reconhecimento do trabalho acumulado e apresentado pelo projecto Gradouro, no sentido de promover o evento, a educação e a cooperação entre os industriais joalheiros de todo o mundo.

 

Já em 2010 o projecto Gradouro tinha recebido o prémio Research Award, em virtude da apresentação do artigo “On the Use of an Incremental Casting Technique to Obtain Color Gradients in Jewelry Components”, relativo a uma tecnologia desenvolvida e patenteada no âmbito do projecto.

 

O Gradouro continua a ser considerado um dos projectos mais relevantes a nível mundial, na área da joalharia. É expectativa deste projecto que os resultados possam ser relevantes para os industriais portugueses de ourivesaria e joalharia no sentido da sua afirmação mundial.

 

Mais informações em: www.gradouro.dem.uminho.pt.

"Que todo o mundo seja «Portugal», isto é, que no mundo toda a gente se comporte como têm comportado os portugueses na história"
Agostinho da Silva
 

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #490 em: Junho 14, 2011, 09:05:49 pm »
Biomaterial português promete "rejuvenescer" a coluna


Um novo biomaterial desenvolvido por investigadores portugueses pode devolver qualidade de vida a milhões de pessoas em todo mundo que sofrem de uma das causas mais comuns de dores de costas: o desgaste dos discos intervertebrais - espécie de “amortecedores” entre as vértebras da coluna que distribuem as cargas e estão constantemente sobre pressão.

Embora já haja formas de reduzir os problemas provocados pelo desgaste destas estruturas – como fisioterapia, utilização de anti-inflamatórios, intervenções cirúrgicas para remoção do disco danificado ou fusão de vértebras -, não há nenhum tratamento com uma abordagem regenerativa, como a que é proposta num trabalho científico do grupo 3B's - Biomateriais, Biodegradáveis ​​e Biomiméticos-, da Universidade do Minho.

O disco intervertebral é uma estrutura que tende a desgastar-se ou a romper-se ao longo da vida, graças à sua desidratação, e cuja auto-reparação é muito difícil. É composto por duas partes: numa posição central está o núcleo polposo, que é formado por proteínas em estado gelatinoso e com grande quantidade de água, enquanto na parte exterior se encontra o anel fibroso, que tem grande resistência às cargas de torsão, inclinação e compressão.
“O nosso biomaterial é focado na regeneração do núcleo polposo” e pode ser “introduzido no disco através de uma cirurgia”, revelou ao Ciência Hoje Miguel Oliveira, um dos investigadores envolvidos neste trabalho, cujos resultados foram publicados no Journal of Tissue Engineering and Regenerative Medicine. De acordo com o cientista, quando o núcleo polposo perde água e o disco altura, ganha-se instabilidade mecânica, sendo que os nervos comprimem-se, o que induz dores. O hidrogel agora criado pode ser utilizado para aliviá-las, mas sobretudo, para reformar a parte degenerada e eliminar a lesão.

“Este material é formado a partir dos heteropolissacarídeos expelidos pela bactéria Pseudomonas elodea. Modificámos o polissacarídeo para ser injectado no disco e ajudar à sua regeneração. Com o tempo, o biomaterial vai sendo biodegradado e substituído pelas células que existem no núcleo”, explicou, acrescentando que o hidrogel “pode ser combinado com células dos pacientes, ajudando-as a produzir a matriz do tecido”.
A grande mais-valia desta alternativa consiste precisamente na sua “abordagem regenerativa”. Miguel Oliveira sublinhou que “mimetiza a estrutura de um disco normal e  tem propriedades mecânicas e fisicoquímicas iguais.  Além disso, a performance biológica do material é inovadora”. Actualmente já foram concluídos os ensaios in vitro e em modelos animais de pequeno porte. “Começámos agora ensaios pré-clínicos em animais de grande porte, como ovelhas. Ensaios em humanos deverão ser só daqui a três ou quatro anos”, esclareceu o investigador do grupo 3 B’s. “Até agora, o material tem-se demonstrado eficaz”, pelo que se adivinha a sua utilização clínica num futuro próximo, conclui.

Ciência Hoje
 

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Lusitano89

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #491 em: Junho 15, 2011, 08:50:06 pm »
Universidade de Coimbra cria tecnologia que desactiva dispositivos terroristas


Uma equipa de investigadores do Laboratório de Energética e Detónica (LEDAP) da Universidade de Coimbra (UC) acabou de ser premiada pelo desenvolvimento de uma tecnologia inovadora para a neutralização cirúrgica de dispositivos explosivos improvisados (bombas tipicamente utilizadas por terroristas).

Distinguidos durante o 6º Simpósio Europeu de Armas Não-Letais, que decorreu na Alemanha, o trabalho foi considerado o 3º mais importante da Europa nesta área por ter "menos efeitos colaterais do que as técnicas actuais", segundo avançou, ao Ciência Hoje, Luís Rodrigues, investigador do LEDAP envolvido no projecto.

Para funcionar, o dispositivo deverá ser colocado “o mais próximo possível” da bomba a neutralizar, mas “poderá ser transportado por um robô” e assim evitar o risco de possível perda de vidas humanas. A partir daí, “a desactivação já poderá ser feita remotamente”, continuou o cientista.

Os explosivos improvisados “são a principal causa de acidentes mortais entre os militares destacados em países de conflito, como o Afeganistão” e o recente método poderá ser “eficaz contra qualquer tecnologia, já que não existem bombas sofisticadas”, assegurou ainda Luís Rodrigues ao Ciência Hoje.

O trabalho de investigação assume particular importância para “equipas de desminagem e militares em cenários de guerra porque permite actuar de forma mais precisa e segura do que as tecnologias actualmente em uso”.

Segundo avançou em comunicado o líder do projecto, Igor Plaksin – que foi receber o prémio à Alemanha –, a distinção “premeia o esforço continuado de desenvolvimento e aperfeiçoamento da tecnologia ao longo dos últimos quatro anos”.

Para a esfera militar não-bélica

Este dispositivo cujo nome ainda não é conhecido, já sofreu diversas melhorais e em relação ao primeiro, por exemplo, o actualmente premiado tem apenas um quarto do tamanho. O objectivo final “é termos um aparelho pequeno, portátil e que reduza os danos a uma esfera de um a dois metros, ou seja, com uma destruição muito reduzida”, esclareceu Luís Rodrigues.

No culminar do projecto, “deverá sair um protótipo e, posteriormente, um modelo de produção para servir a esfera militar não bélica”, sustentou Luís Rodrigues. A equipa centra a sua investigação apenas em tecnologia de carácter não ofensiva.

O trabalho foi desenvolvido, igualmente, através da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial. O Laboratório de Energética e Detónica (LEDAP) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) é o único laboratório nacional de investigação e desenvolvimento (I&D) a trabalhar com explosivos.

O prémio foi atribuído pelo European Working Group on Non-Lethal Weapons, um grupo fundado em 1998 e que, além de Portugal, engloba investigadores e especialistas das forças policiais e militares da Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Rússia e Suíça, entre outros.

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #492 em: Junho 28, 2011, 08:37:00 pm »
Tecnologia inovadora da UTAD permite pedir ajuda em segundos


Enviar um pedido de socorro por telemóvel para uma central de emergência pode tornar-se mais fácil e mais rápido graças ao projecto “SOS Phone”, desenvolvido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Esta tecnologia inovadora, cuja apresentação pública dar-se-á dia 2 de Julho no centro comercial Dolce Vita Douro, em Vila Real, consiste numa aplicação para smartphones que permite usar serviços de emergência sem recurso à voz e sem necessitar de realizar uma chamada telefónica.

De acordo com Benjamim Fonseca, professor do Departamento de Engenharias da UTAD que , em conjunto com o investigador Hugo Paredes e as alunas de Engenharia Biomédica Miriam Cabo e Tânia Pereira,  desenvolveu este software, a descrição de diversas ocorrências de emergência é muito simplificada com esta alternativa.

“O utilizador tem apenas que seleccionar com o dedo no ecrã táctil as várias opções relativas à situação que pretende descrever. Depois é gerada um SMS em código alfanumérico - mas que a aplicação torna legível para o utilizador – e enviada para a central de emergência, onde um software simples descodifica a mensagem e põe-na em linguagem corrente, para que o operador tenha logo acesso à situação reportada”, explicou ao Ciência Hoje.

Trata-se de uma aplicação que possibilita um relato muito rápido do ocorrido e que evita, assim o longo questionário que habitualmente caracteriza a chamada telefónica para um serviço de emergência e que agrega à  descrição da situação as coordenadas de localização do utilizador, de forma a facilitar uma mais rápida assistência. O protótipo desenvolvido pela UTAD, preparado inialmente apenas para ser utilizado no Windows Phone, mas que pode ser “facilmente adaptado para o iPhone ou para o sistema Android”, permite assim que todo o processo de pedido de ajuda possa ser concluído de forma muito rápida. Dependendo da situação a reportar,  poderá demorar entre alguns segundos e um ou dois minutos.
Benjamim Fonseca realçou que esta aplicação pode ser “particularmente útil para surdos”, visto que recorre apenas a pictografias que simbolizam os aspectos a relatar, mas também para “pessoas em estado de choque ou para idosos, que por vezes têm dificuldade em articular conversas e explicar as situações que pretendem descrever”.

Além disso, apresenta a mais-valia de ser sujeita a um registo do utilizador, para que o Sistema Nacional de Emergência saiba quem está a emitir o pedido de ajuda, “o que minimiza os falsos alarmes que muitas vezes ocorrem na linha do 112”, frisou o investigador da UTAD.
Para já, este sistema ainda não se encontra disponível para utilização pública, pois “tal vai depender das negociações encetadas com o Sistema Nacional de Emergência”, referiu Benjamim Fonseca, acrescentando que “este primeiro protótipo pretende apenas validar a sua aplicabilidade”. Contudo, durante o dia da sua apresentação, vão ser encenadas diversas situações de emergência por alunos da UTAD, sendo convidados os transeuntes a testarem a aplicação num telemóvel e a certificarem-se da sua utilidade.

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #493 em: Julho 06, 2011, 11:42:35 pm »
Próximo “rover” da ESA vai para Marte com tecnologia portuguesa


O próximo rover da Agência Espacial Europeia (ESA) a pousar em Marte vai ter tecnologia portuguesa. Desenvolvida por investigadores da Universidade de Coimbra e do Instituto Pedro Nunes, em parceria com a empresa Active Space Technologies, uma nova geração de aerogéis vai garantir o isolamento térmico do veículo.

Em conversa com o Ciência Hoje, Ricardo Patrício, responsável da Active Space Technologies, explica que este material se distingue dos demais aerogéis “devido à sua flexibilidade”.

O aerogel é um “material extremamente poroso e leve o que permite uma excelente performance técnica. É óptimo para aplicação espacial como isolante térmico de componentes electrónicos”, esclarece o investigador.

Os que estão agora a ser desenvolvido serão utilizados para manter uma gama de temperatura ideal para o bom funcionamento dos aparelhos electrónicos. “Principalmente para proteger do frio, visto que as temperaturas podem descer aos 40 graus negativos e os componentes electrónicos só funcionam até aos 20 negativos”, esclarece.

A grande vantagem do aerogel é a sua característica de flexibilidade, “muito importante para conter as vibrações de grande energia que vão acontecer durante o lançamento”.

Este projecto, iniciado em 2005, começou por ser uma proposta da Active Space Technologies ESA de estudo de mercado com o objectivo de perceber que tipo de aerosóis existia. “Deparamo-nos com esta lacuna no mercado e iniciámos o trabalho com a ESA para desenvolver a tecnologia”.

O segredo da flexibilidade do material está no uso de “um processo específico de secagem dos produtos à base de sílica que garante uma menor densidade e maior flexibilidade”.

Outras aplicações dos aerogéis

Além das aplicações na área das ciências espaciais, este material pode também ser aplicado em construção civil e ser utilizado para filtrar materiais pesados, como os hidrocarbonetos, por exemplo, para filtragem de derrames de petróleo no mar.

A aplicação na área da saúde é também uma das possibilidades. “Podemos criar um tipo de cápsulas para medicamentos que garantam a libertação controlada e segura de fármacos”.

“Temos um componente I&D bastante forte e estamos a estudar estas aplicações mas ainda internamente, a pensar em potenciais parceiros”.

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Re: Tecnologia Portuguesa
« Responder #494 em: Agosto 08, 2011, 11:08:00 pm »
Universidade Católica do Porto identifica bactérias resistentes a antibióticos


A Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica no Porto acaba de detectar e identificar a existência de bactérias resistentes a antibióticos em água potável e em estações de tratamento de águas residuais domésticas. Das análises efectuadas nestes locais, a instituição concluiu que muitas bactérias, nomeadamente as que estão presentes em água da torneira, apesar de aparentemente inofensivas, podem ser portadoras de resistência a antibióticos. Este facto é explicado, em parte, pela célere evolução e adaptação das bactérias.

Nas análises efectuadas, a instituição está a analisar, por exemplo, a forma como o hospital – que se supõe ser uma das principais fontes de resistência a antibióticos – interage com o ambiente em termos de propagação dessas formas de resistência, nomeadamente pela água.

A investigação pretende verificar, ainda, se a água potável se assume como um portal de entrada ou se os esgotos representam uma via de contaminação ambiental. Os resultados possibilitarão o desenvolvimento de métodos para uma melhor monitorização e controlo das bactérias resistentes a antibióticos, nomeadamente no que se refere a efluentes hospitalares.

O estudo sobre a existência de bactérias resistentes a antibióticos presentes na água potável revela que, embora a desinfecção reduza a grande maioria das bactérias, estas podem desenvolver-se nas canalizações, sobretudo em períodos de maior estagnação, ou seja, de menor tiragem de água. De facto, as investigações realizadas mostram que algumas bactérias de origem ambiental, detectadas em água da torneira, podem apresentar níveis preocupantes de resistência a antibióticos frequentemente utilizados em situações clínicas.

Relativamente ao projecto de tratamento de águas residuais domésticas e disseminação de resistência a antibióticos, a ESB avaliou qual o papel das ETAR’s enquanto reservatórios ambientais propícios ao aparecimento de bactérias resistentes a antibióticos. Embora o tratamento dos esgotos seja satisfatório – e conduza à remoção de cerca de 99 por cento das bactérias presentes nos efluentes –, a libertação de resistentes a antibióticos para cursos de água naturais continua a ser uma realidade e deveria ser minimizada.

Neste caso, a inclusão de uma etapa de tratamento terciário, embora não elimine totalmente as bactérias resistentes a antibióticos, permitiria reduzir a carga bacteriana total. Apesar dos cuidados tomados, é importante salientar que os esgotos tratados são, muitas vezes, libertados para pequenos cursos de água naturais, o que contribuiu para a dispersão deste tipo de bactérias no ambiente. Neste caso, o uso destas águas para rega de produtos alimentares pode transportar tais bactérias para a cadeia alimentar humana.

Ciência Hoje