https://cnnportugal.iol.pt/donald-trump/davos/trump-nao-quer-usar-a-forca-mas-quer-mesmo-adquirir-um-pedaco-de-gelo-crucial-para-a-seguranca-mundial/20260121/6970e9e5d34e0ec52ec28851Trump diz que esta é "a maior declaração" que já fez: "As pessoas pensavam que eu ia usar a força na Gronelândia. Não quero usar a força. Não vou usar a força
No seu discurso em Davos, o presidente dos EUA e além das afirmações sobre a Gronelândia, Trump passou uma hora a felicitar-se por tudo o que conseguiu no primeiro ano de mandato
"Não usarei a força, não quero usar a força." Donald Trump estava certo quando disse que esta seria, provavelmente, a declaração mais importante que faria no seu discurso no Fórum Económico Mundial. Depois de semanas de tensão e de ameaças, o presidente norte-americano garantiu em Davos que não tenciona usar a força, mas que está disponível para começar "imediatamente" a negociar a aquisição da Gronelândia, um território que considera essencial para a manutenção da segurança dos EUA e do mundo.
"Tudo o que pedimos é para ter a propriedade e a soberania sobre a Gronelândia. Não consigo defender a Gronelândia sem ter a soberania", explicou. "Provavelmente não conseguiremos nada, a menos que eu decida usar força e violência excessivas, o que nos tornaria, francamente, imparáveis. Mas não farei isso. Ok. Agora todos dizem ‘Oh, que bom’. Essa foi provavelmente a maior declaração que fiz, porque as pessoas pensavam que eu iria usar a força. Não tenho de usar a força. Não quero usar a força. Não vou usar a força."
Afirmando que tem "imenso respeito pelos povos da Gronelândia e da Dinamarca", Donald Trump disse que a Dinamarca não é capaz de garantir a segurança do Ártico. "Nenhum país pode garantir a segurança da Gronelândia à exceção dos EUA. Somos uma grande potência. Algumas pessoas só descobriram isso há duas semanas, com a Venezuela", acrescentou Trump, recordando que os EUA já tinham mostrado a sua capacidade na Segunda Guerra Mundial: lembrou que a Dinamarca se rendeu em poucas horas à Alemanha e que teve de ser a América a proteger a Gronelândia e a ganhar a guerra. De resto, segundo o próprio, se não fossem os Estados Unidos, a maioria dos presentes na plateia “estariam a falar alemão e, talvez, um pouco de japonês”.
"Quando a Dinamarca falhou à Gronelândia nós sentimos obrigação de defender o território", sublinhou. Foi nessa altura que os EUA colocaram bases na Gronelândia para a Dinamarca. "Nós lutámos pela Dinamarca, salvámos a Gronelândia". E, após a vitória na guerra, "devolvemo-la à Dinamarca. Quão estúpidos fomos?", perguntou-se. "E agora a Dinamarca é ingrata".
"Esta ilha é na verdade parte da América do Norte", assegurou. "É parte do nosso território."
"Agora o mundo enfrenta riscos muito maiores", continuou Trump. "A Gronelândia está numa localização estratégica" - demasiado perto da Rússia e da China. "Só os EUA podem defender esta grande massa de gelo."
E os Estados Unidos não precisam da Gronelândia por causa dos seus recursos minérios ou das terras raras: "Precisamos da Gronelândia para a nossa estratégia de segurança nacional e internacional", garantiu Trump, afastando a ideia de que a sua pretensão é puramente económica.
"A aquisição da Gronelândia não será uma ameaça à NATO", reiterou. Pelo contrário, "iria aumentar a sua segurança". Donald Trump prometeu mesmo construir o "Golden Dome" naquela ilha, numa referência a um sistema de proteção antimísseis que defenderá também o Canadá e a Europa. "Preocupamo-nos com a Europa e queremos que a Europa seja forte", garantiu.
"A Gronelândia é um pedaço de gelo, eu estou a pedir um pedaço de gelo para garantir a proteção do mundo", prosseguiu Trump, explicando que é "um pedido muito pequeno" comparado com tudo o que os EUA já fizeram pela NATO. "Têm duas possibilidades: ou dizem sim, e ficaremos muito agradecidos, ou dizem não, e lembrar-nos-emos”, vincou, em forma de ameça.
"OS EUA foram tratados de forma muito injusta pela NATO", queixou-se depois. "Demos tanto e recebemos tão pouco em troca. “Com todo o dinheiro que gastámos, com todo o sangue, suor e lágrimas, e não sei se eles estariam lá para nós.”
E recordou que os EUA apoiaram a Ucrânia, mesmo estando tão distantes. "A Ucrânia é um banho de sague e eu quero pôr um fim nisso." "Nós estaremos 100% com a NATO, mas não tenho a certeza que eles estejam lá para nós", disse Trump, anunciando que se vai encontrar ainda esta quarta-feira com Zelensky, para depois esclarecer que esse encontro acontecerá, afinal, apenas na quinta-feira.
"A Europa não está a seguir a direção certa"
Trump até tinha pensado deixar a Gronelândia fora do discurso. Começou por falar da economia dos EUA e por se vangloriar por todas as medidas tomadas neste primeiro ano de presidência - medidas que, nas suas palavras levaram à queda da inflação, à diminuição do défice e ao aumento dos investimentos, num verdadeiro "milagre económico". "As pessoas estão muito bem e muito felizes", felicitou-se. "Nunca pensei que conseguíamos fazê-lo tão depressa."
Aproveitou então para criticar as políticas económicas seguidas pelos líderes europeus. "Adoro a Europa e espero que tudo corra bem na Europa, mas não estão a seguir da direção certa", frisou, apontando que muitas nações não investem na sua indústria, mudam para a energia verde e permitem que a população seja substuída, "importando novas populações de terras distantes". "Alguma regiões da Europa estão irreconhecíveis."
"Foi este o percurso que muitas nações tolamente seguiram, virando costas àquilo que faz as nações verdadeiramente ricas e fortes. E há tanto mais potencial em tantas nações", lamenta. O resultado é o déficit económico e as migrações. É preciso acabar com este modelo, defende. Trump diz que evitou a crise energética dos EUA que afetou os países europeus que seguiram a energia verde - "talvez o maior embuste da história". "É suposto fazer-se dinheiro com a energia, não perder." É por isso que o modelo a seguir é o dos EUA, diz.
Entre farpas lançadas ao Canadá, a França, à Suíça e ao Reino Unido, Donald Trump só tem elogios para fazer aos Estados Unidos. E entre eles está o sucesso da intervenção da Venezuela. "A Venezuela vai sair-se lindamente", concluiu Trump, acrescentando que "assim que o ataque acabou eles vieram ter connosco e pediram-nos para fazer um acordo. Mais pessoas deviam fazer o mesmo." "Todas as grandes companhias de petróleo virão connosco, é uma coisa linda de se ver." O preço do combustível já está a diminuir. Trump acredita que a Venezuela vai prosperar e ganhar muito dinheiro.