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BOXER RCT30 na Brigada Média: implicações operacionais e logísticas da transição para um IFV 8×8 de alta intensidade
Análise técnica ao BOXER RCT30 na Brigada Média: variantes prováveis, comparação com a PANDUR II, melhorias em proteção e poder de fogo (30 mm/airburst), capacidades ganhas e impacto logístico
Um Olhar Estratégico
Jan 21, 2026

A intenção de dotar a futura Brigada Média do Exército Português com a viatura ARTEC/KNDS BOXER RCT30 aponta para uma mudança qualitativa no “patamar” de combate das forças médias nacionais: maior proteção, maior poder de fogo (30 mm com munição programável), sensores e ciclo de tiro compatíveis com combate moderno e integração em operações conjuntas e multinacionais. Este artigo analisa, com base em fontes abertas, (i) o que se conhece publicamente sobre a adoção do BOXER RCT30, (ii) se estamos perante substituição da frota PANDUR II ou reforço por incremento orgânico, (iii) as diferenças estruturais entre plataformas e as capacidades que o Exército ganha, e (iv) as implicações logísticas e de sustentação — frequentemente o fator decisivo para prontidão real em cenários de alta intensidade.


Figura 1: BOXER RCT30 (IFV 8×8) com torre remotamente controlada e canhão automático de 30 mm. Plataforma desenhada para elevada proteção, mobilidade e letalidade em combate de alta intensidade.

1. Introdução

O ambiente de segurança europeu entrou numa fase em que a hipótese de conflito de alta intensidade — com fogos de precisão, drones, guerra eletrónica, dispersão, grande consumo de munições e forte desgaste de material — deixou de ser teórica. Neste contexto, forças terrestres credíveis tendem a convergir para três requisitos: sobrevivência, letalidade e sustentação.

É nesta lógica que surge, em fontes públicas, a intenção do Exército Português de equipar a futura Brigada Média com a viatura BOXER RCT30, descrita como um salto tecnológico face ao parque atual.

2. Contexto estratégico

Fontes abertas associam a transformação em curso a uma necessidade de “revolução” na prontidão terrestre: forças mais pesadas, reservas de guerra e meios adequados a um teatro europeu contestado. Nessa linha, é referido que a prioridade é criar um “punho de ferro” — a Brigada Média — como espinha dorsal da força nacional, com horizonte de prontidão até 2032.

No mesmo enquadramento público, algumas fontes abertas de imprensa sugerem que a frota PANDUR II, após modernização (MLU), poderá continuar a equipar unidades com perfil mais ligeiro. Contudo, em fontes oficiais publicamente acessíveis, a distribuição final por brigadas não se encontra detalhada, pelo que esta leitura deve ser considerada indicativa e sujeita a confirmação.

3. Análise militar

3.1 Forças em presença (ponto de partida)

O Exército Português opera a família PANDUR II 8×8 como principal plataforma de rodas, em múltiplas variantes, e mantém/teve plataformas lagartas mais antigas no inventário. A introdução do BOXER RCT30 coloca uma capacidade de “força média” num patamar superior, aproximando-a do conceito de IFV (Infantry Fighting Vehicle) moderno de rodas: transporte de infantaria + capacidade orgânica para combater e apoiar manobra com fogos diretos significativos.

3.2 O que é o BOXER RCT30 e por que importa

O BOXER IFV RCT30 é descrito por fabricantes/consórcios como um dos IFV de rodas mais modernos, assente em duas ideias-chave:

Proteção e volume de uma plataforma 8×8 pesada, com margem de crescimento (sensores, kits, energia).

Letalidade e aquisição de alvos via torre remotamente controlada, estabilizada, com canhão 30×173 mm e funcionalidades como hunter-killer (o comandante pode procurar novo alvo enquanto o artilheiro engaja o anterior).

Nota: o calibre 30×173 mm não é, por si, novo; o diferencial do RCT30 está na integração de sensores/torre, na munição programável/ABM (airburst) e na necessidade de sustentar maiores volumes em treino e reservas.

A versão RCT30 é publicamente associada ao canhão MK30-2/ABM, incluindo munição programável/airburst. Em configurações divulgadas, existe também referência a integração de mísseis anticarro (ex.: SPIKE LR), o que amplia o envelope anticarro orgânico do escalão tático.

3.3 BOXER RCT30 vai substituir a PANDUR II ou reforçar a Brigada Média?

O que é reportado (fontes abertas / imprensa):
A informação disponível em fontes abertas associa o BOXER RCT30 à futura Brigada Média. Quanto às PANDUR II, há referências a modernização/MLU e a possível continuidade noutras componentes, mas a afetação por brigadas não é publicamente inequívoca, pelo que a análise deve manter-se prudente.

O que é provável (avaliação analítica):
Em termos de desenho de força, há dois modelos plausíveis:

Modelo A — Substituição parcial e especialização por brigadas:
O BOXER equipa as subunidades “de choque” da Brigada Média (infantaria montada/IFV), enquanto a PANDUR permanece em missões onde menor massa, menor pegada logística e maior facilidade de projeção são vantajosas, reforçando brigadas leves e funções de apoio.

Modelo B — Incremento orgânico para criar novas subunidades (sem retirar PANDUR do sistema):
O BOXER surge para criar capacidade adicional (novos batalhões/subunidades) e elevar o nível de prontidão/letalidade da Brigada Média, mantendo a PANDUR como componente estrutural do dispositivo de rodas do Exército.

Nota importante: até existir confirmação pública (contratos, números, lista de variantes e distribuição por unidades), qualquer resposta “fechada” é especulativa. O que as fontes abertas permitem afirmar com segurança a intenção de introdução do BOXER RCT30 como capacidade de combate montado de maior intensidade. Já a distribuição final das PANDUR II (após MLU) por brigadas/unidades não está detalhada de forma inequívoca em fontes oficiais publicamente acessíveis, pelo que permanece em aberto.

3.4 Variantes: o que pode fazer sentido (sem inventar decisões ainda não públicas)

Facto (arquitetura do sistema): o BOXER assenta no conceito modular “módulo de condução + módulo de missão”, permitindo múltiplas variantes dentro da mesma família.

Se o objetivo for equipar uma brigada para alta intensidade, o pacote “coerente” de variantes costuma incluir, além do IFV (RCT30), um conjunto de módulos para comando e apoio. Assim, as variantes mais prováveis/úteis (como referência doutrinária e prática de outros utilizadores) seriam:

IFV (RCT30) — núcleo de combate da infantaria montada;

Posto de Comando (C2) — brigada/batalhão;

Ambulância (MEDEVAC) — evacuação e suporte sanitário;

Recuperação/Oficina (Recovery/Repair) — manutenção e recuperação em combate;

Engenharia/apoio ao combate — mobilidade/contramobilidade;

Porta-morteiro — fogos indiretos de proximidade;

Reconhecimento — sensores, comunicações, observação.

Isto não é uma “lista do que Portugal já comprou”; é uma proposta tecnicamente coerente com o conceito de Brigada Média e com a modularidade declarada do sistema.

3.5 Principais diferenças: BOXER RCT30 vs PANDUR II

A comparação útil não é apenas “qual é melhor”, mas qual é o perfil tático-logístico de cada plataforma.

(1) Classe de massa, proteção e sobrevivência

O BOXER RCT30 opera numa classe superior de massa (fontes abertas apontam ~38 t, conforme configuração), típica de uma viatura concebida para sobreviver e combater em ambiente saturado por fogos e sensores.
A PANDUR II é uma plataforma mais leve, favorecendo menor pegada logística e maior facilidade de projeção, mas com limitações naturais de “growth potential” quando comparada com um 8×8 pesado.

(2) Letalidade e ciclo de engajamento

O RCT30 (30×173 mm) com munição programável/airburst e sensores hunter-killer altera o “balanço” em combate montado: maior alcance útil, maior probabilidade de acerto em movimento e melhor resposta contra infantaria abrigada.

(3) Arquitetura de sistemas (sensores, comunicações e integração)

Um IFV moderno não é só “armamento”; é uma combinação de sensores, comunicações e processos. O BOXER RCT30 é publicamente descrito como orientado para combate moderno e integração de subsistemas, o que tem impacto direto na eficácia em operações conjuntas/multinacionais.

3.6 Melhorias face à PANDUR: que capacidades o Exército ganha?

Capacidades ganhas (síntese):

Aumento de sobrevivência em ambiente contestado (plataforma 8×8 pesada, com margem para kits e integração).

Poder de fogo orgânico superior (30 mm e munição airburst), melhorando apoio direto à infantaria desmontada e “overmatch” sobre ameaças ligeiras/médias.

Ciclo sensor-atirador mais rápido (hunter-killer), com impacto claro em combate de encontro e em ambientes urbanos/complexos.

Potencial anticarro ampliado (se integrado com ATGM, como referido em fontes do produto).

Sustentação e disponibilidade potencialmente melhores (pela modularidade e gestão de módulos), desde que o modelo logístico e contratual seja bem desenhado.

3.7 Logística e sustentação: o “lado decisivo” do BOXER

Uma transição para um IFV 8×8 pesado exige uma abordagem logística deliberada. Em alta intensidade, “ter viaturas” é diferente de ter viaturas prontas e municiadas, com equipas de manutenção, recuperação e cadeias de abastecimento robustas.

Principais implicações logísticas:

Infraestruturas e mobilidade operacional: peso/classe do veículo afeta pontes, itinerários, parques, meios de reboque e recuperação.

Municiamento: reforço e normalização da cadeia logística de 30×173 mm, com ênfase em munições programáveis/ABM (airburst), volumes de treino/combate e respetiva gestão (armazenamento, programação, controlo e segurança), além de sobressalentes e ferramentas específicas da torre.

Manutenção e sobressalentes: torre, optrónicos e sistemas eletrónicos aumentam exigência de técnicos, ferramentas e contratos de suporte.

Recuperação e reparação em combate: em alta intensidade, a taxa de avaria/danos cresce; meios de recuperação são tão críticos como o próprio IFV.

Formação: tripulações e mecânicos requerem treino em tiro, sensores, gestão de munição, procedimentos e integração C2.

4. O BOXER RCT30 é “topo de gama” no segmento? E qual um Top 3?

“Topo de gama” depende do critério (proteção, letalidade, maturidade, custo-ciclo de vida). Ainda assim, em termos de posicionamento técnico e características publicitadas, o BOXER RCT30 situa-se claramente no patamar superior dos IFV 8×8: proteção elevada, torre moderna, munição airburst e conceito modular.

Top 3 (avaliação analítica, defensável por desempenho + maturidade + potencial):

ARTEC/KNDS BOXER IFV RCT30

Patria AMV XP (configurações IFV)

GDELS PIRANHA V (configurações IFV)

5. Conclusão e cenários possíveis (curto, médio e longo prazo)

Curto prazo (1–3 anos):
Definição do pacote real (números, variantes, cronograma, formação, munições) e desenho do modelo de sustentação. O sucesso inicial mede-se menos pelo “anúncio” e mais pela capacidade de criar uma cadeia logística e de treino coerente.

Médio prazo (3–8 anos):

Entrada em serviço e consolidação de subunidades de choque na Brigada Média, com coexistência com PANDUR modernizadas noutras brigadas/roles. Este período será crítico para a prontidão: munições, sobressalentes, recovery e manutenção determinarão disponibilidade real.

Longo prazo (8–15 anos):
Consolidação de uma arquitetura de força com “camadas”: IFV pesado de rodas (BOXER) para choque e combate montado exigente; 8×8 mais leve/modernizado (PANDUR) para mobilidade, projeção e funções de apoio. A variável estratégica será a sustentabilidade financeira e industrial do ciclo de vida.

https://substack.com/home/post/p-185217713

Não percebo mesmo a invenção do autor (um TCor no EMGFA diga-se) das Pandur na Brigada Ligeira

Cheguei a perguntar-lhe qual a fonte, mas só repetiu o facto de serem fontes abertas...


Como é lógico as Pandur ficam na BrigInt/Brigada Média e nada indica o contrário
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Área Livre-Outras Temáticas de Defesa / Re: O SOBREVIVENCIALISMO
« Última mensagem por MMaria em Janeiro 22, 2026, 09:26:08 pm »
Alimentos importantes além dos já mencionados.

- Sal: conservante;
- Vinagre: não só como alimento mas também conservante e antisséptico;
- Açúcar: energia, conservante, auxilia na cicatrização de ferimentos;
- Mel, café instantâneo, chá: duráveis e imprescindíveis;
- Doces tipo goiabada, pé-de-moleque e outros: energia;
- Arroz, milho, trigo: fontes de carboidratos e duráveis;
- Leite condensado: 1 lata pode virar mais de um litro de leite já adocicado, pode-se também misturar com farinha para fazer um mingau;
- Rotação: FIFO - First In, First Out.

Canal brasileiro sobre o tema:


Sds
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Exército Português / Re: Substituição dos M113
« Última mensagem por Duarte em Janeiro 22, 2026, 09:04:31 pm »
Eu sei que não sou tido nem achado, mas para mim BIParas equipados totalmente com Pandur não faz qualquer sentido.

Uma Companhia à italiana já era mais do que suficiente, desde que os restantes Companhias tivessem 4x4 blindados.

Não sabemos se os BI da futura Brigada Ligeira serão dois BI Paras e 1 BCmds tal como estão. Poderão ser 2 BI Mec rodas (ligeiros) com Pandur e 1 BIParas, ou alguma combinação diferente até, alguém há de saber?

De qualquer forma muitas das missões atuais do paras requerem  viaturas blindadas como a Pandur (missões de paz, ONU, etc). Mas estou apenas a especular...
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Portugal / Re: Reformar e Modernizar as Forças Armadas
« Última mensagem por Cabeça de Martelo em Janeiro 22, 2026, 08:43:07 pm »
Os 90 Boxer não vão dar para substituir todos Pandur e esses já estão com falta de viaturas porque o programa foi cancelado antes de todas as entregas. Portanto a dita Brigada Média ainda vai usar os Pandur durante mais tempo.

Pensava que os Boxer seriam para já para substituir os M113 da BIPesada em Santa Margarida.

Segundo o plano FT45, as Pandur vão ser modernizadas até 2032 e substituidas até 2045.

E são, passa pelo tópico dos M113.
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Exército Português / Re: Substituição dos M113
« Última mensagem por Cabeça de Martelo em Janeiro 22, 2026, 08:42:04 pm »
Eu sei que não sou tido nem achado, mas para mim BIParas equipados totalmente com Pandur não faz qualquer sentido.

Uma Companhia à italiana já era mais do que suficiente, desde que os restantes Companhias tivessem 4x4 blindados.
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Exército Português / Re: Substituição dos M113
« Última mensagem por Duarte em Janeiro 22, 2026, 08:15:15 pm »
90 Boxer é quantia mais que suficiente pars equipar um BIMec Pesado.
Parece-me que o plano será a Brigada Média inicialmente ter 1 BI Boxer e 2 BI Pandur MLU.

A médio prazo, a Brigada Média passa ter 3 BI Boxer, e os Pandur transitam para a Brigada Ligeira? Os ST5 dos  BIPara e BCmds passam então para os BI das ilhas, outras unidades do éxercito, talvez PA/FAP e Fuzos?

Será?
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Portugal / Re: Reformar e Modernizar as Forças Armadas
« Última mensagem por Lightning em Janeiro 22, 2026, 08:14:00 pm »
Os 90 Boxer não vão dar para substituir todos Pandur e esses já estão com falta de viaturas porque o programa foi cancelado antes de todas as entregas. Portanto a dita Brigada Média ainda vai usar os Pandur durante mais tempo.

Pensava que os Boxer seriam para já para substituir os M113 da BIPesada em Santa Margarida.

Segundo o plano FT45, as Pandur vão ser modernizadas até 2032 e substituidas até 2045.
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Regras-Dúvidas-Informações do Fórum / Re: Dúvidas/Problemas com a utilização do Fórum
« Última mensagem por HSMW em Janeiro 22, 2026, 08:03:14 pm »
Quando tento abrir o forum no meu pc, a página aparece em branco.

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30
Portugal / Re: Equipamento a oferecer à Ucrânia
« Última mensagem por HSMW em Janeiro 22, 2026, 07:59:31 pm »


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