https://eco.sapo.pt/2026/01/13/primeiro-carro-eletrico-portugues-vai-ser-vendido-em-lotes-de-dez-a-condominios-e-empresas/Primeiro carro elétrico português vai ser vendido em lotes de dez a condomínios e empresas
O carro foi concebido como um veículo “pequeno e acessível”, com apenas 2,5 metros de comprimento, “um design simples e funcional que permite ‘desapego’ pelo seu dono”, e com custo baixo.
O primeiro carro elétrico fabricado em Portugal, o BEN, vai ser vendido em lotes no mínimo de dez unidades a condomínios, empresas e operadores. Só numa segunda fase vai ser possível comprar em stands o pequeno carro concebido numa lógica de transporte partilhado, avançou ao ECO fonte oficial.
O BEN já tem luz verde para circular em toda a Europa, desde 18 de dezembro, e está orientado, “numa primeira fase, para uso de condomínios, bairros, empresas e operadores”, a que os promotores chamam “comunidades”, e “é para ser utilizado em combinação com outros BEN e meios de transporte que fazem parte do mesmo serviço”.
Assim, o veículo desenvolvido no CEiiA, em Matosinhos, “numa primeira fase, será vendido em lotes a partir das dez unidades para ser usado em serviços de mobilidade disponibilizados a partir de condomínios, empresas e operadores”. O carro deverá ser vendido a um preço a partir de oito mil euros.
Após esta fase, “está prevista a venda direta ao utilizador final em stands ou outros locais para ser usado na mesma lógica de otimização do número de horas de utilização em comunidades que são geradas pelos donos” destes veículos.
O BEN foi desenhado “a partir de um novo conceito de serviço de mobilidade que combina e integra a partilha da posse com a partilha do uso”. Por isso os promotores defendem que a compra de um BEN, ou conjunto deles, é “adquirir um serviço”. Ou seja, os membros da comunidade vão usar o número de horas disponíveis entre si e com outros utilizadores fora dessa comunidade, mas selecionados pelos seus membros”, explicou ao ECO fonte oficial do projeto.
Tal como as bicicletas e as trotinetes, o BEN foi “pensado para responder ao desafio de reduzir o número de carros nas cidades através do aumento do número de horas de utilização de forma combinada com outros meios de mobilidade e em função dos perfis de deslocação das pessoas no seu dia-a-dia”.
Os promotores explicam que o carro foi concebido como um veículo “pequeno e acessível”, com apenas 2,5 metros de comprimento, “um design simples e funcional que permite ‘desapego’ deste objeto pelo seu dono”, e com custo baixo.
O BEN é uma das principais concretizações da agenda mobilizadora Be.Neutral do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que se compromete a entregar 17 produtos, processos ou serviços até 2026, em troca de um apoio de 128,13 milhões de euros – uma revisão em baixa de 60,21 milhões de euros na sequência da reprogramação das agendas mobilizadoras.
Esta agenda é liderada pela NOS e envolve 40 parceiros, entre os quais o CEiiA e cidades do Norte de Portugal, com destaque para Guimarães, que será a capital verde europeia em 2026. E é precisamente o CeiiA que irá comercializar estes carros, através da BEN4US, a empresa criada com o objetivo de industrializar o BEN e disponibilizá-lo no mercado através dos serviços de mobilidade a ele associados.
O CEiiA é um centro de engenharia e desenvolvimento de produto que concebe novos produtos e serviços e constrói protótipos e pré-séries funcionais preparadas para serem depois industrializadas em escala em empresas. Trabalha em setores de elevada intensidade tecnológica, como o automóvel, mobilidade, aeronáutica e espaço.
Foi criado para potenciar a liderança e participação da indústria portuguesa em programas completos, desde a conceção e desenvolvimento até a industrialização e operação de novos produtos e serviços.
Questionada como seriam divididos os proveitos do carro, fonte oficial explicou que “o CEiiA detém a propriedade do BEN e outros parceiros envolvidos neste projeto, como o caso dos parceiros de I&D de sistemas, módulos e componentes, detêm cada um a propriedade correspondente aos desenvolvimentos para os quais contribuíram e serão, com certeza, fornecedores deste e-car na fase de industrialização, assegurando o seu retorno durante a fase de comercialização”.