Confesso a minha incompreensão por haver surpresa - são compras enquadradas pelo SAFE, "governo - a - governo" / OCCAR; não há procedimento de "concurso", não houve negociações longas e detalhadas com vários governos por vários hipóteses de sistemas ; é normal que só no fim das negociações o Governo - tendo já havido, à porta fechada, reuniões dos CEMs e do MDN com a Comissão Defesa Nacional da AR - preste declarações.
Eu acho que parte da contestaçção às compras da Defesa ao abrigo do SAFE se deverão em parte à má-vontade contra os militares e despesas militares que existe nalguns sectores da sociedade nacional, a campanhas movidas por outros interesses (guerra híbrida?!?!?) E a raiva de alguns sectores/partidos políticos não terem sido beneficiados com estes contratos....
Mais uma razão para as coisas terem corrido muito bem, em termos de prazos, escolhas e parceiros.
Quem beneficia politicamente da retórica anti-SAFE? Os partidos populistas de extrema-direita e os partidos da extrema esquerda. Estes partidos estão a posicionar-se como anti-elite, anti-sistema e hostil aos gastos públicos percebidos como beneficiando os “outros” em vez de “o povo”.
A retórica anti-SAFE enquadra-se na sua narrativa porque lhes permite enquadrar os gastos com a defesa como desperdício ou corrupção e os programas ligados à UE como imposições estrangeiras e governo como priorizando “Bruxelas” em detrimento dos cidadãos portugueses.
Isto reflecte estratégias mais amplas da extrema-direita europeia que instrumentalizam os debates sobre a despesa pública para alimentar a desconfiança.
Eles lucram com a amplificação da tensão e da desconfiança social. O discurso de ódio e a crescente polarização social em Portugal mostram um ambiente político e mediático cada vez mais moldado pelas narrativas de conflito.
Neste ambiente, qualquer programa governamental amplo, complexo e mal explicado torna-se um alvo fácil.
Quem beneficia da retórica anti-SAFE? Comentadores que prosperam com o discurso impulsionado pela indignação e a comunicação social que lucra com enquadramentos
sensacionalistas e os partidos políticos que mobilizam os eleitores através do medo, da raiva ou da perceção de injustiça
A escala e a opacidade da SAFE tornam-na ideal para este tipo de exploração.