Unir os Pontos

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miguelbud

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Re: Unir os Pontos
« Responder #360 em: Janeiro 10, 2013, 10:48:45 pm »
Papatango, essa história do seu colega é mesmo verdadeira ou uma metáfora? É que isso foi a base do credit crunch e em Portugal nao existiu semelhante fenómeno. No entanto, se for verdade, é criminoso e mostra o comodismo do pos 25 de abril em que se pensa que a vida só pode melhorar e o estado paga tudo.

Em relaçao ao que disse no ultimo paragrafo, nao é inteiramente verdade, pois a divida publica antes de aderirmos ao euro foi controlada, á custa de várias privatizaçoes é certo, mas ficou abaixo dos 60% exigidos pelo pacto de estabilidade. o problema foi que a seguir começou a distribuir subsidios a torto e a direito e o defice aumentou, defice esse que o governo do fugitivo (leia-se D. Barroso) atraves da Manuela Ferreira Leite tentou dominar mas nao conseguiu. No entanto o criminoso (leia-se besta de Paris) conseguiu domina-lo creio que em 2006 á custa do fecho de maternidades e outros servicos estatais. Isto deve te-lo levado a pensar que era um genio. :N-icon-Axe:

O crimonoso acima citado, tinha tudo para ser o melhor primeiro ministro que tivemos desde o 25 de abril, mas acabou por seguir o caminho mais facil, ie, roubar dinheiros publicos disfarçando-os de subsídios. No entanto se quisermos culpar alguém, que se culpe a opiniao publica, sindicatos, manifestantes, enfim todos os portugueses, em especial aqueles que em finais de 2009, iniícios de 2010 estavam mais preocupados em discutir o casamento homosexual quando a dívidas soberanas estavam debaixo de fogo pelos mercados.
 

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HSMW

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Re: Unir os Pontos
« Responder #361 em: Janeiro 10, 2013, 11:41:18 pm »
Já que estamos a escrever as crónicas do caminho da desgraça no final do século XX, em que fase colocamos a tercialização do tecido económico português (a redução das cotas na agricultura, leite, pescas, etc), a estupidificação do povo com "pão e circo", o esquecimento da História e da cultura de valores, a imigração descontrolada, o assalto ao Estado, a iberização...

Citação de: "miguelbud"
enfim todos os portugueses, em especial aqueles que em finais de 2009, iniícios de 2010 estavam mais preocupados em discutir o casamento homosexual quando a dívidas soberanas estavam debaixo de fogo pelos mercados.
Curiosamente admito que durante esse anos não ouvi falar de défice! Falou-se?
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papatango

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Re: Unir os Pontos
« Responder #362 em: Janeiro 11, 2013, 12:04:48 am »
A questão em causa foi-me transmitida, eu não assisti.
Mas o relato que fiz foi o que me foi transmitido em primeira mão por esse ex colega e o banco era a Nova Rede.
Mas não foi caso único. Na altura havia uma grande concorrência entre os bancos privados e valia tudo.
 

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miguelbud

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Re: Unir os Pontos
« Responder #363 em: Janeiro 11, 2013, 09:36:24 am »
Citação de: "HSMW"
Já que estamos a escrever as crónicas do caminho da desgraça no final do século XX, em que fase colocamos a tercialização do tecido económico português (a redução das cotas na agricultura, leite, pescas, etc), a estupidificação do povo com "pão e circo", o esquecimento da História e da cultura de valores, a imigração descontrolada, o assalto ao Estado, a iberização...
É mais o esquecimento da história HSMW, porque esta diz-nos que sempre que tivemos dinheiro, nao o soubemos gerir.

Citação de: "HSMW"
Citação de: "miguelbud"
enfim todos os portugueses, em especial aqueles que em finais de 2009, iniícios de 2010 estavam mais preocupados em discutir o casamento homosexual quando a dívidas soberanas estavam debaixo de fogo pelos mercados.
Curiosamente admito que durante esse anos não ouvi falar de défice! Falou-se?
Falava-se mas nao tinha a visibilidade que tem agora, porque o pessoal estava mais preocupado em levar na anilha.  O defice na altura era controlado apenas anualmente, ou melhor as notícias vinham para fora anualmente quando se subtraia a depesa publica á riqueza gerada; agora é controlado mensalmente. Actualmente le-se com alguma frequencia notícias criadas a partir dos relatórios feitos pelo Instituto nacional de estatística relacionadas com o defice, performance das exportaçoes, evoluçao da dívida publica, etc. Esses relatórios sempre existiram, mas apenas apareciam na imprensa especializada, agora aparecem na generalista. No entanto defice sempre existiu (apesar de em 2006 ou 2007 ter sido bastante reduzido). Aliás vai sempre continuar a existir por muitos e bons anos, basta fazermos as contas, em democracia nunca crescemos num ano 6%, e o gajo de Paris, vangloriava-se do sucesso que era colocar dívida nos mercados abaixo dos 7%.  :N-icon-Axe:  :N-icon-Axe: Temos uma dívida publica de 120%, agora é fazer as contas.
 

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miguelbud

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Re: Unir os Pontos
« Responder #364 em: Janeiro 11, 2013, 09:45:50 am »
Citação de: "papatango"
A questão em causa foi-me transmitida, eu não assisti.
Mas o relato que fiz foi o que me foi transmitido em primeira mão por esse ex colega e o banco era a Nova Rede.
Mas não foi caso único. Na altura havia uma grande concorrência entre os bancos privados e valia tudo.

Obrigado. É fantástico como é que o Banco de Portugal deixou passar semelhante coisa.
 

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Re: Unir os Pontos
« Responder #365 em: Janeiro 11, 2013, 11:13:38 am »
Citação de: "miguelbud"
Citação de: "papatango"
A questão em causa foi-me transmitida, eu não assisti.
Mas o relato que fiz foi o que me foi transmitido em primeira mão por esse ex colega e o banco era a Nova Rede.
Mas não foi caso único. Na altura havia uma grande concorrência entre os bancos privados e valia tudo.

Obrigado. É fantástico como é que o Banco de Portugal deixou passar semelhante coisa.


Hello? O nome Vitor Constâncio diz-te alguma coisa?????
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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Re: Unir os Pontos
« Responder #366 em: Janeiro 11, 2013, 11:18:00 am »
Quanto á longa lista de culpados (e eu acho que sou insuspeito porque nunca defendi o pinócrates) continua-me a fazer espécie que o pessoal de direita páre no dito "bandido de Paris" e não diga uma palavrinha acerca dos actuais governantes, parece portanto que os estão a isentar de quaisquer culpas. E também não falem das PPPs (que continuam intocáveis--para essas TODOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS têm de ser SALVAGUARDADOS!), nos contantes atropelos á Constituição, nas trafulhices estilo Relvas e companhia, nos tachos e assessores contratados a 5000€/mês, no facto deste ser o único governo de paises sobre "intervençao", em que as mordomias dos governantes não foram cortadas.

Acho que vos fica mal, em termos de coerência.
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miguelbud

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Re: Unir os Pontos
« Responder #367 em: Janeiro 11, 2013, 11:54:43 am »
Citação de: "P44"
Citação de: "miguelbud"
Citação de: "papatango"
A questão em causa foi-me transmitida, eu não assisti.
Mas o relato que fiz foi o que me foi transmitido em primeira mão por esse ex colega e o banco era a Nova Rede.
Mas não foi caso único. Na altura havia uma grande concorrência entre os bancos privados e valia tudo.

Obrigado. É fantástico como é que o Banco de Portugal deixou passar semelhante coisa.


Hello? O nome Vitor Constâncio diz-te alguma coisa?????
Nao só Vitor Constancio como Jardim Gonçalves, que era o CEO do BCP, instituiçao que controlava o banco Nova Rede.  :? Basta unir os pontos.
 

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miguelbud

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Re: Unir os Pontos
« Responder #368 em: Janeiro 11, 2013, 12:18:39 pm »
Citação de: "P44"
Quanto á longa lista de culpados (e eu acho que sou insuspeito porque nunca defendi o pinócrates) continua-me a fazer espécie que o pessoal de direita páre no dito "bandido de Paris" e não diga uma palavrinha acerca dos actuais governantes, parece portanto que os estão a isentar de quaisquer culpas. E também não falem das PPPs (que continuam intocáveis--para essas TODOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS têm de ser SALVAGUARDADOS!), nos contantes atropelos á Constituição, nas trafulhices estilo Relvas e companhia, nos tachos e assessores contratados a 5000€/mês, no facto deste ser o único governo de paises sobre "intervençao", em que as mordomias dos governantes não foram cortadas.

Acho que vos fica mal, em termos de coerência.
Mas o problema nao sao os actuais. Esses nao passam de necrófagos tipo hienas que apenas se sustentam dos restos dos cadaveres. Os verdadeiros leoes/ predadores foram os do tal senhor, que agora deve estar sendo numa esplanada parisiense a beber uma flute do melhor champanhe frances, enquanto tenta decifrar os textos de Aristoteles ou Platao. As trafulhices do Relvas, sao graves, mas acabam por ser irrelevantes face aos crimes do governo socrates. A licenciatura do relvas é tao grave como a do socrates, mas veja-se o mediatismo que ambos os casos tiveram na opiniao publica.
É óbvio que este governo nao tem santos (aliás basta ver quanto ganha um ministro em Portugal para perceber que gente séria prefere trabalhar no privado, pois ganha muito mais e o reconhecimento é maior), no entanto nunca nenhum governo teve tanta atençao da comunicaçao social como este. Assim sendo é facil encontrar trafulhices e discrepancias entre discursos e actos, se isto tivesse acontecido nos governos do PS a história teria sido diferente, mas como ele só davam boas notícias nao havia necessidade de vasculhar as coisas.
 

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papatango

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Re: Unir os Pontos
« Responder #369 em: Janeiro 11, 2013, 12:36:46 pm »
O bandido de Paris, e as pessoas que o apoiaram na Assembleia da República com uma maioria absoluta, tem uma quota de responsabilidade titânica na atual situação, porque foi com ele que essa mesma situação ficou completamente descontrolada.

É verdade que todos têm culpa, mas também, é verdade que a culpa de cada um pode ser medida E NÃO É IGUAL.

Quem há anos atrás, acompanhasse os comentários dos chamados «profetas da desgraça» já deveria saber o que se passava mas acima de tudo já deveria saber o que aí vinha.

Eu mesmo há mais de um ano coloquei neste fórum um post com previsões sobre o que iria acontecer e fui respondido que se aquilo acontecesse entrávamos em guerra civil.
Neste momento já se ultrapassou o que eu aventei que poderia acontecer.

Nenhuma destas medidas pode ser considerada inesperada. A verdade é que andámos a gastar o dinheiro que não tinhamos.
O gasto não foi feito por uma entidade, foi isso sim resultado de uma politica de facilitismo, em que sem estudos sérios, sem normas, e sem regras, se fizeram investimentos que não tinham qualquer viabilidade e qualquer possibilidade de retorno.

Não há ninguém impoluto nesta história. Desde os deputados do PSD que defendiam o aeroporto da OTA, aos políticos do PCP e do Bloco de Esquerda que queriam o TGV, porque isso ia criar empregos.
E depois toda a gente bateu na Manuela Ferreira Leite, quando ela disse que isso ia criar empregos para paquistaneses, ucranianos, moldavos, mas não criaria empregos para portugueses.

Nós temos um governo neo-liberal, coartado pelos acordos de governo e que como infelizmente sempre aconteceu é influenciado pelos «investidores de pacotilha» que são a favor do capitalismo de estado, mas têm pânico da economia de mercado e da livre concorrência.

Os nossos problemas são complexos, demasiado intrincados para serem respondidos de forma simples e linear.
Na verdade, a atual situação fez o país perder a independência. Essa é a realidade.
A Troika exige que cumpramos metas e é por isso que os funcionários públicos ainda recebem salário.

Coisa que muita gente esquece:
É o dinheiro da Troika, que faz com que não tenhamos mais gente já a dormir debaixo da ponte.
O governo recebeu esse dinheiro e com ele ordens para agir, do cumprimento das quais dependem as sucessivas tranches de dinheiro que permitem a Portugal respirar.

Como pode alguém comparar um governo que está manietado e condicionado por uma intervenção estrangeira, com outro que agiu de forma leviana, gastando o dinheiro que não tinha e endividando os bisnetos do bandido de Paris e toda essa geração ?

Essa é a diferença. Será que é assim tão dificil de entender ?

Nós precisamos de medidas que para funcionarem precisam de ser tomadas pelo menos em toda a União Europeia, mas também precisamos de medidas e regras que permitam evitar que um maluco do PS volte ao poder e consiga pedir mais dinheiro emprestado.
E o maralhal vai dizer sempre que sim, desde que venha algum e desde que teta produza algum leite, mesmo que seja leite comprado com dinheiro que não se vai pagar.

Quanto às medidas europeias, e mundiais, pouco ou nada podemos fazer.
No que respeita a tentar evitar que no futuro volte a acontecer o mesmo, isso só se faz demonstrando quem foi o principal responsável.
E o partido responsável, está alegremente a fazer campanha eleitoral, e tem no parlamento quase todos e todas as deputadas (inclusive a bêbada) que ajudaram o bandido de Paris a aumentar a dívida de forma descomunal, transformando-a num problema de tal forma insustentável, que os nossos netos ainda vão estar a pagar os juros daqui a 50 anos.
 

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Jorge Pereira

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Re: Unir os Pontos
« Responder #370 em: Janeiro 11, 2013, 05:30:55 pm »
Só umas notas:

Quando se fala na época em que Cavaco Silva era Primeiro-ministro, não podemos esquecer duas coisas:

1- Tudo aquilo que foi por ele posto em prática, como o recebimento de dinheiro em troca do abandono de sectores “pouco competitivos” na agricultura, pescas e indústria, fazia parte dos acordos de adesão de Portugal à então CEE e que foram negociados tanto por Mário Soares, como colectivamente por toda a classe política e sociedade civil portuguesa.

2- Numa altura em que Portugal carecia dramaticamente de infra-estruturas, é normal que o empenho fosse colocado no “betão”. Por outro lado, a abundância de fluxos financeiros (principalmente de fundos comunitários), num país administrativamente atrasado e pouco preparado para tal, permitiu que se cometessem inúmeras irregularidades de forma transversal a toda a sociedade.

Quando Durão Barroso assumiu o poder, já havia uma preocupação séria em controlar o défice e a dívida pública. Lembram-se do discurso da tanga?
Por outro lado, quando Durão Barroso deixa o governo e vai para Bruxelas em 2004, a dívida pública portuguesa está em 57% do PIB, isto é, dentro dos chamados critérios de convergência da UE.

Quando Sócrates deixa o governo, em 2011, a dívida pública já atingia os 110% do PIB. Isto é, quando era essencial deter o aumento da dívida pública, Sócrates aumenta-a em aproximadamente 90.000 milhões de euros. Duplico-a! Se tivermos em conta que esse endividamento nos obrigou a pedir um resgate de 78.000 milhões de euros, podemos assim concluir que graças a Sócrates, teremos de pagar 90.000 milhões + 78.000 milhões + respectivos juros! E a questão que também se deve colocar é: para onde foram e para que serviram esses 90.000 milhões se o país chegou onde chegou?

Sobre o BPN:

Sendo esta uma opinião pessoal, mas já aventada por muitos outros “estudiosos” desta questão, a nacionalização do BPN não passou de uma maneira de Sócrates querer sempre associar o PSD com o dinheiro que foi necessário o Estado lá colocar. O banco não representava nenhum risco sistémico. O miserável e criminoso roubo que foi lá cometido deveria ter como consequências a condenação dos autores do roubo e o fecho puro e duro do banco. Mais nada. O Estado não tinha que assumir o rombo que o banco levou. Mas como era um banco associado a antigas personalidades sonantes do PSD, vinha mesmo a calhar culpar sempre o PSD pelo que lá se passou, pelo que o Estado teve que lá injectar. E já vai nos 6.000 milhões!!!
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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Jorge Pereira

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Re: Unir os Pontos
« Responder #371 em: Janeiro 11, 2013, 05:46:03 pm »
Citação de: "P44"
no facto deste ser o único governo de paises sobre "intervençao", em que as mordomias dos governantes não foram cortadas.

Acho que vos fica mal, em termos de coerência.

Isso não é bem assim, caro P44. Sabia que os ministros deixaram de ter direito a carro para uso pessoal ou fora da agenda oficial? Que acabaram os cartões de crédito para despesas de representação? E que passou a haver limites salariais para os requisitados? Já para não falar dos limites remuneratórios dos gestores de empresas públicas, entre outras medidas.

O problema é que estes factos não são divulgados da mesma forma que os outros...
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






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typhonman

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Re: Unir os Pontos
« Responder #372 em: Janeiro 11, 2013, 06:44:38 pm »
Citação de: "papatango"
O bandido de Paris, e as pessoas que o apoiaram na Assembleia da República com uma maioria absoluta, tem uma quota de responsabilidade titânica na atual situação, porque foi com ele que essa mesma situação ficou completamente descontrolada.

É verdade que todos têm culpa, mas também, é verdade que a culpa de cada um pode ser medida E NÃO É IGUAL.

Quem há anos atrás, acompanhasse os comentários dos chamados «profetas da desgraça» já deveria saber o que se passava mas acima de tudo já deveria saber o que aí vinha.

Eu mesmo há mais de um ano coloquei neste fórum um post com previsões sobre o que iria acontecer e fui respondido que se aquilo acontecesse entrávamos em guerra civil.
Neste momento já se ultrapassou o que eu aventei que poderia acontecer.

Nenhuma destas medidas pode ser considerada inesperada. A verdade é que andámos a gastar o dinheiro que não tinhamos.
O gasto não foi feito por uma entidade, foi isso sim resultado de uma politica de facilitismo, em que sem estudos sérios, sem normas, e sem regras, se fizeram investimentos que não tinham qualquer viabilidade e qualquer possibilidade de retorno.

Não há ninguém impoluto nesta história. Desde os deputados do PSD que defendiam o aeroporto da OTA, aos políticos do PCP e do Bloco de Esquerda que queriam o TGV, porque isso ia criar empregos.
E depois toda a gente bateu na Manuela Ferreira Leite, quando ela disse que isso ia criar empregos para paquistaneses, ucranianos, moldavos, mas não criaria empregos para portugueses.

Nós temos um governo neo-liberal, coartado pelos acordos de governo e que como infelizmente sempre aconteceu é influenciado pelos «investidores de pacotilha» que são a favor do capitalismo de estado, mas têm pânico da economia de mercado e da livre concorrência.

Os nossos problemas são complexos, demasiado intrincados para serem respondidos de forma simples e linear.
Na verdade, a atual situação fez o país perder a independência. Essa é a realidade.
A Troika exige que cumpramos metas e é por isso que os funcionários públicos ainda recebem salário.

Coisa que muita gente esquece:
É o dinheiro da Troika, que faz com que não tenhamos mais gente já a dormir debaixo da ponte.
O governo recebeu esse dinheiro e com ele ordens para agir, do cumprimento das quais dependem as sucessivas tranches de dinheiro que permitem a Portugal respirar.

Como pode alguém comparar um governo que está manietado e condicionado por uma intervenção estrangeira, com outro que agiu de forma leviana, gastando o dinheiro que não tinha e endividando os bisnetos do bandido de Paris e toda essa geração ?

Essa é a diferença. Será que é assim tão dificil de entender ?

Nós precisamos de medidas que para funcionarem precisam de ser tomadas pelo menos em toda a União Europeia, mas também precisamos de medidas e regras que permitam evitar que um maluco do PS volte ao poder e consiga pedir mais dinheiro emprestado.
E o maralhal vai dizer sempre que sim, desde que venha algum e desde que teta produza algum leite, mesmo que seja leite comprado com dinheiro que não se vai pagar.

Quanto às medidas europeias, e mundiais, pouco ou nada podemos fazer.
No que respeita a tentar evitar que no futuro volte a acontecer o mesmo, isso só se faz demonstrando quem foi o principal responsável.
E o partido responsável, está alegremente a fazer campanha eleitoral, e tem no parlamento quase todos e todas as deputadas (inclusive a bêbada) que ajudaram o bandido de Paris a aumentar a dívida de forma descomunal, transformando-a num problema de tal forma insustentável, que os nossos netos ainda vão estar a pagar os juros daqui a 50 anos.

assino por baixo.
Artigo 308º

Traição à Pátria

Quem, por meio de violência, ameaça de violência, usurpação ou abuso de funções de soberania:

a) Tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira, todo o território português ou parte dele
 

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Edu

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Re: Unir os Pontos
« Responder #373 em: Janeiro 11, 2013, 07:22:20 pm »
Citação de: "Jorge Pereira"

Sendo esta uma opinião pessoal, mas já aventada por muitos outros “estudiosos” desta questão, a nacionalização do BPN não passou de uma maneira de Sócrates querer sempre associar o PSD com o dinheiro que foi necessário o Estado lá colocar. O banco não representava nenhum risco sistémico. O miserável e criminoso roubo que foi lá cometido deveria ter como consequências a condenação dos autores do roubo e o fecho puro e duro do banco. Mais nada. O Estado não tinha que assumir o rombo que o banco levou. Mas como era um banco associado a antigas personalidades sonantes do PSD, vinha mesmo a calhar culpar sempre o PSD pelo que lá se passou, pelo que o Estado teve que lá injectar. E já vai nos 6.000 milhões!!!

Então e já agora porque razão o PSD fez agora mais ou menos o mesmo com o Banif?
 

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miguelbud

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Re: Unir os Pontos
« Responder #374 em: Janeiro 11, 2013, 11:08:19 pm »
Citação de: "Edu"
Citação de: "Jorge Pereira"

Sendo esta uma opinião pessoal, mas já aventada por muitos outros “estudiosos” desta questão, a nacionalização do BPN não passou de uma maneira de Sócrates querer sempre associar o PSD com o dinheiro que foi necessário o Estado lá colocar. O banco não representava nenhum risco sistémico. O miserável e criminoso roubo que foi lá cometido deveria ter como consequências a condenação dos autores do roubo e o fecho puro e duro do banco. Mais nada. O Estado não tinha que assumir o rombo que o banco levou. Mas como era um banco associado a antigas personalidades sonantes do PSD, vinha mesmo a calhar culpar sempre o PSD pelo que lá se passou, pelo que o Estado teve que lá injectar. E já vai nos 6.000 milhões!!!

Então e já agora porque razão o PSD fez agora mais ou menos o mesmo com o Banif?
Edu, as coisas tem de ser vistas no seu devido contexto e como tal nao podem ser comparáveis anacronicamente. Dizer se foi bom ou mau ter-se nacionalizado o BPN, ou achar que foi por isto ou por aquilo, nao vale a pena. Passados estes anos toda a gente consegue ver que foi uma péssima decisao. E nao foi isto que nos levou a bancarrota, anacionalizaçao foi apenas mais uma pessima decisao do anterior governo, que juntamente com muitas mais, deu no que deu.
Em 2008, aquando da nacionalizaçao trabalhava num departamento de crédito de uma multinacional norte-americana, e posso-te garantir que o departamento em Setembro de 2008 virou um pandemónio. O Lehman faliu, os bancos nos EUA tremeram, os bancos na islandia faliram, O RBS (maior banco de UK) teve de ser salvo. Lembro-me de irr para uma reuniao de emergencia com os chefes do departamento e o meu chefe directo que era ingles se estar a lamentar que o banco do qual o seu pai tinha as suas poupancas em forma de accoes tinha sido nacionalizado e o pai tinha perdido quase tudo. Ouvi um manager belga dizer que na manha desse dia as accoes do Dexia (grande banco na Belgica) tinham desvalotizado 37%. Quem nao trabalha na area nao tem consciencia do que se passou, e nao te esqueças que se uma empresa que emprega 1000 pessoas vai a falencia é mau, mas se for um banco é uma autentica tragédia, pois nao afecta só as pessoas que la trabalham, como toda a populaçao, uma vez que toda a gente precisa de bancos.

Posto isto, o governo decidiu nacionalizar o BPN, foi mau? Nao sei, financas internacionais e macroeconomia sao coisas muito complexas. Agora talvez consigamos ver e admitar que foi mau. No entanto eu nao critico a nacionalizaçao em si. Eu critico a forma como foi feita, pois parece-me que as consequencias nao foram bem medidas. Acho que foi uma coisa feita á portuguesa, tipo a maria que vai com todas. Os outros estao a nacionalizar, entao vamos nacionalizar, porque nao nos podemos deixar para trás. Sinceramente parece-me que o efeito dominó que a falencia do BPN poderia ter nos outros bancos portugueses foi muito mal calculado, e tenho a certeza que o valor que se calculou para a nacionalizaçao nao foi calculado. Como diria o Medina Carreira: "o pessoal nao sabe fazer contas".

Em relaçao ao BaniF, apenas li isto no jornal de negocios "BPN estava à beira de não pagar depósitos, Banif prevê ficar com o nível de solvabilidade mais alto da sua história", como nao tenho a versao impresa nao consregui ler o resto da notícia. No entanto e uma vez que o nosso sistema financeiro está a recuperar, isso ve-se pelo facto de ultimamente os bancos estarem a colocar dívida no mercado a uma taxa de juro mais baixa que a da Republica Portuguesa, parece-me que seria uma má decisao nao ajudar o banco.