Unir os Pontos

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BlackFerdyPT

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Re: Unir os Pontos
« Responder #885 em: Março 03, 2020, 02:25:58 pm »
Os média de massas - nos quais se inclui a Wikipedia - que são controlados pela facção liberal-financeira das elites que insistem nesta fraude científica - [1] [2] [3] - obviamente que vão distorcer o caso...

E, a explicação do que sucedeu - que foi claramente uma estratégia por parte do Michael Mann de não revelar as suas fontes, para não ser apanhado em fraude científica - está descrita numa das fontes informativas (que é até portuguesa) para a colocação do blogueiro brasileiro que aqui deixei, que são referenciadas no final da sua colocação: https://blasfemias.net/2020/01/13/tribunal-do-canada-condena-falsificador-do-aquecimento-global/

Parem, para pensar... Então, se Michael Mann (o mesmo cientista que já foi aparentemente denunciado como tendo aldrabado dados científicos: https://www.prisonplanet.com/mike%E2%80%99s-nature-trick.html) tivesse realmente a oportunidade de calar de vez os seus críticos, não iria obviamente aproveitá-la?! (E, se não o fez, não é tudo isto muito mais consistente com um mero jogo de engano, feito para dar a impressão de que está de tal modo correcto que até processa os seus críticos - mas, quando chega a altura de o fazer efectivamente, não o faz?)

Sobre processos judiciais, do outro lado, lembro-me até, muito bem, de um dos melhores denunciadores desta impostura científica ter uma vez dito o seguinte: https://twitter.com/BlackFerdyPT/status/1220419570391044097 + https://twitter.com/BlackFerdyPT/status/1220419949396680707

E, isto é apenas o que acontece à vista de todos. Pois, quem já conheça a pessoa em causa e vir um documentário (algo "conspiranóico", infelizmente) sobre esta temática, feito pelo ex-fuzileiro estadunidense Jesse Ventura, irá conseguir identificar Tim Ball como a pessoa que se está a queixar de ameaças de morte: https://www.dailymotion.com/video/x4v6qpz (Já para não falar do que Ricardo Felício denunciou no final de uma das suas longas palestras, que um ou mais(?) dos autores do muito bom documentário do Channel 4 britânico, que aqui já deixei, apareceu morto etc.)

Como tenho dito, é uma questão de ouvirem sempre ambos os lados da história e fazerem o vosso próprio julgamento...

(E, no meu caso pessoal, posso até dizer que, depois de andar eu próprio, durante mais de 10 anos, a engolir esta mentira - e a traduzir até artigos da imprensa britânica sobre este suposto tema preocupante, para partilhar com outros activistas, quando pouco se falava sobre este assunto em Portugal - não precisei de ouvir muito do que o outro lado céptico tinha a dizer sobre isto, no documentário do Channel 4 britânico, para perceber que se tratava de uma clara fraude.)
"Trolls" que vagueiem por este fórum (denunciados aqui), as vossas pontuações negativas são como *medalhas* para mim! ;)

(Extra: http://www.forumdefesa.com/forum/index.php?topic=10786.msg316737#msg316737)
 

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Re: Unir os Pontos
« Responder #886 em: Março 03, 2020, 05:09:54 pm »
Os média de massas - nos quais se inclui a Wikipedia - que são controlados pela facção liberal-financeira das elites que insistem nesta fraude científica - [1] [2] [3] - obviamente que vão distorcer o caso...

E, a explicação do que sucedeu - que foi claramente uma estratégia por parte do Michael Mann de não revelar as suas fontes, para não ser apanhado em fraude científica - está descrita numa das fontes informativas (que é até portuguesa) para a colocação do blogueiro brasileiro que aqui deixei, que são referenciadas no final da sua colocação: https://blasfemias.net/2020/01/13/tribunal-do-canada-condena-falsificador-do-aquecimento-global/

Parem, para pensar... Então, se Michael Mann (o mesmo cientista que já foi aparentemente denunciado como tendo aldrabado dados científicos: https://www.prisonplanet.com/mike%E2%80%99s-nature-trick.html) tivesse realmente a oportunidade de calar de vez os seus críticos, não iria obviamente aproveitá-la?! (E, se não o fez, não é tudo isto muito mais consistente com um mero jogo de engano, feito para dar a impressão de que está de tal modo correcto que até processa os seus críticos - mas, quando chega a altura de o fazer efectivamente, não o faz?)

Sobre processos judiciais, do outro lado, lembro-me até, muito bem, de um dos melhores denunciadores desta impostura científica ter uma vez dito o seguinte: https://twitter.com/BlackFerdyPT/status/1220419570391044097 + https://twitter.com/BlackFerdyPT/status/1220419949396680707

E, isto é apenas o que acontece à vista de todos. Pois, quem já conheça a pessoa em causa e vir um documentário (algo "conspiranóico", infelizmente) sobre esta temática, feito pelo ex-fuzileiro estadunidense Jesse Ventura, irá conseguir identificar Tim Ball como a pessoa que se está a queixar de ameaças de morte: https://www.dailymotion.com/video/x4v6qpz (Já para não falar do que Ricardo Felício denunciou no final de uma das suas longas palestras, que um ou mais(?) dos autores do muito bom documentário do Channel 4 britânico, que aqui já deixei, apareceu morto etc.)

Como tenho dito, é uma questão de ouvirem sempre ambos os lados da história e fazerem o vosso próprio julgamento...

(E, no meu caso pessoal, posso até dizer que, depois de andar eu próprio, durante mais de 10 anos, a engolir esta mentira - e a traduzir até artigos da imprensa britânica sobre este suposto tema preocupante, para partilhar com outros activistas, quando pouco se falava sobre este assunto em Portugal - não precisei de ouvir muito do que o outro lado céptico tinha a dizer sobre isto, no documentário do Channel 4 britânico, para perceber que se tratava de uma clara fraude.)

O Tim Ball nunca apresentou um estudo, ou um modelo climático, que provasse a sua OPINIÃO. Tem quatro trabalhos publicados, nenhum deles sobre alterações climáticas. Mas pronto, o homem é uma autoridade em alterações climáticas, pelo menos para o Ferdy...

Climategate "trick":
https://rationalwiki.org/wiki/Climategate

The Great Global Warming Swindle:
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Great_Global_Warming_Swindle
 "TV companies occasionally commission programmes just to court controversy, but to misrepresent the evidence on an issue as important as global warming was surely irresponsible. 'The Great Global Warming Swindle' was itself a swindle. The programme makers misrepresented the science, the views of some of the scientists featured in the programme and the work of the Intergovernmental Panel on Climate Change."

Depois temos a menção honrosa ao Jesse Ventura, um ex-lutador de wrestling, o que claramente aumenta a credibilidade de qualquer pessoa, pelo menos para o Ferdy.

Já agora podes dar-me os nomes daqueles que foram mortos relativamente a este programa, Ferdy?
 

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BlackFerdyPT

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Re: Unir os Pontos
« Responder #887 em: Março 03, 2020, 07:30:22 pm »
E, sobre a credibilidade da Wikipedia, em geral, e no que toca a questões ambientalistas, em particular,

Fica aqui uma chamada de atenção para o facto de que, a Wikipedia já foi apanhada, no passado recente, a eliminar referências aos chamados Período Quente Medieval e Pequena Idade do Gelo, que são referenciados no documentário do Channel 4 que menciono: https://web.archive.org/web/20151025211540/http://blogs.telegraph.co.uk/news/jamesdelingpole/100020515/climategate-the-corruption-of-wikipedia/

O que se passa na Wikipedia é que, de facto, qualquer pessoa pode contribuir para a mesma. Mas, tal como acontece em qualquer publicação convencional, cabe depois ao editor-chefe em causa "rever" o que foi escrito e decidir/aprovar o que é publicado ou não.

Há até vários exemplos de páginas que, começam por conter até (muito) boa informação nas mesmas, mas que, anos depois, vêem esse tipo de informação (quando tal vai contra os interesses do poder estabelecido) simplesmente desaparecer: https://blackfernando.blogs.sapo.pt/como-a-wikipedia-manipula-a-informacao-87697
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Re: Unir os Pontos
« Responder #888 em: Março 05, 2020, 02:56:12 pm »
E, ainda sobre fraudes científicas, mais um ponto, para unir aos restantes.

Sabiam que, na origem do incêndio em toda a torre Grenfell, em 2017 (que, ainda esta semana, provocou mais um tumulto no Reino Unido) esteve um incêndio num frigorífico - e que, o modelo de frigorífico em causa é um de muitos, hoje em dia, que usam um gás refrigerante inflamável?

https://www.cila.co.uk/cila/download-link/sig-downloads/property/333-ific-forensics-domestic-fridges-fire-risks-march-2018/file

Ora, a razão pela qual se usam, hoje em dia, gases refrigerantes inflamáveis, é devido ao suposto facto dos gases refrigerantes iniciais, os CFC, danificarem a suposta "camada do ozono".

https://en.wikipedia.org/wiki/Isobutane#Refrigerant

E, adivinhem qual é a verdade sobre a "camada do ozono"...




(P.S. - Se a causa inicial do grande incêndio que menciono tiver sido a que várias pessoas que trabalham na indústria da refrigeração levantam como forte possibilidade - https://www.thermagroup.com/the-f-gas-situation-for-chillers - por razões óbvias, não contem nem com o governo britânico - que é o responsável pelo suposto "inquérito" ao incidente - nem com os média de massas, para vos dizerem a verdade sobre a origem do mesmo: https://assets.grenfelltowerinquiry.org.uk/documents/[Preliminary Fire Investigation Status Report to the Grenfell Tower Public Inquiry])

« Última modificação: Março 06, 2020, 05:10:45 pm por BlackFerdyPT »
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Re: Unir os Pontos
« Responder #889 em: Março 07, 2020, 06:07:27 pm »
E, já agora, para a minha "despedida" (pelo menos, temporária) deste fórum - e, no que toca ao primeiro ponto seguinte, talvez mais para o utilizador "Luso", para quem sei que a questão da Independência do Brasil é uma que interessa, deixo aqui mais alguma informação (ou alguns "pontos") de interesse, ainda sobre o tema da Maçonaria, que foi levantado (e sobre a qual eu aqui já apontei a influência de, em revoluções nacionais - aliás, denunciada na própria imprensa de massas: https://ionline.sapo.pt/artigo/594216/maconaria-300-anos-e-duas-revolucoes-em-portugal-o-liberalismo-e-a-rep-blica).


*


1) A seguinte citação, é de um artigo sobre a Maçonaria brasileira (relativamente à qual poderão encontrar até na Wikipedia leves referências - [1] [2] - a ligações ao movimento independentista em causa) escrito a partir de fontes maçónicas.

Citar
"O objetivo principal dos fundadores do Grande Oriente era a independência do país no momento em que a Família Real era forçada a voltar a Portugal, pela Revolução Constitucionalista do Porto de 1820. Os maçons brasileiros irão aos poucos perceber que, além da solidariedade e da fraternidade internacionais, a geopolítica portuguesa, manejada pelos maçons do Porto, buscaria levar o Brasil ao status quo ante de colônia,"

--- William Almeida de Carvalho, Revista de Estudios Históricos de la Masonería Latinoamericana y Caribeña


2) Sobre o que se passou também noutros países,

Olhando para o que aconteceu na restante América do Sul, também no século XIX, temos que Simón Bolívar e outros Pais Fundadores latino-americanos, que desmembraram o Império Espanhol, eram maçons: https://www.businessinsider.com/powerful-masons-2011-9#simn-bolvar-was-a-33rd-degree-mason-4

E, olhando para o que aconteceu na Europa, no século XX, temos: (a) que Kemal Atatürk, que desmontou o Império Turco, era maçom e esteve sempre rodeado de maçons [3] [4]; (b) a Primeira Guerra Mundial, que resultou no desmantelamento do Império Alemão, a ser provocada pela Maçonaria [5]; e (c) a Revolução Bolchevique (para a qual contribuiu o mal-estar causado pela Primeira Guerra Mundial), que provocou o colapso do Império Russo, a ter mão maçónica por trás [6] [7].

Também, quem sabe o básico sobre sociedades secretas que operam nos bastidores, sabe que por trás da Revolução Francesa, no século XVIII, esteve também a Maçonaria (https://www.sacred-texts.com/sro/pc/pc00.htm). E, outros melhor informados saberão que, os supostos ideais de "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" comummente associados à República que saiu desta revolução são, não só um lema da mais antiga obediência maçónica francesa - o Grande Oriente de França - como também um lema universal da Maçonaria, em si.

Ora, sabido tudo isto,


3) Olhem então para o golpe militar que, no passado recente, causou o desmantelamento do Império Português.

Eu é que cometi a ingenuidade de pensar que, se tal estava a ser admitido na própria televisão, iria eu depois conseguir então facilmente encontrar o mesmo tipo de admissões na Internet - e, por isso (e também por, na altura, menosprezar ainda o papel/relevância desta sociedade, em particular) não me dei ao trabalho de gravar tal entrevista... Mas, lembro-me muito bem de ter ouvido, por mero acaso, numa entrevista num dos canais generalistas da televisão (penso que na RTP) talvez há quase 10 anos(?) um alto membro da Maçonaria portuguesa descrever como a sua organização tinha, na clandestinidade, ajudado a instigar o 25 de Abril. (E, como não fiquei com a prova de tais declarações, terá de ficar para outros serem capazes de a encontrar...) Mas, em alternativa, consegui encontrar o seguinte.

Citar
A maçonaria em Portugal (...) tenham feito parte dela muitos dos resistentes à ditadura e, mais especificamente aqueles políticos que seriam determinantes para a queda do regime, bem como políticos que teriam particular presença no poder político após o fim da ditadura.
A resistência à ditadura fascista compôs‐se de dois grandes grupos, um dos quais, associados ao Partido Comunista Português (PCP) (...)
O outro grande grupo de resistentes estaria ligado ao que mais tarde seria o Partido Socialista (PS), mais moderado e essencialmente pertencente a uma esquerda liberal e social‐democrata. É neste último grupo que vamos encontrar uma grande parte dos maçons em oposição ao regime fascista. (...) Muitos dos envolvidos na revolução de 25 de Abril de 1974, que levou ao fim da ditadura, bem como muitos dos políticos, deputados, secretários de estado, ministros, primeiros‐ministros e presidentes da república portuguesa desde essa altura estão ou estiveram em algum ponto da sua vida diretamente ligados à maçonaria. Este envolvimento, que advém em grande parte do facto da resistência clandestina ao antigo regime fascista se ter processado também dentro das lojas maçónicas e, daí terem surgido muitos dos membros da primeira geração de políticos que vêm substituir os governadores da ditadura,

--- Francisco Santos Silva, Revista da Faculdade de História e do Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal de Goiás

Também,

Qual é a palavra mais associada a este golpe, escolhida até pelo actual poder estabelecido como nome para o feriado que o celebra? E, quais são os ideais expressos na famosa canção que deu início ao mesmo, que vezes sem conta os média controlados tocam, para celebrar esta ocasião?

(Eu não faço ideia de, se o que digo no anterior parágrafo se trata de mera coincidência ou não. Mas, se se tratar de tal, é uma mesmo muito interessante...)

E, passando ao lado de que, óbvia e admitidamente, também a própria Maçonaria portuguesa usa o lema "Liberdade, Igualdade, Fraternidade",

Que história é essa da obediência maçónica fundadora da chamada Maçonaria Continental - o acima mencionado Grande Oriente de França - ter até vindo a Portugal, uma vez, comemorar o 25 de Abril? (https://www.dn.pt/portugal/macons-associam-se-as-comemoracoes-1837440.html)

E, por que razão última terá o anterior regime nacionalista perseguido a Maçonaria?

(Por favor, não interpretem mal as minhas palavras sobre este golpe: https://blackfernando.blogs.sapo.pt/o-golpe-que-nos-permitiu-entrar-para-a-166452)


4) Fazendo um apanhado geral, do que tem acontecido com impérios europeus, nos últimos séculos,

Não há um claro padrão de figuras e actividade maçónicas, aquando do desmantelamento de impérios rivais do Britânico - império esse, que ainda sobrevive, de modo camuflado? (https://blackfernando.blogs.sapo.pt/o-invisivel-imperio-britanico-123512)

E, observado isto (e sabido também que, dentro da própria Maçonaria existem outras sociedades secretas: http://blackfernando.mypressonline.com/illuminati.html) não faz mesmo muito sentido o que quem, pertencente a serviços secretos não ocidentais e não controlados por maçons, diz sobre quem lidera a Maçonaria, no topo, de modo oculto?

https://twitter.com/EstulinDaniel/status/931332926066737152

E, se isto é verdade...

A quem é que obedece então agora, ultimamente, 90% da rebaptizada Assembleia da República?


5) Quem for capaz de ler textos sempre com sentido crítico, poderá encontrar muita informação útil, de interesse e reveladora, sobre esta sociedade semi-secreta, na própria Internet.

Citar
"De Londres, a Maçonaria espalhou-se por toda a Inglaterra e daí para a França, Países Baixos, Rússia, Suécia, Dinamarca, Espanha, Itália, Suíça, Turquia e França. A Portugal terá chegado entre 1735 e 1743, não havendo documentos concretos que comprovem o ano exacto da sua instalação. Oliveira Marques, conhecido historiador português, dá conta que talvez em 1727 tenha sido fundada, por comerciantes britânicos que viviam em Lisboa, uma loja que foi registada nos arquivos da Inquisição como a «Loja dos Hereges Mercantes», sugerindo a condição dos seus membros como protestantes. Esta loja viria a regularizar-se em 1735, pedindo a sua admissão à Grande Loja de Londres, onde obteria o número 135 e, posteriormente, o 120. Uma segunda loja terá sido fundada, em 1733, por iniciativa de George Gordon, enviado pela maçonaria inglesa para a multiplicação de lojas no estrangeiro, que funcionassem como elementos de propaganda maçónica e de influência do seu país."

--- Tirado de: http://www.freemasons-freemasonry.com/arnaldoG.html


Boas leituras.
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Re: Unir os Pontos
« Responder #890 em: Março 09, 2020, 05:45:05 pm »
Alguém aqui também gosta muito de chá (cuja introdução no Reino Unido, curiosamente, foi feita por Catarina de Bragança)?

(Publicidade à parte...) A minha marca favorita é o "Lipton Ice Tea" (https://pt.wikipedia.org/wiki/Unilever).

E, por não dispensar de tal, lá vou eu frequentemente ao hipermercado local comprar carradas do mesmo, quando este está em desconto.

Felizmente, vou compensando este acto de "traição" com outras escolhas - nomeadamente, na minha recusa em abastecer-me nas bombas de gasolina da British Petroleum situadas na via rápida que uso para ir ao hipermercado.
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Re: Unir os Pontos
« Responder #891 em: Julho 15, 2020, 02:53:58 pm »
A doutrina ideológica que une “gurus” de governos do Brasil, EUA e Rússia

Investigador Benjamin Teitelbaum, da Universidade do Colorado, defende que Olavo de Carvalho, no Brasil, Aleksandr Dugin, na Rússia, e Steve Bannon, nos EUA, são adeptos do tradicionalismo, “a completa rejeição política, ideológica e espiritual do 'statu quo'”.



Há um paralelo a ser feito entre os governos de Rússia, Estados Unidos e Brasil, segundo o pesquisador Benjamin Teitelbaum, professor assistente da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. Os três governos são influenciados e abrigam quadros políticos ligados a três intelectuais que exercem influência externa nas instituições governamentais: Steve Bannon, nos EUA; Aleksandr Dugin, na Rússia, e Olavo de Carvalho, no Brasil. Há ainda, de acordo com Teitelbaum, apesar de terem atuações e métodos distintos, uma linha em comum entre esses pensadores, que foram entrevistados no livro: os três são influenciados por uma tradição intelectual chamada tradicionalismo. É o que ele argumenta em seu novo livro War for eternity: inside Bannon’s far-right circle of global power brokers (“Guerra pela eternidade: dentro do círculo de influenciadores políticos globais de Bannon”, numa tradução livre) — lançado em abril, ainda não há uma tradução brasileira.

O tradicionalismo, segundo Teitelbaum, é uma doutrina complexa que reúne princípios em comum. Um de seus pilares é um olhar crítico à modernidade, no sentido dado ao termo por historiadores e cientistas sociais, como um período histórico e método de organização da vida social que incluem traços como o declínio da influência religiosa nas instituições diante da razão e à ciência, o declínio do simbolismo e da espiritualidade ante o materialismo, a organização social e política em torno de agrupamentos cada vez maiores, como Estados nacionais e, posteriormente, organizações supranacionais (batizadas de “globalistas”), o que leva, no olhar dos tradicionalistas, a uma padronização da vida social. Há, também, a crença de que a história corre de maneira cíclica e de que é necessário engajar-se numa “batalha espiritual” para restaurar os valores morais da sociedade, já que vivemos em um tempo de declínio moral.

Citar
HÁ, TAMBÉM, A CRENÇA DE QUE A HISTÓRIA CORRE DE MANEIRA CÍCLICA E DE QUE É NECESSÁRIO ENGAJAR-SE NUMA “BATALHA ESPIRITUAL” PARA RESTAURAR OS VALORES MORAIS DA SOCIEDADE, JÁ QUE VIVEMOS EM UM TEMPO DE DECLÍNIO MORAL.

Em seu livro, o pesquisador se debruça sobre a interpretação própria que esses ideólogos dos governos de Brasil, Rússia e Estados Unidos fizeram do tradicionalismo. Teitelbaum aponta filósofos esotéricos como o francês René Guénon e o italiano Julius Évola como grandes estruturadores do tradicionalismo, mas realça que nem todos os personagens de seu livro professam a doutrina integralmente (Olavo, por exemplo, critica a visão cíclica da história).

Esses princípios, no entanto, podem assumir diferentes identidades como discurso político nos dias de hoje. A doutrina foi adotada, por exemplo, por influenciadores de políticos europeus que se opõem firmemente à imigração de refugiados à Europa, como é o caso do historiador húngaro Gábor Vona, que até 2018 foi o principal ideólogo do Jobbik, partido de extrema direita europeu que está à direita do atual primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán. Mas também, segundo Teitelbaum, o tradicionalismo pode ser “anticapitalista, por exemplo, e pode ser anticristão. Condena o Estado nacional como uma construção modernista e celebra aspectos do Islã e do Oriente de maneira geral. Soa de direita?”, pergunta Teitelbaum em seu livro.

Na entrevista a seguir, realizada por email, ele analisa a influência de Olavo nos ministérios da Educação e das Relações Exteriores, a relação entre o chamado populismo de direita e o tradicionalismo e alerta para a oportunidade trazida pela Covid-19 para seus ideólogos engajarem-se no combate às instituições supranacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Como você define o Tradicionalismo?

Tradicionalismo é uma desconhecida, complicada e estranha escola filosófica e espiritual que praticamente não tinha qualquer influência na política até recentemente. Ela ensina que há muito tempo existia uma religião autêntica cujas verdades foram perdidas gradualmente na humanidade e que agora existe somente em fragmentos espalhados entre algumas tradições religiosas. Tradicionalistas tentam entender o que essa verdade perdida era, e o fazem tanto pelo estudo de religião comparada, e pela participação e conversão em práticas religiosas disponíveis ainda hoje, especialmente o islamismo sufista, hinduísmo, e às vezes a cristandade ortodoxa ou o catolicismo. Mas os Tradicionalistas tendem a considerar todas essas religiões como caminhos imperfeitos. Elas são apenas as melhores opções disponíveis.

E como ela se relaciona com a política?

Para entender o que essa doutrina tem a ver com a política em geral e com a direita política em particular, considere o que ela afirma sobre a noção moderna de “progresso.” A história, para a maioria dos Tradicionalistas, se constitui de um declínio e as instituições que nós temos disponíveis hoje são fracas e estão se enfraquecendo. A única forma de experimentar a virtude é entrar em contato com o passado. Fortuitamente, para os Tradicionalistas, eles pensam que é possível apenas fazer isto: inspirando-se no hinduísmo, eles acreditam num tempo cíclico e não linear, especialmente que sociedades atravessam quatro Eras distintas movendo-se de uma Era de Ouro, para uma de Prata, de Bronze, e para uma Sombria, antes de completar o ciclo voltando à Era de Ouro novamente. Isso significa, não apenas que o passado, o presente, e o futuro desenrolam-se juntos nesta visão de mundo, mas também que o declínio que eles veem na sociedade guarda uma promessa de renovação — o quão pior as coisas cheguem, o mais próximos estamos do fim da Era Sombria e do princípio da Era de Ouro.

Por que esses ideólogos tradicionalistas como Bannon, Dugin e Olavo de Carvalho, que pregam uma doutrina ideológica tão única e até isolada, ganharam tamanha influência em países relevantes no cenário geopolítico internacional como EUA, Rússia e Brasil? Eles simplesmente ofereceram um bom discurso político-eleitoral?

Essa é a questão-chave do meu livro, é a principal reflexão que tento trazer aos leitores. É uma questão, no entanto, de que eu me aproximo e me afasto com mais curiosidade do que tiro conclusões. Uma coisa de que tenho certeza é que essas figuras não foram atraídas pelo tradicionalismo porque pensaram que poderia trazer apelo de massa. O tradicionalismo é estranho, alienante, radical e elitista. É tudo que alguém que queira conseguir apoio social mais amplo quer evitar. Mas, mesmo que eu não ache que funcione como ferramenta de autopromoção pública, o papel [do tradicionalismo] como motivação das ações desses ideólogos é impressionante. Permanece como uma questão para mim mesmo se suas ações [Dugin, Bannon e Olavo] se alinham a outros populistas na extrema direita porque elas [as ações] nos mostram que essas figuras, em particular, nunca estiveram interessadas em ser meros populistas. Em vez disso, eles se veem como seguidores de uma obscura doutrina esotérica.

Por quê? Especulo que o que o tradicionalismo lhes oferece é uma completa rejeição ideológica e espiritual do status quo. Tradicionalistas se definem como antimodernistas, em vez de esquerdistas ou direitistas, e isso é uma afirmação que os coloca além das fronteiras de praticamente todas as ideologias políticas contemporâneas que nós discutimos: liberalismo, conservadorismo, comunismo, mesmo o nazismo ou fascismo, que eram muito modernistas à própria maneira. Quando nós consideramos isso, que a adoção deles ao tradicionalismo – mesmo que pareça dissimulado, mesmo que a ideologia em si seja tão difusa e pouco clara a ponto de ser praticamente sem sentido para guiar políticas públicas –, envia uma mensagem clara da intenção deles: significa que eles, paradoxalmente, querem algo completamente novo, algo radicalmente diferente do que nós esperamos da política. Um otimista diria que isso estabelece as condições para a inovação; um pessimista, um caminho para a imprudência e a destruição.

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TRADICIONALISTAS SE DEFINEM COMO ANTIMODERNISTAS, EM VEZ DE ESQUERDISTAS OU DIREITISTAS, E ISSO É UMA AFIRMAÇÃO QUE OS COLOCA ALÉM DAS FRONTEIRAS DE PRATICAMENTE TODAS AS IDEOLOGIAS POLÍTICAS CONTEMPORÂNEAS QUE NÓS DISCUTIMOS: LIBERALISMO, CONSERVADORISMO, COMUNISMO, MESMO O NAZISMO OU FASCISMO, QUE ERAM MUITO MODERNISTAS À PRÓPRIA MANEIRA.

No seu livro, você argumenta que Steve Bannon e Olavo de Carvalho compartilham uma interpretação do tradicionalismo. Ambos defendem que a população camponesa, rural, e mesmo a população mais pobre e não escolarizada nas cidades – o “Brasil profundo” de Olavo de Carvalho (ou “A América de verdade”, no caso de Bannon) – são guardiões de alguns dos valores do tradicionalismo, como uma vida orientada pela religião e o patriotismo. Você diz que Olavo e Bannon veem essa parte da população como “guardiões do espírito”. Você acha que essa visão de mundo pode resultar em políticas públicas que vão contra o Estado laico? Para onde você acha que essa ideologia pode guiar Brasil e Estados Unidos no futuro?

Historicamente, visões de mundo similares a essa – o nacionalismo romântico na Europa em particular – sofreram porque o “povo” que estava sendo idealizado raramente era quem os ideólogos da elite urbana pensavam. As vidas dessas pessoas nem sempre eram tão diferentes dos modos de vida “modernos”, como pintores e poetas imaginaram, por exemplo. E daí nasceu uma estética baseada em idealizações do povo em vez das pessoas como elas realmente são – é uma encarnação artística e conservadora do que também aconteceu com os revolucionários marxistas procurando por um proletariado que não existia em lugar nenhum. Forma-se um problema teórico disso tudo, mas me parece que a ideia reversa [a essa idealização] é mais incendiária: correspondendo a essa idealização dessa versão do “povo”, nós vemos o desprezo pelo que não é esse povo, a rejeição das virtudes mantidas por uma elite burocrática e esclarecida. E, ainda que eu celebre questionamentos ao elitismo como um processo natural e saudável pelo qual as sociedades devem passar, eu também fico preocupado pelo potencial do amplo desprezo à competência profissional e às instituições que recebe uma justificação espiritual e ideológica por meio do tradicionalismo. Quando você questiona aonde essa ideologia está nos levando, é nisto que penso primeiro: a tendência antiestablishment comum aos movimentos populistas agora tem uma incumbência divina entre um setor de influenciadores de alto nível que estão operando com grande fervor.

Políticas educacionais são assunto de grande interesse para os seguidores de Olavo de Carvalho que possuem relevância política. Eles afirmam que as instituições brasileiras, sobretudo as de área da cultura e educação, foram infiltradas por pessoas que defendem (conscientemente ou não) valores comunistas como parte de uma estratégia que remonta ao pensamento do filósofo italiano Antonio Gramsci. Na visão deles, essa suposta infiltração é parte de uma estratégia global para a implantação do comunismo, que o movimento comunista internacional adotou após ter desistido da chamada luta armada de guerrilhas. Olavo se alinha também a uma visão do chamado populismo de direita de que há um establishment cosmopolita tentando implantar um suposto “governo mundial” sobreposto às soberanias nacionais que também defende valores a que os tradicionalistas parecem se opor. Que tipo de políticas educacionais pode resultar desses elementos?

Eu nunca discuti políticas educacionais a fundo com nenhum dos principais personagens do meu livro, mas perspectivas tradicionalistas podem interagir com a pauta da educação de múltiplas maneiras. Primeiramente, a maioria dos tradicionalistas sustenta que os valores mais em voga na sociedade hoje são exatamente o oposto do que deveriam ser – alguns chamam isso de inversão e veem isso como uma consequência da nossa vida em uma era sombria onde tudo está fora de ordem. Isso significa, além de outros aspectos, que instituições e a própria credibilidade dada a elas devem estar sob suspeita: médicos prejudicam em vez de curar, a mídia desinforma, políticos trabalham contra o interesse da população que representam, artistas criam feiura e se afastam de um ideal de beleza. Com certeza, isso pode levar alguém a desprezar o atual sistema de educação e saudar qualquer esforço de desmontá-lo completamente. Em segundo lugar – e isso também está ligado à noção de que nós vivemos em uma era de inversão onde nada é como deveria ser –, tradicionalistas tendem a desprezar meios convencionais de mudança política. Se há um consenso na sociedade – e é propagado a cidadãos de nações democráticas que eles podem alterar suas respectivas realidades políticas por meio da participação no processo democrático –, isso provavelmente é uma mentira. A noção de que mudanças políticas vêm, não por meio de partidos, políticos, e votações, mas em vez disso secretamente, por meio da cultura, é algo que pode unir alguém inspirado pelo tradicionalismo e o neomarxismo de alguém como Antonio Gramsci, que disse que a cultura, mais além do que meras relações materiais, pode ser a força política das mudanças, e por isso eles querem se opor a isso. A produção de canais alternativos de educação e política educacional, que Dugin e Olavo têm e Bannon aspira a ter, é uma forma não convencional de estimular mudanças políticas.

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A NOÇÃO DE QUE MUDANÇAS POLÍTICAS VÊM, NÃO POR MEIO DE PARTIDOS, POLÍTICOS, E VOTAÇÕES, MAS EM VEZ DISSO SECRETAMENTE, POR MEIO DA CULTURA, É ALGO QUE PODE UNIR ALGUÉM INSPIRADO PELO TRADICIONALISMO E O NEOMARXISMO DE ALGUÉM COMO ANTONIO GRAMSCI, QUE DISSE QUE A CULTURA, MAIS ALÉM DO QUE MERAS RELAÇÕES MATERIAIS, PODE SER A FORÇA POLÍTICA DAS MUDANÇAS, E POR ISSO ELES QUEREM SE OPOR A ISSO.

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Cabeça de Martelo

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Re: Unir os Pontos
« Responder #892 em: Julho 15, 2020, 02:54:20 pm »
Continuação:

Finalmente, devemos atentar que o globalismo de qualquer espécie tende a ser desprezado pelo tradicionalismo. Um dos traços do declínio que vivemos, de acordo com essa filosofia, é a homogeneização da sociedade. Para alguns, isso significa a perda da hierarquia e o nivelamento igualitário de tudo de acordo com o mínimo denominador comum da sociedade. Para outros, homogeneização ocorre em uma dimensão mais horizontal do que vertical, com a erradicação de fronteiras separando diferentes comunidades, nações e civilizações e tudo se integra numa Nova Ordem Mundial. Para Aleksandr Dugin, o liberalismo ocidental é a força globalizante mais ameaçadora; para Olavo, é o comunismo. De fato, junto a críticas ao secularismo e ao materialismo, o medo da globalização é uma característica que distingue os oponentes do comunismo inspirados pelo tradicionalismo.

Tudo isso se emaranha nas críticas de Olavo às instituições educacionais no Brasil: ele sustenta que seus oponentes marxistas corretamente compreenderam um dos reais núcleos de mudança na sociedade (a cultura, que é produzida, entre outros espaços, nas escolas), e estão usando essas instituições para espalhar os valores materialistas e seculares do globalismo.

Você escreveu, referindo-se à trajetória de Olavo de Carvalho, a seguinte afirmação: “O líder da tariqa [seita esotérica muçulmana] e o caubói armado da área rural da Virgínia – não eram somente a mesma pessoa, mas talvez a mesma persona”. Você poderia explicar um pouco melhor essa ideia?

Quando você analisa a biografia de Olavo, pode aparentar que ele tenha alternado identidades bastante diferentes, sendo um tipo de pessoa um dia e outro tipo completamente diferente de pessoa no dia seguinte. Mas, quando eu analisei as duas identidades que eu estudei mais a fundo para o meu livro – o filósofo esotérico que liderou uma tariqa sufista e o Olavo que agora é um guerreiro das mídias sociais lutando por um presidente populista –, eu me impressionei com o quanto essas identidades eram semelhantes, apesar do fato de que elas aparentam ter uma imagem diferente. Olavo quis se definir como um dissidente e um outsider durante toda a sua vida. Ele rejeita o convencional em termos de intelectualismo, ciência, educação ou política – e, novamente, por que você não adotaria essa postura se você acredita que estamos vivendo em um mundo virado de cabeça para baixo, um mundo invertido? Isso é o que permanece constante em Olavo, esteja ele vestindo um turbante ou um chapéu de caubói. O desafio para tais figuras é, claro, como sustentar essa identidade como um dissidente quando você ascende ao poder e pode passar a ser visto como parte do establishment. Para colocar em termos tradicionalistas, se a sociedade passa a reconhecer você como fonte da verdade e do conhecimento, você não deveria também estar sob suspeita de estar espalhando mentiras e confusão?

No livro, você descreve também uma tentativa de aproximação de Steve Bannon em direção a Aleksandr Dugin. Você diz que Bannon quer que Dugin abra mão de seu projeto eurasiano, de estabelecer a Rússia como líder de uma zona de influência entre a Ásia e Europa para opor-se ao domínio internacional dos Estados Unidos, para alinhar-se aos Estados Unidos geopoliticamente. Antes de assumir seu posto no Ministério de Relações Exteriores, Ernesto Araújo defendeu, em um texto intitulado “Trump e o Ocidente”, um pacto cristão entre Brasil, Rússia e Estados Unidos. Você avalia que Bannon conta com o Brasil como um aliado no seu projeto de convencimento de Dugin e da Rússia em direção a esse alinhamento com os EUA?

Certamente. No mínimo, Bannon considera a ala de influência de Olavo no governo, por exemplo, nos ministérios de Relações Exteriores e da Educação, como aliados. Mas ele sabe, também, que não há um alinhamento das visões dele com o governo, e que, para trabalhar em direção a um rompimento entre Brasil e China, como Bannon também deseja, Araújo estará trabalhando contra uma ordem política e econômica profundamente arraigada no país. Mudar isso requer mais do que apenas um presidente – requer uma convulsão política e administrativa em Brasília, e também uma mudança de discurso político e sentimento popular no seu país. Isso pode explicar por que Araújo e Olavo possuem tamanha atração e apreço por Bannon. Eles não somente são favoráveis a uma visão política que ele compartilha, se empenham em campanhas culturais para alcançá-la; seja essa campanha perseguida por tuítes e vídeos de Olavo ou pelo ensaio de Araújo. Isso se alinha com o arsenal de estratégias de Bannon para a mudança política.

Como Bannon quer mudar as relações entre China e Brasil?

Ele não foi muito claro comigo nesse aspecto, mas ele certamente vem pressionando o Brasil a resistir à expansão de determinados interesses econômicos chineses, como a rede de 5G da Huawei, por exemplo. Mas ele também está tentando reforçar as vozes de gente como Ernesto Araújo, que quer enquadrar o Brasil como uma sociedade judaico-cristã e, portanto, uma sociedade deve ter suas alianças geopolíticas primárias com outras nações judaico-cristãs (um movimento que prioriza um aspecto espiritual sobre outros interesses materiais) em vez de países como a China com quem, supostamente, há pouca espiritualidade em comum.

Qual a relação entre Bannon e Filipe Martins, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais?

Eu não estou a par do que eles tratam entre si, mas Martins é, definitivamente, parte da rede Olavo-Bannon-Araújo, que se encontrou diversas vezes em Washington e Nova York. Ele esteve presente nos primeiros encontros entre Bannon e Eduardo Bolsonaro. Outro ponto de contato dessa rede no governo brasileiro parece agora ser Cesar Ranquetat Jr [nomeado por Ernesto Araújo no último dia 19 para a banca examinadora do Instituto Rio Branco]. Ele é um dos mais qualificados seguidores de Julius Évola [filósofo esotérico, escritor, pintor e poeta italiano do século 20] na América do Sul.

Bannon permanece influente na Casa Branca mesmo depois de ter sido afastado do governo Trump?

Se ele mantém influência na Casa Branca, como algumas coberturas recentes na mídia americana afirmam, será difícil de rastrear e confirmar. Essa influência se daria apenas através de canais privados e intermediários. No entanto, há muita gente o consultando, formal e informalmente, em Washington, e algumas dessas pessoas estão na Casa Branca, inclusive em posições consideráveis, ligados ao chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows.

Em um artigo recente para o The Nation, você escreveu que a pandemia da Covid-19 poderia oferecer uma grande oportunidade aos tradicionalistas para consolidarem uma oposição firme ao chamado “consenso liberal” que emergiu no mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, como o multilateralismo, a ascensão das organizações supranacionais, o individualismo, a globalização. Recentemente, nós vimos Trump anunciar, por exemplo, a retirada de financiamento da OMS. Como você acha que os tradicionalistas vão forçar essa pauta contra as instituições do mundo moderno após a pandemia? Que tipo de mundo você acha que eles querem?

O que eles querem é um mundo menos integrado, um mundo dividido por fronteiras, instituições políticas e culturais de menor escala. Um mundo sem globalismos de qualquer tipo, em outras palavras. Para Dugin em particular, o surto de coronavírus é um possível meio de alcançar esse mundo. Da forma como ele avalia, nós estamos sendo punidos por estarmos globalmente conectados. O vírus está viajando pelos canais de comunicação globais, pelas viagens e trocas culturais globais, e está nos matando. Aqueles que vão sobreviver são aqueles que consigam escapar do globalismo, que consigam escapar desse movimento global e que se rendam ao valor das fronteiras. Olavo também tem falado sobre a globalização e sua relação com o vírus, mais especificamente referindo-se ao vírus como algo instigado pela China comunista. Ele também vem comentando a fraqueza da OMS. E, como você diria, o que eles têm em comum é a esperança de que, depois disso, os globalismos que ainda sobrevivem no mundo hoje – as organizações multilaterais, o capitalismo global, os esforços comunistas globais – sejam enfraquecidos.

O QUE ELES QUEREM É UM MUNDO MENOS INTEGRADO, UM MUNDO DIVIDIDO POR FRONTEIRAS, INSTITUIÇÕES POLÍTICAS E CULTURAIS DE MENOR ESCALA. UM MUNDO SEM GLOBALISMOS DE QUALQUER TIPO, EM OUTRAS PALAVRAS.
Como eles vão buscar essa agenda? Não está claro o que Olavo está fazendo, além de aproveitar a oportunidade de contestar a atuação da OMS – lembre-se da crítica tradicionalista à atuação e à expertise institucionalizada. Bannon está em modo de ataque contra o Partido Comunista Chinês, produzindo um podcast com alcance relativamente amplo sobre a pandemia. Ele avalia que o desafio trazido pelo vírus ao globalismo de maneira mais ampla não precisa ser estimulado, no entanto, já que convulsões desse tipo estão destinadas a acontecer e vão ocorrer independentemente das movimentações dos políticos. Dugin também pensa que a queda do globalismo é destino – que nós estamos vivendo no fim do que uma antiga profecia previu como uma era sombria – e que a destruição e a dor do nosso tempo nos guiarão até uma era de ouro. O coronavírus lhe parece um instrumento necessário para a destruição – dolorosa, mas com a promessa de salvação.

E o que é o Bem e o Mal — o Ouro e as Trevas — na visão dos tradicionalistas?

Eles consideram a sociedade mais virtuosa quando apresenta uma hierarquia indo-europeia de castas com uma pequena elite de Sacerdotes no topo de uma pirâmide, descendendo para uma casta de Guerreiros, para os Mercadores, e finalmente para uma massa de Escravos. A hierarquia fica intacta e a espiritualidade dos Sacerdotes reina na Era de Ouro. Na Era Sombria, o materialismo dos Escravos e Mercadores reina e a hierarquia em si se dissolve quando a humanidade é homogeneizada seguindo nossos ímpetos mais baixos. Nesta Era, mesmo as pessoas e as instituições que parecem pertencer a uma casta superior perdida (a Igreja, o Exército, etc.) são apenas miragens e fachadas escondendo os mesmos desejos materialistas que o restante da sociedade.

O Tradicionalismo que se manifesta na política, em outras palavras, é uma visão envenenada para desacreditar o conhecimento e o profissionalismo institucionalizado, para interpretar a globalização, a democratização, e a igualdade como indicações proféticas de que estamos vivendo a Era Sombria, e para saudar a destruição da sociedade de massas e a ordem estabelecida como um meio para trazer de volta uma sociedade global mais segmentada — se não hierárquica — e espiritualizada.

Fonte original - https://apublica.org/2020/06/pesquisador-americano-analisa-doutrina-ideologica-que-une-gurus-de-governos-do-brasil-eua-e-russia/?mc_cid=827cc46363&mc_eid=d8782a11e4

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Re: Unir os Pontos
« Responder #893 em: Julho 15, 2020, 09:46:31 pm »
Eu sigo. ou melhor, seguia o percurso do Olavo.
Ele não é um tradicionalista.
Ele apenas é um oportunista, um pulha da pior espécie que de tradiconalista não tem nada.
Num país com nível cultural bastante pobre, e estando os "intelectuais"ao serviço da esquerda, Olavo brilha no campo oposto, dado o deserto. Um chico-esperto em terra de cegos.
O mesmo aconteceu aqui, com alguns intelectuais do que eu chamo a "direitinha bem comportada".
Já agora, Olavo reside (ou residia) na Virgínia, EUA, o que é muito engraçado. Deve facilitar a logística.
Olavo não trabalha para o Brasil mas para quem lhe pagar melhor.

Procurem mais sobre o senhor em, por exemplo, no Prometheu Liberto.

Ou seja,o artigo peca porque dá uma autoridade a Olavo que ele não merece e ainda por o considerar ao serviço do Brasil.

Julgo que tal artigo servirá para dar credibilidade, junto da direita portuguesa (actualmente de extrema pobreza intelectual), de forma a melhor controlar essa... facção.

Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 
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