Portugal comecerá a recuperar?

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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #615 em: Janeiro 24, 2018, 03:40:48 pm »
Google vem para Portugal. Costa anuncia “grande investimento” e 500 empregos

O novo centro vai criar 500 empregos qualificados

A Google escolheu Portugal para instalar o novo Centro de Serviços para a Europa, Médio Oriente e África. O anúncio foi feito ao início da tarde desta quarta-feira em Davos pelo primeiro-ministro, António Costa.

O novo hub tecnológico será instalado em Oeiras e vai criar 500 empregos qualificados. A abertura está prevista para o próximo mês de junho. Portugal não era o único país na corrida pelo investimento da gigante tecnológica. Segundo a página de Twitter do Ministério da Economia, as negociações entre o Governo e a Google tiveram início durante a Web Summit, em novembro do ano passado.

Citar
#Google instala em Lisboa um centro de serviços,, criando 500 empregos qualificados. O anúncio foi feito em #Davos pelo Primeiro Ministro, António Costa. As negociações começaram na WebSummit2017, durante uma reunião com o Presidente Europeu da Google, Matt Brittin. #wef18 pic.twitter.com/bi36gcg664 — Economia PT (@economia_pt) 24 de janeiro de 2018

António Costa fez o anúncio num evento paralelo do Fórum Económico Mundial, organizado pelo Governo e pela AICEP. A conferência, que teve como mote “Porquê Portugal? Porquê Agora?”, contou com a presença de empresários internacionais, gestores e jornalistas estrangeiros. O objetivo da iniciativa era atrair investidores para Portugal. Além de António Costa, o evento contou com as intervenções do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e do ministro das Finanças, Mário Centeno. Segundo a agência Lusa, o primeiro-ministro garantiu durante o evento que existem “muitos investimentos em perspetiva”. Já ontem o Ministro da Economia revelou ao Dinheiro Vivo que Portugal estava a despertar o interesse de vários investidores estrangeiros em Davos, sendo a área tecnológica uma das mais procuradas.

https://www.dinheirovivo.pt/economia/1138477/
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HSMW

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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #616 em: Janeiro 25, 2018, 10:18:08 am »
Se for como o "mega centro de dados" da PT na Covilhã...   
http://www.youtube.com/profile_videos?user=HSMW

"Tudo pela Nação, nada contra a Nação."
 

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Viajante

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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #617 em: Janeiro 25, 2018, 11:27:10 am »
Se for como o "mega centro de dados" da PT na Covilhã...   

A ideia do Data Center da Covilhã era muito boa, talvez até megalómana, mas fazia sentido! A PT era uma empresa multinacional, tinha uma presença muito forte no Brasil, onde tinha muitos mais clientes do que em Portugal e o Data Center aqui seria como que um backup de todos os clientes, incluindo brasileiros!

Inicialmente previa-se a construção de 4 torres..... só 1 foi construída!
Previam 1400 postos de trabalho....... só estão lá 220 e muitos deles foram transferidos da Capital, já eram funcionários da PT!
Mesmo a única torre só tem ocupação para cerca de metade da capacidade!

O que correu mal?
Julgo que uma mistura dos seguintes factos:
- A PT vendeu a sua mina de ouro à Telefonica por 7,5 mil milhões de euros;
- Metade desse valor gastou a comprar uma empresa falida, a OI;
- Para se defender da OPA do Belmiro de Azevedo, prometeu dar aos accionistas muito mais do que ganhava, algo como 7 mil milhões de euros em dividendos (o que gerou o título de melhor gestor das telecomunicações para Bava);
- Some-se os 900 milhões de euros que desapareceram na Rio Forte/BES/GES.......
São quase 12 mil milhões de euros que desaparecem da PT em poucos anos! É muito dinheiro para uma empresa que vivia literalmente em cima de notas de 500 euros!!!!!!

Não é de estranhar o estouro que deu a PT e a compra dos restos feita pela Altice, por menos de 6 mil milhões de euros!!!!!
No entanto também é peculiar o facto da própria Altice (não sei se deram conta mas o nome PT ainda aparece nas facturas, mas já aparece o logo da Altice......) ter uma dívida colossal que muitos duvidam que possa ser paga, algo como 50 mil milhões de euros!!!!!!!!!

Um aparte, a segurança dentro do Data Center é brutal! Os nossos alunos fizeram uma visita de estudo e...... tivemos de negociar a visita com muitos meses de antecedência, quiseram uma lista com todos os nomes de quem ía na visita. No local proibiram as fotos dentro do perímetro, passaram por detectores de metais, deixaram na entrada tudo o que pudesse gravar som e vídeo e foram pesados à entrada e saída!!!!!!!
« Última modificação: Janeiro 25, 2018, 12:38:49 pm por Viajante »
 
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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #618 em: Janeiro 25, 2018, 06:32:40 pm »
Governo em conversações com outras empresas tecnológicas para se instalarem no país


O Governo está em conversações com empresas tecnológicas, além da Google, para se instalarem no país, informou esta quarta-feira o executivo, no dia em que se soube que esta multinacional norte-americana vai ter um centro de inovação em Oeiras.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou hoje que a multinacional norte-americana Google vai instalar, em Oeiras, um centro de serviços, hub-tecnológico, para a Europa, Médio Oriente e África, arrancando com cerca de 500 empregos qualificados.

Em declarações à agência Lusa sobre este anúncio, o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, avançou que “sim, há conversações” com outras empresas do setor, mas escusou-se, “nesta fase”, a apontar as entidades visadas.

“Este foi um processo longo [de trazer a Google para Portugal], tem mais de um ano e, tal como fizemos com a Google, o nosso trabalho coletivo (…) continua para trazermos outras empresas com o mesmo perfil para Portugal e que contribuam para melhorar a vida dos portugueses, as nossas exportações e captarmos mais investimento direto estrangeiro”, acrescentou o governante.

Falando sobre o centro de serviços da Google no país, um hub-tecnológico para a Europa, Médio Oriente e África, Eurico Brilhante Dias precisou que este é “um projeto que se iniciará em julho, estando já fechada a contratação do espaço, um espaço que andará na ordem dos sete mil metros quadrados e que arrancará, segundo informação da própria Google […], com 535 postos de trabalho”.

Estes empregos dizem respeito à área das tecnologias de informação e de comunicação, “desde a gestão da informação às engenharias, num leque alargado de competências”, apontou.

Quanto ao espaço, localizado no concelho de Oeiras, em Lisboa, o governante indicou que “no final de fevereiro começarão os preparativos”.

“É, para Portugal, um grande feito do ponto de vista da seleção por uma grande empresa internacional”, considerou Eurico Brilhante Dias, assinalando que, segundo informações da multinacional norte-americana, “a seleção teve muito a ver com o reconhecimento de Portugal como um país das tecnologias de informação e da inovação, onde a Web Summit e todo o trabalho desenvolvido no quadro […] do ecossistema de ‘startups’ é uma mais-valia”, que permite “entrar no radar de empresas como a Google”.

Esta aposta “vai permitir sobretudo, e isso é que me parece importante, fixar talento em Portugal, fixar trabalho qualificado em Portugal, mostrando que no país somos capazes de produzir bens e serviços altamente qualificados”, salientou.

António Costa fez este anúncio em Davos, na Suíça, no âmbito do Fórum Económico Mundial, numa conferência intitulada "Porquê Portugal, porquê agora?", em que também estiveram presentes os ministros da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e das Finanças, Mário Centeno.

O primeiro-ministro referiu este investimento da Google na sua intervenção, que abriu a conferência e que foi dedicada a apresentar Portugal a investidores estrangeiros como um país competitivo, sobretudo em matéria de captação de ‘startup’ e investimentos tecnológicos.


>>>>>>>  http://24.sapo.pt/tecnologia/artigos/governo-em-conversacoes-com-outras-empresas-tecnologicas-para-se-instalarem-no-pais
 

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Cabeça de Martelo

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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #619 em: Abril 12, 2018, 12:25:23 pm »
Anunciada nova ponte entre Porto e Gaia



Os presidentes das câmaras do Porto e de Gaia anunciaram, na manhã desta quinta-feira, a construção de uma nova ponte rodoviária sobre o Douro, que vai unir os dois concelhos.

A nova travessia será construída a montante da ponte S. João (ferroviária), amarrando, em Gaia, na zona de Oliveira do Douro.

Projetada para a cota baixa, vai ser construída entre a zona Campanhã, no Porto, e o cais de Quebrantões, em Vila Nova de Gaia. Destinada ao trânsito automóvel, contemplará a travessia de peões e bicicletas e permitirá, também, novas ligações de transportes públicos rodoviários.

A ponte vai chamar-se D. António Francisco dos Santos, antigo bispo do Porto. Será paga pelos municípios, não dependendo de financiamento externo.

Orçada em 12 milhões de euros, deverá estar concluída no prazo de quatro anos.
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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #620 em: Abril 12, 2018, 04:25:10 pm »
 

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Camuflage

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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #621 em: Abril 12, 2018, 10:46:42 pm »
Já deviam era entubar o rio douro, resolve-se logo o problema das pontes. Sempre com projectos magnatas que não serem a população.
 

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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #622 em: Abril 14, 2018, 12:40:26 pm »
Social democracy is floundering everywhere in Europe, except Portugal
A small miracle on the Atlantic



ANTONIO COSTA, Portugal’s affable prime minister, greets your columnist with a broad grin as he settles his hefty frame into a sofa in his official residence. He has a lot to smile about. Lisbon, among Europe’s hottest tourist destinations, is enjoying a mini startup boom. Portugal’s footballers are the European champions, and its politicians have nabbed a clutch of senior international jobs. And above all, he is the winner of a high-stakes political gamble.

When Mr Costa’s Socialist Party lost an election in 2015 to the centre-right (and confusingly named) Social Democrats, who had overseen a harsh EU-imposed austerity programme during a three-year €78bn ($107bn) bail-out, most observers expected the Socialists to prop them up in a left-right “grand coalition” of the sort now common across Europe. Instead Mr Costa, the son of a communist intellectual from Goa, Portugal’s old colony in India, convinced two hard-left parties—the old-school Communists and the modish Left Bloc—to support a minority Socialist government in exchange for modest policy concessions.

Nothing like this had been tried before in Portugal. Mr Costa’s new friends wanted, variously, to write off debt, leave the euro zone, renationalise vast swathes of industry and quit NATO. The fury was swift, deep and near-universal. Foes nicknamed Mr Costa’s experiment the geringonça (“contraption”), and gave it six months at most. Portugal’s president threatened to reject the proposed government outright. Creditors feared a free-spending leftist government would send investors packing.

Yet over two years later the contraption is grinding along and the sky has failed to fall in. Some wage and pension cuts have been reversed, firms are creating jobs at a neat clip, foreign investors are eagerly sniffing around and the public finances are in rude health; the government hopes to balance the books next year. Portugal has become a bond-market darling while claiming to stand in the vanguard of the battle against austerity. “We showed that there is an alternative to ‘There is no alternative,’” says Mr Costa. He enjoys approval ratings most leaders would kill for. Little wonder Europe’s beleaguered social democrats are beating down his door.

Does Portugal have anything to teach them? Mr Costa notes modestly that “every country is specific.” Still, he has one or two ideas. Grand coalitions play into the hands of populists, he suggests, because they signal to voters that political contests are redundant. He cites Germany, the Netherlands and Austria as cautionary tales; social democratic parties in all three are floundering after governing with the right. An aide says that “civilised conflict” helps keep politics, and parties, alive. That is a bracing message in an era of cosy political pacts.

Pedro Magalhães, a political scientist at the University of Lisbon, points out that Portugal’s Socialists differ from many of their counterparts in Europe. The party sprang not from trade unions but from elites desperate to establish a bulwark against communism after the end of military rule in the mid-1970s. The party thus seeks power, not purity, and the election result gave a united left the chance to block a right-wing minority government. No one likes grand coalitions, but in many countries parliamentary arithmetic leaves centrist parties no choice but to team up against the extremes. Mr Costa’s gambit was bold, but also opportune.

The Left Bloc and the Communists hammer the Socialists on matters like foreign policy but hold fire when it matters, notably on the budget. Neither is fully comfortable with the deal, but both know they would find the centre-right alternative less palatable, and they can take credit for policies like raising the minimum wage or halting transport privatisations. Helpfully, the growth in Socialist support since 2015 has come largely at the expense of the right, soothing the leftists’ fear that the contraption would turn out to be their death warrant. Mr Costa says the arrangement will survive until next year’s election. And beyond? “Why not?”

Not a panacea

Even Mr Costa’s opponents concede that he is a canny operator. But his success has been oiled by a healthy squirt of good luck. The Socialists assumed office as Portugal’s recovery took off, aided by growth in the European markets that take 70% of its exports, and built on the measures taken by the previous government. The European Central Bank’s bond-buying had calmed markets. Tourism has boomed, thanks to instability in other warm countries. Perhaps most importantly immigration, the issue tearing apart so many European parties of the left, does not animate Portuguese voters. It is the departure of people that causes a bigger headache: during the crisis 250,000 Portuguese, disproportionately of working age, upped sticks in four years.

Portugal’s squeeze on spending had to be financed from somewhere. The axe has fallen on public investment, which was slashed in 2016 to the lowest level in the EU. Mario Centeno, the finance minister, says this was largely the result of a temporary drop in EU subsidies, and chuckles at the sight of “so-called neoliberals” who now consider Keynes their “god”. He prefers to draw attention to Portugal’s healthier banks and buzzing universities, though he adds that investment is climbing again. Another fear surrounds Portugal’s huge debt, which explains Mr Centeno’s relentless focus on the deficit.

As this suggests, Portugal’s left-wing government is thriving partly because it is not especially left-wing. For now it is fixated on deficits and debt rather than investment and public services. A centre-right government would be doing much the same. And so, despite Mr Costa’s warm words, the contraption will surely prove to be a temporary marriage of convenience; his party is already said quietly to be putting out feelers to the Social Democrats. European leftists may find inspiration in Portugal. But they will have to seek ideas elsewhere.

This article appeared in the Europe section of the print edition under the headline "The perky Portuguese"

 :arrow: https://www.economist.com/news/europe/21740409-small-miracle-atlantic-social-democracy-floundering-everywhere-europe-except
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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #623 em: Novembro 20, 2018, 10:22:38 am »
Burros de carga

Por Helena Matos



“Os empresários portugueses são burros”, afirmou uma delegada à convenção do Bloco de Esquerda. Está a senhora cheia de razão: só num país de burros a subserviência para com o Bloco se tornaria lei

Como é que um grupo de pessoas sem curriculum que as habilite a desempenhar as mais básicas funções numa empresa e sem qualquer experiência profissional relevante além da actividade política, pode ser apresentado como capacitado para governar o país? Obviamente porque, como afirmou a delegada à convenção do BE, este é um país de empresários burros. Mas não são apenas os empresários que são burros. Este é mesmo um país de trabalhadores burros, de desempregados burros, de contribuintes burros… de burros, enfim.

No que aos empresários respeita é óbvio que só criaturas destituídas de qualquer traço de inteligência escolheriam ser empresários num país em que boa parte da classe política entende por governar o acto de cobrar mais impostos e impor medidas de engenharia social às empresas. (Aliás qualquer pessoas com dois dedos de testa percebeu que só há dois modos de vida sossegados em Portugal: ser funcionário público ou enveredar pelo estato-empresariado, um sector de actividade em que os prejuízos correm por conta dos contribuintes e os lucros por conta dos estato-empresários, essa casta que usa os seus conhecimentos da máquina estatal para conseguir fazer com assinalável lucro aquilo que aos demais é proibido.)

Mas voltemos ao nosso espírito asinino. Não fosse esse “todo o burro come palha, a questão é saber-lha dar” e o BE seria tratado como aquilo que de facto é: um grupo de gente esperta, frequentemente mal preparada, que na juventude se profissionalizou na política e que fora da política não tem curricula para mostrar.

Pegue-se, por exemplo, na lista de ministeriáveis do BE apresentada pelo Observador e pela demais comunicação social e verificar-se-á que estamos diante de dirigentes que passaram de estudantes universitários a deputados, sem no meio terem feito algo de profissionalmente relevante.

Comecemos por Mariana e Joana Mortágua. Ambas estudaram. Antes dos 30 anos tornaram-se deputadas. Mariana Mortágua é licenciada em Economia pelo ISCTE e estava a fazer o doutoramento em economia quando se tornou deputada. Tinha 27 anos. É apresentada como podendo vir a ocupar a pasta das Finanças. Que outra experiência tem Mariana Mortágua? Alguma vez trabalhou numa empresa pública ou privada? Na administração pública? Em algum gabinete de estudos? Alguma vez desempenhou uma tarefa que a confrontasse com as consequências práticas na vida das empresas da legislação que defende?…

O caso de Joana Mortágua apresentada como possível ministra da Educação é ainda mais assombroso porque não se lhe conhece conhecimento relevante sobre nada: Joana Mortágua é licenciada em Relações Internacionais com especialização em América Latina. Mas provavelmente porque a América Latina nunca se interessou por Joana Mortágua esta tornou-se deputada em Portugal. Tinha à data 25 anos. Na sua página do parlamento não consta profissão. As suas habilitações para ser ministra da Educação resumem-se ao facto de no parlamento se dedicar a tal assunto. Digamos que é uma habilitação por frequência: vai-se para o parlamento, frequentam-se umas comissões e fica-se apto a ser-se ministro da respectiva pasta. Ou de todas elas.

Se de Joana Mortágua passarmos para Luís Monteiro então estamos diante do curriculum zero: Luís Monteiro foi eleito com apenas 22 anos. No grupo parlamentar, e por ser estudante, foi-lhe atribuída a área do ensino superior. Que o BE dê Luís Monteiro como especialista em ensino superior não admira. O que realmente nem a um jumento lembra é o país aceitar placidamente que Luís Monteiro possa ser ministro do ensino superior porque frequenta ou frequentou o ensino superior! (Esta espécie de formação de ministros na óptica do utilizador abre, como dirão os espanhóis, um “abanico de posibilidades”: usa o multibanco? Está então preparado para ser senão ministro das Finanças ou pelo menos secretário de Estado do Tesouro! Foi à urgência hospitalar? Acautele-se que sai de lá ministro da Saúde… e também sem ser consultado mas esse é outro assunto.)

Mas continuemos. Vamos ao caso de José Soeiro. Tem um doutoramento em Sociologia. É dado como ministeriável na área do trabalho. Do mundo do trabalho fora da Assembleia da República, José Soeiro tem, segundo se lê na sua página do parlamento, a experiência de animar “oficinas de expressão e de Teatro do Oprimido”. Terá sido aliás nessa actividade que, segundo o  Observador,  José Soeiro se confrontou com a precaridade e as questões dos recibos verdes que no parlamento o transformaram em especialista em questões de trabalho. Seja como for, enquanto deputado José Soeiro venceu a precaridade: José Soeiro tornou-se deputado aos 23 anos. Hoje tem 34. Continua deputado. E que dizer do curriculum do hipotético ministro da Saúde, Moisés Ferreira? Licenciado em Psicologia tornou-se deputado aos 29 anos. Antes de ser eleito deputado já era assistente parlamentar nas áreas da Economia e das Finanças. Um profissional da política, portanto.

Que esta agremiação de gente que aos vinte e alguns anos saltou dos bancos das universidades (e dos palcos, pois o factor encenação não é irrelevante no caso) para as cadeiras de deputados seja apresentada como ministeriável, sem que o país se interrogue sobre as suas competências e experiências, é a prova – se alguma faltasse – do jumentismo agudo de que padecemos. Dirão que nos outros partidos encontramos casos similares. É verdade. Mas em nenhum deles com este peso e com tanta prosápia.

Longe de me indignar com as afirmações da delegada à convenção do BE sobre o gosto dos empresários portugueses em serem burros quero agradecer-lhe por ter colocado a questão em termos tão claros: de facto somos um país de burros. Isso nada tem de novo. Aquilo que vamos ter de discutir é como os indiscutivelmente espertos dirigentes do BE estão a transformar, usando a força bruta da legislação e do fisco, os burros que somos  nos seus particulares burros de carga.

https://observador.pt/opiniao/burros-de-carga/

Um artigo que coloca o dedo na ferida sobre os nossos políticos e neste caso particular nos ministeriáveis do Bloco de Esquerda, que sem terem a menor experiência de vida/trabalho, acabam a licenciatura e são logo deputados e agora...... são candidatos a Ministro!!!!!
 
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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #624 em: Dezembro 05, 2018, 05:14:00 pm »


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Re: Portugal comecerá a recuperar?
« Responder #625 em: Dezembro 26, 2018, 03:47:51 pm »
Portugal chega pela primeira vez a Setembro com excedente orçamental

Portugal nunca tinha chegado a Setembro com um excedente orçamental. Aconteceu este ano, com um excedente de 0,7%. O Ministério das Finanças diz que é o melhor desempenho orçamental "de sempre".



Portugal registou um excedente orçamental de 0,7% do PIB até Setembro deste ano. É a primeira vez que as administrações públicas chegam ao final do terceiro trimestre com as contas públicas equilibradas. Só existem dados comparáveis desde 1999, mas o Ministério das Finanças garante, em comunicado de imprensa, que "este é o melhor resultado de sempre".

Os dados foram divulgados sexta-feira, 21 de Dezembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e estão em contabilidade nacional, ou seja, na óptica de compromisso, a que interessa a Bruxelas.

Estes 0,7% de excedente orçamental traduzem-se num saldo positivo de 1.111 milhões de euros. Este marco reflecte também o bom desempenho do terceiro trimestre deste ano que, sozinho, foi o melhor trimestre desde, pelo menos, 1995, ao registar um excedente de 6% (3.082 milhões de euros) do PIB trimestral.

Este marco histórico reflecte a melhoria gradual das contas públicas desde o pico de défice orçamental registado em 2010, ainda que com alguns percalços devido a ajudas aos bancos. Numa altura em que o défice caminha para o equilíbrio, é normal que se comecem a registar excedentes com o aproximar do final do ano.

Contudo, o quarto trimestre deverá ser penalizador para a execução orçamental de 2018 uma vez que o saldo acumulado até ao final de Setembro não reflecte o efeito do pagamento do subsídio de Natal. Essa operação irá traduzir-se num "aumento significativo da despesa com pessoal e das prestações sociais (pensões)" no último trimestre, notava o INE.

Segundo as Finanças, os subsídios de Natal devem piorar o saldo em cerca de 2.980 milhões de euros. Recorde-se que, este ano, o subsídio de Natal deixou de ser pago em duodécimos ao longo do ano e voltou a ser pago integramente aos funcionários públicos em Novembro.

No entanto, também há um efeito positivo. O impacto do accionamento do mecanismo de recapitalização contingente do Novo Banco no saldo irá diluir-se quando se considera o seu peso no PIB anual.

O Governo reiterou na proposta do Orçamento do Estado para 2019 que prevê um défice orçamental de 0,7% do PIB este ano. No entanto, o Conselho das Finanças Públicas (CFP) prevê que Mário Centeno faça outro brilharete ao estimar um défice de 0,5%. A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) não quantifica, mas também antecipa um saldo melhor.

"Para o último trimestre são esperadas algumas pressões em torno do saldo orçamental, que não deverão, contudo, colocar em causa um resultado em termos anuais mais favorável do que o projectado pelo Ministério das Finanças", escreveram os técnicos do Parlamento na última nota da execução orçamental.

Recentemente, numa conferência da Ordem dos Contabilistas Certificados, o secretário de Estado do Orçamento, João Leão, reiterou o objectivo de melhoria das contas públicas ao afirmar que em Portugal "temos que habituar-nos a ter as contas públicas em ordem, porque essa é a situação de normalidade".

https://www.jornaldenegocios.pt/economia/financas-publicas/detalhe/portugal-chega-pela-primeira-vez-a-setembro-com-excedente-orcamental?ref=Destaquesarasgar
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