Vou responder aqui, mas é off-topic e se quiseres responder de novo, vamos continuar no tópico da substituição dos F-16.
Dito isto… Errado… devias fazer o tpc antes de vires dizer coisas… a USAF e a US Navy têm um rácio mínimo de 1.25, sendo 1.4-1.5 o recomendado. As principais FA europeias (RAF, Armée de L’Air, Luftwaffe, Aeronautica Militare, etc.) todas têm entre 1.3 e 1.6. Se Portugal tem menos, isso é problema da FAP e é um problema que tem que ser resolvido… rácios abaixo de 1.0-1.2 não te permitem efetuar operações de combate de forma sustentada, apenas operações pontuais ou de curta duração. Mesmo a Rússia, que não tem os padrões de treino e proficiência da NATO, tem esses ravios mínimos.
Eu nunca disse que o único o custo era a hora de voo, o que eu disse é que não é forçosamente mais caro operar duas frotas, mesmo com os custos logísticos adicionais, porque há fatores que atuam em direções diferentes. E eu quase que aposto, mas não o faço porque não tenho os números reais, que não tens 40 milhões de custos logísticos adicionais por ano para cobrir a totalidade do excesso de custo das horas de voo… mas é apenas um feeling, não ponho as minha mãos no fogo.
O teu problema continuam a ser as tuas certezas absolutas sem prova absolutamente nenhuma (como esta dos pilotos) e a tua incapacidade congénita de reconhecer que podes, por uma vez que seja, estar errado. Sempre mais do mesmo, infelizmente…
Em primeiro lugar, tens de distinguir a doutrina/o que é idealizado, daquilo que é a realidade de cada país. Novamente, praticamente todos os países ocidentais têm falta de pilotos, sendo o caso português particularmente grave.
Depois, operações de combate sustentadas não fazes há 50 anos. Achar que a FAP, que tem falta de pilotos em todas ou praticamente todas as esquadras, a mesma FAP que tem 2 dezenas de AMRAAM, vai ter pilotos "a mais" nas esquadras de Monte Real, enquanto as outras têm pilotos a menos, é completamente delusional.
Na prática, as tuas contas pouco sentido fazem, se é para contabilizar um número exagerado de pilotos que não reflecte a realidade.
Na tua pesquisa, certamente terás visto que o número varia bastante. Que os números podem chegar a 2 pilotos por avião. Também verias testemunhos de pessoal de esquadras a afirmar que na sua o rácio chegava a rondar 1:1. Também terias reparado que noutras tipologias de aeronaves, os rácios podem ser ainda maiores - e isto não implica que no caso da FAP assim seja.
Também terias reparado que muitos países da NATO têm défice de pilotos.
Também terias reparado que é mais fácil atingir esses rácios com base na taxa de disponibilidade das aeronaves (que é capaz de ser mais próximo da realidade portuguesa).
Mas agora deixo-te aqui umas perguntas filosóficas:
Será que esse rácio que falas, é mais uma maneira de:
1- identificar o número mínimo de caças, sabendo que sai mais barato um país com 60 pilotos ter 40 caças, do que ter 60 pilotos e 60 caças, e;
2- garantir que as FA dos países não formam números de pilotos minimalistas com base no número de aviões?
Por outras palavras "se não têm dinheiro para tantas aeronaves, pelo menos tentem ter mais pilotos".
Se Portugal tivesse 40 pilotos, achas que a NATO ia impor que Portugal adquirisse ~26 caças, ao invés de mais aviões (digamos 30-32), só por causa do rácio?
Será que um país que tem apenas 12 pilotos, deve ficar-se pelos 8 caças?
Se a FAP tiver 28 pilotos de caça, devemos então adquirir apenas 16 caças, para manter o rácio? Ou é preferível comprar num rácio 1:1 ou perto disso, e depois ter condições para que se tente ir aumentando este rácio?
A FAP deve então adquirir caças com base no número real de pilotos, ou adquirir um número que ache adequado, que permita até uma melhor gestão da frota, e preocupar-se mais com um rácio 1.5:1 relativo às aeronaves operacionais (média)?
Operacionalmente, não achas mais vantajoso Portugal ter um rácio 1:1, comprando mais aviões, permitindo jogar com a taxa de disponibilidade, e ter aeronaves de reserva/substituição/para cumprir outras missões em simultâneo?
A isto acresce que operações sustentadas causam enorme stress às células, além de possíveis perdas, e que sem aeronaves de reserva, de pouco te adianta ter um rácio de 1.5:1 piloto/aeronave. Isto agrava-se quando a produção de caças modernos é mais demorada e complexa, o que dificulta a capacidade de substituição de aeronaves perdidas, e/ou de dar a novos pilotos.
Se calhar detectei uns quantos problemas na dita doutrina.

Relativamente aos "40 milhões", não é difícil perceber que essa diferença não é suposto ser colmatada apenas com a parte logística. Inclui também os custos acrescidos de assinar 2 contratos distintos, em que vem incluído um pacote de suporte para os 2 modelos, e ainda a necessidade de formar pessoal especializado em 2 modelos completamente distintos, possivelmente obrigando a mais pessoal. Além disso tens o factor EPAF.
Mesmo que assumas que uma frota de 28 F-35 custa o mesmo que uma frota mista de 14 F-35 + 14 Gripen, não existe qualquer ganho operacional em operar os 2 modelos, dado que o Gripen não ofereceria nada que o F-35 não pudesse fazer.
Neste contexto, seria operacionalmente mais vantajoso contar com apenas 24 F-35, dadas as vantagens que possui, o que até ficaria mais próximo do tal rácio.
Depois terias ainda a questão das esquadras. A 201 mais vocacionada para ar-ar, a 301 para ar-superficie. O F-35 seria superior em ambas, mas uma delas ia ser penalizada com um avião claramente inferior?
A conclusão é simples, com números tão reduzidos de aeronaves, não se justificam 2 modelos.
A questão do número de pilotos foi o teu maior erro. Assumiste um número que não representa a realidade do país, e usaste-o como argumento, e depois ainda assumes que a FAP ia distribuir esses pilotos de uma forma uniforme pelas 2 aeronaves.
A FAP podia muito bem dar prioridade a atingir esse rácio apenas para a esquadra mais relevante.