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F-35
62 (44%)
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36 (25.5%)
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17 (12.1%)

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Substituiçao dos F-16's

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Pilotasso

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5880 em: Fevereiro 06, 2026, 06:36:25 pm »
Não quero ser chato, mas...

tenho um 5G que a única vantagem parece ser a furtividade. Ou outrosparecem ser mais rápidos mais manobraveis em dogfight, levam mais carga, tem maior alcance...

Se estiver errado digam e eu apago.

Depois temos os outros 4,5 que não são furtivos, mas tem o resto das coisas...

Agora alguem descobre um radar que acaba com a furtividade dos 5gen.

Como é que os 4,5gen perdem?
Eles já eram detetados antes, nada muda ai. Deixam de ser alvos de caças furtivos pois esses agora deixaram de se esconder.

Os 4,5 gen perdem como? Isto se a revolução for a detecção dos 5gen.

Não pode ser um radar a furar a furtividade (pelo menos tal como a furtividade funciona hoje em dia), tem de ser outro tipo de sensor completamente diferente. Um que não seja fintado pela geometria da fuselagem que dissipam e refletem as ondas de radio do emissor para direções diferentes  da do receptor (do radar adversário). As leis da física que afetam a propagação dos sinais de radar assim o ditam. A somar a isto apenas algumas gamas frequências permitem guiar armas. A detecção é diferente de rastreamento e muita gente confunde as 2.  As gamas de frequência que podem permitir detectar e rastrear ao mesmo tempo são limitadas, e muitas vezes recorre-se a modos de funcionamento distintos do radar (em caças) ou mesmo com sensores em equipamentos separados (em navios ou instalações de terra). Em teoria os radares de comprimento de onda elevado podem ser usados contra furtividade mas não podem guiar armas e geralmente é do tipo de radar mais vulneravel a "jamming" e ruido de fundo.

Relativamente a outras capacidades de 5G VS 4.5G por exemplo o F-35 tem cobertura superior dos sensores, em 360º por 360º (a contribuição do radar obviamente não é total) por intermédio de various sensores combinados que inclui IR (DASS). Como tal o F-35 consegue detectar lançamentos de misseis lançados seja do ar ou em terra, e o piloto pode observar os alvos através do cockpit por realidade aumentada. Algo que o EF não tem.
Historicamente os caças que foram abatidos foram aqueles que nunca se aperceberam do perigo e não porque o seu avião tinha ou não uma taxa de manobra diferente da do adversário. É de se pensar nisto.
O F-35 pode ser usado como multiplicador de força avançado tipo mini-AEW/AWACS identificando definindo alvos de forma passiva de forma silenciosa (geralmente sem se detectado), algo que os euracanards novamente são bastante mais limitados.
Se eu fosse responsável militar eu quereria que os meus Homens e máquinas tivessem as melhores hipóteses de regressar á base e não ter quaisquer outras considerações económicas (pela entrevista do CEMFA, com as 4 opções disponíveis não é um fator) ou dramas palacianos.
 

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dc

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5881 em: Fevereiro 07, 2026, 01:07:16 am »
Na minha modesta opinião, não podemos adquirir aviões de combate a um país que ameaça invadir um aliado, que insiste em comprar esse território apesar da objecção dos seus naturais, que trata por "governador" e "51º estado" um seu vizinho com o qual tinha uma relação de absoluta confiança, que altera unilateralmente o preço dos F-35 como fez com a Suíça.
Por isso, por razões políticas e por absoluta falta de confiança sou contra a compra de F-35. Apesar de reconhecer que em termos tecnológicos é a compra que faz sentido.

E já agora: têm a certeza que Putin e a Rússia não têm acesso a toda a informação técnica (e não só) a partir de fontes junto da actual admonistração USA? Porque acham que nalguns países da UE e aliados da NATO acabou a partilha de informações com os EUA?

A questão é, se não se continuar a usar F-16, para adiar a decisão da compra do avião, qual é a alternativa num curto-prazo que existe?

É que não comprar o F-35 por uma questão de confiança, mas depois confiar num caça que é funcionalmente obsoleto, não faz sentido nenhum.

Pior, é que as opções de "2ª linha" como os Eurocanard, custam tanto como a opção de primeira linha. Pagar o mesmo por algo pior, não faz sentido nenhum.

Adiar a decisão é a opção que mais sentido faz, esperando para ver que mudanças políticas ocorrem do outro lado.

Precipitar-nos para ir comprar Eurocanards não faz qualquer sentido.
 

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dc

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5882 em: Fevereiro 07, 2026, 01:11:07 am »
Ok. Desconhecia.

Quanto aos caças não tripulados,  a Turquia brevemente deve começar a operar o KIZILELMA,  em IOC.
Se as coisas correrem bem, poderás ver o princípio de uma "pequena revolução" lá para 2030.
E outros se seguirão...

Essa revolução de que falas, obriga ainda mais o país a comprar um verdadeiro caça 5G.
Esses drones com capacidade ar-ar, sobretudo BVR, colocam em risco os 4.5G, que de repente teriam que enfrentar meios aéreos de RCS reduzido capazes de os abater, e que seriam produzidos em maior quantidade.

O F-35 seria das poucas opções capazes de equilibrar a balança face a essa ameaça.
 

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dc

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5883 em: Fevereiro 07, 2026, 01:17:24 am »
Kill switch não há. Pelo menos não na forma que geralmente se pensa.
O que existe é má fé dum suposto "aliado", retórica, ameaças à soberania europeia, e insultos. Ignorar isto tudo e insistir em comprar F-35 a todo o custo é algo que me deixa perplexo.

Todos os operadores do F-35 dependem de infraestrutura de software partilhada, sistemas globais de manutenção e logística, ciclos de atualização comuns, componentes controlados para exportação pelos EUA

Isto cria interdependência muito forte. Em princípio os países operadores de F-35 mantêm a soberania operacional. Decidem quando os seus F-35s voam, onde voam, como são usados, etc

Não há nenhuma prova que os EUA não podem desativar remotamente as aeronaves de outro país. O software e o suporte são cooperativos, não coercivos. O F-35 utiliza um sistema global de apoio.

Mas se as relações políticas colapsassem, os EUA poderiam atrasar o apoio ou tentar interferir de alguma forma nestes sistemas? Esta é uma ferramenta de pressão diplomática/económica e não um "botão de desligar" técnico. Isto é semelhante ao funcionamento de muitos programas de defesa avançados (Eurofighter, A400M, Patriot, etc.).

Nenhuma aeronave da NATO possui capacidade de paragem remota. Não existe nenhum mecanismo que permita aos EUA carregar num botão e impedir o voo de um F-35. Isso violaria: regras de soberania da NATO, acordos de controlo de exportação, direito internacional, tratados bilaterais de defesa.

Todos sabemos que os tratados internacionais são sagrados, que os acordos comerciais nunca devem ser violados e que a soberania de outros países da NATO é muito respeitada.  Claro.

Quase ninguém está a falar em adquirir F-35 a todo o custo. Mas sim que se adie a decisão, em vez de inventar com um eurocanard qualquer, e depois arrepender-nos.

Relativamente ao tema do kill-switch, esqueceste-te do mais importante. Haver uma forma remota de "desligar" os F-35, seria um risco de segurança enorme. Basicamente, havia o risco de ser hackeado pela China ou outro adversário dos EUA, e destes colocarem a frota inteira por terra.
 

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dc

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5884 em: Fevereiro 07, 2026, 01:24:54 am »
Mitigação do risco geo-estratégico e técnico: compor a frota com mais que um modelo diferente.

Infelizmente não temos dinheiro para isso, e pior, não teríamos capacidade de adquirir um número suficiente de aeronaves de cada modelo.

20 + 16/20 era o mínimo, mas 20 F-35 + 16/20 GCAP ficava caríssimo.
20 F-35 + 20 eurocanard era desperdício de dinheiro.

Íamos acabar com um frota de 12 de cada, sem vantagem nenhuma.


A melhor maneira de criar menos dependência, e assumindo que se compravam F-35, era complementar o F-35 com um Loyal Wingman totalmente europeu, que possa ser integrado com o dito avião.

Quem diz um Loyal Wingman, diz um conjunto de Loyal Wingmans entre modelos mais high-end e outros mais low-cost.
 

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dc

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5885 em: Fevereiro 07, 2026, 02:13:39 am »
2KF‑21 e Kaan não são opções maduras
Não é uma questão de “excluir automaticamente”.  É uma questão de risco tecnológico e operacional:

- não estão certificados 
- não têm IOC real 
- não têm integração NATO 
- não têm histórico de fiabilidade 
- não têm cadeia logística estabelecida 
- não têm armamento ocidental totalmente integrado 
- não têm garantias de preço ou prazos 

Portugal não pode ser "cliente beta" de um caça que ainda não existe operacionalmente.

Qualquer opção seria de risco. Mas antes preferia correr o risco dos KF-21, com envolvimento industrial, com custos teoricamente menores, com bom potencial de exportação, do que enveredar por 4.5G.

Citar
Entrar já num programa 6ª geração é fantasia
FCAS e GCAP são:

- programas de 300–400 mil milhões 
- com entrada mínima de vários milhares de milhões 
- com prazos de entrega pós‑2045 
- com risco político gigantesco. E se a França ou Alemanha fiquem sob um regime de extrema-direita alinhado com Moscovo?
- com incerteza tecnológica enorme 

Portugal não tem escala industrial, nem orçamento, nem massa crítica para entrar como parceiro pleno. 
No máximo seria “cliente tardio”, como no Eurofighter.

Os programas 6G são obviamente mais caros, mas também são divididos em 2 grandes partes, o caça em si, e os Loyal Wingman.

A participação portuguesa a acontecer, provavelmente seria para os LW.

Esta opção só seria viável com um compromisso sério da nossa parte.

Citar
As tuas quatro opções são sensatas, mas têm limites

Opção 1 Agarrar os F‑16 por 3–4 anos
É razoável. 
Mas não resolve o problema estrutural: os F‑16 acabam em 2030–2032.  E esperar não torna as alternativas melhores, só mais caras.

Opção 2  Comprar F‑16 usados e entrar num programa 6G 
F‑16 usados são caros, escassos e exigem modernização.  E entrar num programa 6G parece irrealista para Portugal. 
É uma solução temporária que custa quase tanto como uma definitiva.

A questão estrutural ainda gera dúvidas. Como é que os nossos F-16 com menos anos de serviço e menos horas "nas pernas" têm problemas e os dos outros não têm? Muitos estão a ser cedidos à Ucrânia, a Dinamarca vendeu uns quantos à Argentina.

O estado das células precisava de ser realmente estudado. Desde logo para perceber quantos estão em condições de voo.

Absurdo era irmos comprar eurocanard à pressa, para depois se descobrir que apenas meia dúzia dos F-16 estariam em pior estado, algo que se resolvia facilmente.

F-16 usados não são caros, principalmente quando já temos a infraestrutura criada. Também não são assim tão escassos. Entre os do AMARG que podiam ser modernizados para render células desgastadas, alguns C/D em uso por aí (exemplo, os polacos), passando por Block 60 dos Emirados, que seriam mais caros, mas já vinham com radar AESA, CFTs, IRST, etc.

Claro que em muitos casos dependeria de aceitação do país.

Citar
No entanto, temos que ser realistas. O orçamento não é ilimitado. As razões políticas e geo-estratégicas não podem ser "varridas debaixo do tapete".
Se aplicarmos a tua lógica de que "o F-35 é melhor e só devemos comprar o caça melhor, porque não fazê-lo põe os pilotos em risco" a todos os caças que Portugal já operou, faz sentido?

Não é comparável com o passado. Portugal quando não comprou o melhor caça da época, acabou por optar por um modelo muito mais barato. E quando eram em segunda-mão, eram baratérrimos, quase dados.

Actualmente fala-se numa alternativa pior (4.5G), que custa o mesmo que o modelo topo de gama (5G).

Isto é o equivalente a teres em cima da mesa a opção de um F-4 Phantom e do F-15, ambos custarem o mesmo, e ainda escolheres o F-4.

Citar
No caso dos F-16 havia opções melhores, mais eficazes e mais caras. Será que a compra F-16 foi má e não prestou? Segunda a tua lógica, sim foi a decisão errada...

O único erro na escolha dos F-16 no início dos anos 90, foi a versão, por não termos optado pelo Block 40 ou mesmo Block 50.

De resto, foi a escolha que fazia mais sentido, não perdendo nada para os adversários.

Já o segundo lote, foi a opção óbvia, que pecou foi por tardia e pela demora na modernização. Claro que nessa altura o ideal se calhar teria sido aproveitar a "boleia" dos EAU e ir buscar 20 Block 60 novos. Mas o dinheiro não dava para tudo.

Podias depois era dizer que a FAP devia era ter 2 modelos de caças, que podiam ter sido F-16 e F-15. Mas os custos eram proibitivos.

Citar
Há muitos factores a ter em conta: políticos, orçamento, capacidade real de operar um caça, soberania e não dependência de terceiros, etc. Toda a tecnologia torna-se obsoleta com o tempo. Este processo acelera cada vez mais.

Termos o melhor caça do mundo (hoje) de nada serve se estão parados por falta: de peças, de update, de dinheiro, de cooperação e boa vontade dos nossos "aliados".

Dependência de terceiros vais ter sempre. Os factores financeiros também vão estar sempre presentes.

A grande diferença, é que com o F-35, além de ser um modelo topo de gama que não é mais caro de adquirir que as outras alternativas, é um modelo operado por vários países europeus, havendo sempre a hipótese de colectivamente os vários países resolverem problemas de forma independente dos EUA, havendo um enorme incentivo para, por exemplo, ser capaz de produzir peças de reposição.


A melhor solução que podemos arranjar, é esperar por uma mudança na Casa Branca, muito provavelmente comprar o F-35, e depois entrar num programa de Loyal Wingman totalmente europeu, juntamente com os restantes operadores do F-35. Assim não tens total dependência dos EUA, e não és obrigado a ter 2 modelos de caça.
 

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dc

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5886 em: Fevereiro 07, 2026, 02:40:29 am »
Não quero ser chato, mas...

tenho um 5G que a única vantagem parece ser a furtividade. Ou outrosparecem ser mais rápidos mais manobraveis em dogfight, levam mais carga, tem maior alcance...

Se estiver errado digam e eu apago.

Depois temos os outros 4,5 que não são furtivos, mas tem o resto das coisas...

Agora alguem descobre um radar que acaba com a furtividade dos 5gen.

Como é que os 4,5gen perdem?
Eles já eram detetados antes, nada muda ai. Deixam de ser alvos de caças furtivos pois esses agora deixaram de se esconder.

Os 4,5 gen perdem como? Isto se a revolução for a detecção dos 5gen.

Os 4.5G não são inerentemente mais manobráveis. Nem mais rápidos.

Também não levam mais carga. Também não têm maior alcance. Os 4.5G para terem mais alcance, precisam de tanques externos, o que aumenta ainda mais o seu RCS e piora a sua performance em voo. O F-35 tem a opção de tanques externos se necessário.

O F-35 além das formas próprias que aumentam a furtividade, ainda tem uma camada de RAM que absorve emissões de radar. Desenvolver um radar que detecta e oferece uma solução de tiro, é um desafio muito grande. E nem sequer tocamos no EW.

Mesmo que surgisse um radar capaz disso tudo, seria um tipo de radar específico. Os 4.5G continuam a poder ser detectados por virtualmente qualquer radar, enquanto os 5G obrigavam a um radar específico.

Com uma ameaça tão específica, mais fácil se torna contrariá-la. Por exemplo, depressa seriam desenvolvidos sistemas EW para lidar com aquele tipo específico de radar, para mitigar a ameaça. Também esses radares se tornariam alvos prioritários em missões SEAD.

Também não existiriam quaisquer garantias de que esses hipotéticos radares podiam ser colocados num avião ou navio, ou se seriam antenas gigantes.

Ou seja, são muitos se's, para o país arriscar abdicar do salto geracional com base num "se for desenvolvido um radar que detecte caças furtivos".


Meios de detecção já existem, como os IRST. O problema é que só detectam, não fazem targeting.

E mesmo que um dia sistemas IRST permitissem fazer targeting, esta ameaça aplicava-se aos 5G e 6G, mas também aos 4.5G.

No fim, estás sempre a acumular mais ameaças para os 4.5G inadvertidamente.

Antes de surgir um radar milagroso, vão surgindo ameaças novas aos 4.5G. Desde mísseis BVR cada vez melhores, radares mais potentes, UCAVs convencionais com capacidade ar-ar, caças que não sendo 5G puros são desenhados para ter RCS mais baixo, novos 5G e 6G, UCAVs furtivos, baterias AA cada vez mais competentes.
 

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5887 em: Fevereiro 07, 2026, 09:50:36 am »
Dado os conflitos europeus com o 6 gen, apostar nisso ainda por cima como observador teso, tem tudo para correr mal...
A solução é clara, F-35A !
 
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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5888 em: Fevereiro 07, 2026, 10:27:39 am »
...e se quisermos manter-nos relevantes na aliança não deveremos comprar os aviões 20 anos depois dos demais.
 

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Duarte

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5889 em: Fevereiro 08, 2026, 06:54:34 pm »

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No entanto, temos que ser realistas. O orçamento não é ilimitado. As razões políticas e geo-estratégicas não podem ser "varridas debaixo do tapete".
Se aplicarmos a tua lógica de que "o F-35 é melhor e só devemos comprar o caça melhor, porque não fazê-lo põe os pilotos em risco" a todos os caças que Portugal já operou, faz sentido?

Não é comparável com o passado. Portugal quando não comprou o melhor caça da época, acabou por optar por um modelo muito mais barato. E quando eram em segunda-mão, eram baratérrimos, quase dados.

Actualmente fala-se numa alternativa pior (4.5G), que custa o mesmo que o modelo topo de gama (5G).

Isto é o equivalente a teres em cima da mesa a opção de um F-4 Phantom e do F-15, ambos custarem o mesmo, e ainda escolheres o F-

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No caso dos F-16 havia opções melhores, mais eficazes e mais caras. Será que a compra F-16 foi má e não prestou? Segunda a tua lógica, sim foi a decisão errada...

O único erro na escolha dos F-16 no início dos anos 90, foi a versão, por não termos optado pelo Block 40 ou mesmo Block 50.

De resto, foi a escolha que fazia mais sentido, não perdendo nada para os adversários.

Já o segundo lote, foi a opção óbvia, que pecou foi por tardia e pela demora na modernização. Claro que nessa altura o ideal se calhar teria sido aproveitar a "boleia" dos EAU e ir buscar 20 Block 60 novos. Mas o dinheiro não dava para tudo.

Podias depois era dizer que a FAP devia era ter 2 modelos de caças, que podiam ter sido F-16 e F-15. Mas os custos eram proibitivos.

Portugal sempre optou pelo caça que podia operar, que podia comprar (ou receber a baixo custo) que cumprisse minimamente os requisitos. Sempre foi o caso. Nunca tivemos caças "state of the art". O nosso ambiente operacional, o nosso teatro de operações é mais perigoso que os da Suécia, da França, da Espanha?

Citar
Did Portugal ever field top‑tier fighter jets?
1. F‑84G Thunderjet (1953–1974)
Status at the time:

When Portugal received the F‑84G in the early 1950s, it was already becoming outdated in the US.

It was a modern jet for Portugal and a major leap from propeller aircraft, but not cutting‑edge by global standards.

Verdict: 
➡️ Not state‑of‑the‑art, but a solid first‑generation jet that gave Portugal real jet capability.

2. F‑86F Sabre (1958–1980)
Status at the time:

The F‑86F was a legendary fighter, but by the time Portugal got it (late 1950s), it was no longer the top dog.

The US and USSR were already moving to supersonic fighters (F‑100, MiG‑19, MiG‑21).

Verdict: 
➡️ Very capable, but not cutting‑edge when Portugal acquired it.

3. Fiat G.91 (1965–1993)
Status at the time:

A light strike/recon jet, not a high‑end fighter.

Useful for COIN and colonial war missions, but not a top‑tier air‑superiority platform.

Verdict: 
➡️ Not state‑of‑the‑art, but well‑suited to Portugal’s needs.

4. A‑7P Corsair II (1981–1999)
Status at the time:

A very capable strike aircraft, but not a fighter and not cutting‑edge by the 1980s.

Portugal got refurbished US Navy A‑7Bs.

Verdict: 
➡️ Strong strike capability, but not a top‑tier fighter.

5. F‑16A/B Block 15 (1994–present)
Status at the time:

When Portugal received its first F‑16s in the mid‑1990s, the Block 15 was not state‑of‑the‑art.

The cutting‑edge variants were Block 40/50 with LANTIRN, AMRAAM, and advanced avionics.

Verdict: 
➡️ Modern, but not top‑tier.


Dado os conflitos europeus com o 6 gen, apostar nisso ainda por cima como observador teso, tem tudo para correr mal...
A solução é clara, F-35A !

É sem dúvida a única escolha viável em termos técnicos...a não ser que nos queiramos juntar-nos ao projeto 5G russo  :mrgreen:
Citar
Russia, Middle East mulling joint production of fifth-generation warplanes. https://tass.com/economy/2083533


Mas para comprarmos F-35, ignoramos as considerações geopolíticas?  ??? Se o teu vizinho ameaça-te, insulta-te, vais fazer um negócio de biliões com ele? Eu não, mando-o mamar na quinta pata do cavalo.  8)
« Última modificação: Fevereiro 08, 2026, 07:07:45 pm por Duarte »
слава Україна!
“Putin’s failing Ukraine invasion proves Russia is no superpower".
"Every country has its own Mafia. In Russia the Mafia has its own country."
"Even the dumbest among us can see the writing on the wall for Putin"
 

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5890 em: Fevereiro 09, 2026, 04:06:36 pm »
Citar
Eurofighter and the NATO Eurofighter and Tornado Management Agency (NETMA) have signed a contract to progress development, testing and certification of the Aerodynamic Modification Kit (AMK) for the Eurofighter Typhoon, the organisations stated. [/b]

“The AMK will provide a huge boost to our Air Forces during their missions, significantly enhancing the integration of air-to-surface configurations and offering greater flexibility in stores carriage, while supporting flight performance. The Eurofighter Typhoon will continue to be the backbone of European air defence into the 2060s, and capability enhancements, such as the AMK, will ensure the platform is operationally effective to fulfil that role.”

Mais 170M investidos no Eurofighter T5 e no EK.  c56x1

 
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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5891 em: Fevereiro 09, 2026, 07:02:16 pm »
Minuto 9.23 a 9.53. O principal.

João Pereira
 
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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5892 em: Hoje às 01:50:40 pm »
Hoje, no Observador.

O jornalista esquece-se de mencionar sequer o EF, para ele inexistente. E depois faz um panegírico intenso do Rafale, o que me leva a suspeitar de não ser um artigo totalmente isento. Mas fica aqui na mesma, para vosso conhecimento...
 
https://observador.pt/opiniao/porque-e-que-portugal-comprar-o-f-35-e-mesmo-muito-ma-ideia/

Rui Martins

Iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança
Porque é que Portugal comprar o F-35 é, mesmo, muito má ideia?
O F-35 representa um risco elevado de dependência estratégica, combinando Mission Data Files centralizados, ciclos de atualização opacos e governação do programa fora do controlo do operador.

10 fev. 2026, 00:10


Em primeiro lugar há que desmistificar e colocar no seu devido lugar o mito de que o  caça de 5.ª geração Lockeed F-3 tem um “kill switch”, um botão remoto, por software, que permite  aos EUA desligar o aparelho e torná-lo num “tijolo”  simplesmente pousado numa pista. Com efeito, nada indica que esse botão “mágico” exista. É verdade que, no meio de mais de 20 milhões de linhas de código proprietário não é impossível que existam um ou vários módulos que desliguem sistemas essenciais ao uso do aparelho, mas é improvável que exista algo de tão directo e absoluto como um “kill switch” remoto aos dispor dos norte-americanos. Mas isso não quer dizer que, na prática, exista algo que pode funcionar com um “limitador”.


No F-35 existe, na verdade, uma dependência estrutural em 3 camadas, algo que concede aos EUA a capacidade real e efetiva de condicionar remotamente quando, como e com o quê exatamente o que avião vai combater.

Em primeiro lugar temos a camada constituída pelos “Mission Data Files” (MDF): um conjunto de bibliotecas de ameaças (radares, sistemas SAM, emissores de radar, etc), parâmetros de guerra eletrónica, e vários perfis que o aparelho pode assumir para conseguir sobreviver e operar num ambiente de guerra moderno. Estes MDF são produzidos e mantidos num sistema localizado nos EUA, com infra estruturas na base aérea de Egli e diversas estruturas de apoio tais como o Partner Support Complex e outras instalações que estão integrados neste denso ecossistema. Nesta camada, o bloqueio pode ser feito de forma relativamente simples: basta cortar o acesso ao canal que produz e divulga os MDF para limitar severamente a operação do F-35. O aparelho continua a voar mas perde capacidade e proteção num teatro hostil de operação. Não é, assim, “desligado remotamente” mas pode ser “limitado remotamente”: sem margem para dúvida.


A segunda camada de limitação funcional do F-35 reside no seu complexo e opaco software: O aparelho foi concebido para ser alvo de atualizações, patches e melhorias de segurança constantes. Sem essas actualizações o aparelho fica como um aparelho que ficou “encravado” no Windows 7 ou no Windows 10.


A terceira camada de limitação que pode ser remotamente imposta pelos EUA aos operadores deste aparelho é a sua capacidade para integração de armas e para assumir o papel de “autoridade de integração” deste sistema combinado de equipamentos. Toda a integração (até com os parceiros europeus que colaboraram no desenvolvimento do programa) compete aos EUA.

Importa agora, no contexto da inevitável substituição dos F-16 operados pela FAP, avaliar as alternativas europeias à migração para um dos sistemas de armas mais complexos e mais caros de sempre e comparar, muito concretamente, estes riscos e limitações com as capacidades do Saab Gripen e do Dassault Rafale.

Saab Gripen (C/D e sobretudo E/F): O Gripen foi comercializado numa filosofia “pequena força aérea com controlo nacional” e a Saab tem um forte histórico de transferência de tecnologia e, pontualmente, de acesso ao código-fonte do aparelho e documentação para permitir integração local e evolução com um baixo nível dependência do fabricante sueco. No Gripen, o risco de “ficar refém” de um único país com um fluxo centralizado de manutenção é muito menor do que num programa tão completo como o do F-35 (embora não seja zero uma vez que há componentes export-controlled e, em particular, de origem norte-americana).

Dassault Rafale: O Rafale tende a ser o oposto do Gripen na questão do código: a França (Dassault/Thales/Safran) é muito defensiva quanto ao acesso ao núcleo do software e às integrações do seu aparelho. Há relatos recorrentes (Índia) de resistência a transferir “source code” do sistema (por receios de que caiam em mãos russas) mas há uma diferença crucial face ao F-35: o Rafale não assenta no mesmo modelo de dependência em dados de missão centralizados em Eglin (EUA) e numa cadeia de atualização global tão densa como a do F-35. O país operador continua dependente do fornecedor para determinadas integrações, mas a arquitetura política e logística costuma ser menos centralizada.

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Em conclusão, o F-35 representa um risco elevado de dependência estratégica, combinando Mission Data Files centralizados, ciclos de atualização opacos e governação do programa fora do controlo do operador. Não é um “kill switch” (como diz o mito) clássico, mas trata-se de um sistema concebido para funcionar plenamente apenas dentro de um ecossistema político, técnico e industrial controlado pelos Estados Unidos. Para um país como Portugal, isso traduz-se numa perda grave de soberania operacional, sobretudo em cenários politicamente sensíveis ou fora do alinhamento estrito com Washington.

O Saab Gripen E/F apresenta, sem dúvida, a melhor filosofia de soberania técnica negociável. O seu historial de transferência de tecnologia, abertura à integração local, custos de operação controlados e arquitetura pensada para forças aéreas pequenas ou médias fazem dele uma opção racional, financeiramente sustentável e tecnicamente flexível. Com uma negociação bem realizada, o Gripen pode oferecer a Portugal um grau de autonomia superior à qualquer outra opção. O problema não está no conceito, mas no limite das suas capacidades como sistema de armas completo em cenários de alta intensidade, nomeadamente ao nível de alcance, carga útil, persistência, guerra eletrónica integrada e projeção de poder autónoma.

É nesta frente que o Dassault Rafale francês tem vantagem. O Rafale é um sistema plenamente maduro, multirole real, provado em combate real, com forte integração entre sensores, sistemas de guerra eletrónica e armamento, e com uma autonomia operacional que o Gripen não possui. A arquitetura do Rafale não depende de hubs globais externos nem de dados de missão centralizados fora do país operador, o que reduz drasticamente a capacidade de condicionamento remoto por terceiros. A dependência existe, como em qualquer sistema complexo, mas é bilateral, previsível e assente num Estado europeu com interesses estratégicos mais estáveis e alinhados com os de Portugal do que os de uma administração americana volátil.

É verdade que a França é defensiva no acesso ao núcleo do software e que não devemos alimentar a ilusão de uma “soberania total” no uso do aparelho. Mas esta limitação é clara, explícita e contratual e não está escondida atrás de um ecossistema técnico global que pode ser desligado camada atrás de camada (ou de uma só vez). Além do mais, o Rafale oferece vantagens concretas que pesam na decisão estratégica: maior alcance, maior capacidade de dissuasão, integração profunda de guerra eletrónica com o sistema SPECTRA, independência face a cadeias logísticas globais norte-americanas e uma lógica de emprego operacional mais próxima daquilo que uma força aérea europeia soberana precisa.

Se hoje tivesse de recomendar uma solução para a FAP tendo como critério central a soberania operacional real – isto é, a capacidade de empregar o avião quando, como e contra quem o Estado português decidir – a escolha mais coerente não seria o F-35. Entre o Gripen e o Rafale, sendo que o primeiro seria a melhor solução “eficiente” do ponto de vista económico e financeiro. No entanto, considerando o equilíbrio entre autonomia política, robustez militar, maturidade do sistema e menor exposição a bloqueios estratégicos indiretos, o Dassault Rafale surge com vantagem como opção de longo prazo para Portugal: menos dependência, mais completo e mais compatível com a soberania militar efetiva de que Portugal precisa.
Cumprimentos,
 
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Cabeça de Martelo

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5893 em: Hoje às 02:17:33 pm »
Li na semana passada que os coreanos iam desistir de fazer o KF-21 Block 3, passando do Block 2 para outro caça de 6ª geração que já estão a conceber.

Os caças de 6ª geração europeus estão a revelar-se muito problemáticos, ou porque não querem ceder know-how, ou porque não têm dinheiro, ou porque não têm capacidade de elaborar a sua cota-parte do trabalho... enfim, há de tudo.

Para a FAP eu não estou a ver qual será a solução perfeita, quanto muito há possíveis soluções, que são em parte o que se pode fazer com o pouco que temos e isso não me agrada mesmo nada.
Contra a Esquerda woke e a Direita populista marchar, marchar!...

 

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Ghidra

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Re: Substituiçao dos F-16's
« Responder #5894 em: Hoje às 02:23:08 pm »
Hoje, no Observador.

O jornalista esquece-se de mencionar sequer o EF, para ele inexistente. E depois faz um panegírico intenso do Rafale, o que me leva a suspeitar de não ser um artigo totalmente isento. Mas fica aqui na mesma, para vosso conhecimento...
 
https://observador.pt/opiniao/porque-e-que-portugal-comprar-o-f-35-e-mesmo-muito-ma-ideia/

Rui Martins

Iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança
Porque é que Portugal comprar o F-35 é, mesmo, muito má ideia?
O F-35 representa um risco elevado de dependência estratégica, combinando Mission Data Files centralizados, ciclos de atualização opacos e governação do programa fora do controlo do operador.

10 fev. 2026, 00:10


Em primeiro lugar há que desmistificar e colocar no seu devido lugar o mito de que o  caça de 5.ª geração Lockeed F-3 tem um “kill switch”, um botão remoto, por software, que permite  aos EUA desligar o aparelho e torná-lo num “tijolo”  simplesmente pousado numa pista. Com efeito, nada indica que esse botão “mágico” exista. É verdade que, no meio de mais de 20 milhões de linhas de código proprietário não é impossível que existam um ou vários módulos que desliguem sistemas essenciais ao uso do aparelho, mas é improvável que exista algo de tão directo e absoluto como um “kill switch” remoto aos dispor dos norte-americanos. Mas isso não quer dizer que, na prática, exista algo que pode funcionar com um “limitador”.


No F-35 existe, na verdade, uma dependência estrutural em 3 camadas, algo que concede aos EUA a capacidade real e efetiva de condicionar remotamente quando, como e com o quê exatamente o que avião vai combater.

Em primeiro lugar temos a camada constituída pelos “Mission Data Files” (MDF): um conjunto de bibliotecas de ameaças (radares, sistemas SAM, emissores de radar, etc), parâmetros de guerra eletrónica, e vários perfis que o aparelho pode assumir para conseguir sobreviver e operar num ambiente de guerra moderno. Estes MDF são produzidos e mantidos num sistema localizado nos EUA, com infra estruturas na base aérea de Egli e diversas estruturas de apoio tais como o Partner Support Complex e outras instalações que estão integrados neste denso ecossistema. Nesta camada, o bloqueio pode ser feito de forma relativamente simples: basta cortar o acesso ao canal que produz e divulga os MDF para limitar severamente a operação do F-35. O aparelho continua a voar mas perde capacidade e proteção num teatro hostil de operação. Não é, assim, “desligado remotamente” mas pode ser “limitado remotamente”: sem margem para dúvida.


A segunda camada de limitação funcional do F-35 reside no seu complexo e opaco software: O aparelho foi concebido para ser alvo de atualizações, patches e melhorias de segurança constantes. Sem essas actualizações o aparelho fica como um aparelho que ficou “encravado” no Windows 7 ou no Windows 10.


A terceira camada de limitação que pode ser remotamente imposta pelos EUA aos operadores deste aparelho é a sua capacidade para integração de armas e para assumir o papel de “autoridade de integração” deste sistema combinado de equipamentos. Toda a integração (até com os parceiros europeus que colaboraram no desenvolvimento do programa) compete aos EUA.

Importa agora, no contexto da inevitável substituição dos F-16 operados pela FAP, avaliar as alternativas europeias à migração para um dos sistemas de armas mais complexos e mais caros de sempre e comparar, muito concretamente, estes riscos e limitações com as capacidades do Saab Gripen e do Dassault Rafale.

Saab Gripen (C/D e sobretudo E/F): O Gripen foi comercializado numa filosofia “pequena força aérea com controlo nacional” e a Saab tem um forte histórico de transferência de tecnologia e, pontualmente, de acesso ao código-fonte do aparelho e documentação para permitir integração local e evolução com um baixo nível dependência do fabricante sueco. No Gripen, o risco de “ficar refém” de um único país com um fluxo centralizado de manutenção é muito menor do que num programa tão completo como o do F-35 (embora não seja zero uma vez que há componentes export-controlled e, em particular, de origem norte-americana).

Dassault Rafale: O Rafale tende a ser o oposto do Gripen na questão do código: a França (Dassault/Thales/Safran) é muito defensiva quanto ao acesso ao núcleo do software e às integrações do seu aparelho. Há relatos recorrentes (Índia) de resistência a transferir “source code” do sistema (por receios de que caiam em mãos russas) mas há uma diferença crucial face ao F-35: o Rafale não assenta no mesmo modelo de dependência em dados de missão centralizados em Eglin (EUA) e numa cadeia de atualização global tão densa como a do F-35. O país operador continua dependente do fornecedor para determinadas integrações, mas a arquitetura política e logística costuma ser menos centralizada.

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Em conclusão, o F-35 representa um risco elevado de dependência estratégica, combinando Mission Data Files centralizados, ciclos de atualização opacos e governação do programa fora do controlo do operador. Não é um “kill switch” (como diz o mito) clássico, mas trata-se de um sistema concebido para funcionar plenamente apenas dentro de um ecossistema político, técnico e industrial controlado pelos Estados Unidos. Para um país como Portugal, isso traduz-se numa perda grave de soberania operacional, sobretudo em cenários politicamente sensíveis ou fora do alinhamento estrito com Washington.

O Saab Gripen E/F apresenta, sem dúvida, a melhor filosofia de soberania técnica negociável. O seu historial de transferência de tecnologia, abertura à integração local, custos de operação controlados e arquitetura pensada para forças aéreas pequenas ou médias fazem dele uma opção racional, financeiramente sustentável e tecnicamente flexível. Com uma negociação bem realizada, o Gripen pode oferecer a Portugal um grau de autonomia superior à qualquer outra opção. O problema não está no conceito, mas no limite das suas capacidades como sistema de armas completo em cenários de alta intensidade, nomeadamente ao nível de alcance, carga útil, persistência, guerra eletrónica integrada e projeção de poder autónoma.

É nesta frente que o Dassault Rafale francês tem vantagem. O Rafale é um sistema plenamente maduro, multirole real, provado em combate real, com forte integração entre sensores, sistemas de guerra eletrónica e armamento, e com uma autonomia operacional que o Gripen não possui. A arquitetura do Rafale não depende de hubs globais externos nem de dados de missão centralizados fora do país operador, o que reduz drasticamente a capacidade de condicionamento remoto por terceiros. A dependência existe, como em qualquer sistema complexo, mas é bilateral, previsível e assente num Estado europeu com interesses estratégicos mais estáveis e alinhados com os de Portugal do que os de uma administração americana volátil.

É verdade que a França é defensiva no acesso ao núcleo do software e que não devemos alimentar a ilusão de uma “soberania total” no uso do aparelho. Mas esta limitação é clara, explícita e contratual e não está escondida atrás de um ecossistema técnico global que pode ser desligado camada atrás de camada (ou de uma só vez). Além do mais, o Rafale oferece vantagens concretas que pesam na decisão estratégica: maior alcance, maior capacidade de dissuasão, integração profunda de guerra eletrónica com o sistema SPECTRA, independência face a cadeias logísticas globais norte-americanas e uma lógica de emprego operacional mais próxima daquilo que uma força aérea europeia soberana precisa.

Se hoje tivesse de recomendar uma solução para a FAP tendo como critério central a soberania operacional real – isto é, a capacidade de empregar o avião quando, como e contra quem o Estado português decidir – a escolha mais coerente não seria o F-35. Entre o Gripen e o Rafale, sendo que o primeiro seria a melhor solução “eficiente” do ponto de vista económico e financeiro. No entanto, considerando o equilíbrio entre autonomia política, robustez militar, maturidade do sistema e menor exposição a bloqueios estratégicos indiretos, o Dassault Rafale surge com vantagem como opção de longo prazo para Portugal: menos dependência, mais completo e mais compatível com a soberania militar efetiva de que Portugal precisa.
Nada de novo apenas acrescentar se a trupe circense da le pen e companhia chegam ao poder em 2027 se aliam com os seus financiadores? Pois é... Ou rafale não faz actualizações de software? O f 35 é um risco grande mas é preciso pensar em todas as variáveis.