A questão é que na época não tínhamos aviões suecos, porque se tivéssemos teríamos os mesmos problemas que os de origem americana. Serve só para ilustrar que o argumento em relação ao passado das relações com os EUA (país de origem do F-35) se aplica também em relação à Suécia (país de origem do Gripen).
Eu não vou entrar no tema da adivinhação, mas a verdade é que Portugal não tinha aviões suecos por alguma razão. Na altura o governo provavelmente não confiava na Suécia e tinha algum tipo de confiança na administração americana.
O problema com os boicotes americanos é que eles são em termos históricos absolutamente recentes. E o comportamento do atual governo dos Estados Unidos demonstra de forma clara a intenção de utilizar todos os meios para determinar como os outros países se devem comportar. Sejam inimigos ou sejam aliados.
Temos que tentar entender o que vai na cabeça de trolls neonazis como Steve Miller, um dos mais influentes conselheiros da entidade laranja, para entender o que os americanos vão fazer de seguida.
Para os neonazis americanos, o F-35 é acima de tudo um CAVALO DE TROIA isso é mais que evidente. São os mesmos que dizem que a Europa não deve instalar painéis solares nem centrais eólicas, porque são malvadas e muito Woke e que em contrapartida devem utilizar petroleo (fornecido pelos Estados Unidos)
Eles nem sequer são dissimulados.
O problema aqui é que parece que há quem não entenda o que mudou em termos da relação entre os Estados Unidos e a Europa. O Trump não é a doença da América, ele é apenas um sintoma.
Já agora, e depois dos boicotes iniciais americanos ao uso de material americano no Ultramar, estes foram amenizados pela troca de facilidades concedidas em território nacional para os mísseis Polaris, sistema de navegação LORAN-C e uso da base das Lajes. Quando os interesses oficiais não convergem, é preciso negociar e ter moeda de troca. E isso continua tão válido nos dias de hoje, como era há 60 anos.
Em primeiro lugar, gostaria apenas de lembrar a proximidade dos boicotes americanos. Eles ocorreram há apenas 60 anos.
As pessoas que agora estão no poder nos EUA são as mesmas que em 1938 defendiam o alinhamento tácito com a Alemanha Nazi e representam a mesma linha politica imperial e isolacionista.
Não sei se foram amenizados com alguma coisa, pois Portugal não voltou a receber aviões americanos minimamente recentes até o primeiro ministro António Guterres ter contratado o inicio do programa Peace Atlantis-II de que resultou o MLU dos F-16, porque os A-7 Corsair não eram caças e mesmo os F-16/A eram ultrapassados quando foram comprados (novos).
A negociação dos Açores tem a ver com a II guerra mundial e nada tem a ver com a venda de aeronaves para Portugal.
Até 1973, quando Portugal foi forçado a permitir a passagem de aviões nas Lajes para ajudar Israel na guerra do Yom Kippur os americanos não tinham fornecido praticamente nenhuma arma moderna a Portugal, mesmo tendo pedido desesperadamente apoio americano com mísseis Redeye que pudessem ser utilizados para deter os MiG-17 da Guiné os americanos continuaram sempre a recusar.
Não tinhamos capacidade de defesa e essa fragilidade durou anos e os americanos estiveram na sua origem. Só conseguimos que pela porta dos fundos, Israel aceitasse fornecer os mísseis a Portugal (que não chegaram por causa do 25 de Abril).
Lembro que eu sou normalmente considerado como pro-americano.
Eu acho que um país como Portugal tem que ser realista e jogar com as nossas fraquezas.
O problema neste momento, é o tipo de gente que chegou à administração americana. E este tipo de gente que volto a lembrar, não é novo. Não apareceu agora, e já existe desde há muito, tem planos para continuar no poder por muito tempo.
Tenham ou não tenham votos.
Se não formos capazes de entender isto, estamos a dar claramente um tiro no pé.
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