Documentos e Doutrina

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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #360 em: Novembro 10, 2025, 09:45:22 pm »
Média de horas de motor/ano das viaturas Pandur nos diversos teatros de operações:

Em território nacional: 80HM por viatura
Na RCA: 270HM por viatura
Na Roménia: 260HM por viatura

Comentário do autor sobre as Pandur:

"Em geral, a Pandur II é um sistema robusto, embora o bloco de válvulas de comando apresente taxas de falha elevadas em todos os contextos, o que justifica um estudo mais aprofundado."

Fonte:
Camilo, Francisco. "Comparação da metodologia RCM ao sistema de armas Pandur II 8x8 em diferentes teatros de operações", Revista da Escola dos Serviços, Nº3, 2025, pag45
https://assets.exercito.pt/SiteAssets/GabCEME/Comunica%C3%A7%C3%A3o/Jornal%20e%20Revistas%20do%20Ex%C3%A9rcito/Revistas/ceos/REVISTA_CEOS_2025.pdf

 

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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #361 em: Novembro 10, 2025, 09:49:10 pm »
Pequeno texto sobre os stocks de munições no Exército:

"A Guerra da Ucrânia não tem, até ao momento, um impacto direto significativo na manutenção do stockpile do Exército. 

O stockpile do Exército tem sido, de um modo geral, constante ao longo dos  tempos, com ligeiros incrementos/decréscimos de MEAF (Munições Explosivos e Artifícios de  Fogo) resultantes do consumo corrente.

O impacto  mais direto, mas sem efeitos severos na condução  das atividades operacionais e de formação do Exército acabou por ser decorrente da projeção de MEAF para os TO da Roménia (2022) e Eslováquia (2024) e do apoio nacional à Ucrânia, através da cedência  de munições 7.62mm, 105mm, e munições de morteiro 120mm e 60mm."

Major Tovar Faro, III Jornadas do Serviço de Administração Militar.

Sobre o armazenamento e transporte:

"No domínio dos desafios que se colocam a  esta classe, identificou-se a carência de viaturas certificadas para transporte de MEAF EX/II e EX/III, estando em estudo um projeto para equipar o Exército com estes meios.

Por outro lado, apontou-se também a necessidade de criar e implementar um software de controlo de  stocks de MEAF, da formação externa de especialistas e gestores, por exemplo, no ISSEE e de uma restruturação dos paióis e paiolins do Exército.

Em síntese, julga-se necessário efetuar uma aposta na formação  de especialistas, na segurança das instalações e do  transporte, assim como na otimização dos processos."
Major Alexandre Guerreiro, III Jornadas do Serviço de Administração Militar.

https://assets.exercito.pt/SiteAssets/GabCEME/Comunica%C3%A7%C3%A3o/Jornal%20e%20Revistas%20do%20Ex%C3%A9rcito/Revistas/ceos/REVISTA_CEOS_2025.pdf
 
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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #362 em: Novembro 19, 2025, 03:53:30 pm »
Um possível leitura...  a Batr. AA RapidRanger já esta encomendada e não incluída nesta declaração, sendo um programa da LPM já em curso, e com o reforço da LPM em 2025 expandiu-se para 6 sistemas (em vez dos 3 iniciais) com a execução da opção de se comprar mais ao preço inicial acordado. Suponho que esta Btr AA será para a brigada Média, prioridade até 2032.

A tal "aquisição de novos sistemas de Artilharia de Campanha (CAESAR) e de Defesa Antiaérea" "Até 2032" referida pelo CEME será talvez sistemas IRIS-T?  c56x1. Na recente entrevista o CEME referiu-se a mais Stingers (o que até seria uma boa ideia), mas poderá ter sido gaffe...ou não, e é mesmo para comprar mais Stingers.

Talvez o plano é esperar por outro mecanismo Europeu de financiamento para os IRIS-T, talvez ligado ao programa Skyshield? Parece que é mesmo para haver mecanismos de financiamento para este programa. https://www.intereconomics.eu/contents/year/2024/number/4/article/debt-financing-european-air-defence.html

https://spacenews.com/europe-outlines-defense-flagship-programs-and-confirms-european-space-shield-by-2026

Os sistemas HIMAD são caríssimos, por isto não se tem investido neles ao nível desejado, e no caso de Portugal, a nenhum nível. Estamos mesmo a zero. Podemos supor que o programa SAFE seria o ideal, e já temos proposta para tal incluída.. mas sabendo como somos e o que casa gasta, poderão estar `a espera doutro peditório programa para os sistemas HIMAD, ou as verbas para HIMAD virão na LPM após 2034 "kick the can down the road"?  O próprio MDN em declaração recente referiu que meios HIMAD estavam fora do nosso alcance atual. No pun intended...  :mrgreen:

Eu, como eterno otimista que sou  c56x1 especulo:

1 Bat. AA VSHORAD/SHORAD Skyranger: Já em curso para a brigada Média;

1 Bat. SHORAD/HIMAD com IRIS-T; até 2032

mais Stinger para dotar as unidades de manobra, juntamente com meios C-UAS;

1 Bat. AA VSHORAD/SHORAD Skyranger para a ZMA até 2032

1 Bat. AA VSHORAD/SHORAD Skyranger para a Brigada Ligeira, até 2036;

1 Bat. AA VSHORAD/SHORAD Skyranger para a ZMM, até 2036;

1 Btr HIMAD SAMP-T  e mais 1 Bat. SHORAD/HIMAD com IRIS-T, pós 2034.

Será muita fruita? :mrgreen:

Sabemos da quantidade adicional de RapidRanger, mas que continuam a ser poucos, e creio que não contemplam radares de aviso local complementares ao GM200.

A serem alocados à Brigada Média, espero que seja algo temporário até vir um sistema montado em 8x8, porque o ST5 não vai conseguir acompanhar os Pandur ou Boxer. Também fica a faltar um sistema de canhão.

Entretanto, enganaste-te a colocar nessa lista, baterias Skyranger, quando provavelmente querias dizer RapidRanger.


Eu prefiro não usar o termo HIMAD, pois é muito abrangente.
Prefiro usar VSHORAD, SHORAD ou SRAD para sistemas de curto alcance, MRAD para médio alcance, LRAD para longo alcance, e BMD.

Neste sentido, a haver meios LRAD com capacidade BMD (ou sistemas BMD dedicados), fazia sentido estarem na FAP. Um ataque de mísseis balísticos vai ter sempre como prioridade o ataque a bases aéreas e navais (ou os navios em si), não unidades do Exército. Logo faz mais sentido a FAP e a MGP terem capacidade BMD (a Marinha nos navios, claro).

O Exército precisa sim de baterias MRAD (IRIS-T SLM), e eventualmente escalar para baterias LRAD (SLX), que permita criar uma zona de exclusão aérea num TO em que seja empregue, e que permita cobrir (em contexto defensivo) regiões do país que não sejam cobertas pelos sistemas LRAD/BMD dos outros ramos.

Tendo em conta que acho difícil ter BMD em terra, ao mesmo tempo que tem que se investir nos VSHORAD/C-UAS para as duas brigadas, para a FAP e para os Fuzos, e ainda comprar baterias MRAD (que é o mínimo), eu já me dava por contente se no fim, ficássemos com 5 baterias IRIS-T SLM, e depois se expandisse a capacidade destas baterias com os SLX (formando baterias mistas).

A capacidade BMD ficaria a cargo da MGP com as fragatas. Idealmente, todas elas teriam essa capacidade, mesmo que acabássemos por ficar com 5 F110, 3 com 16 VLS e 2 com 32.

Para compensar o número reduzido de VLS, iniciava um programa de expansão de capacidade de lançamento de mísseis, em 2 fases:

-a 1ª fase, envolvia a integração de lançadores contentorizados em camiões. Algo tipo o Mk-70.
Essencialmente, a fragata ser capaz de detectar e rastrear mísseis balísticos, e guiar interceptores lançados destes sistemas terrestres.

-a 2ª fase, é o mesmo processo, mas para USVs, suficientemente grandes para receber módulos contentorizados.

Os sistemas em camiões seriam mais baratos, portanto passíveis de haver maiores números. Os USVs oferecem capacidade expedicionária.

Como a melhor maneira de fazer BMD, é através da negação do seu lançamento, a capacidade defensiva tem que ser complementada por uma capacidade ofensiva multi-domínio.

Isto envolve a capacidade de identificar os locais e meios de lançamento/armazenamento do adversário, a capacidade de realizar ataques de precisão rápidos e em profundidade a partir de meios terrestres (MLRS e drones), marítimos (fragatas e submarinos com munições de longo alcance), aéreos (com munições de longo alcance, e mais tarde capacidade de penetração do espaço aéreo + AAR), e nas forças especiais.

De pouco vale investir 1000M ou mais em capacidade BMD, para depois lidar com um adversário que tem 10x mais mísseis balísticos do que nós temos interceptores.
 

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Duarte

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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #363 em: Novembro 19, 2025, 05:56:41 pm »
Entretanto, enganaste-te a colocar nessa lista, baterias Skyranger, quando provavelmente querias dizer RapidRanger.

Certo. É tudo rangers, erro meu ...  :bang:
Boxer com Skyranger para a brigada média seriam ideal, não? podemos juntar-nos `a encomenda da Alemanha dentro do programa SAFE. Bastavam 6-8 unidades.
E o sistema Rapidranger pode ser montado noutras viaturas (Boxer, ou mesmo no Pandur).

Parece-me, pelo que tenho lido que o Exército pretende manter a doutrina de ter os MANPADs e sistemas- C-UAS na AA... portanto suponho que as baterias AA das brigadas terão dois pel. Miss. AA (3 Rapidranger cada (e, porque não, um pel. Canhão AA com 3 ou 4 Skyranger?), Pel. radar, Pel MANPAD e Pel. C-UAS. A compra de mais Stinger mencionada pelo CEME parece reforçar esta conclusão.

Parece que é para serem 4 batarias SRAD (2 para as brigadas, 2 para os arquipélagos). Nem se fala em IRIS-T ainda... ::)

Os SAMP-T irão para a FAP se / ou quando vierem..

Esqueço-me sempre que a Marinha vai ter capacidade BMD nas novas fragatas.

Ficaremos melhor servidos em termos de defesa aérea, mas não é ainda o ideal.
« Última modificação: Novembro 19, 2025, 09:48:28 pm por Duarte »
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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #364 em: Novembro 19, 2025, 06:20:18 pm »
 
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Duarte

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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #365 em: Novembro 19, 2025, 06:26:26 pm »
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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #366 em: Novembro 20, 2025, 07:13:58 pm »
Apresentação do Capitão A. Varanda do CEMTEx do Exército Português, a 19Nov2025, "INOVARMY Summit & Expo 2025", em Oeiras, sobre "ARTEX 25: Um Vislumbre da integração de Robótica e Sistemas Autónomos no Exército Português". Mais info https://espada-e-escudo.blogspot.com/2025/11/robotica-e-sistemas-autonomos-no.html





« Última modificação: Novembro 20, 2025, 07:14:35 pm por LM »
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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #367 em: Novembro 20, 2025, 08:44:46 pm »
Foi bastante interessante essa apresentação, recomendo vê-la na integra
 
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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #368 em: Novembro 20, 2025, 09:27:04 pm »
« Última modificação: Novembro 20, 2025, 09:29:29 pm por Cabeça de Martelo »
Contra a Esquerda woke e a Direita populista marchar, marchar!...

 

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« Responder #369 em: Novembro 20, 2025, 09:55:53 pm »
É a do dia 19
 
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Re: Documentos e Doutrina
« Responder #370 em: Novembro 22, 2025, 04:31:24 pm »
Certo. É tudo rangers, erro meu ...  :bang:
Boxer com Skyranger para a brigada média seriam ideal, não? podemos juntar-nos `a encomenda da Alemanha dentro do programa SAFE. Bastavam 6-8 unidades.
E o sistema Rapidranger pode ser montado noutras viaturas (Boxer, ou mesmo no Pandur).

Parece-me, pelo que tenho lido que o Exército pretende manter a doutrina de ter os MANPADs e sistemas- C-UAS na AA... portanto suponho que as baterias AA das brigadas terão dois pel. Miss. AA (3 Rapidranger cada (e, porque não, um pel. Canhão AA com 3 ou 4 Skyranger?), Pel. radar, Pel MANPAD e Pel. C-UAS. A compra de mais Stinger mencionada pelo CEME parece reforçar esta conclusão.

Parece que é para serem 4 batarias SRAD (2 para as brigadas, 2 para os arquipélagos). Nem se fala em IRIS-T ainda... ::)

Os SAMP-T irão para a FAP se / ou quando vierem..

Esqueço-me sempre que a Marinha vai ter capacidade BMD nas novas fragatas.

Ficaremos melhor servidos em termos de defesa aérea, mas não é ainda o ideal.

O ideal seria ter nos Boxer ou Pandur um sistema tipo Skyranger 30, que junte canhão, mísseis e radar no mesmo veículo. Além do Skyranger existe o M-SHORAD e a torre RIwP da parceria da Moog com a MBDA:



Sim, o RapidRanger pode ser montado nos 8x8. O problema é que é um sistema só com mísseis, obrigando a que se comprassem veículos dedicados a sistemas de canhões, e veículos dedicados aos radares de aviso local. Quando existem sistemas 3 em 1, é difícil justificar uma solução "separada".

Eu ainda não percebi muito bem qual a ambição. Falar em "baterias" vale de pouco quando não se sabe a sua composição. Também não sabemos que tipo de sistemas C-UAS estão a ser considerados. O Skyranger 30 pode ser considerado tal coisa, tal como o sistema Leonidas, tal como outros sistemas menos "potentes".

No caso das baterias que tenham RapidRanger, o PelRadar só faz sentido para o radar GM200. Os PelAA precisam do seu próprio radar de aviso local, móvel.
 
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