Revolta no Mundo Árabe: Implicações Geoestratégicas para PT

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe: Implicações Geoestratégicas para PT
« Responder #15 em: Março 04, 2011, 03:07:05 pm »
No caso de a situação degenerar, as coisas poderiam ficar de facto complicadas, mas estas coisas levam tempo.

Em primeiro lugar as empresas.
Essas, numa situação de falência do Estado ou falência dos Estados seriam inevitavelmente as primeiras vítimas. Os investimentos seriam nacionalizados e as fábricas deixariam de laborar, perderiam mercados e as economias desses países sofreriam mais ainda.

Do ponto de vista militar, o problema não é para já mas para o futuro.
Para já, mesmo na Libia o Kadafi pode sair ou morrer (caso o Camarada Hugo não o convença a ir para a Venezuela), mas o problema não é imediato.

Ainda não estão claras as razões que levam os árabes a revoltar-se. Vemos no Bahreim, protestos num país em que a renda per capita é umas três vezes maior que a portuguesa.
Logo, as revoltas árabes não têm necessariamente SÓ a ver com a carteira.

O outro problema prende-se com os árabes e a sua maneira de ser, de ver o mundo, de se relacionar com a religião.
Para mim o principal problema, é o inevitavbel falhanço de um processo de democratização nos países árabes. Eles vao querer ver as vantagens da democracia e vão esperar que essas vantagens se tornem aparentes e sejam visiveis num curto espaço de tempo.

Todos sabemos que isso não é possível. Não se criam democracias de um momento para o outro. A ideia de que se pode comprar um pacote de democracia no supermercado e polvilhar os países com o pó e pronto, não funciona.
Isto quer dizer que há uma grande probabilidade de as populações que hoje protestam porque querem uma democracia e liberdade, quando desencantadas coma liberdade que de nada lhes serve e com a democracia que não lhes dá trabalho nem dinheiro, recorram à solução de séculos:
A religião.
Os árabes podem tentar encontrar conforto na religião, pedindo a Deus aquilo que não conseguem de outra forma.
Uma economia de um país árabe não tem como competir com outras economias em igualdade de circunstâncias. A capacidade produtiva das mulheres é em grande medida desperdiçada e uma sociedade que coloca de lado nem que seja um terço das mulheres, é uma sociedade condenada a não conseguir competir.

Deus, será a solução. Com a democracia desacreditada e sem um sentido prático para a Liberdade, os árabes facilmente vão aceitar o extremismo e aí é que a coisa se pode por preta.
De qualquer forma, dificilmente esses regimes conseguirão obter armamentos que possam colocar em causa a nossa segurança. Os russos têm problemas com os extremistas islâmicos e dificilmente lhes vão fornecer mais armas modernas. Os europeus idem e dos americanos nem se fala.
Só a China poderia ser uma ajuda, mas até a China tem problemas com o extremismo islâmico no noroeste e oeste, pelo que o mundo árabe, especialmente as sociedades do norte de África teriam dificuldade em conseguir desenvolver uma capacidade militar efectiva para nos colocarem problemas.

Mais grave, é a inevitabilidade do exodo, que tanto o mundo árabe quanto a África sub sahariana considera ser a sua bomba atómica.
E para evitar a chegada de centenas de milhares om milhões de pessoas às costas do sul da Europa, de nada servem F-16, de pouco servem submarinos e de muito pouco servem fragatas.

Os nossos problemas com a pirataria do norte de África são seculares. No caso de falência dos regimes do norte de África, o que precisamos são muitos meios de patrulha medianamente armados. Não poderiamos de maneira nenhuma permitir que nas nossas águas se desenvolvessem redes de pirataria que atacassem a navegação.

Também acredito que uma situação ao estilo da Somália seria dificil, principalmente porque na Somália não há nada em frente (excepto as costas da India demasiado longinquas). No sul da Europa, e aqui falo do sul da peninsula ibérica, a patrulha seria sempre muito mais facil. Mas ainda assim, isso implica a necessidade urgente de meios que permitam patrulhar de forma efectiva as águas. Isto quer dizer ter permanentemente dois ou três navios no mar, do sul desde as águas do Algarve até às águas da Madeira.

Isto quer dizer que é necessário investir o que for possível, em meios de vigilância marítima, especialmente em aeronaves não tripuladas, em redes de comunicação e de permuta de dados sobre a situação táctica. É necessário que esses sistemas estejam interligados com o de outros países - obviamente a Espanha - para impedir que a pirataria passe de uma área para a outra sem continuar a ser seguida.

As necessidades são muito mais em termos de tecnologia de vigilância que em termos de armamentos.
E quanto aos equipamentos que podem já ter sido vendidos a esses países, creio que sem manutenção e apoio logístico, a capacidade efectiva desses meios será relativamente reduzida.
 

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Carlos Rendel

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Re: Revolta no Mundo Árabe: Implicações Geoestratégicas para PT
« Responder #16 em: Março 18, 2011, 09:32:15 am »
Neste contexto será bom não esquecer os argelinos e marroquinos em França,os turcos na Alemanha,os africanos de crença muçulmana nos países nórdicos,magrebinos em Espanha e outros.
Não esquecer porquê?
Porque sendo relativamente fáceis de enquadrar nas economias locais-alguns são mesmo excepcionais-o conjunto de crenças,hábitos de vida,e de mentalidade tornam-nos muito difíceis
de absorver pelas etnias europeias.Neste caso o fracasso dos casamentos inter-raciais é patente.
Mais fácil é a plena integração dos negros americanos,falantes da mesma língua,religião,modo de
vida,cuja assimilação se prevê até ao fim do século.
Cumprimentos,CR
CR
 

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Cunha

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Re: Revolta no Mundo Árabe: Implicações Geoestratégicas para PT
« Responder #17 em: Março 19, 2011, 09:39:27 pm »
No meio de tusdo isto o que mais me preocupa é a instabilidade no norte de África, o extremismo islamico que ai se pode alojar, e o exodo em massa para as costas do Sul da europa.

Nós apesar de não estarmos na linha da frente, sabemos que não estamos livres de ver chegar traineiras carregadas de Marroquinos, Argelionos e Tunisisnos ao Algarve ou à costa vicentina e depois ai os F-16 não nos valerão de nada. Por isso é que eu vejo, com muito preocupação esta entrada na Libia, porque isto pode destabilizar totalmente esta zona, estes tipos são como um ninho de vespas.
Saudações Patrióticas.
 

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HSMW

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Re: Revolta no Mundo Árabe: Implicações Geoestratégicas para PT
« Responder #18 em: Março 19, 2011, 10:18:59 pm »
Marrocos ainda tem a questão do Shara Ocidental e Frente Polisário. Não tardará muito.

E se estas revoltas chegarem à Argélia?
Também se irá ponderar uma intervenção militar caso as manifestações sejam reprimidas?
É que esses facilmente nos fecham a torneira do gás...
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"Tudo pela Nação, nada contra a Nação."
 

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe: Implicações Geoestratégicas para PT
« Responder #19 em: Março 19, 2011, 11:59:02 pm »
Só uns comentários soltos:

Não se pode comparar a Libia com a Argelia. A Libia transformou-se numa republica muito parecida com uma monarquia feudal, apoiada por um sistema repressivo criado pelos soviéticos.
Enquanto a Libia foi uma colonia italiana, a Argelia foi uma colonia francesa e como na Tunisia parte da sua elite tornou-se francófona. A Libia não tem essa parte da elite mais sofisticada que serve de travão, nomeadamente ao nível das forças armadas a soluções drásticas.

Se ocorrer um problema na Argelia, creio que é mais provavel que ele tenha uma saída à la Mubarak, porque os militares argelinos têm um poder muito parecido com o poder dos militares egipcios.

Na Libia os militares não têm poder e em alguns casos são as milicias que fazem o serviço.

É perigoso comparar coisas que têm características bastante diferentes. Mas se nos cortarem o gás, não podemos fazer grande coisa.
A Argelia apresenta um problema: Já ocorreu uma repressão dos extremistas islâmicos da FIS, que ganharam as eleições e se preparavam para instaurar um Estado Islâmico. O ocidente olhou para o lado. Mas olhou para o lado como com o caso do KAdafi, que foi um dos principais opositores dos extremistas islâmicos da Alqaeda. Aliás, o Saddam também era um líder laico.

Mas a Argelia é um problema que mais facilmente pode descambar para o extremismo islâmico e até agora, as revoltas árabes não têm tido origem religiosa, excluindo o caso do Bahreim, que é uma espécie de luta entre católicos e protestantes.

Do ponto de vista militar, um regime extremista, à medida que vai ficando isolado, perde a capacidade para operar muitos dos equipamentos mais sofisticados. Isso reduz a capacidade desse país para nos afectar.
O problema no caso da Argelia é que possui equipamentos russos, pelo que ficaríamos dependentes da boa vontade dos russos para cancelar o fornecimento de armas ou a manutenção.

O nosso petroleo vem da Nigéria pode vir mais de Angola e algum da Venezuela. Podemos ficar relativamente independentes do Mediterrâneo. Afinal, não somos um país do Mediterrâneo. O estreito ficará fechado. O único problema que teríamos seria Marrocos.
 

 

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