Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?

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morb

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Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« em: Junho 27, 2020, 02:36:34 am »
Eu abri este tópico na secção da Força Aérea por eu ter sido ex-FAP, no entanto isto é aplicável a todos os ramos.

Estive de passagem por Santa Margarida à pouco mais de 1 ano e aquilo está deprimente, bairros degradados, não se faz literalmente "nada"; alguém numa tasca de Malpique  que recebe os camaradas do CMSM à anos até me disse que há mais graduados do que praças. Mas que raio se passa aqui?
Chegámos ao ponto de não haver praças suficientes como resultado da política de rotatividade dos 6 anos (que agora passou para 18)?

Mas enfim, long story short: Estive a residir no Reino Unido durante alguns anos, e trabalhei com o MOD entre outras entidades que não posso mencionar aqui. Como seria de esperar, e sendo eu ex-FAP, lá troquei conversa com um camarada da RAF numa visita a uma base. Eu expliquei que em Portugal a norma é ficar-se 6 anos em contrato (a não ser que se siga pela via das academias) e depois leva-se com um pontapé. Também expliquei que existe limite de idade relativamente baixo para admissões em tudo o que exija estatuto militar ou de polícia. A única exceção na parte dos praças será mesmo a Marinha.
E ele disse-me que no RU um "enlisted" pode sair ao final de 3 anos sem ter que pagar indemnização mas por opção se quiser passar aos quadros, o processo é automático e ainda recebem bónus e disse-me que não percebia essa política de Portugal em não aproveitar os talentos (quando aplicável) e mandar toda a gente embora ao final de 6 anos seja o sujeito bom profissional ou não.

Depois temos a questão da idade. Eu por exemplo, que estive lá fora e ganhei experiência que contribuiria para o interesse nacional, já sou velho demais para me candidatar seja ao que for a nível de forças armadas ou segurança, enquanto que a idade máxima de admissão na RAF é de 55 anos. Já na Royal Navy é 39 anos e no exército varia de caso para caso acima dos 30 anos. De qualquer forma, existe sempre a alternativa dos "reserves" que permitem idades mais elevadas. O que quero dizer com isto é que as oportunidades para pessoas que ganham experiência na vida civil e em ambientes internacionais existem talvez porque o parlamento britânico considera que contribui para a eficácia da defesa do país.

Já na questão das forças de segurança, a história é semelhante. Nem sequer existe limite de idade mas naturalmente ninguém pode entrar 2 anos antes da idade de reforma. E depois existem os "special constables" que são polícias que acumulam funções com um emprego civil. Não recebem remuneração mas têm os mesmos poderes que um agente normal. E ainda, o programa "direct entry inspector" que são programas de 2 anos que permitem entrada direta para um posto superior e servem para aqueles que já exerceram funções de liderança no sector privado.

Nós por cá continuamos com um sistema rudimentar de favorecimento próprio como parte da nossa cultura de corrupção e nepotismo, as chefias militares (salvo raras exceções) acomodam-se e parece que estão-se nas tintas para a satisfação das nossas FA, o que interessa é o cachet a cair no dia 21. E depois temos um poder político que despreza as FA e FS, faz o mínimo dos mínimos, temos infira-estruturas que são uma miséria, não existe qualquer pro-atividade para manter o património em boas condições.
Resumindo, temos tantos intelectuais e continuamos na cauda da Europa, somos uma porcaria de uma gota comparativamente a estes países anglo-saxónicos, mas temos exigências de um país super evoluído.

Mais alguém aqui se sente frustrado por se jurar perante uma bandeira, contribuir para a boa imagem do país e depois ter que ser obrigado a emigrar porque a pátria-mãe só oferece condições decentes a uma classe limitada?

Perdoem-me o desabafo, mas de facto temos sido governados por atrasados mentais que na verdade só têm lesado o país.

Mas vamos ao que interessa:
- Que medidas é que a audiência gostaria de ver implementadas no país, que contribuíssem para a satisfação profissional geral dentro das FA e FS?

Obrigado
« Última modificação: Junho 27, 2020, 02:39:30 am por morb »
 
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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #1 em: Junho 27, 2020, 07:48:06 am »
Antes de mais, bem vindo ao FD.

Essa é a triste realidade das nossas FFAA.

A medida prioritária para tentar inverter a actual situação será  a de incorporar nos próximos seis anos,  e só para o Exército, cerca de um milhar de recrutas.m, anualmente. 
Tal medida permitiria que a percentagem de praças subisse dos actuais cerca de 55%, para os muito necessarios 75%, mesmo assim abaixo do ideal que seria 80%, para umas forças terrestres com um efectivo minimo de 18.000/20.000 efectivos.

Para que essa medida seja concretizada será fundamental o aumento do salário das pracas para um mínimo de mil euros mensais.
O custo total só desta medida, se os números das incorporações se concretizassem, ao fim do sexto ano rondariam os 90 milhões/ano so para estes seis mil Praças, ao fim e ao cabo apenas uma gota de água, no Oceano, actual, dos custos com o pessoal.

Refiro só esta medida como prioritária mas há outras que teriam de ser implementadas de modo a cativar os mais jovens para a vida militar.

Abraços
« Última modificação: Junho 27, 2020, 07:54:08 am por tenente »
 
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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #2 em: Junho 27, 2020, 09:52:31 am »
Pensei que fosse um dado adquirido.. todos os países ocidentais estão em declínio militar. Em breve ninguém conseguirá fazer frente a uma China mandona,  nem os EUA.
 
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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #3 em: Junho 27, 2020, 10:54:16 am »
Mas o caso de Portugal é bem pior que o dos aliados. Eles ao menos reduzem quantidade por qualidade, nós nem uma nem outra. Quanto à China, a nossa safa é que eles estão a arranjar guerra com tanta gente, que não vão dar conta do recado.

Morb, só por curiosidade, no caso da RAF esses 55 anos são só para algumas especialidades? Se sim, quais?

 
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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #4 em: Junho 27, 2020, 10:58:17 am »
Antes de mais bem vindo ao forum Defesa,dito isto agradecer o que trouxe ao mesmo.
É a realidade e infelizmente se nada for feito por parte do MD(ministério Defesa) temo que a realidade seja mais preocupante nao digo no imediato mas que a médio prazo as mesmas deixarao de ter capacidade para exercer algumas missoes ou mesmo capacidade para poderem proteger nosso país ...assim sendo eu defendo servico Militar obrigatório minimo 2 anos mas defendo tambem a abertura no decorrer destes dois anos um concurso de admissao a estes para integrarem os quadros Permanentes das FA....a quem viesse a ser incorporado nos QP teria as mesmas regalias que um GNR (pracas)...alerto no entanto que ninguem iria para as outras Forcas Policiais Sapadores ou Guardas Prisionais sem passarem pelo menos dois anos nas Forcas armadas....ou seja um recruta sabia á partida que em dois anos ou seguiria uma carreira Militar e ou podia ingressar nas restantes forcas caso fosse esse seu desejo....isto assim de repente seria ter um leque de opcoes para o próprio,,,mas isto sou eu a falar,
 
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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #5 em: Junho 27, 2020, 11:33:47 am »
É mesmo isso que o morb esreveu, infelizmente é mesmo isso !


Políticos e chefias, ao longo dos ultimos 30 anos tem dado nisto.


Mais graduados que praças, equipamento moderno 0 e instalações degradadas.


Bastou ver na TV as imagens de tancos, e ver os edifícios todos podres.


Bem vindo !
Artigo 308º

Traição à Pátria

Quem, por meio de violência, ameaça de violência, usurpação ou abuso de funções de soberania:

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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #6 em: Junho 27, 2020, 02:37:47 pm »
Quanto aos praças o problema foi a quando da ultima reforma das FA não se fez um quadro de praças, pois estes seriam voluntários que comprimiam os seus contratos e iam a sua vida.
O problema que ao contrario do que se passa noutros países com os EUA onde existe uma grande vantagem em se alistar com voluntario(exemplo educação), cá a grande vantagem que era o ingresso nas forças de segurança em vez de ajudar veio a ser prejudicial as FA.

Mas o meios já começaram a abrir a pestana e vão finalmente ser criados os quadros de praças.

É bom lembrar que nos gastamos mais dinheiro em defesa que a Espanha por habitante e que esse dinheiro vai sobretudo para o pessoal.



 
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morb

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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #7 em: Junho 27, 2020, 03:21:48 pm »
Mas o caso de Portugal é bem pior que o dos aliados. Eles ao menos reduzem quantidade por qualidade, nós nem uma nem outra. Quanto à China, a nossa safa é que eles estão a arranjar guerra com tanta gente, que não vão dar conta do recado.

Morb, só por curiosidade, no caso da RAF esses 55 anos são só para algumas especialidades? Se sim, quais?

Não, 55 anos aplica-se a médicos, mas a maior parte das especialidades aceitam até aos 47 anos.
Pode ver aqui e escolher a respetiva especialidade, e depois clicar em "age requirements":
https://www.raf.mod.uk/recruitment/how-to-apply/eligibility-check#age-requirements

 

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typhonman

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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #8 em: Junho 27, 2020, 03:24:07 pm »
Caro morb,


Explore os restantes tópicos do fórum, para ver as decisões de quem "manda" neste assunto ..
Artigo 308º

Traição à Pátria

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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #9 em: Junho 27, 2020, 04:25:15 pm »
Bem-vindo Morb!

Ontem no Sexta às 9h da Sandra Felgueiras na RTP1, falou sobre a saída de médicos das FA e dos "brindes" da indemnização que têem de pagar quem não estiver pelo menos 10 anos nas FA!

Um exemplo absurdo, um médico especialista a trabalhar num Hospital público ganha mais 1 000€ por mês que um médico especialista nas FA!!!!!! Um absurdo!!!!

https://www.rtp.pt/play/p6596/sexta-as-9
« Última modificação: Junho 27, 2020, 04:25:48 pm por Viajante »
 
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morb

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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #10 em: Junho 27, 2020, 04:52:03 pm »
Pessoal, obrigado pela vossa participação.
Sinceramente, considerei naturalizar-me como Britânico (ou, seja ficaria com dupla nacionalidade) e concorrer à RAF. Mas por motivos familiares tive que regressar a PT. A mensagem que quero deixar aqui é que é contraproducente provocar a "expulsão" de pessoal exemplar que depois são tratados de forma melhor lá fora. É do género "obrigado pelo teu contributo, tens aqui uma medalha e 5 louvores que não servem para nada na vida civil, mas sempre podes emigrar e servir as FA de outro país que te dê valor"  :bang:

Mas enfim, o que me leva a perguntar esta questão aqui no forum é para tentar perceber o que pode ser feito para melhorar o panorama das FA e FS, isto porque já tenho experiência política (estive num partido mas saí pelo facto de aquilo ser mais do mesmo, uma cosa nostra legal) e estou a considerar estabelecer um partido político porque é a única forma de tirar o país deste buraco e dar alguma esperança ao pessoal que merece ser valorizado não só em termos de defesa mas também noutras áreas. Quando falo nisto, a primeira coisa que me dizem é que estou à procura do "tacho", ou seja, esta cultura está tão enraizada na nossa sociedade, que as pessoas associam partidos a "tachos", mas para o bem e para o mal, é este sistema de representação que temos, e só o parlamento é que tem o poder de mudar o rumo do país. Só por esta via se pode fazer algo, isto não vai lá com manifestações.

O programa tem que ser feito à medida do sentimento geral da população em cada área e não feito à medida do partido, é uma questão de empatia e equilíbrio. Se repararem bem, os programas dos partidos existentes na parte da defesa referem praticamente a manutenção do status quo com uns pozinhos e muito wishful thinking. Vai-se comprando algum equipamento mas existe sempre alguém que ganha com isso e o valor do contrato acaba por ficar acima do que devia, o critério utilizado é quase sempre o preço e não a qualidade já com a devida margem para pagamento de "comissão". E depois temos os desvios internos como aconteceu naquele escândalo da FAP, e há casos semelhantes que (ainda) não foram "descobertos", ou seja, é esta cultura de proveito próprio e lesa estado que tem sido também prejudicial às nossas FA, mas esses exemplos têm vindo da classe política, o que na verdade me dá vómitos.
Tenho noção que nunca se irá acabar com a corrupção a 100%, existe sempre aquele que lá imprime qualquer coisa no escritório onde trabalha, desvia uma caneta ou outra, nada de especial. O problema são os desvios de milhões que causam buracos nas contas públicas mas depois andamos a culpar países como a Holanda por não quererem financiar buracos sem fundo? Os países produtivos que zelam pelo interesse dos próprios cidadãos é que são os malvados?

Mesmo nas FS a situação podia estar bem melhor. Tem havido alguns suicídios e ultimamente tem havido pouco respeito pelas autoridades e noutros casos (poucos) vice-versa, tem que haver bom senso das 2 partes. Depois temos as injustiças de esquadras/postos com boas condições e outros a cair aos bocados. Em suma, existe uma lista enorme (podia estar aqui todo o dia a enumerar) de "coisas" a melhorar que tem sido ignorada pela classe política.

Entretanto já recolhi algumas impressões daqui, podem continuar a deixar sugestões ou até mesmo falar sobre as vossas experiências ;)


Obrigado


 

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Lightning

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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #11 em: Junho 27, 2020, 05:37:33 pm »
Tinha feito um grande texto mas vou só colocar esta informação sobre grupos de países europeus, existem livros sobre isto, e o senhor que ouvi na tv já escreveu vários, acaba por explicar muita coisa não sobre as FA em particular, mas sobre as sociedades, convívio nas empresas, até governos, porque é que se faz certas coisas de certa maneira num pais e de outra maneira noutro, etc.

Citar
ANGLO-SAXONICOS
 - Competição
 - Autonomia
 - Descentralização
 - gosto pelo risco
 - orientação para resultados
 - Ambição/Pragmatismo
 - Inovação
 - Comunicação frontal e directa
 - organização: Arena

GERMANICOS
 - Gosto pela estrutura e procedimentos
 - Autonomia Individual
 - Descentralização com gestão pela exepção
 - Valorização pela expertise/especialista
 - Comunicação directa e frontal
 - Organização: Maquina bem oleada

ESCANDINAVOS
 - Procura de consensos
 - Cooperação
 - Descentralização
 - Gosto pelo risco
 - Bem estar individual
 - Fiabilidade
 - Ética Social
 - Comunicação Directa
 - Organização: Rede ou Vila

LATINOS E GREGOS
 - Hierarquia
 - Lealdade
 - Centralização
 - Formalismo
 - Respeito
 - Comunicação Indirecta
 - Organização: Pirâmide

LESTE
 - Hierarquia/Poder
 - Lealdade
 - Competição
 - Centralização
 - Competição Indirecta
 - Melancolia
 - Evita o conflito, mas forte possibilidade de escalada quando assumido o recurso à força
 - Organização: Pirâmide e Arena

Daqui podemos discutir muitas coisas, os anglo-saxónicos tudo gira em roda do resultado, e o nosso local de trabalho é a arena onde competimos contra os nossos colegas, quem não se lembra de dizemos que os ingleses são demasiado frontais, roçando a má educação?

Germanicos (Austria, Suiça, etc) é como os carros alemães, maquinas complexas, bem oleadas, em que o especialista numa matéria é uma pessoa valorizada, não tem forçosamente que ser um engenheiro ou doutor.

Os escandinavos é aquilo muito "friendly", todos se dão bem, etc, mas temos o exagero como agora com o COVID-19 em que o governo da Suécia não pode "mandar" as pessoas para casa, tem que ser as pessoas a querer, o governo de lá não tem essa "autoridade", é mais um órgão coordenador, não hã chefes de nada, as pessoas estão todas ao mesmo nivel, a tal organização em rede ou vila, a cooperação,

Nós é como lá está, organização em pirâmide, começar por baixo e só os leais é que vão subindo as "escadinhas", muito formalismo, sr doutor, sr engenheiro, etc, e isto vale na tropa, como vale na politica (quem vai para PR ou PM já teve que ser ministro, secretario, etc) como valerá em muita empresa, já se vai vendo algumas melhorias em alguns campos como seja a valorização do ensino técnico, temos cozinheiros que agora são chefs e até estrelas de tv, temos profissões técnicas bem pagas, só que socialmente ainda não estão valorizadas como um trabalho de secretaria em que se calhar até se ganha menos, e também temos empresas principalmente as que já operam internacionalmente que vem adoptando os conceitos de competição, cooperação e valorização dos especialistas.

O grupo de países de leste é o mais recente na investigação, é uma mistura de características onde se nota herança do comunismo, mas tem a particularidade da violência física ser uma carta que em certos casos pode entrar em cena, muito comum a operação de máfias, resolver zangas à facada, é algo que vai acontecendo.
« Última modificação: Junho 27, 2020, 05:43:45 pm por Lightning »
 
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morb

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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #12 em: Junho 27, 2020, 10:51:30 pm »
Nós é como lá está, organização em pirâmide, começar por baixo e só os leais é que vão subindo as "escadinhas", muito formalismo, sr doutor, sr engenheiro, etc, e isto vale na tropa, como vale na politica (quem vai para PR ou PM já teve que ser ministro, secretario, etc) como valerá em muita empresa, já se vai vendo algumas melhorias em alguns campos como seja a valorização do ensino técnico, temos cozinheiros que agora são chefs e até estrelas de tv, temos profissões técnicas bem pagas, só que socialmente ainda não estão valorizadas como um trabalho de secretaria em que se calhar até se ganha menos, e também temos empresas principalmente as que já operam internacionalmente que vem adoptando os conceitos de competição, cooperação e valorização dos especialistas.

Eu acho que essa questão dos títulos não passa de complexo de inferioridade, somos algo provincianos, e depois existe o problema da bajulação. Temos algumas empresas com uma cultura laboral decente, sobretudo as empresas de Tech/IT, mas em geral a nossa cultura laboral é medíocre e existe muito preconceito (por exemplo: idade). Não é a nossa cultura latina que nos está a "atrasar" totalmente, aqui ao lado temos um país com cultura semelhante que é muito criticado mas que tem um custo de vida inferior ao nosso e um salário mínimo quase 2 vezes superior. O nosso problema é falta de vontade política. A nossa classe política não está em competição com outros países, está em competição com o próprio país por questões de ego/poder. Não me refiro a todos eles, mas a maioria está minada.
 

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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #13 em: Junho 28, 2020, 01:37:28 am »
Bem-vindo Morb!

Ontem no Sexta às 9h da Sandra Felgueiras na RTP1, falou sobre a saída de médicos das FA e dos "brindes" da indemnização que têem de pagar quem não estiver pelo menos 10 anos nas FA!

Um exemplo absurdo, um médico especialista a trabalhar num Hospital público ganha mais 1 000€ por mês que um médico especialista nas FA!!!!!! Um absurdo!!!!

https://www.rtp.pt/play/p6596/sexta-as-9

É mais complicado do que reportagem quer fazer passar. Quando vez médicos a criticarem de terem de participar em exercícios militares percebes que a saúde militar neste é uma confusão sem sentido.
 
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Lightning

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Re: Situação das FA em Portugal - estamos em declínio?
« Responder #14 em: Junho 28, 2020, 02:23:28 pm »
Um exemplo absurdo, um médico especialista a trabalhar num Hospital público ganha mais 1 000€ por mês que um médico especialista nas FA!!!!!! Um absurdo!!!!

Mas nas Forças Armadas ninguém ganha pelo que faz, ganha pelo posto, exemplo desses há por todo o lado, quanto ganha um piloto de aviões, um mecânico de aviões, um controlador aéreo, na parte marítima idem, etc, etc, etc
 

 

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