"CORONABONDS"

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #15 em: Abril 10, 2020, 12:53:49 am »
Bem, parece que por enquanto está fora de hipótese a existência dos coronabonds. O que existe para já é isto:

BCE: (https://www.ecb.europa.eu/press/blog/date/2020/html/ecb.blog200409~3aa2815720.pt.html)
- cedência de liquidez de 3 biliões de euros, com taxa negativa (aos bancos);
- pandemic emergency purchase programme – PEPP, com 1 bilião de euros (compra de dívida pública para baixar artificialmente os juros cobrados a cada país)

BEI:
- Financia em 200 mil milhões de euros as empresas (Programa SURE). Se considerarmos que existem mais de 23 milhões de empresas na UE, dá menos de 9 000€ para cada uma!!!!!!!;

Comissão Europeia: (https://www.adcoesao.pt/content/covid-19-10-medidas-da-uniao-europeia-para-lutar-contra-pandemia)
- Quase sem poderes para combater esta Pandemia, disponibiliza equipamentos e várias dezenas de milhares de milhões de euros

Eurogrupo: (https://24.sapo.pt/economia/artigos/eurogrupo-chega-a-acordo-sobre-pacote-de-resposta-falta-saberem-se-as-medidas)
- Empréstimo imediato e sem condições, aos estados, de 500 mil milhões de euros, mas apenas destinados ao combate directo do COVID-19, com funcionamento semelhante ao MEE (Mecanismo Europeu de Estabilidade)

Então mas o Centeno esqueceu-se da economia? Conseguiu o dinheiro para comprar para os hospitais, as zaragatoas, o álcool, os reagentes, as protecções, os ventiladores….. mas….. e o dinheiro para financiar a economia?
Como é que vai ser combatido o desemprego?
Como é que vão ser mantidas as empresas para lá da pandemia?
O estado está preparado para uma quebra brusca de receitas (impostos)?
« Última modificação: Abril 10, 2020, 01:00:08 am por Viajante »
 
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Re: "CORONABONDS"
« Responder #16 em: Abril 10, 2020, 02:06:46 am »
Miguel Poiares Maduro no FB:

Citar
Anyone that knows reasonably well the EU knows there’s nothing really new on what was agreed by the Euro Group (with exception of Sure - proposed last week by the Commission - with several limits). It’s the usual small steps and gradualist approach.
At least, there are two paragraphs that don’t decide anything but leave the door open for the European Council to be bolder and in the direction I’ve been arguing for:

9. Recovery Fund. In this context, we also agreed to work on a Recovery Fund to prepare and support the recovery, providing funding through the EU budget to programmes designed to kick-start the economy in line with European priorities and ensuring EU solidarity with the most affected member states. Such a fund would be temporary, targeted and commensurate with the extraordinary costs of the current crisis and help spread them over time through appropriate financing. Subject to guidance from Leaders, discussions on the legal and practical aspects of such a fund, including its relation to the EU budget, its sources of financing and on innovative financial instruments, consistent with EU Treaties, will prepare the ground for a decision
20. Upcoming MFF. The next EU Multiannual Financial Framework (MFF) will play a central role in the economic recovery. It will have to reflect the impact of this crisis and the size of the challenges ahead, by setting the right priorities, to allow Member States to effectively address the fallout of the coronavirus crisis, to support the economic recovery, and ensure that cohesion within the Union is maintained through solidarity, fairness and responsibility. We welcome the Commission’s intention to adapt its MFF proposal to reflect the new situation and outlook.

Let’s see if our leaders can do something meaningful out of these two paragraphs. 
Quidquid latine dictum sit, altum videtur
 
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Re: "CORONABONDS"
« Responder #17 em: Abril 10, 2020, 12:20:31 pm »
Miguel Poiares Maduro no FB:

Citar
Anyone that knows reasonably well the EU knows there’s nothing really new on what was agreed by the Euro Group (with exception of Sure - proposed last week by the Commission - with several limits). It’s the usual small steps and gradualist approach.
At least, there are two paragraphs that don’t decide anything but leave the door open for the European Council to be bolder and in the direction I’ve been arguing for:

9. Recovery Fund. In this context, we also agreed to work on a Recovery Fund to prepare and support the recovery, providing funding through the EU budget to programmes designed to kick-start the economy in line with European priorities and ensuring EU solidarity with the most affected member states. Such a fund would be temporary, targeted and commensurate with the extraordinary costs of the current crisis and help spread them over time through appropriate financing. Subject to guidance from Leaders, discussions on the legal and practical aspects of such a fund, including its relation to the EU budget, its sources of financing and on innovative financial instruments, consistent with EU Treaties, will prepare the ground for a decision
20. Upcoming MFF. The next EU Multiannual Financial Framework (MFF) will play a central role in the economic recovery. It will have to reflect the impact of this crisis and the size of the challenges ahead, by setting the right priorities, to allow Member States to effectively address the fallout of the coronavirus crisis, to support the economic recovery, and ensure that cohesion within the Union is maintained through solidarity, fairness and responsibility. We welcome the Commission’s intention to adapt its MFF proposal to reflect the new situation and outlook.

Let’s see if our leaders can do something meaningful out of these two paragraphs. 

A UE está a reagir a conta-gotas, também não é fácil obter unanimidade entre 27 países.

A Alemanha conseguiu travar os coronabonds ou eurobonds (sentido mais amplo), mas se as coisas correrem mal, especialmente na Alemanha, vão ter de abrir os cordões à bolsa!

Porque é preciso recordar que as fronteiras estão fechadas e só circulam mercadorias essenciais (BMW, Mercedes, VW não são produtos essenciais....)
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #18 em: Abril 10, 2020, 03:14:46 pm »
A Alemanha, assim como Áustria e Finlândia, não está contra as "Coronabonds". O único país que é completamente contra é a Holanda.

O que os alemães queriam e acabaram por levar a deles avante, era que antes de se tratar de criar essa figura, se use primeiro todos os mecanismos já existentes, sendo que as "coronabonds" virão caso o resto falhe. Essa também é a opinião da Áustria e da Finlândia.

O cisma nisto é que os italianos, franceses e espanhóis, aceitavam essa abordagem alemã desde que isso não implicasse pré-condições enquanto os holandeses estavam isolados na birra de "castigar" os países que recorressem aos mecanismos europeus como se de desvairo e descontrole de contas publicas se tratasse.
 
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Re: "CORONABONDS"
« Responder #19 em: Abril 10, 2020, 03:37:31 pm »
A Alemanha, assim como Áustria e Finlândia, não está contra as "Coronabonds". O único país que é completamente contra é a Holanda.

O que os alemães queriam e acabaram por levar a deles avante, era que antes de se tratar de criar essa figura, se use primeiro todos os mecanismos já existentes, sendo que as "coronabonds" virão caso o resto falhe. Essa também é a opinião da Áustria e da Finlândia.

O cisma nisto é que os italianos, franceses e espanhóis, aceitavam essa abordagem alemã desde que isso não implicasse pré-condições enquanto os holandeses estavam isolados na birra de "castigar" os países que recorressem aos mecanismos europeus como se de desvairo e descontrole de contas publicas se tratasse.

Sim, mas o grande objectivo alemão foi conseguido. O núcleo duro alemão (admito que a Merkl tem mais abertura às coronabonds), liderado por um político do SPD, o Ministro das Finanças alemão, nem quer ouvir falar das coronabonds.

A possibilidade de criação de coronabonds nem sequer é referida, apenas referem que vão ser estudadas novas novidades de financiamento.

O problema do sobre-endividamento dos países do sul não é resolvido, antes pelo contrário, vai continuar a subir, enquanto não existir um mecanismo supranacional de crédito (BCE emitir dívida titularizada por todos).

E este último passo pode nem nunca chegar a acontecer, porque como referi, depende se a Alemanha também vá precisar ou não do instrumento!
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #20 em: Abril 11, 2020, 10:28:17 am »
Pessoal,

Se Portugal pedir dinheiro através da actual proposta, é bom que comecem a poupar, pois até ao final do ano haverá outra cride das dividas soberanas.
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #21 em: Abril 11, 2020, 03:29:56 pm »
Pessoal,

Se Portugal pedir dinheiro através da actual proposta, é bom que comecem a poupar, pois até ao final do ano haverá outra cride das dividas soberanas.

A grande crítica feita aos 500 mil milhões de euros enunciados pelo eurogrupo é precisamente o facto de contar para o endividamento, tal e qual como agora quando um país recorre a um leilão de dívida! Ao contrário dos coronabonds ou eurobonds, na qual a dívida passava para o BCE!!!!

A crise é inevitável, os países vão ter de se endividarem mais para combaterem a crise económica, em simultãneo a riqueza do país cai e por consequência as receitas do estado também vão caír bastante.......

Talvez seja altura de olhar para os arrogantes dos Holandeses, uma das offshore da Europa, e repatriar as SGPS para Portugal, pagando a mesma taxa que na Holanda!!!!! (As SGPS servem de empresa mãe que agrega os dividendos de cada empresa e evitam os impostos pesados dos estados como o nosso. Por exemplo, o Continente, a Auchan..... pagam o IRC em Portugal do lucro obtido, por exemplo 100 milhões de euros de lucro pagam 21% de IRC ao estado, mas a diferença surge quando a SGPS distribui o lucro aos donos. Enquanto por cá, todo o lucro distribuído paga ou 28% de IRS ou a taxa intermédia do englobamento dos rendimentos, na Holanda, desde que detenham pelo menos 5% do capital, não pagam absolutamente nada!!!!)
 

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miguelbud

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #22 em: Abril 11, 2020, 08:54:48 pm »
Pessoal,

Se Portugal pedir dinheiro através da actual proposta, é bom que comecem a poupar, pois até ao final do ano haverá outra cride das dividas soberanas.

A grande crítica feita aos 500 mil milhões de euros enunciados pelo eurogrupo é precisamente o facto de contar para o endividamento, tal e qual como agora quando um país recorre a um leilão de dívida! Ao contrário dos coronabonds ou eurobonds, na qual a dívida passava para o BCE!!!!

A crise é inevitável, os países vão ter de se endividarem mais para combaterem a crise económica, em simultãneo a riqueza do país cai e por consequência as receitas do estado também vão caír bastante.......

Talvez seja altura de olhar para os arrogantes dos Holandeses, uma das offshore da Europa, e repatriar as SGPS para Portugal, pagando a mesma taxa que na Holanda!!!!! (As SGPS servem de empresa mãe que agrega os dividendos de cada empresa e evitam os impostos pesados dos estados como o nosso. Por exemplo, o Continente, a Auchan..... pagam o IRC em Portugal do lucro obtido, por exemplo 100 milhões de euros de lucro pagam 21% de IRC ao estado, mas a diferença surge quando a SGPS distribui o lucro aos donos. Enquanto por cá, todo o lucro distribuído paga ou 28% de IRS ou a taxa intermédia do englobamento dos rendimentos, na Holanda, desde que detenham pelo menos 5% do capital, não pagam absolutamente nada!!!!)

Exactamente, esta proposta nao é nada mais do que o DeLorean do filme "Regresso ao Futuro" sintonizado para recuar 10 anos no tempo. Os 2 países mais fustigados pelo Coronavirus sao a Espanha e a Italia, que já estao bastante endividados e vao-lhes meter mais dívida. Sendo estas 2 das maiores economias da zona Euro, daqui a um ano voltamos á discussao de salvar o euro. E aí sim, hou há coronobonds, ou o euro e consequentemente a UE acaba.

2 curiosidades para os mais desatentos:

1) Os países mais prejudicados com este sistema offshore holandes sao precisamente a Espanha e a Italia   :bang:

2) Logo a seguir ao acordo comercial que o Trumpo fez com a China, ele disse que ia tratar da Europa. E o Eurogrupo entrega-lhes a cabebeça da UE numa bandeja de platina. Com as principais agencias de rating e mercados de capital concentrados nos EUA, vai-se ver os downgrades dos estados soberanos em mais de um nivel de um dia para o outro. Lembram-se da anedota dos "deixa-os pousar", neste caso vai ser: "deixa-os endividarem-se".

No caso Portugues desta vez nem teremos o turismo para nos salvar, por isso arrisco mesmo dizer que será uma viajem no tempo até aos anos 80.
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #23 em: Abril 11, 2020, 10:42:24 pm »

A grande crítica feita aos 500 mil milhões de euros enunciados pelo eurogrupo é precisamente o facto de contar para o endividamento, tal e qual como agora quando um país recorre a um leilão de dívida! Ao contrário dos coronabonds ou eurobonds, na qual a dívida passava para o BCE!!!!


Caro Viajante, há uma parte que nunca percebi ou se calhar não é para ser percebida. Os accionistas do BCE são os Estados membros. Quem é que garante que não haverá consolidação dessas posições pelos Estados Membros? Aliás, se os Coronabonds forem para ser pagos pelos EM, faz todos o sentido a consolidação da divida.

A questão é que há paises que não fazem intenção nenhuma de pagar e dai a questão dos Coronabonds. Pois a partir do momento que forem emitidos pelo BCE, estão um caminho mais perto da Senhoriagem que tanto sonham e razão pela qual uns posts acima falei de desta, pq há muito se percebeu do que se anda atrás.

Isto sem falar das implicações que teria a nível de politicas fiscais, ou melhor, a perda de poder de politicas fiscais, pq não existem almoços grátis. E achar que não haverá "mas" incluidos nos Coronabonds é, na minha opinião, inocência. 
« Última modificação: Abril 11, 2020, 10:42:48 pm por ocastilho »
"Se servistes à pátria, que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma."
 

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miguelbud

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #24 em: Abril 11, 2020, 11:51:45 pm »

A grande crítica feita aos 500 mil milhões de euros enunciados pelo eurogrupo é precisamente o facto de contar para o endividamento, tal e qual como agora quando um país recorre a um leilão de dívida! Ao contrário dos coronabonds ou eurobonds, na qual a dívida passava para o BCE!!!!


Caro Viajante, há uma parte que nunca percebi ou se calhar não é para ser percebida. Os accionistas do BCE são os Estados membros. Quem é que garante que não haverá consolidação dessas posições pelos Estados Membros? Aliás, se os Coronabonds forem para ser pagos pelos EM, faz todos o sentido a consolidação da divida.

A questão é que há paises que não fazem intenção nenhuma de pagar e dai a questão dos Coronabonds. Pois a partir do momento que forem emitidos pelo BCE, estão um caminho mais perto da Senhoriagem que tanto sonham e razão pela qual uns posts acima falei de desta, pq há muito se percebeu do que se anda atrás.

Isto sem falar das implicações que teria a nível de politicas fiscais, ou melhor, a perda de poder de politicas fiscais, pq não existem almoços grátis. E achar que não haverá "mas" incluidos nos Coronabonds é, na minha opinião, inocência.
Caso nao seja paga, aí os estados membros poderao "castigar" quem nao paga através de interdiçao a fundo comunitarios ou acesso a emprestimos do BEI. No entanto isto é apenas um exercício de especulaçao, pois ninguém sabe ao certo o que aconteceria se alguém se armasse em caloteiro, uma vez que isso nem chegou a ser discutido.

Quanto ao impacto nas políticas fiscais de cada estado, aí sim seria de facto o grande passo para os EUE (Estados Unidos da Europa) e nenhum governante europeu estaria de acordo com isso.
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #25 em: Abril 12, 2020, 12:36:08 am »

A grande crítica feita aos 500 mil milhões de euros enunciados pelo eurogrupo é precisamente o facto de contar para o endividamento, tal e qual como agora quando um país recorre a um leilão de dívida! Ao contrário dos coronabonds ou eurobonds, na qual a dívida passava para o BCE!!!!


Caro Viajante, há uma parte que nunca percebi ou se calhar não é para ser percebida. Os accionistas do BCE são os Estados membros. Quem é que garante que não haverá consolidação dessas posições pelos Estados Membros? Aliás, se os Coronabonds forem para ser pagos pelos EM, faz todos o sentido a consolidação da divida.

A questão é que há paises que não fazem intenção nenhuma de pagar e dai a questão dos Coronabonds. Pois a partir do momento que forem emitidos pelo BCE, estão um caminho mais perto da Senhoriagem que tanto sonham e razão pela qual uns posts acima falei de desta, pq há muito se percebeu do que se anda atrás.

Isto sem falar das implicações que teria a nível de politicas fiscais, ou melhor, a perda de poder de politicas fiscais, pq não existem almoços grátis. E achar que não haverá "mas" incluidos nos Coronabonds é, na minha opinião, inocência.

Quando criei este tópico, coloquei propositadamente o nome coronabonds! Ou seja, acredito que se estes eurobonds algum dia virem a luz do dia, a emissão será limitada no tempo e só para resolver esta crise, resumido numa grande emissão de dívida pelo BCE com o aval de todos os países. E só serão aceites, porque a crise afecta toda a UE e o mundo, independentemente das finanças individuais de cada país.

A grande diferença entre os instrumentos actuais e os coronabonds/eurobonds é o titular da dívida. Enquanto os instrumentos de linhas de crédito actuais, alocam a dívida directamente a quem solicitar tal empréstimo, os coronabonds/eurobonds não são imputados directamente a nenhum país, logo tecnicamente o seu endividamento não aumenta, aumenta sim é o risco da UE como um todo (mas não existem especuladores para medirem forças com o BCE, que já mostrou que é muito poderoso.

Vou explicar por outras palavras, para simplificar, imagine que os países são os accionistas da empresa que se chama BCE, este pode endividar-se à vontade que a responsabilidade das dívidas ficam na empresa (BCE), no máximo o accionista (países) só perde o capital que já injectou no início da criação do euro. Ao contrário, se os accionistas (países) endividarem-se individualmente, respondem pelas suas dívidas, mais ninguém!

Para além de não contar para endividamento, ainda existe uma enorme vantagem do BCE em relação aos países que fazem parte do Euro, estes últimos não podem emitir moeda, mas o BCE pode emitir teoricamente sem limite (o legionário fez uma referência que é em parte verdade, é dinheiro "falso" que faz crescer artificialmente a economia). O reverso da medalha, é que com a emissão de muita moeda, esta desvaloriza, prejudicando bastante quem mais poupa. E é por este último aspecto que os alemães são muito renitentes. Depois existe um velho fantasma da hiperinflação, que os alemães sentiram na pele nos anos 20 e que levou a um enorme desemprego e a subida de Hitler ao poder. Por esse motivo vemos que o BCE tem sempre 2 motivos de preocupação para controlar, a pedido expresso da Alemanha: o controlo da inflação (aumento dos preços) e o controlo das dívidas, para que o Euro seja uma moeda muito forte!

Voltando a traduzir por miúdos, imagine que a UE é uma família, que tem vários membros que ganham o salário mínimo, mas endividam-se como se não houvesse amanhã, para terem o novo Mercedes, TV de 100 polegadas e 100K de resolução!!! Depois há outros membros da família que ganham muito dinheiro e são uns forretas!!!! A emissão de dívida em conjunta, na prática faz com que os mais ricos fiquem menos ricos e os mais pobres fiquem mais remediados e menos endividados.

O problema aqui é como em tudo, convencer quem é rico que tem de abrir ainda mais os cordões à bolsa para dar aos mais pobres!
Acresce ainda um outro problema, ainda não resolveram o buraco dos 20 mil milhões de euros anuais para o orçamento comum da UE, pelo facto do UK ter saído!!!!!
« Última modificação: Abril 12, 2020, 12:41:29 am por Viajante »
 

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ocastilho

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #26 em: Abril 12, 2020, 01:08:04 am »
Quando criei este tópico, coloquei propositadamente o nome coronabonds! Ou seja, acredito que se estes eurobonds algum dia virem a luz do dia, a emissão será limitada no tempo e só para resolver esta crise, resumido numa grande emissão de dívida pelo BCE com o aval de todos os países. E só serão aceites, porque a crise afecta toda a UE e o mundo, independentemente das finanças individuais de cada país.

A grande diferença entre os instrumentos actuais e os coronabonds/eurobonds é o titular da dívida. Enquanto os instrumentos de linhas de crédito actuais, alocam a dívida directamente a quem solicitar tal empréstimo, os coronabonds/eurobonds não são imputados directamente a nenhum país, logo tecnicamente o seu endividamento não aumenta, aumenta sim é o risco da UE como um todo (mas não existem especuladores para medirem forças com o BCE, que já mostrou que é muito poderoso.

Vou explicar por outras palavras, para simplificar, imagine que os países são os accionistas da empresa que se chama BCE, este pode endividar-se à vontade que a responsabilidade das dívidas ficam na empresa (BCE), no máximo o accionista (países) só perde o capital que já injectou no início da criação do euro. Ao contrário, se os accionistas (países) endividarem-se individualmente, respondem pelas suas dívidas, mais ninguém!

Para além de não contar para endividamento, ainda existe uma enorme vantagem do BCE em relação aos países que fazem parte do Euro, estes últimos não podem emitir moeda, mas o BCE pode emitir teoricamente sem limite (o legionário fez uma referência que é em parte verdade, é dinheiro "falso" que faz crescer artificialmente a economia). O reverso da medalha, é que com a emissão de muita moeda, esta desvaloriza, prejudicando bastante quem mais poupa. E é por este último aspecto que os alemães são muito renitentes. Depois existe um velho fantasma da hiperinflação, que os alemães sentiram na pele nos anos 20 e que levou a um enorme desemprego e a subida de Hitler ao poder. Por esse motivo vemos que o BCE tem sempre 2 motivos de preocupação para controlar, a pedido expresso da Alemanha: o controlo da inflação (aumento dos preços) e o controlo das dívidas, para que o Euro seja uma moeda muito forte!

Voltando a traduzir por miúdos, imagine que a UE é uma família, que tem vários membros que ganham o salário mínimo, mas endividam-se como se não houvesse amanhã, para terem o novo Mercedes, TV de 100 polegadas e 100K de resolução!!! Depois há outros membros da família que ganham muito dinheiro e são uns forretas!!!! A emissão de dívida em conjunta, na prática faz com que os mais ricos fiquem menos ricos e os mais pobres fiquem mais remediados e menos endividados.



Caro Viajante, não podia discordar mais de si, ou pelo menos, parece-me que parte de premissas muito incertas (Não que tenha mal discordarmos, podemos é concordar em discordar).

Se não se importar, vou colocar por pontos as minha maiores discordâncias, penso que seja mais simples.

1) Assume que a emissão de obrigações pelo BCE não entra para o calculo da divida publica. Esta para mim é a afirmação mais "arrojada" . Por exemplo, as dividas das empresas públicas entram para o cálculo da divida pública. (A origem dos famosos contratos de locação dos EH101 resulta de até há bem "pouco" tempo isto não se passar e então era uma maneira de "fintar" o endividamento público).

2) O cenário que coloca de comparação com uma empresa de Responsabilidade Limitada não me parece correcto, pois não passa pela cabeça de ninguém deixar o BCE falir, portanto ou imprime mais dinheiro ou os EM pagam. Se é para os EM pagarem, não tenho duvidas nenhumas que tem de entrar para o endividamento público, simples. Ou a primeira hipótese, imprimir dinheiro, mas nessa parte concordo com a sua analise.

3) As nossas taxas de juros estão baixas, pq o BCE executou um programa fortíssimo para as "puxar" para baixo. Nós não passamos de bestas a bestiais assim num ápice. Aliás endividamento via os fundos Europeus, poderia até evitar termos de recorrer aos mercados e evitar que o BCE tivesse de actuar. 

Abraços e uma boa noite a todos.

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #27 em: Abril 12, 2020, 02:04:53 am »
É verdade Ocastilho, discordamos :)

Sobre a possível falência do BCE, obviamente está longe disso, ainda por cima pode emitir toneladas de euros sem limite...... mas e se alguns países abandonarem o Euro? Imagine um caso barato, o português, abandonamos o Euro (não desejo e julgo que está completamente fora de hipótese), o BCE tem mais de 36 mil milhões de dívida portuguesa no balanço e assim que saímos dizemos que não vamos pagar essa dívida (reestruturação), só aí provocamos um buraco de 36 mil milhões..... agora imagine a Itália com quase 400 mil milhões, a França com quase 450 mil milhões...... https://www.ecb.europa.eu/mopo/implement/omt/html/index.en.html

Ainda acha que o BCE não pode falir? Só é preciso começarem a saír países do euro e dizerem que não pagam a conta, que pague quem permanecer.......

Quanto à dívida dos coronabonds/eurobonds, é verdade que não se conhecem os pormenores daquilo que não existe, mas o que se sabe é que quem vai emitir a dívida é o BCE directamente ou um veículo qualquer criado para o efeito, semelhante ao MEE, os países serviriam como avalistas.
 

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Re: "CORONABONDS"
« Responder #28 em: Abril 12, 2020, 09:16:37 am »
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 
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« Responder #29 em: Abril 12, 2020, 10:30:55 am »
Nem sequer estou mais preocupado com isto. Os holandeses colocaram-se a eles mesmo num buraco que vai ser lindo de ver como vão sair.

Quando isto estiver sobre controlo vai ser tempo de "acertar contas" entre os "parceiros" e, principalmente franceses e italianos, estão a estuda-la bem. E os alemães sabem também o que aí vem e nisto cai o mais fraco.