2KF‑21 e Kaan não são opções maduras
Não é uma questão de “excluir automaticamente”. É uma questão de risco tecnológico e operacional:
- não estão certificados
- não têm IOC real
- não têm integração NATO
- não têm histórico de fiabilidade
- não têm cadeia logística estabelecida
- não têm armamento ocidental totalmente integrado
- não têm garantias de preço ou prazos
Portugal não pode ser "cliente beta" de um caça que ainda não existe operacionalmente.
Qualquer opção seria de risco. Mas antes preferia correr o risco dos KF-21, com envolvimento industrial, com custos teoricamente menores, com bom potencial de exportação, do que enveredar por 4.5G.
Entrar já num programa 6ª geração é fantasia
FCAS e GCAP são:
- programas de 300–400 mil milhões
- com entrada mínima de vários milhares de milhões
- com prazos de entrega pós‑2045
- com risco político gigantesco. E se a França ou Alemanha fiquem sob um regime de extrema-direita alinhado com Moscovo?
- com incerteza tecnológica enorme
Portugal não tem escala industrial, nem orçamento, nem massa crítica para entrar como parceiro pleno.
No máximo seria “cliente tardio”, como no Eurofighter.
Os programas 6G são obviamente mais caros, mas também são divididos em 2 grandes partes, o caça em si, e os Loyal Wingman.
A participação portuguesa a acontecer, provavelmente seria para os LW.
Esta opção só seria viável com um compromisso sério da nossa parte.
As tuas quatro opções são sensatas, mas têm limites
Opção 1 Agarrar os F‑16 por 3–4 anos
É razoável.
Mas não resolve o problema estrutural: os F‑16 acabam em 2030–2032. E esperar não torna as alternativas melhores, só mais caras.
Opção 2 Comprar F‑16 usados e entrar num programa 6G
F‑16 usados são caros, escassos e exigem modernização. E entrar num programa 6G parece irrealista para Portugal.
É uma solução temporária que custa quase tanto como uma definitiva.
A questão estrutural ainda gera dúvidas. Como é que os nossos F-16 com menos anos de serviço e menos horas "nas pernas" têm problemas e os dos outros não têm? Muitos estão a ser cedidos à Ucrânia, a Dinamarca vendeu uns quantos à Argentina.
O estado das células precisava de ser realmente estudado. Desde logo para perceber quantos estão em condições de voo.
Absurdo era irmos comprar eurocanard à pressa, para depois se descobrir que apenas meia dúzia dos F-16 estariam em pior estado, algo que se resolvia facilmente.
F-16 usados não são caros, principalmente quando já temos a infraestrutura criada. Também não são assim tão escassos. Entre os do AMARG que podiam ser modernizados para render células desgastadas, alguns C/D em uso por aí (exemplo, os polacos), passando por Block 60 dos Emirados, que seriam mais caros, mas já vinham com radar AESA, CFTs, IRST, etc.
Claro que em muitos casos dependeria de aceitação do país.
No entanto, temos que ser realistas. O orçamento não é ilimitado. As razões políticas e geo-estratégicas não podem ser "varridas debaixo do tapete".
Se aplicarmos a tua lógica de que "o F-35 é melhor e só devemos comprar o caça melhor, porque não fazê-lo põe os pilotos em risco" a todos os caças que Portugal já operou, faz sentido?
Não é comparável com o passado. Portugal quando não comprou o melhor caça da época, acabou por optar por um modelo muito mais barato. E quando eram em segunda-mão, eram baratérrimos, quase dados.
Actualmente fala-se numa alternativa pior (4.5G), que custa o mesmo que o modelo topo de gama (5G).
Isto é o equivalente a teres em cima da mesa a opção de um F-4 Phantom e do F-15, ambos custarem o mesmo, e ainda escolheres o F-4.
No caso dos F-16 havia opções melhores, mais eficazes e mais caras. Será que a compra F-16 foi má e não prestou? Segunda a tua lógica, sim foi a decisão errada...
O único erro na escolha dos F-16 no início dos anos 90, foi a versão, por não termos optado pelo Block 40 ou mesmo Block 50.
De resto, foi a escolha que fazia mais sentido, não perdendo nada para os adversários.
Já o segundo lote, foi a opção óbvia, que pecou foi por tardia e pela demora na modernização. Claro que nessa altura o ideal se calhar teria sido aproveitar a "boleia" dos EAU e ir buscar 20 Block 60 novos. Mas o dinheiro não dava para tudo.
Podias depois era dizer que a FAP devia era ter 2 modelos de caças, que podiam ter sido F-16 e F-15. Mas os custos eram proibitivos.
Há muitos factores a ter em conta: políticos, orçamento, capacidade real de operar um caça, soberania e não dependência de terceiros, etc. Toda a tecnologia torna-se obsoleta com o tempo. Este processo acelera cada vez mais.
Termos o melhor caça do mundo (hoje) de nada serve se estão parados por falta: de peças, de update, de dinheiro, de cooperação e boa vontade dos nossos "aliados".
Dependência de terceiros vais ter sempre. Os factores financeiros também vão estar sempre presentes.
A grande diferença, é que com o F-35, além de ser um modelo topo de gama que não é mais caro de adquirir que as outras alternativas, é um modelo operado por vários países europeus, havendo sempre a hipótese de colectivamente os vários países resolverem problemas de forma independente dos EUA, havendo um enorme incentivo para, por exemplo, ser capaz de produzir peças de reposição.
A melhor solução que podemos arranjar, é esperar por uma mudança na Casa Branca, muito provavelmente comprar o F-35, e depois entrar num programa de Loyal Wingman totalmente europeu, juntamente com os restantes operadores do F-35. Assim não tens total dependência dos EUA, e não és obrigado a ter 2 modelos de caça.