Eis os excertos relevantes do artigo... as partes a negrito são da minha autoria, porque confirmam factos relevantes para uma discussão séria... quanto ao resto, sem comentarios...
Os suecos do grupo Saab, fabricantes dos caças Gripen, continuam a olhar para Portugal como uma oportunidade, e a posicionar-se para quando o Ministério da Defesa decidir iniciar o processo de substituição dos aviões de combate F-16, que se aproximam do limite de idade. Este mês, o vice-presidente da Saab e chefe da unidade de negócio dos Gripen, Johan Segertoft, esteve em Lisboa a visitar a tecnológica Critical Software, com a qual a empresa assinou recentemente um memorando de entendimento. Numa entrevista ao Expresso, o responsável defendeu que o avião é “o caça mais avançado do mundo”, para rivalizar com o F-35 furtivo norte-americano da Lockheed Martin, que é o modelo preferido da Força Aérea Portuguesa (FAP).
Quatro meses depois de o ministro da Defesa sueco ter visitado Portugal - a propósito da aquisição de quatro aviões KC-390 da brasileira Embraer -, Johan Segertoft avança com mais uma razão para seduzir a FAP, porque o avião de transporte co-fabricado em Portugal já reabastece caças Gripen em pleno voo: "O ano passado certificámos o Gripen e o KC-390 para reabastecimento aéreo conjunto, o que também é um passo muito importante. Assim, se Portugal decidir e quiser fazer parte da família Gripen no futuro, já terá a capacidade de reabastecimento aéreo."
“Talvez possamos soar um pouco arrogantes, mas estamos a revolucionar a forma como as forças aéreas operam no futuro, porque construímos uma aeronave que é muito diferente de tudo o que já se viu antes”, argumenta Segertoft, que contesta a designação dos F-35 como caças de 5ª geração - uma geração à frente dos Gripen -, classificando essa ideia como puro “marketing”.
Ao contrário da rival norte-americana Lockheed Martin, que já realizou workshops com a Força Aérea sobre os F-35, os responsáveis da Saab/Gripen ainda não tiveram contactos com este ramo das Forças Armadas portuguesas, e o ministro da Defesa, Nuno Melo, tem repetido que ainda não é o momento de lançar o processo de substituição dos F-16. Johan Segertoft não considera os aviões de combate suecos inferiores aos norte-americanos.
“Quanto ao F-35, que os americanos designam como aeronave de 5ª geração - esse é um termo de marketing -, é muito difícil comparar, porque são aeronaves projetadas para propósitos diferentes”, continua o gestor sueco. A 5ª geração, afirma, tem a ver com o facto de o caça ser furtivo ou invisível “num espectro específico de radar. É um termo inteiramente de marketing”, contrapõe.
O responsável da empresa nórdica reconhece haver essa “noção de que as forças aéreas estão muito focadas no F-35”, como é o caso da portuguesa. (…) O mantra da Saab é que o avião pode funcionar por módulos, permitindo que o software seja constantemente atualizado ao dia. “A aeronave já estava em operação, quando tínhamos a visão de programar pela manhã e voar à tarde. Essa visão já foi concretizada há alguns anos, e agora estamos a modernizar nossas aeronaves semanalmente, em Linköping. O responsável da Saab garante que os engenheiros portugueses da Critical Software “ficaram impressionados” com os sistemas do caça, como “especialistas em software de segurança crítica, pois não acreditavam que um produto como este existisse”.
Para reforçar a ideia de que o caça sueco está a desbravar caminho tecnológico, Johan Segertoft avança ainda que, no ano passado, a Saab foi “o primeiro fabricante a realizar um voo com uma aeronave pilotada por Inteligência Artificial em espaço aéreo civil”. (...) “Foi realizado com a nossa aeronave de produção, comercializável, pronta para uso, na qual podemos implantar recursos de IA e utilizá-los, agregando capacidade aos nossos utilizadores. O que estamos a fazer nos nossos projetos avançados é complementar o caça Gripen-E com ameaças de combate não tripuladas”.
Enquanto o Governo não toma uma decisão sobre os caças, Portugal poderá integrar como observador o projecto para o Global Combat Air Programme (GCAP), um programa cooperativo entre o Reino Unido, a Itália e o Japão, para o fabrico do Tempest, um caça de 6ª geração. E que poderá vir a contar com a Alemanha, que abandonou o outro programa cooperativo europeu, o Future Combat Air System (FCAS), por desentendimentos com a França (e onde também participa a Espanha).
Segundo Johan Segertoft, a Gripen tem “um contrato para um programa semelhante ao GCAP ou ao FCAS, financiado pelo governo sueco, chamado Estudo de Conceito para o Futuro Sistema de Caça.” Nesse âmbito, acrescenta o responsável, a Saab “está em diálogo com os diversos parceiros e concorrentes na Europa, mantendo ótimas conversas e colaborações em vários sistemas de pequena escala. Mas também é muito óbvio, pelo menos da minha perspectiva, que muitos desses programas têm a visão de alcançar o sucesso em 2045 ou 2050, com algo que já realizamos”, afirma o vice da Saab.