Alguns não vale a pena reparar...
Se depois disto não decidirem a substituição .... Surreal
Se calhar irei contra a corrente, mas é a minha opinião baseada no sensor "Mark 1 Eyeball" e através das imagens disponíveis: apesar do aparato do telhado do hangar de manutenção ter sido quase todo ele varrido pela força dos ventos da tempestade Kristin, as duas aeronaves em primeiro plano - F-16BM "15118" e F-16AM "15108" - aparentam ter sofrido danos de pouca monta.
Aparentam. No monolugar "15108", o que imediatamente salta à vista é o pitot entortado ou partido, e a inclinação posterior devido ao peso das chapas em cima da deriva e estabilizador esquerdo. A asa esquerda parece estar incólume.
No bilugar "15118", nota-se que as placas caíram em cima da fuselagem frontal, havendo então a preocupação com o estado da carlinga, cockpit e o cone de nariz que alberga o radar. Poderão ter sofrido danos importantes, como poderá não passar de algo mais que chapa amolgada e pequenos arranjos. Os 2 outros F-16AM que se encontram no hangar não parecem ter qualquer dano. E, repito, é a sensação com que fico, que pode ou não estar correta.
O comunicado da FAP fala em "danos materiais avultados" na Base Aérea nº 5, e já vi vídeos e fotografias de zonas dentro do perímetro da base onde houve queda de árvores e estruturas, causando estragos em edifícios e outras infraestruturas. Não vi ou ouvi, até agora, mais qualquer relato de eventuais danos na frota F-16M. Aguardemos então por mais esclarecimentos da Força Aérea, para além da linguagem institucional que tudo se mantém operacional apesar dos danos.
Nas redes sociais e caixas de comentários um pouco por todo o lado onde esta notícia se espalhou, reina uma certa perplexidade relativamente à fragilidade da estrutura do hangar de manutenção em questão, e porque os caças não foram movidos para um sítio mais seguro dada a iminência de condições atmosféricas bastante adversas. Primeiro que tudo, um hangar de manutenção é uma estrutura onde uma aeronave se encontra temporariamente para vistoria e consertos vários. Não tem de ser à prova de tornado ou bomba nuclear, para isso existem outro tipo de abrigos mais convenientes e adequados para o efeito (os HAS).
A Depressão Kristin foi de uma violência extrema devido a 2 fenómenos bem conhecidos dos meteorologistas, e que com crescente frequência temos vindo a assistir em Portugal: primeiro, a formação de uma ciclogénese explosiva, vulgo ciclone-bomba. Este termo refere-se a um processo em que uma depressão intensifica-se de forma muito rápida devido a uma queda abrupta da pressão atmosférica no seu centro num período de 24 horas (descida da pressão atmosférica em pelo menos 24 ou mais milibares/hectopascais em 24h), o que se traduz em tempestades de grande energia e impacto com chuva intensa e um campo de ventos muito forte, geralmente com força de furacão. A segunda característica que ajudou à severidade da tempestade foi a formação de um fenómeno raro denominado "sting jet", ou seja, um pequeno núcleo em forma de gancho que cria ventos ainda mais fortes, tal como aconteceu na Depressão Leslie em 2018, e particularmente na Depressão Klaus no Natal de 2009, que causou graves prejuízos na zona Oeste do continente. A explicação do IPMA:
O sting jet é uma forte corrente descendente que, por vezes, se desenvolve no bordo oeste de depressões extratropicais, podendo alcançar a superfície. Nestes casos, as rajadas poderão ser superiores a 150 km/h numa área reduzida, tipicamente situada a sudoeste do núcleo da depressão.
Foi na estação meteorológica da base aérea de Monte Real que foi detetada a rajada máxima desta tempestade, 175,9km/h, até a mesma ter sido também vítima do mau tempo e deixado de emitir, muito provavelmente devido a rajadas perto ou superiores a 200km/h. O IPMA acredita que ocorreram ventos superiores aos registados na BA5 na extensão que o "sting jet" abrangeu, no seu campo de ventos, e estará agora a tentar confirmar os dados da estação meteorológica de Soure (alguns quilómetros a Nordeste de Monte Real) que apontam para uma rajada máxima de
208,8km/h.

O que isto significa é que toda aquela zona, grosso modo da Figueira da Foz à Marinha Grande, esteve temporariamente exposta a ventos de um furacão Categoria 2, de acordo com a escala Saffir-Simpson. E isso, como se vê, é muito difícil de aguentar, ainda para mais para a realidade de Portugal Continental, completamente impreparado para este tipo de fenómenos que se estão a tornar cada vez mais frequentes, fruto das alterações climáticas.
Mais informação sobre a Depressão Kristin no site do IPMA:
https://www.ipma.pt/pt/media/noticias/news.detail.jsp?y=2026&f=Tempestade_kristin_portugal_continental.htmlEm resumo, aguardemos então por esclarecimentos adicionais por parte da Força Aérea, se os houver. Creio que dada a gravidade da situação, será imperioso um ponto da situação em Monte Real por ser a Base Aérea por excelência da aviação de caça, e responsável pela defesa aérea do nosso país. E só uma nota final pessoal: preferia perder 2 F-16, à morte de pessoas que estavam a trabalhar ou acautelar o que é seu e construído com muito esforço. Isso sim é que é trágico, tal como são os avultados danos em toda a área atingida.