Como eu decidi que em 2026 vou ser um melhor ser humano, só te faço uma pergunta… antes de começares a chamar traidor a quem quer o melhor avião para a FAP, por causa da situação geopolítica atual, por favor responde ao cenário que eu tenho vindo aqui a colocar e a que nem tu, nem os outros oponentes do F-35 ainda se dignaram a responder, por isso deixo aqui de novo… no cenário possível/provável de os próximos governos das duas potências nucleares europeias virem a ser da Frente Nacional e do Reform, se o Putin invadir os Bálticos e a França e o Reino Unido se recusarem a ajudar, a Europa como a conhecemos implode. E aí, como vai ser? E não me digam que estou a jogar com hipotéticos, porque as coisas mais loucas acontecem em política internacional. A 7 de Janeiro de 2021 era absolutamente impensável que o Trump alguma vez pudesse voltar a ser presidente dos Estados Unidos e no e fato, aqui estamos… o cenário que eu acabei de adiantar é bem mais provável em Fevereiro de 2016 que era a reeleição do Trump em Janeiro.
Eu duvido muito que um líder de qualquer partido, mesmo da extrema direita, que chegue ao poder, tanto em França, no RU ou na Alemanha tente sabotar a viabilidade de uma indústria de defesa nacional e destruir alianças como o PDF alaranjado está a fazer atualmente nos EUA, nem acredito que os outros orgãos de poder nestes países, a opinião pública, os trabalhadores destas industrias, etc. o permitissem, a não ser que alguma potência estrangeira detenha
kompromat sobre eles que envolva abuso sexual de crianças talvez e que os possa influenciar neste caminho?
Acho muito mais provável ser como na Itália. A nível europeu, Meloni é vista como uma líder de direita nacionalista, mas também como uma figura que tem mantido cooperação com a UE e a NATO.
A tua preocupação com o cenário político europeu é legítima, mas estás a usá‑lo para puxar a discussão para um ponto onde já não estamos a falar de aviação, mas de colapso estratégico da própria NATO. E isso muda completamente o enquadramento.
O problema do teu cenário não é ser “hipotético”, todos os cenários estratégicos são. O problema é que ele junta várias condições extremas ao mesmo tempo:
França e Reino Unido simultaneamente governados por forças eurocéticas e isolacionistas, uma invasão russa dos Bálticos,
e ambos recusarem cumprir o Artigo 5.
Se tudo isso acontecesse em simultâneo, o tipo de caça que a FAP opera deixava de ser o fator decisivo. Podíamos ter 100 F-35 até. O desafio seria político, logístico e estrutural: cadeias de abastecimento, acesso a bases, continuidade da Aliança, comando e controlo, etc.
Num cenário em que a NATO implode, nenhum país escolhe caças com base na “situação geopolítica atual”, porque a própria estrutura que dá sentido à escolha já não existe.
Isto não invalida a tua preocupação, mas para discutir F‑35 vs alternativas, então vale mais olhar para o perfil de missão real da FAP, custos e ciclo de vida, interoperabilidade com a NATO tal como existe hoje e no futuro a médio prazo e dependências logísticas e industriais e o que Portugal realmente precisa para cumprir as suas obrigações.
Esses são argumentos sólidos e comparáveis.
Para mim, IRIS-T, SAMP/T e fragatas e SSKs são uma prioridade muito maior do que termos caças 5G
neste momento.
Este cenário extremo é útil como exercício mental, mas não como base para uma decisão de aquisição de F-35 vs Rafale, vs EF vs Gripen, porque usando apenas a estabilidade política do país fornecedor como factor decisivo, a Suécia seria a melhor escolha para fornecedor de caças.
