a empresa tem um nome (provavelmente mistura de Manuel e Helena ou Filomena, etc)que parece dum brasuca ou de filhos de Portugueses radicados em França, mas está a ir bem.
Manulena
De bicicleta se começa um negócio
Há 40 anos, Manuel Pedro Custódio percorria de bicicleta os 15 quilómetros que separam Mira de Aire e Fátima para vender velas no santuário. Hoje, assiste com "bastante orgulho" à expansão da Manulena porque "sempre...
Há 40 anos, Manuel Pedro Custódio percorria de bicicleta os 15 quilómetros que separam Mira de Aire e Fátima para vender velas no santuário. Hoje, assiste com "bastante orgulho" à expansão da Manulena porque "sempre foi muito receptivo a ideias novas", diz o filho, Pedro Custódio, que agora é o director-geral desta empresa familiar.
A Manulena de hoje ainda fabrica velas religiosas, mas diversificou o negócio apostando no segmento das velas decorativas e perfumadas. Investiu no design e prepara-se para lançar uma loja online, a Manulena Candle, no final do mês. "Não pretendemos fazer concorrência directa aos nossos comerciantes, mas recebemos muitas solicitações de consumidores que pretendem os nossos produtos e não os conseguem encontrar. Esta loja é para dar resposta a essa dificuldade", explica Pedro Custódio.
A empresa concentra a actividade em duas áreas. Fabrica produtos brancos para a Zara Home, Area, Tesco, Potter & Moore, Modelo e Continente e possui as marcas próprias Sensia e Manulena Candle. A inovação mantém a chama do negócio acesa e uma das últimas criações é a Sensia "pocket", uma vela perfumada que pode ser adquirida em quiosques. "É o segmento da chamada compra por impulso e os testes estão a correr bem" observa Pedro Custódio.
O principal cartão de visita é, contudo, a gama de produtos Sensia Elimina. São três velas que neutralizam os odores de animais, da cozinha e do tabaco. A primeira delas, garante o empresário, é única no mercado. "A minha mulher é médica veterinária e estava constantemente a pedir-me velas para a clínica, para eliminar os cheiros dos animais.
Percebemos que existia uma necessidade específica, e como estamos sempre atentos às oportunidades e necessidades do mercado, desenvolvemos o produto", conta.
O investimento nesta gama de velas atingiu os 250 mil euros e o produto, colocado nos hiper e supermercados nacionais e espanhóis, concorre nas prateleiras com marcas como a Air Wick, Brise ou Ambi Pur.
E a crise? "O mercado não é fácil, mas também nunca o foi", responde Pedro Custódio, de 38 anos. Por isso, apostam em conceitos para a flexibilidade e a inovação para a contornar as dificuldades. E há mercados como o alemão onde, em tempos difíceis, o consumo de velas cresce, porque "as pessoas passam mais tempo em casa", observa.
Os estudos indicam que as mulheres, com idades compreendidas entre os 25 e os 40 anos, são as maiores consumidoras destes produtos, que satisfazem todos os gostos e carteiras. As velas de maior consumo custam entre um e três euros, mas há outras que podem valor 50 euros, observa Pedro Custódio. Exemplos? Uma cabeça de Buda, maior que uma bola de futebol, ou um 'bouquet' de rosas, muito solicitado para casamentos, responde o presidente executivo.
As velas da Manulena ainda ardem no santuário de Fátima, por quesitos de fé, mas a força de vendas há muito que se situa lá fora. O mercado internacional representa 70% do volume de negócios, que em 2008 foi de 2,7 milhões de euros, sendo que o inglês tem um peso de 50%. O próximo passo é promover as marcas Sensia e Manulela Candle no mercado ibérico e diversificar a carteira de clientes, anuncia Pedro Custódio.
Até para evitar a repetição dos problemas de 2005, quando a empresa perdeu um cliente que absorvia 60% da produção. "Percebemos que temos de depender mais de nós e das nossa marcas que das marcas brancas e de outros clientes", conclui.
Perfil
Pedro Custódio, 38 anos, é o director-geral da Manulena, um empresa fundada pelo seu pai em 1968. Licenciado em Gestão de Empresas, saiu dos bancos da faculdade para entrar na Manulena, onde tem os irmãos como sócios. "Cresci neste meio. Sempre acompanhei a fábrica e o negócio e o meu pai deu-nos a experiência, aquilo que não está escrito nos manuais, explica Pedro Custódio. O fundador aceitou, com naturalidade, a introdução de inovações na empresa. "Sempre foi muito receptivo a ideias novas e assiste com bastante orgulho à evolução do negócio". A Manulena de hoje ainda vende no santuário de Fátima, por onde iniciou o negócio, mas os mercados internacionais já valem 70% do seu volume de negócios.
Muitos cheiros para satisfazer mercados exigentes
A Manulena tem apostado nas marcas próprias e no aumento dos padrões de qualidade para satisfazer mercados exigentes como o Reino Unido, Suécia, França, Alemanha ou Estados Unidos. A empresa emprega 50 colaboradores e registou, o ano passado, um volume de negócios de 2,7 milhões de euros. Longe vão os tempos em que as velas serviam apenas para iluminar ou pagar os bons préstimos de Deus, no socorro a aflições. Daí partiu-se para os jantares românticos, naturalmente, à luz das velas. Hoje, este produto, fabricado a partir da cera, ganhou requinte com a introdução de odores, para dar um toque de classe a determinados ambientes, ou simplesmente para eliminar maus cheiros. O que se consegue, introduzindo nas velas, substâncias aromáticas, tais como essências e extractos naturais de flores ou frutos, por exemplo. É este nicho que tem sido a aposta maior da Manulena.
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