Artilharia do Exército

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Kalil

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #390 em: Janeiro 31, 2020, 01:40:36 am »
Kalil posso estar equivocado mas penso que o Exército neste momento só tem três unidades de cariz territorial e são os Regimentos de Guarnição n1, 2 e 3 (Açores e Madeira).

As nossas três Brigadas estão pensadas para termos uma Brigada Ligeira (BrigRR), Média (BrigInt) e Pesada (BrigMec). As unidades de cada Brigada refletem essa natureza, como tal temos a GAC da BrigRR com os Light Gun (105mm) e os Tampella (120mm), a GAC da BrigInt com os M114 (155mm) e finalmente a GAC da BrigMec com os M109 A5 (155mm).

Destes o meio que não cumpre as normas estabelecidas pela NATO são os M114 da BrigInt e é exactamente o meio que o Exército quer substituir.

A Brigada de Intervenção, assemelha-se muito à Strike Brigade Combat Team, (SBCT), do Exército Norte-Americano e nesse tipo de Brigadas as GAC são compostas por três baterias a seis bocas de fogo e é equipado pelo M777 de 155mm.

Já li inúmeros trabalhos feitos por Oficiais do Exército e nem eles sabem qual é a melhor opção e estão divididos entre o Caesar e o M777.

Está área da artilharia não é, de todo, uma que eu costumo acompanhar.

Agora olhando para a disposição de meios mencionada, nós temos um pouco de tudo, muito pouco, embora nada de particular qualidade.

Em termos exclusivamente de doutrina, existem exércitos com orientações diversas.

Alguns praticamente abandonaram o uso de artilharia fixa, como o grego. Outros não abdicam dela, como o finlandês (não há vantagem nem é possível  ter grande mobilidade num país repleto de florestas) e penso que eles tem grande tradição nesta arma.

Numa entrevista que li recentemente, um oficial do exército espanhol diz que o uso de artilharia sobre rodas (155mm) é muito mais ajustado à realidade operacional que a movida a lagartas. E que o uso do 105 só mesmo nas unidades aerotransportadas.

Os franceses, embora tenham disponível um 105mm super leve produzido pela Giat/Nexter, baseiam as suas baterias quase exclusivamente em peças de 155mm (CAESAR sobretudo) e em morteiros 120mm.

E mesmo ao nível dos morteiros, há imensas opções de morteiros instalados em viaturas desde 4x4  a 8x8, cada vez mais em detrimento dos fixos/rebocados.

Há ainda o G7 da Denel, que sendo um 105mm consegue alcances quase ao nível dos 155mm. Embora o 105 seja um calibre "intermédio" que está a perder terreno.tem

E o "Gold Standard" da artilharia continuam a ser os PZH2000 ou os K9, extremamente pesados e claro que dispendiosos. Este último, curiosamente, foi a opção de países como a Noruega, a Finlândia ou à Estónia, com as unidades em 2a mão a custar cerca de 3,5M eur.

Onde é que eu quero chegar? Não seria uma hipótese, dado o reduzido efectivo e a eterna falta de verba, tentar perceber qual a solução que melhor se aplica às nossas necessidades e, em vez de tentarmos ter todos estes equipamentos, escolhermos os realmente úteis e adquirir material moderno e em quantidade suficiente para as 3 brigadas?
Só uma mera especulação, para um futuro talvez muito distante, claro..

Cumprimentos
 

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dc

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #391 em: Janeiro 31, 2020, 04:33:40 pm »
Penso que é uma questão mais complicada do que simplesmente adquirir um sistema para todas as brigadas. Cada sistema tem as suas vantagens e desvantagens. Por exemplo os morteiros AP têm claro a vantagem da mobilidade, mas têm a desvantagem do preço, e consequentemente do número armas que podes ter (com um determinado orçamento). Se calhar o que custa 1 único SPEAR ou semelhante, mais o veículo, veículo esse que terá que ser novo ou modificado, custará o mesmo que 5 ou até 10 morteiros convencionais rebocados, para os quais já há veículos.

Com isto não estou a dizer que não se deve adquirir um sistema moderno de morteiro 120, pelo contrário, mas não se deve pensar na sua aquisição para substituir totalmente os morteiros rebocados.

As 105mm rebocadas, também têm a vantagem do preço. Os veículos para as rebocar já existem, as tripulações treinadas também, munições também deve haver às paletes, e não me chocaria que fossem mais baratas que as de 155mm. Para unidades ligeiras, característica da BRR, são o meio perfeito, e não se perdia nada que os Fuzos tivessem esta capacidade.

Os AP de lagartas vs rodas, na prática não se substituem. Os de lagartas habitualmente têm melhor protecção e melhores qualidades todo o terreno, mas são mais pesados e não podem ser transportados de C-130. Os de rodas mais leves, podem ser transportados de C-130 (consoante o modelo), e com melhor mobilidade em superfícies em bom estado. Mas repara que cada um se adequa à brigada que apoiam. Um Caesar conseguiria acompanhar blindados de lagartas como os M-113 e derivados (nem estou a comparar com os Leos ou IFVs modernos), que habitualmente os acompanhariam em combate?

Depois ainda entra o M-777, e aqui coloco o seguinte cenário: dada a inexistência da capacidade de transporte estratégico por via aérea ou marítima, quanto é que apostas que verias um par de M-777 a serem transportados num NPO para uma área onde sejam necessários (arquipélagos ou até no estrangeiro), e que depois seriam transportados para terra por meio aéreo, como um Merlin nosso ou aliado?

Neste momento os de lagartas não são uma prioridade, e dificilmente conseguiríamos comprar agora Caesars ou semelhantes em quantidade suficiente para substituir os M-114 e ao mesmo tempo substituir os 18 M-109A5.
 

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Stalker79

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #392 em: Janeiro 31, 2020, 09:05:55 pm »
Nesta altura do campeonato, um upgrade aos M109 para o standard A6 seria mais do que suficiente.
Mais as peças de artilharia de campanha claro.
 :-P
 

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Kalil

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #393 em: Fevereiro 01, 2020, 01:53:07 am »
Não me referia a ter apenas um sistema comum a todas as unidades, isso nunca seria razoável.

Também não posso dissertar muito sobre se seria melhor ter 2 brigadas "bem nutridas" ou 3 brigadas "remediadas". Afinal de contas, o que interessa é garantir a operacionalidade em geral. Posso é imaginar que será melhor ter menos e melhores meios, em vez de maior quantidade com pouca capacidade. Mas isso aliás, acho que muitos membros deste fórum defendem.
 
Com o tamanho do nosso efectivo, ter duas unidades completas de apoio de artilharia ja não seria nada mau. Uma mais pesada, com os m109, e outra mais móvel, com Caesar (ou outro do gênero).
Tendo morteiros 120mm nas companhias de suporte de alguns batalhões, de preferência sobre viatura, seria um complemento equilibrado.

Transportar artilharia nos NPO e depois usar os Merlin para o teatro de operações é que já tenho mais dificuldade em compreender. Onde é que os Merlin estariam baseados? E o resto da cadeia, as viaturas de reboque e as munições? Existindo um LPD para os Merlin poderem actuar, este também poderia então transportar as armas de artilharia. E o mais entao fácil seria projectar uns Caesar, por exemplo.


Na questão das lagartas vs rodas, acho muito difícil alguma vez os nossos leopard serem enviados para algum conflito. As missões actuais e futuras serão quase de certeza baseadas no apoio dos pandur. E nesse caso, artilharia sobre rodas consegue acompanhar muito mais facilmente a mobilidade que estes conferem. É claro que não com o mesmo grau de proteção.

Abraço
 

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dc

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #394 em: Fevereiro 01, 2020, 04:00:52 am »
Também não posso dissertar muito sobre se seria melhor ter 2 brigadas "bem nutridas" ou 3 brigadas "remediadas". Afinal de contas, o que interessa é garantir a operacionalidade em geral. Posso é imaginar que será melhor ter menos e melhores meios, em vez de maior quantidade com pouca capacidade. Mas isso aliás, acho que muitos membros deste fórum defendem.
 
Com o tamanho do nosso efectivo, ter duas unidades completas de apoio de artilharia ja não seria nada mau. Uma mais pesada, com os m109, e outra mais móvel, com Caesar (ou outro do gênero).
Tendo morteiros 120mm nas companhias de suporte de alguns batalhões, de preferência sobre viatura, seria um complemento equilibrado.

O problema é que cada sistema tem as suas vantagens e funções. Nenhum outro veículo blindado substitui um CC por exemplo, logo mesmo tendo apenas 37, é preferível 37 do que zero, para manter as valências da força. Mas aqui pergunto, o que consideram ter 2 brigadas "bem nutridas" em vez de 3 presentemente? Extinguir por completo as valências de uma delas? Ou só alterar no papel, mantendo os meios das três distribuídos em apenas duas?

E com apenas duas unidades de artilharia, obrigatoriamente teriam de escolher eliminar ou os Light Gun ou os M-109, e adquirir os 155 AP de rodas que mencionas. Mais uma vez, extinguir os 3 tipos de armas para ficar só com 2, implica que se vai reduzir o número de armas em uso no EP, porque nunca iremos adquirir Caesars suficientes para substituir os 21 LG ou os 18 M-109 (consoante a componente a dar baixa) e ainda substituir os M-114 numa quantidade decente. Mal por mal mantém-se tudo como está e substitui-se apenas os M-114 como planeado.

Citar
Na questão das lagartas vs rodas, acho muito difícil alguma vez os nossos leopard serem enviados para algum conflito. As missões actuais e futuras serão quase de certeza baseadas no apoio dos pandur. E nesse caso, artilharia sobre rodas consegue acompanhar muito mais facilmente a mobilidade que estes conferem. É claro que não com o mesmo grau de proteção.

Quando construírem o LPD e/ou navios de desembarque (LSTs), talvez possam ser utilizados em algum cenário que assim o justifique. Dada a instabilidade em África, não me admirava. Sim, em missões internacionais é mais usual o Pandur, mas mesmo nesse caso, não enviamos artilharia (se calhar pelos M-114 estarem obsoletos).

Citar
Transportar artilharia nos NPO e depois usar os Merlin para o teatro de operações é que já tenho mais dificuldade em compreender. Onde é que os Merlin estariam baseados? E o resto da cadeia, as viaturas de reboque e as munições? Existindo um LPD para os Merlin poderem actuar, este também poderia então transportar as armas de artilharia. E o mais entao fácil seria projectar uns Caesar, por exemplo.

Não estás a perceber. Mais depressa tens um AOR capaz de levar um Merlin, do que um LPD capaz de desembarcar veículos. E o que estou a dizer é, qualquer navio pode levar uma dúzia de Light Gun ou M-777 para uma região onde sejam necessários, e um helicóptero (nacional ou aliado) pode descarregá-los directamente do navio para terra, mais a tripulação da arma. Num cenário com algum tipo de impedimento para a movimentação por terra, um Caesar não se pode deslocar a um local favorável para o tiro. O NPO é apenas um meio que podia facilmente levar um par de LGs no convés de voo para outra parte do mundo, o Caesar não tens outra solução além de o levar num navio que o possa desembarcar (que nós não temos) e C-130 (que pode não encontrar as infraestruturas necessárias para aterrar).

Estou apenas a mostrar contextos em que armas rebocadas podem ser usadas, pois estas ainda têm grande utilidade, e abdicar delas seria um erro!
« Última modificação: Fevereiro 01, 2020, 11:09:06 am por Lightning »
 
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Re: Artilharia do Exército
« Responder #395 em: Fevereiro 01, 2020, 10:32:16 am »
Não me referia a ter apenas um sistema comum a todas as unidades, isso nunca seria razoável.

Também não posso dissertar muito sobre se seria melhor ter 2 brigadas "bem nutridas" ou 3 brigadas "remediadas". Afinal de contas, o que interessa é garantir a operacionalidade em geral. Posso é imaginar que será melhor ter menos e melhores meios, em vez de maior quantidade com pouca capacidade. Mas isso aliás, acho que muitos membros deste fórum defendem.
 
Com o tamanho do nosso efectivo, ter duas unidades completas de apoio de artilharia ja não seria nada mau. Uma mais pesada, com os m109, e outra mais móvel, com Caesar (ou outro do gênero).
Tendo morteiros 120mm nas companhias de suporte de alguns batalhões, de preferência sobre viatura, seria um complemento equilibrado.

Transportar artilharia nos NPO e depois usar os Merlin para o teatro de operações é que já tenho mais dificuldade em compreender. Onde é que os Merlin estariam baseados? E o resto da cadeia, as viaturas de reboque e as munições? Existindo um LPD para os Merlin poderem actuar, este também poderia então transportar as armas de artilharia. E o mais entao fácil seria projectar uns Caesar, por exemplo.


Na questão das lagartas vs rodas, acho muito difícil alguma vez os nossos leopard serem enviados para algum conflito. As missões actuais e futuras serão quase de certeza baseadas no apoio dos pandur. E nesse caso, artilharia sobre rodas consegue acompanhar muito mais facilmente a mobilidade que estes conferem. É claro que não com o mesmo grau de proteção.

Abraço

No caso da BrigRR a GAC tem tanto as Light Gun de 105mm como os Morteiros Tampella de 120mm, os BIParas têm Morteiros de 60mm nos Pelotões de Apoio (2 Morteiros por Pelotão) das Companhias de Paraquedistas. No Pelotão de Morteiros da Companhia de Apoio ao Combate encontram-se 4 Morteiros 81mm L16A2  (1 Morteiro por Secção).


Citar
“O Morteiro de 81 mm L16A2 foi especialmente concebido de materiais leves para ser utilizado por tropas de infantaria ligeira apeada ou por tropas pára-quedistas que necessitam de muita mobilidade” (EPI, 2008, p. A-24).
Tem um alcance máximo de 5650m, equipando assim o Pelotão de Morteiros Pesados, sendo que é o alcance que lhe permite ser considerado como Morteiro Pesado . O alcance mínimo é de 475m, o seu peso total são 39,35Kg.

http://www.ivo.unn.ru/portugal/BBC/artilharia/Morteiro%2081MM%20L16A2.pdf

Os restantes Batalhões de Infantaria não devem ter estes morteiros de 81mm, já que eles foram adquiridos de propósito para os BIParas.

Na minha perspectiva (que vale o que vale), tanto a GAC da BrigRR, como a da BrigMec só precisam de uma modernização nos seus meios e não a substituição, já a da BrigInt precisa de uma rápida substituição. Pelas noticias que têm saído recentemente é vontade do Exército  modernizar os Light Gun e substituir as M114 da GAC da BrigInt, deixando de parte os M109 A5.

Dito isto, penso que os M109 A5 têm recebido pequenas melhorias ao longo dos anos, mas nenhuma modernização de fundo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 
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Re: Artilharia do Exército
« Responder #396 em: Fevereiro 01, 2020, 12:45:58 pm »
Na altura de se substituir os M-109, o que não deve faltar são sistemas modernos em segunda-mão no mercado, até porque de todas as necessidades das FA, artilharia AP de lagartas não está no topo da lista. Enquanto esta valência já existe e com meios minimamente decentes, por contraste, não tens capacidade AA (e nos dias que correm anti-drone) absolutamente nenhuma entre as 3 brigadas e os 3 ramos. Nem sequer os mínimos dos mínimos para criar doutrinas e uma capacidade de resposta imediata a uma potencial ameaça.

Na minha óptica, depois de se lidar com a artilharia da BrigInt, a próxima necessidade passa para os sistemas AA. De nada adianta ter Pzh-2000 ultra modernos e depois a cobertura aérea inexistente. O mesmo se aplica para as restantes forças.
 
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Re: Artilharia do Exército
« Responder #397 em: Fevereiro 01, 2020, 10:02:34 pm »
Kalil posso estar equivocado mas penso que o Exército neste momento só tem três unidades de cariz territorial e são os Regimentos de Guarnição n1, 2 e 3 (Açores e Madeira).

As nossas três Brigadas estão pensadas para termos uma Brigada Ligeira (BrigRR), Média (BrigInt) e Pesada (BrigMec). As unidades de cada Brigada refletem essa natureza, como tal temos a GAC da BrigRR com os Light Gun (105mm) e os Tampella (120mm), a GAC da BrigInt com os M114 (155mm) e finalmente a GAC da BrigMec com os M109 A5 (155mm).

Destes o meio que não cumpre as normas estabelecidas pela NATO são os M114 da BrigInt e é exactamente o meio que o Exército quer substituir.

A Brigada de Intervenção, assemelha-se muito à Strike Brigade Combat Team, (SBCT), do Exército Norte-Americano e nesse tipo de Brigadas as GAC são compostas por três baterias a seis bocas de fogo e é equipado pelo M777 de 155mm.

Já li inúmeros trabalhos feitos por Oficiais do Exército e nem eles sabem qual é a melhor opção e estão divididos entre o Caesar e o M777.

Está área da artilharia não é, de todo, uma que eu costumo acompanhar.

Agora olhando para a disposição de meios mencionada, nós temos um pouco de tudo, muito pouco, embora nada de particular qualidade.

Em termos exclusivamente de doutrina, existem exércitos com orientações diversas.

Alguns praticamente abandonaram o uso de artilharia fixa, como o grego. Outros não abdicam dela, como o finlandês (não há vantagem nem é possível  ter grande mobilidade num país repleto de florestas) e penso que eles tem grande tradição nesta arma.

Numa entrevista que li recentemente, um oficial do exército espanhol diz que o uso de artilharia sobre rodas (155mm) é muito mais ajustado à realidade operacional que a movida a lagartas. E que o uso do 105 só mesmo nas unidades aerotransportadas.

Os franceses, embora tenham disponível um 105mm super leve produzido pela Giat/Nexter, baseiam as suas baterias quase exclusivamente em peças de 155mm (CAESAR sobretudo) e em morteiros 120mm.

E mesmo ao nível dos morteiros, há imensas opções de morteiros instalados em viaturas desde 4x4  a 8x8, cada vez mais em detrimento dos fixos/rebocados.

Há ainda o G7 da Denel, que sendo um 105mm consegue alcances quase ao nível dos 155mm. Embora o 105 seja um calibre "intermédio" que está a perder terreno.tem

E o "Gold Standard" da artilharia continuam a ser os PZH2000 ou os K9, extremamente pesados e claro que dispendiosos. Este último, curiosamente, foi a opção de países como a Noruega, a Finlândia ou à Estónia, com as unidades em 2a mão a custar cerca de 3,5M eur.

Onde é que eu quero chegar? Não seria uma hipótese, dado o reduzido efectivo e a eterna falta de verba, tentar perceber qual a solução que melhor se aplica às nossas necessidades e, em vez de tentarmos ter todos estes equipamentos, escolhermos os realmente úteis e adquirir material moderno e em quantidade suficiente para as 3 brigadas?
Só uma mera especulação, para um futuro talvez muito distante, claro..

Cumprimentos

Isso faz sentido na Espanha continental, mas para proteger os enclaves em África faz falta lagartas.

A grande vantagem das lagartas hoje em dia é a sua capacidade de operar em terrenos que as rodas não podem.
 

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #398 em: Fevereiro 01, 2020, 11:42:00 pm »


Numa entrevista que li recentemente, um oficial do exército espanhol diz que o uso de artilharia sobre rodas (155mm) é muito mais ajustado à realidade operacional que a movida a lagartas. E que o uso do 105 só mesmo nas unidades aerotransportadas.



Isso faz sentido na Espanha continental, mas para proteger os enclaves em África faz falta lagartas.

A grande vantagem das lagartas hoje em dia é a sua capacidade de operar em terrenos que as rodas não podem.


De acordo, mas onde é que há enclaves em África que nós ou os espanhóis tenhamos obrigação de proteger?

 

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #399 em: Fevereiro 02, 2020, 12:07:50 am »
Também não posso dissertar muito sobre se seria melhor ter 2 brigadas "bem nutridas" ou 3 brigadas "remediadas". Afinal de contas, o que interessa é garantir a operacionalidade em geral. Posso é imaginar que será melhor ter menos e melhores meios, em vez de maior quantidade com pouca capacidade. Mas isso aliás, acho que muitos membros deste fórum defendem.
 
Com o tamanho do nosso efectivo, ter duas unidades completas de apoio de artilharia ja não seria nada mau. Uma mais pesada, com os m109, e outra mais móvel, com Caesar (ou outro do gênero).
Tendo morteiros 120mm nas companhias de suporte de alguns batalhões, de preferência sobre viatura, seria um complemento equilibrado.

O problema é que cada sistema tem as suas vantagens e funções. Nenhum outro veículo blindado substitui um CC por exemplo, logo mesmo tendo apenas 37, é preferível 37 do que zero, para manter as valências da força. Mas aqui pergunto, o que consideram ter 2 brigadas "bem nutridas" em vez de 3 presentemente? Extinguir por completo as valências de uma delas? Ou só alterar no papel, mantendo os meios das três distribuídos em apenas duas?

E com apenas duas unidades de artilharia, obrigatoriamente teriam de escolher eliminar ou os Light Gun ou os M-109, e adquirir os 155 AP de rodas que mencionas. Mais uma vez, extinguir os 3 tipos de armas para ficar só com 2, implica que se vai reduzir o número de armas em uso no EP, porque nunca iremos adquirir Caesars suficientes para substituir os 21 LG ou os 18 M-109 (consoante a componente a dar baixa) e ainda substituir os M-114 numa quantidade decente. Mal por mal mantém-se tudo como está e substitui-se apenas os M-114 como planeado.

Citar
Na questão das lagartas vs rodas, acho muito difícil alguma vez os nossos leopard serem enviados para algum conflito. As missões actuais e futuras serão quase de certeza baseadas no apoio dos pandur. E nesse caso, artilharia sobre rodas consegue acompanhar muito mais facilmente a mobilidade que estes conferem. É claro que não com o mesmo grau de proteção.

Quando construírem o LPD e/ou navios de desembarque (LSTs), talvez possam ser utilizados em algum cenário que assim o justifique. Dada a instabilidade em África, não me admirava. Sim, em missões internacionais é mais usual o Pandur, mas mesmo nesse caso, não enviamos artilharia (se calhar pelos M-114 estarem obsoletos).

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Transportar artilharia nos NPO e depois usar os Merlin para o teatro de operações é que já tenho mais dificuldade em compreender. Onde é que os Merlin estariam baseados? E o resto da cadeia, as viaturas de reboque e as munições? Existindo um LPD para os Merlin poderem actuar, este também poderia então transportar as armas de artilharia. E o mais entao fácil seria projectar uns Caesar, por exemplo.

Não estás a perceber. Mais depressa tens um AOR capaz de levar um Merlin, do que um LPD capaz de desembarcar veículos. E o que estou a dizer é, qualquer navio pode levar uma dúzia de Light Gun ou M-777 para uma região onde sejam necessários, e um helicóptero (nacional ou aliado) pode descarregá-los directamente do navio para terra, mais a tripulação da arma. Num cenário com algum tipo de impedimento para a movimentação por terra, um Caesar não se pode deslocar a um local favorável para o tiro. O NPO é apenas um meio que podia facilmente levar um par de LGs no convés de voo para outra parte do mundo, o Caesar não tens outra solução além de o levar num navio que o possa desembarcar (que nós não temos) e C-130 (que pode não encontrar as infraestruturas necessárias para aterrar).

Estou apenas a mostrar contextos em que armas rebocadas podem ser usadas, pois estas ainda têm grande utilidade, e abdicar delas seria um erro!

Não estou a falar em eliminar unidades no exército, acho que já não são assim tantas.
Nem de eliminar valências assim de repente. Não sei qual o real estado nem dos equipamentos nem o stock de munições disponível. Este processo de reforma terá sempre de ser feito com cuidado, e acompanhando a evolução da organização do exército. Desconheço, aliás, se está prevista alguma reformulação para esta década..
O que eu falei foi no sentido de, à medida que o equipamento se vai tornando ultrapassado, não seria pior apostar apenas no mais importante, em vez de se estar a substituir um por um.

Já percebi a tua ideia DC, tens razão, quer no caso dos Merlin via AOR, quer na ausência crónica de AA no exército.

Esta questão da AA é muito complicada de alguma vez se resolver. A não ser que apareça um dia de páraquedas, tipo KC390..
É necessário perceber realmente quais as missões das FA em Portugal. Quais os cenários de conflito mais prováveis no futuro. Mas isso dá dissertar longamente num novo tópico  c56x1

 

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Kalil

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #400 em: Fevereiro 02, 2020, 12:26:19 am »



No caso da BrigRR a GAC tem tanto as Light Gun de 105mm como os Morteiros Tampella de 120mm, os BIParas têm Morteiros de 60mm nos Pelotões de Apoio (2 Morteiros por Pelotão) das Companhias de Paraquedistas. No Pelotão de Morteiros da Companhia de Apoio ao Combate encontram-se 4 Morteiros 81mm L16A2  (1 Morteiro por Secção).


Citar
“O Morteiro de 81 mm L16A2 foi especialmente concebido de materiais leves para ser utilizado por tropas de infantaria ligeira apeada ou por tropas pára-quedistas que necessitam de muita mobilidade” (EPI, 2008, p. A-24).
Tem um alcance máximo de 5650m, equipando assim o Pelotão de Morteiros Pesados, sendo que é o alcance que lhe permite ser considerado como Morteiro Pesado . O alcance mínimo é de 475m, o seu peso total são 39,35Kg.

http://www.ivo.unn.ru/portugal/BBC/artilharia/Morteiro%2081MM%20L16A2.pdf

Os restantes Batalhões de Infantaria não devem ter estes morteiros de 81mm, já que eles foram adquiridos de propósito para os BIParas.

Na minha perspectiva (que vale o que vale), tanto a GAC da BrigRR, como a da BrigMec só precisam de uma modernização nos seus meios e não a substituição, já a da BrigInt precisa de uma rápida substituição. Pelas noticias que têm saído recentemente é vontade do Exército  modernizar os Light Gun e substituir as M114 da GAC da BrigInt, deixando de parte os M109 A5.

Dito isto, penso que os M109 A5 têm recebido pequenas melhorias ao longo dos anos, mas nenhuma modernização de fundo.


Em relação aos morteiros ao nível da infantaria, não seria interessante ter o de 81 em todas as unidades? Mesmo que diminuindo o número de morteiros por pelotão, para compensar o maior peso.

E o menor número de morteiros podia, por sua vez, ser compensado com a adopção no novo Carl Gustav M4. Não é um equipamento assim tão dispendioso, e traria um grande e polivalente poder de fogo.

 
 

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Lightning

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #401 em: Fevereiro 02, 2020, 01:59:33 am »
De acordo, mas onde é que há enclaves em África que nós ou os espanhóis tenhamos obrigação de proteger?

Nós não, mas os espanhóis têm, Ceuta e Melilla, e com o equivalente a uma brigada mecanizada, com Leopard 2 em cada local.

Ceuta
http://www.ejercito.mde.es/unidades/Ceuta/index.html

Melilla
http://www.ejercito.mde.es/unidades/Melilla/index.html
« Última modificação: Fevereiro 02, 2020, 02:01:37 am por Lightning »
 
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Re: Artilharia do Exército
« Responder #402 em: Fevereiro 02, 2020, 07:19:36 am »
Na altura de se substituir os M-109, o que não deve faltar são sistemas modernos em segunda-mão no mercado, até porque de todas as necessidades das FA, artilharia AP de lagartas não está no topo da lista. Enquanto esta valência já existe e com meios minimamente decentes, por contraste, não tens capacidade AA (e nos dias que correm anti-drone) absolutamente nenhuma entre as 3 brigadas e os 3 ramos. Nem sequer os mínimos dos mínimos para criar doutrinas e uma capacidade de resposta imediata a uma potencial ameaça.

Na minha óptica, depois de se lidar com a artilharia da BrigInt, a próxima necessidade passa para os sistemas AA. De nada adianta ter Pzh-2000 ultra modernos e depois a cobertura aérea inexistente. O mesmo se aplica para as restantes forças.

Enquanto Portugal mantiver os seus CC's e a infantaria mec (L), o único sistema de artilharia que é adequado apoiar e acompanhar as unidades de manobra da BriMec é o AP de lagartas, no nossos caso o M109A5.
Os sistemas de artilharia AP(R), ex o Caesar, são tão inadequados ao apoio e acompanhamento das unidades transportadas em viaturas de lagartas quanto os pandur o são como infantaria de acompanhamento aos nossos Leos.

Quanto aos meios de defesa aérea, a sua aquisição, refiro-me aos SHORAD e MEADS deveria estar no topo da lista e, já há algumas décadas.
A compra destes sistemas é altamente prioritária, depois de os adquirir deveríamos sim substituir os M114, ( preferencialmente por um sistema 15,5 AP rodas ), reforçar o numero dos M119 e elevar M109A5 existentes para a versão A6, mas mantendo sempre os três modelos ao serviço.

Na minha opinião o melhor modelo para substituir os actuais m114 seria o Caesar, pois a sua mobilidade e rapidez de disparo depois de entrar em posição de tiro é de longe muito superior  ao M777.

Abraços
« Última modificação: Fevereiro 02, 2020, 07:38:31 am por tenente »
 

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tenente

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Re: Artilharia do Exército
« Responder #403 em: Fevereiro 02, 2020, 07:51:56 am »

Em relação aos morteiros ao nível da infantaria, não seria interessante ter o de 81 em todas as unidades? Mesmo que diminuindo o número de morteiros por pelotão, para compensar o maior peso.

E o menor número de morteiros podia, por sua vez, ser compensado com a adopção no novo Carl Gustav M4. Não é um equipamento assim tão dispendioso, e traria um grande e polivalente poder de fogo.

Kalil os pelotões de infantaria devem possuir apenas os morteiros de 60. O alcance destes morteiro é suficiente para apoiar o efectivo do pelotão cerca de 30 elementos.

Os morteiros de 81 seriam indevidamente utilizados, se fossem dispersos pelos pelotões infantaria pois, o seu alcance não justifica tal distribuição.
O seu agrupamento nas CAP, ou CAC dos batalhões infantaria, proporciona o apoio fogos directo, que as CAT's mais avançadas necessitam, o facto de estarem agrupados, permite a sua utilização, devido ao seu alcance, como apoio das várias companhias do batalhão.
No caso de uma CAt operar isolada, ou estar numa posição estática, nesses casos sim, acho que a companhia deveria possuir um par de mort 81 para o apoio dos seus pelotões, mas distribui-los pelos PelAt não se justifica, até porque o transporte das munições e do próprio 81 é muito diferente, + pesado, e requer mais serventes, que as dos morteiretes de 60.

Abraços
 
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Re: Artilharia do Exército
« Responder #404 em: Fevereiro 02, 2020, 07:37:17 pm »
Na altura de se substituir os M-109, o que não deve faltar são sistemas modernos em segunda-mão no mercado, até porque de todas as necessidades das FA, artilharia AP de lagartas não está no topo da lista. Enquanto esta valência já existe e com meios minimamente decentes, por contraste, não tens capacidade AA (e nos dias que correm anti-drone) absolutamente nenhuma entre as 3 brigadas e os 3 ramos. Nem sequer os mínimos dos mínimos para criar doutrinas e uma capacidade de resposta imediata a uma potencial ameaça.

Na minha óptica, depois de se lidar com a artilharia da BrigInt, a próxima necessidade passa para os sistemas AA. De nada adianta ter Pzh-2000 ultra modernos e depois a cobertura aérea inexistente. O mesmo se aplica para as restantes forças.

Enquanto Portugal mantiver os seus CC's e a infantaria mec (L), o único sistema de artilharia que é adequado apoiar e acompanhar as unidades de manobra da BriMec é o AP de lagartas, no nossos caso o M109A5.
Os sistemas de artilharia AP(R), ex o Caesar, são tão inadequados ao apoio e acompanhamento das unidades transportadas em viaturas de lagartas quanto os pandur o são como infantaria de acompanhamento aos nossos Leos.

Quanto aos meios de defesa aérea, a sua aquisição, refiro-me aos SHORAD e MEADS deveria estar no topo da lista e, já há algumas décadas.
A compra destes sistemas é altamente prioritária, depois de os adquirir deveríamos sim substituir os M114, ( preferencialmente por um sistema 15,5 AP rodas ), reforçar o numero dos M119 e elevar M109A5 existentes para a versão A6, mas mantendo sempre os três modelos ao serviço.

Na minha opinião o melhor modelo para substituir os actuais m114 seria o Caesar, pois a sua mobilidade e rapidez de disparo depois de entrar em posição de tiro é de longe muito superior  ao M777.

Abraços

O sistema Archer também pode ser interessante, pena o preço e parece ser algo muito complicado de operar.
 

 

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