Quero também dar aqui algumas achegas, até porque fui um dos que não respondeu às perguntas do JohnM. Já muito foi dito sobre a probabilidade (ou não) de termos na Europa alguns países de peso com governos de extrema direita, mas gostaria de trazer alguns dados que considero importantes.
Existe uma grande diferença entre a Europa e os Estados Unidos, e essa diferença assenta no facto de que os sistemas parlamentares europeus são na sua grande maioria multipartidários, o que faz com que os votos se distribuam mais facilmente e dificulta a bipolarização que vemos nos EUA.
No Reino Unido, até há pouco tempo, o parlamento era dominado por dois partidos, mas já não é mais o caso. Atualmente, existem cerca de uma dúzia de partidos com assento parlamentar e, de acordo com as sondagens mais recentes do YouGov, cinco deles têm mais de 10 % da intenção de voto. Ou seja, no Reino Unido será muito difícil (mas não impossível) que o Reform chegue ao poder. O partido até pode ter a maior percentagem de votos, mas dificilmente terá mais de 50 %, e num cenário de ausência de maioria, o mais provável seria que os outros partidos façam uma coligação para formar governo.
De facto, seria algo muito semelhante ao que aconteceu na Holanda, onde Geert Wilders teve a maior parte dos votos, foi convidado para formar governo e não conseguiu porque nenhum outro partido se quis coligar-se com ele. No Reino Unido, não vejo nenhum partido a coligar-se com o Reform; a única forma de o partido chegar ao poder seria obter uma maioria absoluta.
Na Alemanha, o cenário é semelhante: cinco dos seis partidos com assento parlamentar têm mais de 10 % dos votos. Apesar de a AfD poder ter a maior parte dos votos, será muito difícil conseguir formar uma coligação que a sustente.
O caso mais bicudo é a França. Apesar de existirem mais de 12 partidos, trata-se de um sistema semi-presidencial, onde o Presidente detém muito poder. Nas últimas duas eleições, a esquerda juntou-se na segunda volta para combater Marine Le Pen. Embora Le Pen tenha ganho mais suporte nas últimas eleições, ainda está longe de obter a maioria. Para além disso, e se não me engano, encontra-se impedida de concorrer nas eleições de 2027, o que poderá enfraquecer o partido, dado que ela é a líder mais carismática. Ainda assim, Philippe Bardella tem estado bem nas sondagens, e por isso considero a França o caso mais complicado vai depender muito de quem for o outro candidato/candidata.
Voltando aos F 35, ainda não ouvi ninguém dizer que o F-35 é um caça pior; pelo contrário, apesar de ser considerado o melhor caça, a razão pela qual prefiro opções europeias é estritamente política. Acho que ninguém aqui duvida que Trump é louco, assim como toda a sua administração, nem que o movimento MAGA funciona quase como um culto, apoiando o líder mesmo quando ele comete/diz barbaridades.
Na minha opinião, a única maneira de retirar esta administração do poder é internamente os americanos têm de se mobilizar e votarem em massa. E, sinceramente, se a vitória for por pouca margem, mesmo assim poderá não chegar. Por isso, a melhor forma de ajudar a América neste momento é não comprar produtos americanos, se a economia tiver mau desempenho, será mais difícil para esta administração se defender porque a sua base sentirá o impacto directamente no bolso. Por isso, defendo que a Europa compre mais europeu não quero contribuir para uma economia americana forte neste momento isso só iria potenciar a actual politica americana ainda mais. Claro que os contratos militares, devido ao seu tamanho, são muito visíveis e afetam grandes empresas, que, vendo-se de fora, exercerão mais pressão interna para além da sua visibilidade nos media.
Portanto, se querem esperar três anos para ver como as coisas se desenrolam, que esperem. Mas, sinceramente, gostaria de saber o real estado dos nossos F 16 antes de adiar a decisão por mais três anos.