Adoro discutir com gente inteligente. Aprende-se tanto...
Eu não pesco nada do assunto. Só quero entender se os ST são úteis, para alem do treino.
Obviamente o ST não serve para nada na FAP pois como se sabe elas não fazem missões de policiamento.
Tb não servem para a defesa contra drones, Portugal não tem necessidade de tal, nem os parceiros NATO...
Tb não podem voar integrados noutras forças.
Tb não temos pilotos... etc...
Sei lá.
Muito do que você diz é acertado, dá para perceber que percebe do assunto. Mas tem um problema adorável. De vez em quando engana-se... normal, quem não. Mas ai algo interno o impede de reconhecer o erro, aceitar e seguir em frente.
Vou deixar de escrever textos sarcásticos sobre o ST, eles estão ai, já não voltam e vão certamente ter uma função dentro da FAP quer você queira quer não.
É por demais evidente que este tipo de aviões têm múltiplas utilidades nos dias de hoje. E ainda bem.
Tu baralhas tudo.
A ideia deste tipo de aeronave numa FA, é que seja barata de operar e cumpra a sua função de treino, ponto.
O objectivo, tal como vimos com a frota TB-30 ao longo dos anos de serviço na FAP, e com outras frotas semelhantes por esse mundo fora (T-6 na USAF, PC-21 em França, Espanha, e por aí fora), a ideia é manter os custos no mínimo, para canalizar o grosso do dinheiro para a componente operacional.
Existe uma grande diferença entre operar 8 a 12 STs com armamento simples, apenas para treino, e operar 12 STs com o objectivo de enviar para destacamentos, numa configuração mais cara, introduzir armamento guiado relativamente caro e certificar pessoal para o usar (incl. muitas h/voo), e com o número acrescido de missões, obrigará o ramo a reforçar os números.
Uma esquadra que é suposto ser barata, passa a absorver recursos excessivos do ramo.
Isto ainda seria aceitável, se a FAP estivesse na sua plenitude de capacidades. Mas não está.
Todos os outros programas têm sido feitos com bases minimalistas. Até os contratos de manutenção das esquadras mais críticas da FAP, têm sido afectados pela falta de investimento.
Mas é numa esquadra de STs que vamos ser maximalistas? Na mesma FAP que só comprou 18 AIM-9X para os seus F-16, e tarda em comprar mais armamento relevante para eles?
Obviamente que isto não faz sentido. E quanto mais dinheiro se investir nesta esquadra, menos dinheiro sobra para o resto.
Só quero entender se os ST são úteis, para alem do treino.
Com base na realidade da FAP, não são. Como dito acima, usar os ST para mais do que treino tem custos. Numa FA com falta de orçamento para diversas esquadras, não dá para esbanjar nesta.
Obviamente o ST não serve para nada na FAP pois como se sabe elas não fazem missões de policiamento.
Qualquer aeronave faz missão de policiamento. Novamente, uma esquadra de treino não tem QRA. Policiamento, se não for num caso esporádico para um evento ou exercício, obriga a um estado de prontidão da esquadra que até agora não era suposto ter. Novamento, isto tem custos.
Queres policiamento, usa UAV/UCAV, que podem cumprir a missão durante largas horas.
Tb não servem para a defesa contra drones, Portugal não tem necessidade de tal, nem os parceiros NATO...
Servir, serve. Mas muita coisa serve contra drones, e não é por isso que vais gastar vários milhões na sua aquisição. Existem meios muito melhores, que não implicam colocar pilotos em alerta nesse tipo de funções. Podes usar UCAVs, capazes de interceptar drones, e que podem ficar no ar durante 24h ou mais, e que possuem um pacote de sensores superior ao ST.
Os pilotos da 101 têm que se preocupar é com a formação de pilotos, não com a possibilidade de serem destacados para caçar drones, ou para andar a fazer serviço de urgência num QRA de STs.
Tb não podem voar integrados noutras forças.
Qualquer meio pode ser integrado noutra força. A questão é que a sua utilidade para a força é no mínimo duvidosa.
Mesmo do ponto de vista do comandante da força, um UCAV oferece-lhe muito mais soluções de emprego do que uma aeronave tripulada a hélice.
Tb não temos pilotos...
Pois não. E ter que canalizar parte deles para operar os ST, pode ter consequências para as outras esquadras.
Eu antes prefiro uma FAP que mantém o número de pilotos na 101/ST apenas ao nível necessário para treino, e reforça o número de pilotos de F-16/futuro caça, do que canalizar mais pilotos para a esquadra 101/ST e ter menos pilotos de caça.