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A Águia e o Mel Negro
(qualquer semelhança desta fábula alegórica com a realidade é pura coincidência 😀)
Na grande planície do sul havia uma quinta muito rica, com rios de mel negro a brotar da terra e coisas brilhantes escondidas no subsolo. A quinta era governada por um Galo, orgulhoso, barulhento e desconfiado, que dizia proteger os animais das ameaças externas.
Do outro lado do oceano vivia a Águia, poderosa e vigilante. Durante anos, a Águia observou a quinta com os seus poderosos binóculos dourados. Dizia aos outros animais do mundo que o “seu” problema não era o mel negro, nem as coisas brilhantes escondidas no subsolo, era o pó branco que, segundo ela, o Galo espalhava pelos galinheiros.
— Não queremos a quinta, repetia a Águia. Queremos apenas acabar com o pó que envenena o mundo.
Mas sempre que falava, os seus olhos desciam involuntariamente para os rios de mel e para as coisas brilhantes escondidas.
Aos poucos, a Águia começou a cercar a quinta: primeiro com palavras, depois com sanções, depois com garras. Prometeu libertar os animais oprimidos, restaurar a ordem e limpar o galinheiro. Alguns animais acreditaram, outros lembravam-se de quintas “salvas” pela Águia no passado que nunca mais voltaram a ser donas de si…
NO FIM, o pó branco continuava a circular por outras quintas, por outros caminhos, por outras asas. Mas a Águia já tinha pousado na terra fértil…
E então os animais perceberam a velha regra da planície:
Quando os poderosos falam em moral, é prudente verificar onde pousam as patas.