"CORONABONDS"

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"CORONABONDS"
« em: Março 29, 2020, 07:11:02 pm »
CORONABONDS?

Nestes tempos conturbados que vive o mundo, a Europa que já apresentava dificuldades em manter-se unida, teve de enfrentar o Brexit, que por sua vez deixou problemas ainda insolúveis, que se amplificam com a necessidade de fechar o orçamento do próximo quadro comunitário (ainda sem aprovação!), e leva à necessidade dos 27 países da EU colmatarem a contribuição anual do Reino Unido (mais de 20 mil milhões) para o orçamento da EU.

Mais uma vez a UE não criou este problema/crise, assim como não criou a crise das dívidas soberanas provocadas pela resposta tardia e individual para fazerem frente à crise do sub-prime de 2007/2008, criada nos EUA, mas foi o espaço da UE quem mais sofreu as consequências dessa crise. A resposta inicial dada pela UE, que começou por desvalorizar e confinar o problema aos EUA, passou para uma nova fase, de pedido de investimento público maciço na economia e resgate dos bancos que levaram consequentemente a um enorme endividamento público de cada país.

Com o endividamento público das economias, percebemos que não estavam todos os países em igualdade de circunstâncias. Como sempre, os mais fracos pagam muito mais por uma mesma crise, e na crise do sub-prime percebemos que os remédios aplicados para debelar a crise têem um peso diferente no bolso dos países, assim como no das pessoas. Uma crise que junta países muito diferentes como Portugal ou a Grécia por um lado e Alemanha por outro, qualquer factura a pagar será muito mais difícil de pagar pelos mais fracos!

Acresce ainda o facto de termos a mesma moeda em comum, pelo que cada país deixou de controlar o dinheiro que circula no seu próprio país, e em que cada país tem a sua própria política fiscal, não possuindo um orçamento comum a todos os países, leva a que uma resposta a uma crise, tenha consequências de diferente magnitude nas economias (assimétrica).

Se bem que o BCE conseguiu o que eu considero de muito relevo, artificialmente baixar os custos de financiamento dos estados ao ter uma pessoa ao seu leme de enorme visão, podemos ter agora uma liderança mais míope à frente do BCE que diga-se de passagem, está ao nível das lideranças que temos hoje em dia na Europa!

Essa falta de liderança europeia é pressentida pelos necrófagos com cargos vitalícios que sempre desejaram o fim da UE e do Euro. Quem criou os alicerces da UE logo a seguir à IIª Guerra Mundial, pretendia que por um lado a Europa vivesse em paz e prosperidade e não andássemos constantemente em guerra, que no caso da IIª Guerra Mundial teve como consequência mais óbvia o fim do domínio europeu sobre o globo, que iniciou o seu domínio global no século XV e chegou até ao século XX.

A criação do euro, criada por visionários que já não estão no activo, pretendia essencialmente que a Europa não dependesse de uma moeda que dominava o globo nessa altura, já que nenhuma moeda europeia era suficientemente universal que pudesse rivalizar com o dólar. Mas a criação do euro por si só não resolveria todos os problemas, como ficou patente na crise do sub-prime.

Vivemos tempos conturbados, do politicamente correcto, do individualismo e nacionalismo. Todos estes termos podem minar definitivamente a UE se não forem tomadas medidas de solidariedade, tal e qual como tinham em mente quem criou a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), que mais tarde seria rebatizada de CEE (Comunidade Económica Europeia) e mais tarde viria dar origem ao União Europeia.

Mais uma vez a UE é confrontada com uma crise que não criou, mas que a sua estrutura não está preparada para resolver, pela necessidade de tomada conjunta de países com posições tão antagónicas, como temos vindo a presenciar.

O COVID-19, que inicialmente foi ignorado pela Europa, e visto mais um vez como um problema longínquo, tornou-se um problema global. Cada país tem de fazer o que pode, inicialmente para combater o vírus e as consequências físicas que provoca, mas posteriormente, e a partir de agora, vai ser necessário resolver um problema colossal que está a ser criado pela paragem da economia. Quanto mais tempo for utilizado para resolver o problema da doença, piores vão ser as consequências para a economia. Cálculos feitos já em Março, estima-se uma quebra da economia europeia de pelo menos 8% do PIB.

Apesar do problema ser comum a todos os países, a palavra solidariedade foi riscada pelos países europeus, quando por exemplo a Itália a solicitou e quase todos os países ficaram a olha só para si, como se o vírus não ultrapassasse fronteiras ou distinguisse quem tem melhor déficite. E se os países mais aflitos com a doença não são ajudados pelos seus pares, particularmente a Itália e a Espanha, sujeitando-nos a apoios interessados de outras ditaduras a esses países (Rússia, China, Cuba e a Albãnia), vamos esperar solidariedade no momento de salvarmos as economias?

Mais do que nunca, depois da relocalização da indústria ocidental para a Ásia, deixando-nos vulneráveis até em equipamentos fundamentais para a nossa sobrevivência, como os ventiladores, vamos ser capazes de salvar o que resta da economia? Como é que cada país vai aguentar um impacto de 8% PIB? (só para recordar que no tempo da troika, a nossa economia recuou menos de 6%)

A linha de crédito disponibilizada pelo BCE, de 750 mil milhões de euros é insuficiente para acudir a tamanha crise e a ajuda do Fundo de estabilização com mais 410 mil milhões, não são suficientes! Vejo que a única solução possível, para que todos os países possam enfrentar esta crise económica que se aproxima, a criação dos chamados “CORONABONDS”.

A criação dos coronabonds, mesmo que limitada a 8% do PIB europeu, como se fala, permitia injectar dinheiro na economia de valor equivalente aos estragos que a paragem forçada provocou e com a vantagem da dívida não ficar associada a nenhum país em particular, mas sim a uma entidade que esteja a cima, como por exemplo o BCE. A dívida seria assim do BCE e não de nenhum país e ao contrário destes, o BCE tem poder de imprimir euros ilimitadamente. Como todos os países da UE têem as suas economias muito interligadas entre si, os aspectos negativos da criação de mais moeda, seriam muito minimizadas!

Esta solução permitia “salvar” as economias com dinheiro fresco, não aumentar o endividamento absoluto dos países, manter os juros dos países relativamente baixo e ainda passavam a ter uma vantagem competitiva em relação ao resto do mundo, porque o resto do mundo teria de se endividar individualmente!!!!

Mas se os “coronabonds” não vierem, (também começo a perder a fé em tanta gente sem visão a comandar os destinos do continente), pode acontecer à UE o que sucedeu ao império romano no século IV, a divisão do “império” entre a parte ocidental e a parte oriental. Neste caso seria mais uma divisão norte da Europa vs sul da Europa. Ou até o divórcio completo e o “arrumar das malas de cartão”. Se acontecer algum tipo de cisão, haverá um enorme retrocesso entre os povos europeus, porque não tenham dúvidas, os países novamente voltados para sí, vai prejudicar principalmente os mais fracos de cada país e também a classe média (esqueçam os créditos-habitação, crédito para carro, etc……).

O que acham?

RG
 
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Re: "CORONABONDS"
« Responder #1 em: Março 29, 2020, 07:43:24 pm »
Creio que as "corona bonds" irão ser uma realidade ou então é mesmo o fim da União. Vejo que os grandes industriais alemães estão voltados para isso e nas altas esferas politicas alemãs o assunto é tido seriamente em conta. O problema são as bases e o discurso populista que encontra aí terreno fértil e a CDU ou o SPD têm de jogar no balanço do seu eleitorado.

Apesar de países como a Holanda, Áustria ou Finlândia serem frontalmente contra (o ministro holandês disse mesmo que não estava disponível sequer para discutir isso), uma decisão alemã nesse sentido iria trazer esses países por arrasto. Aliás, no caso holandês, a posição do seu governo está a ser fortemente criticada pela Bélgica e Luxemburgo, tendo inclusive governantes belgas classificado a abordagem holandesa a esta situação como "de pessoas incompetentes e medíocres".

Considero que a UE cometeu um dos seus maiores erros de sempre quando, por influencia dos ingleses e americanos, empurrou a Rússia para a China. Quando à quase 20 anos atrás, Putin afirmava publicamente que a Rússia era europeia e que as suas raízes e futuro estavam na Europa, simplesmente a UE chutou para canto. Na altura as linhas geopolíticas idealizadas por Putin eram a de colocar a Rússia como escudo avançado ao crescimento chinês através do controlo de fluxos de matérias primas que os chineses precisavam para se desenvolverem, e permitir, através do acesso privilegiado às enormes reservas energéticas e de matérias primas russas, um crescimento baseado no binómio "matérias primas, energia e polos científicos russos  / capacidade industrial e tecnológica da UE" com todos os contractos a ser feitos em € em vez de USD.

Considero pouco provável um cisma que resulte em uma UE norte e outra UE sul. A França, a Itália e a Espanha têm um peso económico demasiado grande a nível global para a Alemanha entrar em algo que não meta esses países também. Penso que ou isto avança mesmo para uma União que não seja só monetária ou extingue-se de vez.

 



 
 
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Re: "CORONABONDS"
« Responder #2 em: Março 29, 2020, 08:48:48 pm »
Creio que as "corona bonds" irão ser uma realidade ou então é mesmo o fim da União. Vejo que os grandes industriais alemães estão voltados para isso e nas altas esferas politicas alemãs o assunto é tido seriamente em conta. O problema são as bases e o discurso populista que encontra aí terreno fértil e a CDU ou o SPD têm de jogar no balanço do seu eleitorado.

Apesar de países como a Holanda, Áustria ou Finlândia serem frontalmente contra (o ministro holandês disse mesmo que não estava disponível sequer para discutir isso), uma decisão alemã nesse sentido iria trazer esses países por arrasto. Aliás, no caso holandês, a posição do seu governo está a ser fortemente criticada pela Bélgica e Luxemburgo, tendo inclusive governantes belgas classificado a abordagem holandesa a esta situação como "de pessoas incompetentes e medíocres".

Considero que a UE cometeu um dos seus maiores erros de sempre quando, por influencia dos ingleses e americanos, empurrou a Rússia para a China. Quando à quase 20 anos atrás, Putin afirmava publicamente que a Rússia era europeia e que as suas raízes e futuro estavam na Europa, simplesmente a UE chutou para canto. Na altura as linhas geopolíticas idealizadas por Putin eram a de colocar a Rússia como escudo avançado ao crescimento chinês através do controlo de fluxos de matérias primas que os chineses precisavam para se desenvolverem, e permitir, através do acesso privilegiado às enormes reservas energéticas e de matérias primas russas, um crescimento baseado no binómio "matérias primas, energia e polos científicos russos  / capacidade industrial e tecnológica da UE" com todos os contractos a ser feitos em € em vez de USD.

Considero pouco provável um cisma que resulte em uma UE norte e outra UE sul. A França, a Itália e a Espanha têm um peso económico demasiado grande a nível global para a Alemanha entrar em algo que não meta esses países também. Penso que ou isto avança mesmo para uma União que não seja só monetária ou extingue-se de vez.

Também tenho essa opinião. O maior entrave que eu vejo à emissão europeia de dívida, é a opinião pública alemã. Quer a CDU que o SPD receiam a opinião pública alemã (relembrar que a CDU foi ferida com gravidade, quando a Merkl queria saír de cena e a sucessora sucumbiu passado pouco tempo..... a "velhota" vai ter de salvar a UE antes de arrumar as botas).
Julgo que desta vez o poder político alemão está convencido na necessidade dos coronabonds (eurobonds), porque o auxílio vai ter de ser feito a todos os países!!!!!!!

Com tudo o que se passou entre a Rússia e a UE e até a intervenção na Ucrãnia..... duvido que um maluco nos EUA seja suficiente para uma reaproximação UE-Rússia. Mas concordo que nunca deve ser hostilizada (Rússia). Mas antes disso e muito mais importante é necessário salvar a UE, com todos os seus defeitos, acho que é o melhor plano do momento!
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #3 em: Março 29, 2020, 09:21:44 pm »
Há o perigo de alguns países saírem do Euro...  existe um "fosso" difícil de resolver entre 2 blocos que participam no euro; as "coronabons" são outra situação que pode trazer maior divisão - por muitas voltas que possamos dar à situação eles vêem-nos como países sem disciplina orçamental que aproveitamos o estar em uma moeda forte para nos endividarmos acima do aconselhável e recusam ter que suportar parte do potencial custo. E questionam como é possível após 4 anos de crescimento admirável e juros tão baixos continuarmos sem folga...

E olham cada vez mais para:



Se até em um mesmo país nós "resistimos" à ideia de pagar mais que outras regiões... se os "grandes" clubes em Portugal resistem em dar parte do seu rendimento aos restantes clubes da liga...   
     
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Re: "CORONABONDS"
« Responder #4 em: Março 29, 2020, 11:02:09 pm »
Há o perigo de alguns países saírem do Euro...  existe um "fosso" difícil de resolver entre 2 blocos que participam no euro; as "coronabons" são outra situação que pode trazer maior divisão - por muitas voltas que possamos dar à situação eles vêem-nos como países sem disciplina orçamental que aproveitamos o estar em uma moeda forte para nos endividarmos acima do aconselhável e recusam ter que suportar parte do potencial custo. E questionam como é possível após 4 anos de crescimento admirável e juros tão baixos continuarmos sem folga...

E olham cada vez mais para:



Se até em um mesmo país nós "resistimos" à ideia de pagar mais que outras regiões... se os "grandes" clubes em Portugal resistem em dar parte do seu rendimento aos restantes clubes da liga...   
   

Caro LM

Mesmo assim, concordando a Alemanha com a dívida comum da UE, é quase esvaziado esse argumento, pelo facto do Reino Unido já não estar presente e da França e da Itália estarem a precisar de ajuda e são em simultâneo os outros grandes contribuintes líquidos da UE!

A situação é de tal forma séria, que os alemães olha com muita atenção para o problema e estou convencido que vai mesmo avançar, porque este problema afecta todos ao mesmo tempo.
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #5 em: Março 30, 2020, 10:12:35 am »
De notar que se os "eurobonds" continua a ser complicado - mesmo mudando, tendo em conta a emergência que se vive, o nome para "coronabonds" - a Europa do Euro (ler Alemanha e seus  "compinchas") na ultima meia dúzia de anos aceitaram dar fogo à peça com a "bazuca" de apoios do BCE, o que permitiu um crescimento económico baseado em moeda barata e que nós muito aproveitamos nos últimos 4 anos...

Agora, mesmo tendo talvez gasto muitas munições nos últimos anos, a Alemanha já deu ordem para colocar as máquinas de fazer moeda a produzir em máxima velocidade... os limites de défice foram levantados... falta de facto a parte de "as nossas dividas são também vossas", ao que ainda resistem - se eu fosse Holandês também desconfiava.       
« Última modificação: Março 30, 2020, 11:17:11 am por LM »
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Re: "CORONABONDS"
« Responder #6 em: Março 30, 2020, 11:46:53 am »
De notar que se os "eurobonds" continua a ser complicado - mesmo mudando, tendo em conta a emergência que se vive, o nome para "coronabonds" - a Europa do Euro (ler Alemanha e seus  "compinchas") na ultima meia dúzia de anos aceitaram dar fogo à peça com a "bazuca" de apoios do BCE, o que permitiu um crescimento económico baseado em moeda barata e que nós muito aproveitamos nos últimos 4 anos...

Agora, mesmo tendo talvez gasto muitas munições nos últimos anos, a Alemanha já deu ordem para colocar as máquinas de fazer moeda a produzir em máxima velocidade... os limites de défice foram levantados... falta de facto a parte de "as nossas dividas são também vossas", ao que ainda resistem - se eu fosse Holandês também desconfiava.     

Sim, mas há uma diferença subtil no nome que lhe chamam. Enquanto os eurobonds seriam um meio de financiamento ininterrupto, com emissões contínuas, para financiar os estados, os coronabonds (na realidade são eurobonds, claro), mas restritos a 1 só emissão ou um grupo de emissões feitas para financiar os estados mas só de uma vez e com a justificação de ultrapassarem esta crise em conjunto!

Depois destes chamados coronabonds, não voltaria a ser emitida dívida conjunta, excepto noutra crise como esta.

Por esse motivo chamam-lhes coronabonds, para serem limitados no tempo e também para a população nórdica aceitar que se trata de um período de emergência. Porque, mesmo que sejam agora aceites os coronabonds, não acredito que tão cedo sejam emitidos mais, excepto eventualmente noutra grande crise que afecte todos os países.

Evidentemente que a dívida ao ser comum, vai beneficiar quem está mais endividado e prejudicar quem é mais poupado. Por esse motivo eu compreendo perfeitamente as críticas e reticências alemãs.

Mas também volto a referir um aspecto, a Itália e a França são grandes contribuintes líquidos e se forem também egoístas e recusarem a dar aos outros países aquilo que precisam para erguerem-se?

Mas também não tenho ilusões, se as emissões conjuntas forem aceites, elas só vêem com mais cedências para a UE, como por exemplo a harmonização fiscal, talvez impostos comunitários, controlo mais apertado do déficite.

Obviamente que é uma questão polémica (escusavam de existir as bocas holandesas ou dos Países-Baixos ou lá como se chamam....), porque basta ver o que se passa por cá, quando a Madeira teve de ser "resgatada" pelo estado central. Eu próprio não aceito que os grandes centros urbanos tenham transportes públicos duplamente financiados pelo estado e no interior do país não existe nada (transportes públicos duplamente financiados porque trata-se maioritariamente de empresas públicas que só dão prejuízo, logo os impostos de todo o país financiam empresas falidas e agora ainda existem os passes quase a custo zero financiados pelo estado, quando deveriam ser as autarquias. A mim o estado não financia 1 cêntimo que seja para ir trabalhar todos os dias).
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #7 em: Março 30, 2020, 11:54:54 am »
De notar que se os "eurobonds" continua a ser complicado - mesmo mudando, tendo em conta a emergência que se vive, o nome para "coronabonds" - a Europa do Euro (ler Alemanha e seus  "compinchas") na ultima meia dúzia de anos aceitaram dar fogo à peça com a "bazuca" de apoios do BCE, o que permitiu um crescimento económico baseado em moeda barata e que nós muito aproveitamos nos últimos 4 anos...

Agora, mesmo tendo talvez gasto muitas munições nos últimos anos, a Alemanha já deu ordem para colocar as máquinas de fazer moeda a produzir em máxima velocidade... os limites de défice foram levantados... falta de facto a parte de "as nossas dividas são também vossas", ao que ainda resistem - se eu fosse Holandês também desconfiava.     

Caros colegas, é o claro corolário da Lei de Murphy. Tudo o que tinha para correr mal, correu. Perdemos quatro anos para reformar, mesmo tendo condições económicas altamente favoráveis, muitos como eu alertaram para isso, fomos chamados de "passistas", "troikistas" e outras palermices, está aqui o resultado.

Quanto aos "Coronabonds", não estou tão esperançado como os restantes colegas. A "recuperação" que fomos tendo é já ela resultante duma massiva impressão de dinheiro. Falamos agora numa nova injecção massiva. A Senhoriagem tem os seus limites e é uma ferramenta que deve ser usado com muito cuidado, a leviandade com que algumas pessoas a encaram é assustadora. E não estou tão seguro como afirma o Viajante, apesar de compreender o argumento, de que dado a interligação da economias Europeias estamos protegidos da desvalorização .A economia Europeia é hoje muito baseada na economia do conhecimento e da informação e nós (UE), a nível de electrónicos, importamos bastante da Ásia, penso que o impacto não seja assim tão desprezível...   

Em suma, os "coronabonds" poderão ser a salvação da UE e ser mesmo a única opção, mas não tenham qualquer duvidas, se a Senhoriagem passar para o "outro lado" da curva de laffer, vai ser também o fim da UE e uma guerra quase certa...

Abraços e mantenham-se seguros.
"Se servistes à pátria, que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma."
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #8 em: Março 30, 2020, 01:48:27 pm »
Agora não interessa, até porque o desastre é tão grande que mesmo com uma politica "avisada" na última legislatura iria tudo para o caraX§@... talvez se conseguisse resistir melhor com uma politica decente desde o tempo do Guterres. Mas é bom não esquecer (ver ligações "aqui" e "fonte" no original):

A Geringonça Deixou Portugal Melhor ou Pior Preparado Para Enfrentar Uma Crise?

Certamente os leitores estarão familiarizados com a história das vacas gordas e das vacas magras. Essencialmente, a ideia é usar os anos de abundância para criar as condições para melhor sobreviver a anos de escassez.

Em alturas de crise, é melhor estar num país rico e com baixa dívida pública do que num país pobre com uma grande dívida pública. Veja-se por exemplo o caso da Irlanda e do Reino Unido, países que irão assumir o pagamento de 75% e 80% dos trabalhadores afectados pelo Coronavirus (fonte e fonte). Em Portugal há uma série de medidas de apoio mas que passam essencialmente por linhas de crédito e adiamento do pagamento de empréstimos e impostos (ler aqui).

A geringonça optou durante um período de “vacas gordas” por uma estratégia de “vacas voadoras” – desperdiçando uma conjuntura historicamente favorável, optando por satisfazer a sua clientela política e para comprar votos em vez de fazer uma reforma estrutural que fosse. Em 2017 escrevi um post onde analisava de forma mais exaustiva as medidas da geringonça, mas deixo aqui um pequeno sumário.

Começando pela conjuntura. Quando a geringonça chegou ao poder em Novembro de 2015, já não havia um programa de ajustamento a cumprir e o registavam-se quatro factores extremamente favoráveis:

    O crescimento generalizado das economias europeias, americanas e asiáticas (algo que por si só favorece as exportações e o investimento estrangeiro).
    Taxas de juro extraordinariamente baixas, devido essencialmente ao programa de quantiative easing do Banco Central Europeu.
    O crescimento do turismo, não só pelo aumento da quantidade e qualidade da oferta (para que muito contribuiram as companhias aéreas low cost), mas também pelo aumento da procura resultante do facto de outros destinos tradicionais se terem tornado muito pouco atractivos por motivos de segurança.
    A queda do preço do barril de petróleo que reduz o défice da balança comercial e liberta recursos financeiros para serem aplicados em outras actividades económicas.

Recuperemos as algumas das medidas mais emblemáticas da geringonça, e analisemos se tornaram o país melhor ou pior preparado para enfrentar uma crise:

    Redução do horário dos funcionários públicos de 40 horas para 35 – não só se traduziu num aumento da despesa (em pagamento de horas extraordinárias, e na contratação adicional de pessoal para compensar as horas perdidas) como também numa degradação generalizada dos serviços públicos. Esta medida teve um impacto particularmente grande no sector da sáude pública.
    Aumento do número de funcionários públicos – foram mais de 26.000 entre 2017 e 2019 (fonte); e mais 15.000 em 2019 (fonte) o que representa mais despesa fixa numa altura em que com a digitalização e automação o estado deveria ser mais eficiente.
    Aumento insustentável de pensões e prestações sociais – aumento da abrangência do Rendimento Social de Inserção; aumentos extraordinários das pensões; alargamentos dos subsídios de desemprego; aumento dos abonos de família; mais facilidades no acesso antecipado às reformas.
    Recorde de cativações orçamentais – o que se traduz numa degração dos serviços públicos assim como num investimento público em níveis abaixo do governo de de Passos Coelho (fonte).
    Aumento da carga fiscal para níveis recorde, sobretudo através dos impostos indirectos, como o imposto sobre os combustíveis  – essencial para pagar o aumento da despesa; mas que reduz o rendimento disponível dos cidadãos e das empresas que é essencial para a poupança e para o investimento. Para 2020, estava previsto mais um aumento na carga fiscal (fonte).
    Várias medidas de desincentivo ao investimento e de encorajamento à emigração dos quadros mais qualificados – a não redução do IRC sendo Portugal o quarto país da OCDE com a taxa efectiva de imposto sobre as empresas mais alta no valor de 27,5% (fonte); aumento da progressividade do IRS sendo Portugal o quarto país da OCDE com a maior taxa marginal de IRS de 72% (fonte). De referir ainda que muito recentemente, o PS criou obstáculos e dificuldades ao alojamento local (fonte e fonte), acabou com os vistos gold em Lisboa e no Porto (fonte); aprovou uma contribuição adicional sobre as empresas com mais rotatividade (fonte); e ameaçou os investidores com a obrigatoriedade do englobamento dos rendimentos (fonte).

Resumindo, a geringonça durante o tempo das “vacas gordas” deixou um estado mais pesado, menos eficiente e com uma despesa fixa grande ao mesmo tempo que deixou o país menos competitivo e menos preparado para enfrentar uma crise. Portugal nos últimos vinte anos tem sido sistematicamente ultrapassado por outros países que começaram de um ponto partida mais baixo –  Eslovénia em 2002; República Checa em 2007; Malta em 2010; Eslováquia em 2012; Estónia em 2014; Lituância em 2017; e Polónia em 2020 (fonte  e fonte). A verdade é que as vacas não voam.

Termino este post como terminei o post de 2017: Deixo então a questão aos leitores: está Portugal melhor preparado para enfrentar os desafios e os choques do futuro hoje do que estava antes do governo de António Costa tomar posse no final de 2015?   
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« Responder #9 em: Março 30, 2020, 02:51:59 pm »
Agora não interessa, até porque o desastre é tão grande que mesmo com uma politica "avisada" na última legislatura iria tudo para o caraX§@... talvez se conseguisse resistir melhor com uma politica decente desde o tempo do Guterres. Mas é bom não esquecer (ver ligações "aqui" e "fonte" no original):

Resumindo, a geringonça durante o tempo das “vacas gordas” deixou um estado mais pesado, menos eficiente e com uma despesa fixa grande ao mesmo tempo que deixou o país menos competitivo e menos preparado para enfrentar uma crise. Portugal nos últimos vinte anos tem sido sistematicamente ultrapassado por outros países que começaram de um ponto partida mais baixo –  Eslovénia em 2002; República Checa em 2007; Malta em 2010; Eslováquia em 2012; Estónia em 2014; Lituância em 2017; e Polónia em 2020 (fonte  e fonte). A verdade é que as vacas não voam.

Termino este post como terminei o post de 2017: Deixo então a questão aos leitores: está Portugal melhor preparado para enfrentar os desafios e os choques do futuro hoje do que estava antes do governo de António Costa tomar posse no final de 2015?   

Claramente que não estamos! Em inúmeros posts deixei a minha opinião de que este governo mente descaradamente em tudo o que diz! Primeiro quando afirma do alto da sua burrice que a austeridade tinha acabado! Quando na realidade tinha mudado de nome que se chamam cativações!

Depois atirou a culpa para o governo de Passos e esqueceu-se do governo criminoso de Sócrates, onde o Costa aldrabão era o nº 2 do governo.

De seguida passou a distribuir migalhas pela clientela, baixa do IVA na restauração (um disparate), comprometeu-se com o aumento do salário mínimo, com dinheiro que não é dele nem do estado e ..... agora é que vai ser bonito!

Sem o apoio dos "coronabonds", o impacto na nossa economia vai ser brutal, maior do que o tempo da troika, não tenho a menor dúvida. E não estamos nada preparados para o que aí vem. Por isso tenho fé na aceitação alemã aos "coronabonds" mas só para ultrapassarmos esta crise.

Em relação ao Costa, eu não vejo esta geringonça fazer grande coisa pelas empresas que tanto desprezam e maltratam.
 
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Re: "CORONABONDS"
« Responder #10 em: Março 31, 2020, 06:23:02 pm »

Ministro das finanças holandês recua e admite que declarações revelaram "pouca compaixão"
Ministro das Finanças holandês recua nas declarações sobre ajuda europeia aos países mais afetados. Hoekstra admite ter revelado "pouca compaixão" mas mantém-se irredutível nas coronabonds.

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Foi o caso que marcou a semana passada: o ministro das Finanças holandês sugeriu que se fizesse uma investigação a Espanha depois de Madrid ter afirmado que não tinha margem orçamental para responder à crise provocada pelo novo coronavírus sem o apoio financeiro da União Europeia e António Costa saiu em defesa dos países mais afetados pela epidemia. “Esse discurso é repugnante”, começou por dizer o primeiro-ministro português, referindo-se às declarações de Wopke Hoekstra, ditas à porta fechada, numa reunião do Eurogrupo.

Foi o início de uma espécie de incidente diplomático entre os estados-membros da UE que não aceitam compartilhar esforços na emissão de dívida conjunta para ajudar os países mais afetados e os estados-membros da UE que acreditam que, sem esse esforço comum numa altura como esta, o projeto europeu não faz sentido.

Esta terça-feira, contudo, o ministro das Finanças holandês deu um passo atrás. Numa entrevista à RTL, citada pela agência de notícias Reuters, Wopke Hoekstra admitiu que a sua declaração pode ter revelado “pouca compaixão” pelos países que estão a ser devastados pela crise sanitária, mostrando compreender que o que ele e o primeiro-ministro Mark Rutte disseram na semana passada possa ter sido “mal recebido”.

Em todo o caso, Hoekstra mantém-se irredutível no que diz respeito à emissão de dívida conjunta, as chamas coronabonds: “Sobre as coronabonds, ou eurobonds, como quiserem chamar, isso não é prudente. É uma solução para um problema que não existe neste momento”, disse na mesma entrevista.

Coisa diferente é usar o Mecanismo Europeu de Estabilidade sem condições durante as negociações sobre a atual crise. Nesse campo, o ministro holandês dá um passo atrás e afirma agora que os Países Baixos estão dispostos a contribuir com “mais do que a parcela que nos diz respeito” para um novo bolo financeiro que se pode traduzir numa espécie de plano Marshall europeu para ajudar os países afetados a suportar esta crise.

No seio do governo holandês, também as declarações pouco solidárias do primeiro-ministro e do ministro das Finanças revelaram ser pouco unânimes. Segundo o Financial Times, dois líderes da coligação que governa os Países Baixos já se demarcam, com o líder da União Cristã (CU), Gert-Jan Segers, a apelar mesmo a um “Plano Marshall” para o sul da Europa, e Rob Jetten, dos liberais do D66, a exortar o país a mostrar solidariedade com os seus parceiros da União Europeia.

Isto está mau para as Eurobonds:
"Coronabonds" levariam até três anos a montar, diz presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade Klaus Regling, presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, lança "balde de água fria" sobre aqueles que veem a emissão conjunta de dívida na zona euro como uma solução urgente para a crise.
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Re: "CORONABONDS"
« Responder #11 em: Março 31, 2020, 11:01:00 pm »
Isto está mau para as Eurobonds:
"Coronabonds" levariam até três anos a montar, diz presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade Klaus Regling, presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, lança "balde de água fria" sobre aqueles que veem a emissão conjunta de dívida na zona euro como uma solução urgente para a crise.

Não é fácil, mas eu recordo-me do Regling também colocar muitas reservas à compra de dívida dos estados pelo BCE, que violava os tratados, etc..... mas a verdade é que o Super Mário levantou um enorme muro contra os especuladores e se até nós não caímos novamente como a Grécia (3 resgates com perdões de dívida pelo meio), podemos agradecer ao Super Mário que conseguiu congelar os juros e despejar euros como se não houvesse amanhã!

Eu vejo muito mais abertura dos alemães, porque são eles agora que estão em apuros. O Deutsche Bank está prestes a afundar-se!!!! E não é o único em apuros. O caso do DB deve-se em parte quando decidiu abandonar os brandos costumes alemães de gestão e decidiram contratar uma pessoa sem escrúpulos para a liderança (o Ackermann..... por coincidência um banqueiro..... Suiço.... imagino quando alguém começar a escavar os buracos da banca Suiça!!!!). Os americanos não perdoaram as vigarices do DB em solo americano (alemães a fazerem vigarices? na......), multa de mais de 7 mil milhões de dólares!!!!!! Nos últimos 16 anos, o DB teve prejuízos de 20 mil milhões de euros!!!!!! E a Merkl já afirmou várias vezes que não vai salvar o banco!!!! Só o prejuízo de 2019 foram só..... 5,2 mil milhões de euros!!!! Os states estão ainda a investigar mais uma fraude que o banco terá cometido com um fundo Malaio de mais de mil milhões...... 90 000 trabalhadores em riscco!

A realidade neste momento é esta, os bancos alemães lutam neste momento para sobreviverem. Não sofreram a desintoxicação que por exemplo sofreram os nossos bancos. O que é mais cómico neste momento, é que a UE obrigou os bancos portugueses a acumularem reservas para prepararem os bancos para uma nova crise e a limparem completamente os esqueletos do balanço (limparem os incobráveis, a dívida que não conseguem cobrar), com isso os nossos bancos por incrível que pareça, estão muito melhores que os alemães, tanto assim é que muitos deles têem parados no BCE milhares de milhões de euros a ganhar pó (já referi aqui isso, o BCP tem mais de 7 mil milhões sem saber o que fazer, para não ter mais incobráveis)..... irónico! Agora chegou a vez da Alemanha ou deixa caír os bancos (nos EUA também íam fazer isso, mas viram os buracos que provocavam as quedas dos bancos.......eram gigantescos) ou abre os cordões à bolsa!!!!! E tenho a certeza que é pelo seu sector bancário, frágil neste momento, que os alemães ponderam avançar com os coronabonds! Porque as empresas alemãs podem não ter bancos suficientemente fortes para financiarem esta crise!

A ver vamos! Mas o coronavírus pode ter sido a machadada final do DB.
 
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LM

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #12 em: Abril 01, 2020, 06:26:43 pm »
Pandemia. UE prepara 80 a 100 mil milhões para atacar desemprego

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A Comissão Europeia tem um plano para promover a manutenção dos postos de trabalho durante a crise, podendo disponibilizar até 100 mil milhões de euros — o equivalente a metade do PIB português.

O plano para salvar empregos na UE, que está a ser trabalhado pela Comissão Europeia, deverá ter disponível entre 80 a 100 mil milhões de euros — o equivalente a metade do que Portugal produz num ano — para emprestar aos governos que vejam o desemprego disparar por causa da pandemia. Os números são avançados pelos jornais El País e Financial Times, que citam fontes comunitárias.

A medida foi apresentada esta quarta-feira pela presidente da Comissão Europeia, através de um vídeo, mas sem referir valores nem dar grandes detalhes. Ursula von der Leyen explicou que este pacote de ajudas, apelidado de SURE (o que significa certo, seguro ou confiante em inglês), pretende “ajudar Itália, Espanha e todos os outros países que estão a ser duramente atingidos” pela pandemia, servindo como alternativa aos “lay off”. As empresas “não devem suspender os contratos dos seus funcionários, devem continuar a empregá-los, mesmo com menos trabalho”, diz Von der Leyen

“Durante esse período, os trabalhadores podem, por exemplo, obter novas competências que beneficiarão a empresa e a si mesmos”, sugeriu presidente da Comissão Europeia. Dessa forma, “mais trabalhadores vão permanecer nos seus empregos durante a crise do coronavírus e vão voltar a ter trabalho permanente assim que o bloqueio termine” e a economia comece a recuperar. Esta medida, aliás, terá “um impacto positivo na economia”, garante Ursula von der Leyen.
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FoxTroop

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #13 em: Abril 02, 2020, 08:21:57 pm »
Pandemia. UE prepara 80 a 100 mil milhões para atacar desemprego



Não creio que chegue nem de longe. Tal como num incêndio, a primeira intervenção é determinante. Com a desculpa de não "magoar", não se actuou logo com toda a força e não foram tomadas medidas que eram criticas. Agora em vez de controlar o vírus, estamos na reacção, sempre um passo atrás. E o "fogo" vai lavrar por muito mais tempo e com muitos mais danos do que aquilo que se quis evitar.
 

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Daniel

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #14 em: Abril 08, 2020, 02:42:25 pm »
Holanda e Alemanha mantêm posição desfavorável a 'coronabonds'
https://24.sapo.pt/economia/artigos/holanda-e-alemanha-mantem-posicao-desfavoravel-a-coronabonds

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O ministro holandês das Finanças, Wopke Hoekstra, considerou esta quarta-feira que os "coronabonds", um instrumento de dívida coletiva, provocariam mais problemas do que soluções para alavancar a economia a longo prazo, depois de a crise provocada pela pandemia passar."A Holanda era e é contra a ideia dos eurobonds [ou coronabonds]. Achamos que criará mais problemas do que soluções para a União Europeia", escreveu Wopke Hoekstra, ministro das Finanças holandês, na rede social Twitter.

A mensagem foi publicada depois do fracasso dos ministros europeus das Finanças em conseguirem chegar a um acordo em relação a uma resposta económica comum para a crise atual, após uma noite de negociações.


O ministro holandês reiterou a posição do seu país sobre o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE).

"O MEDE é o credor, ao qual se deve recorrer em último lugar, quando os países estão em grandes dificuldades financeiras. Na nossa opinião, o seu uso deve estar associado a certas condições", acrescentou.

Os países mais afetados pelo coronavírus - principalmente Itália e Espanha - continuam a pedir a criação de um instrumento de dívida compartilhada (os "coronabonds", ou "eurobonds") e apostam em recorrer ao MEDE sem condições.

A proposta consistiria em um fundo temporário de centenas de bilhões de euros ("3% do PIB europeu") para financiar os serviços públicos essenciais (saúde), os setores ameaçados (transporte, turismo) e novas tecnologias.

Nessa mesma linha, a Alemanha reforçou hoje a recusa à mutualização das dívidas na Europa.

A reativação da economia europeia é possível "com ferramentas muito clássicas" e já existentes como, "por exemplo, o orçamento da União Europeia", afirmou o ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz.

"Basta concentrarmo-nos nestas ferramentas", disse Scholz à imprensa, em resposta ao pedido dos países do sul para que se use os "coronabonds".

Scholz disse, porém, estar "otimista" em relação às possibilidades de alcançar rapidamente um acordo unânime entre todos os países da zona euro para responder ao impacto económico da pandemia que assolou a Europa nas últimas semanas.

A mutualização da dívida é um limite que países como Alemanha e Holanda não desejam cruzar. Não querem se comprometer com um empréstimo comum aos países muito endividados do sul, os quais acusam de certa leniência na sua gestão da crise.

O fracasso da reunião de ministros das Finanças dos países da zona euro reflete, mais uma vez, as divisões no continente para se chegar a uma resposta conjunta. Uma cúpula de chefes de Estado e de governo realizada em 26 de março também não teve resultado.

Vai ser difícil para não dizer quase impossível, os Italianos e espanhóis vão ter de suar a camisola, o Antoninho também.
A Vida é um teste e uma incumbência de  confiança.