Uma ordem atribuída ao presidente Lula direcionada à Marinha chamou atenção nesta semana pelo tom e pelo constrangimento que provocou nos bastidores do governo. Segundo relatos, o presidente teria determinado que a Marinha se preparasse para a eventual mobilização de um porta-aviões, apenas para ser lembrado por assessores e oficiais de que o Brasil atualmente não possui nenhum navio desse tipo em operação.
O episódio escancara o distanciamento entre o discurso político e a realidade das Forças Armadas brasileiras. Desde a desativação do porta-aviões São Paulo, em 2017, o país não conta com esse tipo de embarcação em sua frota. O navio, adquirido da França na década de 2000, passou anos sem operar plenamente e acabou sendo aposentado por inviabilidade técnica e financeira.
A Marinha do Brasil, hoje, concentra sua capacidade naval em fragatas, submarinos e navios de apoio logístico, enfrentando restrições orçamentárias severas e sucessivos cortes em programas estratégicos. A simples ideia de empregar um porta-aviões exigiria investimentos bilionários, anos de planejamento e uma estrutura operacional que o país não possui no momento.
O caso gerou críticas internas e externas, sendo visto como mais um exemplo de improviso e desconhecimento técnico em temas sensíveis de defesa nacional. Para especialistas, o episódio reforça a necessidade de maior alinhamento entre o comando político e a realidade operacional das Forças Armadas, evitando anúncios ou ordens que soem desconectados dos fatos e acabem expondo fragilidades do próprio governo.