Reformar e Modernizar as Forças Armadas

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Viajante

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Re: Reformar e Modernizar as Forças Armadas
« Responder #4290 em: Janeiro 05, 2026, 10:45:34 am »
Para além dos 5,8 mil milhões de euros financiados pelo programa SAFE, a Defesa nacional vai ter uma parte da reprogramação do Portugal2030 que estava em risco de não ser investido!
Esta reprogramação de verbas que vai ser alocada à Defesa, tem de ser investida até ao final de 2027.

PT2030: 2,5 mil milhões foram redirecionados para novas prioridades europeias

Reprogramação reorientou 10% do PT2030 para defesa, habitação, competitividade, transição energética e resiliência hídrica. Fundos reprogramados vão ter execução facilitada e, em alguns casos, prolongada. Risco de Portugal perder 890 milhões foi mitigado.



https://www.jornaldenegocios.pt/economia/fundos-comunitarios/detalhe/pt2030-2-5-mil-milhoes-foram-redirecionados-para-novas-prioridades-europeias

https://portugal2030.pt/2025/12/30/reprogramacao-do-portugal-2030-permite-ao-pais-nao-perder-um-euro-de-fundos-europeus/
« Última modificação: Janeiro 05, 2026, 10:47:04 am por Viajante »
 
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nelson38899

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Re: Reformar e Modernizar as Forças Armadas
« Responder #4291 em: Janeiro 06, 2026, 04:23:20 pm »
"Que todo o mundo seja «Portugal», isto é, que no mundo toda a gente se comporte como têm comportado os portugueses na história"
Agostinho da Silva
 
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Ghidra

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Re: Reformar e Modernizar as Forças Armadas
« Responder #4292 em: Janeiro 06, 2026, 04:44:01 pm »
European Commissioner Kubilius Visits Portugal to Boost Defense and Space Cooperation
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European Commissioner for Defence and Space Andrius Kubilius will visit Portugal on January 7–8, making his first trip to the country. The European Commission’s press service reports on the trip preparations.

Program of the Visit to Portugal
In Porto on January 7, the European commissioner will meet with the Minister of National Defence Nuno Melo to discuss the readiness of European defence, the implementation of the SAFE defense loan program, and further support for Ukraine

During the diplomatic seminar led by Foreign Minister Paulo Rangel, Kubilius, together with Minister Melo and Deputy Secretary General of NATO Radmila Šekerinska, will address the ambassadors of Portugal to outline the prospects for future European defence and cooperation in this area.

Also on the itinerary is a visit to the CEiiA Center for Engineering Developments, which works on innovative solutions in aerospace, mobility, and space.

In Lisbon on January 8, Kubilius will meet with the leadership of the Portuguese Air Force. Hearings are also planned in the parliamentary committees on European affairs and defence, as well as a meeting with the Minister of Education, Science and Innovation Fernando Alexandre to discuss space policy. At the end, a round table with leading stakeholders in the defence and space sectors is planned.

Europe has a strong space potential and a culture of cooperation, exemplified by the Galileo and Copernicus programs, as well as projects such as the Atlantic Constellation, supported by NextGenerationEU and based on a partnership between Portugal and Spain, with the aim of creating a complete satellite value chain to enable advanced Earth observation capabilities for defense and environmental applications.

https://mezha.net/eng/bukvy/european-commissioner-kubilius-visits-portugal-to-boost-defense-and-space-cooperation/
 
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sivispacem

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Re: Reformar e Modernizar as Forças Armadas
« Responder #4293 em: Janeiro 11, 2026, 08:37:48 pm »
Pronto, já podeis respirar.....  ;D ;D

https://cnnportugal.iol.pt/defesa/uniao-europeia/defesa-bruxelas-aprova-na-quarta-feira-plano-portugues-para-emprestimos-de-5-8-mil-milhoes-de-euros/20260111/6963ee92d34e0ec52ec1f6be

Defesa: Bruxelas aprova na quarta-feira plano português para empréstimos de 5,8 mil milhões de euros

Há oito países que deverão ter 'luz verde' aos planos apresentados
A Comissão Europeia vai aprovar, na quarta-feira, o plano para Portugal aceder a 5,8 mil milhões de euros em empréstimos a condições favoráveis para investir em capacidades de defesa.

“Propusemos o SAFE [Instrumento de Ação para a Segurança da Europa], a nossa iniciativa de aquisição conjunta, há menos de um ano, e […] temos agora os planos dos Estados-membros. Planeamos aprovar metade deles já esta semana”, anunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em declarações a um pequeno grupo de jornalistas em Bruxelas, incluindo a Lusa.

Fontes europeias indicaram à Lusa que em causa estão oito países, de 18 candidatos, cujos planos deverão ter ‘luz verde’ na próxima quarta-feira, sendo eles Portugal, Roménia, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Espanha e Croácia.
Cumprimentos,
 
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Malagueta

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Re: Reformar e Modernizar as Forças Armadas
« Responder #4294 em: Janeiro 12, 2026, 08:43:32 am »
https://cnnportugal.iol.pt/guerra/exercito/este-e-o-plano-do-exercito-para-preparar-portugal-para-a-guerra-de-alta-intensidade/20260112/694593a0d34e2bd5c6d555f6

Este é o plano do exército para preparar Portugal "para a guerra de alta intensidade"

Esqueça os capacetes azuis e as missões de estabilização. O mundo mudou e o Exército Português está a preparar uma revolução interna para acompanhar a nova realidade geopolítica
O mundo mudou e o exército português quer mudar com ele. Com uma Rússia cada vez mais ousada, a desenvolver ações ofensivas híbridas no interior do território europeu e um aliado americano cada vez menos disposto a defender o continente - com as recentes ameaças à Gronelândia parece até mais disposto a atacá-lo -, os países europeus da NATO estão a preparar-se para uma revolução. São precisas mais unidades, novos equipamentos e reservas de guerra não para missões de paz, mas sim para preparar o continente para algo que seria impensável há poucos anos: um conflito de alta intensidade em solo europeu.

A cimeira da NATO em Haia, em junho, obrigou Portugal a ir mais além e o exército português criou o plano "Força Terrestre 2045", uma restruturação radical que promete a criação de duas brigadas prontas para o combate, fecha o espaço aéreo nacional, aposta nas forças especiais e na Inteligência Artificial.

Brigadas prontas para o combate
A prioridade para o exército português é a criação de um "punho de ferro", a Brigada Média, uma unidade que junta as capacidades das antigas brigadas de Intervenção e Mecanizada. Esta força, que o exército quer ter pronta até 2032, vai ser desenhada para o choque do combate moderno, servindo como espinha dorsal da força nacional. Para isso, estes militares vão ser equipados com os meios mais pesados ao dispor do exército.

Esta unidade vai ser equipada com modernos veículos blindados de infantaria que o exército se prepara para comprar: o Boxer RCT 30, da empresa alemã Artec. Estas viaturas, que vão passar a ser fabricadas em Portugal, vão representar um salto tecnológico para o nosso país, que atualmente opera os Pandur II.  A versão RCT30 vem equipada com um canhão de 30mm de alta precisão e munições airburst, capazes de detonar acima de trincheiras inimigas, e sistemas óticos Hunter-Killer, que permitem identificar um novo alvo enquanto se dispara contra o anterior.



Só que para criar uma brigada moderna pronta para o combate, ter veículos blindados capazes de proteger os militares não chega e a guerra na Ucrânia provou-o. A artilharia continua a ser "a rainha" do campo de batalha e o exército vai adquirir 36 peças de artilharia Caesar, da francesa KNDS. Estes sistemas móveis são vitais para um campo de batalha onde é cada vez mais difícil não ser detetado por drones inimigos. Os obuses franceses permitem disparar e fugir em poucos minutos, atirando munições de alta precisão a dezenas de quilómetros de distância.

Enquanto a Brigada Média está a ser criada a pensar no embate, o exército vai criar uma nova Brigada Ligeira focada na velocidade. Com o prazo de criação até 2036, esta unidade herda a genética dos Paraquedistas e Comandos. O seu propósito é a projeção estratégica, chegando primeiro a terrenos difíceis onde os blindados pesados não entram, valendo-se da frota modernizada de viaturas Pandur e de uma elevada mobilidade tática.

Arquipélagos e Forças Especiais
A reestruturação do exército português prevê também uma nova atenção à defesa territorial dos arquipélagos portugueses. Nos Açores e na Madeira, o antigo conceito de uma guarnição estática está prestes a ser abalado, com a criação de uma postura defensiva mais ativa. Os alvos capacitários da NATO para Portugal preveem a criação de batalhões de infantaria ligeira de alta mobilidade, desenhados para negar acesso ao território.

Em simultâneo, para responder a um campo de batalha onde as fronteiras entre a paz e a guerra são cada vez mais difusas, o exército vai consolidar a edificação de duas unidades de Forças de Operações Especiais. O objetivo é ter equipas de elite autónomas, capazes de operar atrás das linhas inimigas ou em cenários de guerra híbrida, cumprindo uma das exigências mais específicas dos novos planos de defesa da NATO.

Fechar os céus
Mas de pouco serve ter blindados modernos e infantaria móvel caso estes estejam vulneráveis a ataques aéreos. E essa é uma das maiores lacunas das defesas portuguesas. A guerra na Ucrânia demonstrou que é praticamente impossível conduzir o combate terrestre sem controlo do espaço aéreo, que agora está constantemente exposto a ataques de drones, helicópteros e mísseis de alta precisão. Por esse motivo, o exército e Governo português vão investir fortemente em várias camadas de proteção antiaérea.

Para proteção imediata das novas brigadas que vão operar no terreno, o exército escolheu os sistemas de defesa antiaérea de curto alcance Rapidranger, da Thales. Estes sistemas são montados no topo de veículos e podem disparar os mísseis Starstreak, capazes de proteger os militares no terreno de ameaças de baixa altitude, como drones ou helicópteros.

Mas o salto estratégico dá-se com a aquisição do sistema de médio alcance IRIS-T. Com um alcance de até 40 quilómetros, este equipamento é o verdadeiro game changer para a defesa nacional. A sua capacidade permite criar "bolhas" de proteção impenetráveis sobre infraestruturas críticas ou, crucialmente, sobre os arquipélagos dos Açores e da Madeira, garantindo que Portugal consegue defender o seu espaço aéreo estratégico contra ameaças sofisticadas.

Reservas de Guerra
Só que nenhuma destas capacidades terá muita utilidade numa guerra de alta intensidade sem a capacidade de manter o ritmo alucinante da utilização de equipamentos. Essa foi uma das mais duras lições da guerra na Ucrânia, onde os ferozes confrontos no início da guerra levaram os países europeus a esgotar em poucos meses quase todas as suas reservas, uma vez que a lógica de armazenamento "just-in-time" só funciona em tempo de paz.

Por isso, o novo planeamento estratégico europeu recupera o conceito de reservas de guerra, que parecia esquecido desde a Guerra Fria. Portugal vai deixar de gerir stocks mínimos para passar a armazenar munições, sobressalentes e consumíveis suficientes para sustentar operações de combate prolongadas. O plano inclui ainda a criação de um comando logístico projetável, capaz de acompanhar as brigadas para o exterior e garantir que, no calor da batalha, aos blindados, aos canhões e aos soldados não falta o essencial para combater e vencer.

Robôs e algoritmos na linha da frente

O plano Força Terrestre 2045 assume que a letalidade futura depende da integração de sistemas não tripulados e Inteligência Artificial diretamente na manobra tática, transformando cada soldado num "sensor" de uma rede de combate digital.

O exemplo mais pragmático desta visão já está em curso e é o projeto de conversão dos antigos blindados M113 em drones. Em vez de serem abatidas, estas viaturas veteranas estão a ser transformadas em plataformas robóticas não tripuladas. O objetivo tático é claro: utilizar estes "drones de carga" para o transporte logístico na frente de combate ou para a extração de feridos sob fogo, poupando vidas humanas em missões de risco suicida.

Em simultâneo, o exército criou a Zona Livre Tecnológica Infante D. Henrique, que abrange áreas de testes reais em São Jacinto (ar e mar), Santa Margarida (operações terrestres pesadas) e Beja, funcionando como um laboratório aberto onde militares, universidades e indústria nacional testam novas soluções. A ideia é deixar de ser apenas um cliente de tecnologia estrangeira para passar a desenvolver, em Portugal, os algoritmos e sistemas autónomos que definirão a guerra do futuro.
 
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Malagueta

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Re: Reformar e Modernizar as Forças Armadas
« Responder #4295 em: Janeiro 13, 2026, 04:25:47 pm »
https://eco.sapo.pt/entrevista/dinheiro-do-safe-pode-chegar-ao-governo-nas-proximas-semanas-ou-meses/

Comissário da Defesa destaca papel estratégico de Portugal e revela que sugeriu ao Governo um projeto de vigilância do flanco Mediterrâneo-Atlântico. Plano do SAFE sem "problemas significativos".

Ocomissário Europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, esteve no Porto e em Lisboa na semana passada para a primeira visita oficial a Portugal. Ao longo de dois dias reuniu com o ministro da Defesa, Nuno Melo, para falar sobre defesa, com o ministro da Educação, Fernando Alexandre, para debater a política espacial, com representantes dos setores, visitou centros de investigação e inovação e participou num debate com jovens.

Em entrevista ao ECO/eRadar, Andrius Kubilius revela que durante os encontros sugeriu ao Governo português o desenvolvimento de um projeto de vigilância do flanco Mediterrâneo-Atlântico, ideia que será analisada “com muita atenção”. “Há muitas questões em que Portugal pode ter grande influência“, defende. O comissário europeu sinaliza que as primeiras verbas do programa de empréstimos SAFE começarão a chegar “nas próximas semanas… ou meses” a Portugal, na sequência da aprovação do plano de investimentos que acontecerá na quarta-feira

O responsável do executivo comunitário faz ainda um balanço positivo sobre os desenvolvimentos da indústria de defesa e espacial portuguesa, exemplificando com a produção de drones e o setor da aeronáutica, e defende que o país “desempenha um papel muito relevante devido à sua posição geográfica estratégica”, destacando os Açores.

Teve várias reuniões e visitas nos dois dias em Portugal. Como avalia a indústria de defesa portuguesa?
Portugal está a fazer um excelente trabalho em várias frentes. Fiquei particularmente impressionado com o que estão a fazer no setor espacial. Tive a oportunidade de visitar o centro de comando espacial militar e, realmente, é notável. Portugal está a sair-se muito bem na produção de drones, bem como na área da aeronáutica. O que vi no centro de engenharia e desenvolvimento CEiiA são exemplos realmente muito bons.

Além disso, pelo que compreendo, o Governo português pretende utilizar os empréstimos SAFE de forma muito eficaz para desenvolver as capacidades de defesa que Portugal precisa ter. Esses fundos podem igualmente apoiar muito o desenvolvimento da indústria de defesa e da indústria espacial portuguesa. Portugal tem demonstrado ótimos exemplos de como usaram o dinheiro da União Europeia, por exemplo, para desenvolver uma constelação de satélites, como a constelação Atlantis [novo sistema de satélites de Observação da Terra].

 em que setores considera que Portugal tem uma vantagem competitiva ou potencial para desempenhar um papel ativo na estratégia de defesa e na estratégia europeia?
Portugal desempenha um papel muito relevante devido à sua posição geográfica estratégica, tanto no Mediterrâneo como no Atlântico. Os Açores desempenham um papel muito relevante e podem desempenhar um papel ainda mais importante com o desenvolvimento de capacidades de lançamento espacial.

Temos vindo a discutir a possibilidade de criar aquilo a que chamamos uma vigilância do flanco Mediterrâneo-Atlântico. Atualmente, a União Europeia está a desenvolver, com os Estados-Membros da Europa de leste, na região fronteiriça, um projeto emblemático conhecido como vigilância do flanco oriental. Sugeri às autoridades militares e governamentais [portuguesas] que analisassem a possibilidade de desenvolver também um projeto regional comum semelhante, que pudéssemos chamar de vigilância do flanco Mediterrâneo-Atlântico. Existem algumas questões de defesa que unem muito dos países da região, como por exemplo, a proteção de cabos submarinos ou o controlo de uma grande parte da área atlântica. Há muitas questões em que Portugal pode ter grande influência.

O governo português mostrou-se aberto à sugestão?
Bem, pelo menos falámos sobre o facto de que iriam analisar essa ideia com muita atenção. Espero que possamos ver algum desenvolvimento nesse sentido.

Sobre o programa SAFE, prevê-se que os primeiros desembolsos cheguem aos países no início deste ano. Já existe alguma data definida de quando é que Portugal vai receber esses fundos?
Todos os 19 Estados-membros apresentaram os chamados planos nacionais de investimento, que detalham como é que esses recursos vão ser utilizados. Portugal também apresentou um plano de 5,8 mil milhões de euros. De acordo com a informação que obtive junto dos serviços da Comissão antes da minha visita, não existem problemas significativos com o plano português. Isso significa que Portugal pode estar entre os primeiros países a receber a aprovação, após a análise pelos nossos serviços.

Em seguida, será necessário um ato de implementação do Conselho, que pode ser aprovado em breve. Portanto, na minha opinião, o dinheiro pode chegar ao Governo nas próximas semanas, diria… ou meses, digamos assim

No programa apresentado pelos Estados-membros, há alguma estimativa do impacto económico a longo prazo desses planos?
Não tenho tanta certeza de que esse impacto seja realmente analisado, porque, em primeiro lugar, o que estamos a analisar é exatamente o desenvolvimento de capacidades de defesa, já que esse dinheiro se destina a esse fim. Mas quando 150 mil milhões de euros chegam à indústria de defesa europeia, isso terá um impacto considerável no desenvolvimento do setor.

Como podemos garantir que o SAFE não se torna uma espécie de buraco negro orçamental em nome da segurança militar? Não temos acesso a todas as informações sobre os investimentos. Como é que se assegura a transparência?
Do lado da União Europeia temos todos os instrumentos para garantir que os fundos são utilizados exatamente para o propósito de desenvolvimento de capacidades de defesa, porque os planos nacionais de investimento especificam o que os Estados-membros planeiam construir. Ou seja, que tipo de capacidades, navios ou drones, enfim, que tipo de capacidades de defesa. Os Estados-membros terão de reportar com que eficácia estão a implementar esses planos e poderemos verificá-lo. Claro que os Estados-membros também precisam de fazer o seu trabalho, como sempre fazem na área da defesa, de forma transparente, mantendo as informações sob algum tipo de controlo e zelando pela segurança da informação. Mas isso não é nada de especial. Quero dizer, assim como os Estados-Membros investem nas suas capacidades de defesa com recursos nacionais, aqui estão a fazer o mesmo com os recursos europeus.

Mas os cidadãos conseguem compreender a necessidade desses investimentos avultados?
Os governos precisam de explicar o que precisam fazer e por que estão a investir o dinheiro. As questões de segurança exigem maior controlo da informação. É por isso que o Tratado da União Europeia estabelece que, por razões de segurança, o desenvolvimento de capacidades de defesa é um pouco diferente de outros investimentos. Para nós, é muito importante que os Estados-membros invistam de forma transparente e eficaz. Porque, antes de qualquer, precisamos desenvolver as capacidades necessárias para nos defendermos e dissuadir a possibilidade de agressão russa.

Têm-se ouvido falar sobre a possibilidade de um segundo programa SAFE. Está realmente em equação?
Por enquanto, não há nenhuma decisão oficial. Talvez tenhamos alguns fundos do primeiro SAFE se os países não conseguirem usá-los e tiverem de ser redistribuídos se os planos de investimento não estiverem prontos ou se os problemas orçamentais dos Estados-Membros não permitirem, veremos. Mas, definitivamente, os empréstimos SAFE como projeto de instrumento financeiro são um grande sucesso.

A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, falou disso com muito orgulho e sublinhou que houve uma procura superior à oferta. Isso significa que o interesse dos Estados-Membros é muito grande. A presidente não prometeu que possa ser feito novamente. Mas entendi, pelo que ela disse, que, se houver uma grande procura, veremos como podemos avançar com algo semelhante.

Ainda sobre o investimento em defesa. É preciso desenvolver a indústria europeia, mas não existe também o risco dos custos dos equipamentos aumentarem se forem excluídos fornecedores globais mais competitivos?
Em primeiro lugar, estamos a incentivar os Estados-membros a optarem por compras conjuntas, a firmarem contratos maiores, o que reduzirá imediatamente o preço dos equipamentos. Em segundo lugar, estamos a analisar as possibilidades de apoiar as indústrias para que aumentem as suas capacidades de produção, de forma a que o aumento da procura dos Estados-Membros com recursos do SAFE não crie um problema que leve a um aumento muito rápido do preço dos equipamentos. Isso também está na nossa agenda. E, por último, queremos que os nossos gastos com defesa sejam direcionados muito mais para a indústria de defesa europeia.

Para sermos autónomos e independentes, precisamos desenvolver a nossa indústria de defesa. Atualmente, cerca de 40% dos nossos equipamentos de defesa é adquirido, por exemplo, aos Estados Unidos. Embora isso não seja negativo em si, estamos a canalizar o nosso dinheiro e a fortalecer a indústria de defesa americana. Portanto, queremos desenvolver a nossa indústria. Mas, é claro, há vários fatores simultaneamente envolvidos.

Por um lado, precisamos de desenvolver a nossa capacidade de defesa. Isso significa que precisamos de tanques, artilharia, mísseis e assim por diante o mais rapidamente possível. A nossa indústria de defesa, por vezes, não consegue produzir tudo o que precisamos. É por isso que também é permitido usar fundos de investimento seguros, especialmente durante o primeiro ano, para os contratos individuais dos Estados-membros. Em segundo lugar, também existe uma limitação para a produção fora da Europa, mas, mesmo assim, cerca de 35% dos componentes de produção podem ser fabricados fora da Europa, o que permite que outros parceiros participem deste programa.

E quais são os planos para integrar Portugal em corredores de mobilidade militar ​entre os Estados-membros?
Esses corredores de mobilidade militar estão definidos e, se não me engano, Portugal também está abrangido por alguns deles. Agora, o que precisamos fazer é criar possibilidades, tanto legais como de infraestruturas, para que o material militar possa transitar por esses corredores sem problemas. Por isso, aprovámos na Comissão um regulamento muito importante. Todo o pacote sobre mobilidade militar será negociado agora no Parlamento e no Conselho, mas este é um passo muito importante.

No mês que vem, em fevereiro, faz quatro anos de guerra na Ucrânia. É realista esperar um acordo antes disso?
Quatro anos de guerra são terríveis. Às vezes acho que nem conseguimos imaginar o sofrimento do povo ucraniano. Especialmente agora, durante o inverno, quando os russos atacam as infraestruturas de energia. Lá fora estão -15°C ou -20°C e não há eletricidade, nem aquecimento, é realmente terrível. O lado bom é que tanto os europeus como os americanos e os ucranianos concordaram, de forma geral, com o plano de paz. A grande questão agora é: Putin assinará esse acordo de paz?

E assinará?
Por enquanto, não é muito claro. Putin sente que está a vencer. Não está a vencer aos poucos, mas está a prevalecer. Veremos nas próximas semanas o que é que vai acontecer. Os americanos estão a pressionar a Rússia com a frota paralela e outras medidas, mas essa pressão deveria ser muito mais forte.

Não posso deixar de lhe perguntar sobre a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. A Comissão Europeia não está preocupada com a abertura de precedente para o futuro?
Em primeiro lugar, é claro que Maduro não é alguém com que nos devemos preocupar muito com o seu futuro, porque merece realmente toda a punição legal. Em segundo lugar, os americanos defendem que esta não foi uma operação militar, mas sim uma operação policial. Aqui está um ponto que precisa de ser discutido por advogados. Em terceiro lugar, o direito internacional realmente protege a soberania nacional. Mas, uma vez que ditadores como Maduro usurpam essa soberania do povo, não gostaria de ver a soberania desse ditador ser tratada da mesma forma que a soberania nacional. É isso que precisamos perceber. Por último, esta não é a primeira vez que os americanos realizam esse tipo de operação. Foi o Panamá, foi Granada, foi outra coisa qualquer antes.

Vamos ver o que se segue. A grande questão e a maior incógnita é como é que os americanos, que agora assumiram a responsabilidade pelo futuro da Venezuela, vão conseguir garantir que a soberania nacional seja devolvida do ex-ditador Maduro ao povo, para que o povo tenha a possibilidade de realizar eleições livres. Agora essa é a responsabilidade do governo americano.

Mas concede que a maior parte dessa intervenção tem a ver com petróleo?
Bem, talvez tenha alguma influência. Mas… mais petróleo para os americanos, também menos espaço para o petróleo russo. Sabe, eu não faria nenhum julgamento muito definitivo.

Uma última questão. Sinalizou aos deputados portugueses que gostaria de um Conselho Europeu de Segurança. Qual seria a vantagem?
Referia-me à ideia que foi proposta há uns 10 anos, mais ou menos, por Macron e Merkel, de ter um órgão institucional chamado Conselho de Segurança Europeu, com um número menor de Estados-membros. Alguns deles seriam membros permanentes, como agora os cinco países que se reúnem para discutir, por exemplo, garantias de segurança para a Ucrânia, e outros membros em regime de rotatividade. Deveríamos ter uma plataforma onde questões realmente importantes sobre a defesa europeia pudessem ser discutidas de forma mais racional.

Mas é um tema em cima da mesa?
Não, ainda está em discussão



 
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Duarte

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Re: Reformar e Modernizar as Forças Armadas
« Responder #4296 em: Hoje às 02:31:47 am »
Brussels to approve on Wednesday Portuguese plan for 5.8 billion euros in defence loans

https://europeannewsroom.com/brussels-to-approve-on-wednesday-portuguese-plan-for-5-8-billion-euros-in-defence-loans/
слава Україна!
“Putin’s failing Ukraine invasion proves Russia is no superpower".
"Every country has its own Mafia. In Russia the Mafia has its own country."
"Even the dumbest among us can see the writing on the wall for Putin"