Referendo – Sudão. A abertura de uma caixa de Pandora?

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Cunha

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Referendo – Sudão. A abertura de uma caixa de Pandora?
« em: Fevereiro 01, 2011, 09:00:32 pm »
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O QUE ACONTECERÁ COM O SUDÃO?

Alguns temem uma catástrofe, outros aclamam a "nova onda da independência"

Paul De Maeyer

ROMA, quinta-feira, 13 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - No domingo passado, o "grande dia" começou para o sul do Sudão, com a votação do referendo que poderia dar lugar à mais nova nação da África.

A votação vai decidir o futuro da região, mais ou menos do tamanho da França e Alemanha juntas. Os cerca de quatro milhões de pessoas que registraram seu voto deveriam decidir se queriam a independência do Sudão ou se preferiam permanecer unidos.

O referendo faz parte do Acordo de Paz Global assinado em 2005, entre o regime sudanês do presidente Omar al-Bashir e os rebeldes do People's Liberation Army Movement (SPLA/M). Para ser válido, o referendo deve atingir uma quota de 60% do total registrado. Embora a votação termine no sábado, o resultado final será anunciado um mês depois, em 6 de fevereiro (ou 14 do mesmo mês, se houver recurso).

Se os separatistas vencerem, a região se tornará o 54º estado na África em 9 de julho, exatamente seis anos após a entrada em vigor do acordo de paz que pôs fim a uma sangrenta guerra civil (com pelo menos 2 milhões de vítimas) entre os muçulmanos do norte e os animistas do sul, que eclodiu em 1959 e durou, após uma longa pausa entre os anos de 1972-1983, até 2005. Não se sabe ainda que nome terá o novo país, mas se destacam entre as possibilidades: Novo Sudão, República do Nilo e inclusive Kush (ou Cuch, mencionado na Bíblia). Juba seria a capital.

Preparados?

Todos concordam em que o maior desafio começará após a provável independência. A questão é saber se "o sul do Sudão está realmente pronto para a independência". O site da BBC respondeu, em 4 de janeiro, em "Perguntas e Respostas": "Para ser brutalmente honesto, não". "Após décadas de guerra, no sul do Sudão falta tudo". "Depois que a euforia da independência passar, eles vão enfrentar a dura realidade dos milhares e milhares de sudaneses que voltarão para o sul e não terão nada", disse o bispo de El Obeid, Dom Macram Max Gassis, à Fides no sábado. "Não há escolas, hospitais, lares, nem sequer água potável", continuou o prelado, que teme a catástrofe humanitária que ocorreria se todos os do sul do Sudão, cerca de 4 milhões apenas na área de Cartum, decidirem voltar a esta região.

De acordo com o Sudan Household Health 2006, em algumas áreas da região, a mortalidade infantil durante o primeiro ano de vida ultrapassa os 110 óbitos por mil nascidos vivos. Para efeito de comparação, na Itália essa porcentagem foi de 3,4 óbitos (dados Istat) em 2006. Outro perigo que ameaça o futuro de Juba é o espectro de novos conflitos armados, especialmente em áreas que têm petróleo.

O petróleo é realmente a chave para entender o referendo. Graças aos investimentos da China (Pequim não só construiu estradas, assim como o Grande Gasoduto do Nilo, que começa no estado do sul Unity, em árabe chamado Al-Wada), o Sudão se tornou o terceiro maior produtor de petróleo da África, depois de Nigéria e Angola. O problema em Cartum é muito simples: as maiores áreas produtoras de petróleo estão concentradas no sul e, no caso de independência, o norte perderia o controle dos poços e, portanto, o controle da produção. Mas o sul também tem o seu próprio problema com o petróleo; precisa da infraestrutura do norte e do oleoduto fabricado na China para ser capaz de exportar o ouro negro.

Confirmam esses temores as notícias que chegam da disputada região de Abyei, que fica entre o norte e o sul, uma região rica em petróleo e água. Como noticiado pela Reuters, pelo menos 36 pessoas morreram em confrontos entre nômades árabes e fazendeiros, procurando pasto e água, coincidindo a violência com o referendo. Enquanto isso, outros ataques ocorreram no estado de Unity, na fronteira com estados como Kordofan Sul (que pertence ao norte) e com Bahr el-Ghazal Norte (Área Sul), segundo a Reuters.

Abyei é uma espécie de microcosmo de conflitos que vêm ocorrendo há décadas no Sudão: uma mistura explosiva de tensões étnicas, fronteiras ambíguas, petróleo e rivalidades antigas. Dirigentes do Sudanese Dinka Ngok, grupo étnico do sul, têm acusado abertamente o regime de Cartum de fornecer armas e equipamento militar para o grupo Misseriya Arab, militantes na região de Abyei, um grupo que também goza de um status especial e que atualmente está dirigido por uma representação mista, entre oficiais do SPLA/M e do National Congress Party.

Muito vai depender do presidente Bashir, que garantiu respeitar o resultado do referendo, embora ele esteja convencido de que Juba "é incapaz de sustentar seus cidadãos, ou formar um Estado ou governo" (Al Jazeehra, 8 de janeiro). Bashir tem sobre a cabeça um mandado de prisão emitido pelo International Criminal Court, por crimes contra a humanidade em Darfur. Suas promessas sobre os referendos não têm convencido os observadores, que temem o uso da velha tática de guerra "por vicários". Em uma manchete publicada no sábado passado pelo New York Times, o presidente dos EUA, Barack Obama, advertiu que "sob nenhuma circunstância, nenhum dos lados deveria usar as forças "vicárias" em um esforço para ganhar vantagem, enquanto aguardamos o resultado final".

Uma coisa é certa: O referendo não agrada Cartum. Para o ex-presidente sudanês, Sadiq al-Mahdi, líder na década de 80 de um dos grupos mais brutais da guerra civil, o referendo abre uma caixa de Pandora, porque elimina os limites do período colonial. O New York Times sugeriu o mesmo. Além disso, especialistas internacionais, como Phil Clark, da School of Oriental and African Studies de Londres, temem o efeito dominó. "A África não precisa de um novo mapa", disse Clark, segundo o New York Times.

No entanto, para o Pe. Sean O'Leary, diretor do Denis Hurley Peace Institute, com sede em Pretória (África do Sul), o referendo sudanês é um novo começo para todo o continente. "Essa votação é importante, não só para o povo do sul do Sudão, mas também é um potencial ponto de partida para reescrever as diversas fronteiras artificiais criadas na África durante a Conferência de Berlim de 1884-85", disse à Fides na sexta-feira. "Vemos o início de uma nova onda de independência. Como na África do Sul, em 1994, estamos testemunhando o nascimento de uma nova nação."

http://www.zenit.org/article-26974?l=portuguese

Fruto dos vários processos de descolonização das potências europeias, vários países surgiram essencialmente em África, América e também na Ásia, mas respeitando sempre o princípio conhecido no jargão da diplomacia como “uti possidetis”, traduzido dá “ o que possuías, continuaras a possuir”, mantendo assim as linhas politicas traçadas pelas potencias colonizadoras.

 Com isto, e com um acordo de cavalheiros entre as potências colonizadoras proibiu-se subdivisões, evitando-se assim que cada um dos grupos étnicos agrupados em alguns países criados pelas potências europeias criasse o seu próprio Estado (uma verdadeira receita para o caos).
Contudo, especialmente em África surgiram conflitos violentos, suportados por movimentos étnicos secessionistas, como por exemplo o conflito na Nigéria que levou á Guerra do Biafra na década de 70.

Não podemos também daqui excluir a questão da Eritreia que se separou da Etiópia em 93, se bem que a aqui, se bem que aqui a eritreia tinha sido um território Italiano e separado da Etiópia, antes de ser engolida por estes em 51.

A juntar a estes temos a questão do Saara Ocidental em Marrocos, a questão do Utus e dos Tutsis no Ruanda, e não podemos deixar de fora o Congo.

Estaremos perante uma nova onda de independências?

Que consequências mesmo para a Europa?

P.S. tomei a liberdade de criar este tópico porque esta questão me pareceu pertinente, é um conflito do presente, contudo também se podia enquadrar em Geopolitica-Mundo, se os Administradores acharem por bem, apaga-se aqui e cria-se em Geo-Politica-Mundo. Aguardo resposta.
Saudações Patrióticas.
 

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Cunha

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Re: Referendo – Sudão. A abertura de uma caixa de Pandora?
« Responder #1 em: Fevereiro 01, 2011, 09:05:44 pm »
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Resultados de referendo indicam que mais de 99% votaram por independência do sul do Sudão.

A Comissão Eleitoral do Sudão informou que um total de 99,57% dos eleitores que participaram do referendo sobre a emancipação do sul do Sudão votaram pela independência da região.

Estes são os primeiros resultados completos e os resultados finais e oficiais do referendo realizado entre os dias 9 e 15 de janeiro devem ser divulgados em fevereiro.

De acordo com o site da Comissão Eleitoral foram 3.851.994 votos durante o referendo. Cinco dos dez Estados da região sul do país tiveram 99,9% dos votos a favor da separação.

As primeiras contagens de votos já mostravam que os eleitores tinham votado pela separação do sul. O presidente sudanês, Omar al-Bashir, afirmou que vai aceitar os resultados.

Se o resultado for confirmado, o sul do Sudão deve declarar sua independência formalmente no dia 9 de julho.

Acordo de paz

O referendo histórico foi parte de um acordo de paz assinado em 2005, que pôs fim a décadas de guerra civil entre o norte sudanês, majoritariamente muçulmano, e o sul, onde predominam o cristianismo e outras religiões.

O sul do Sudão é uma das áreas menos desenvolvidas do mundo e grande parte de sua população reclama do governo sudanês.

De acordo com o correspondente da BBC na capital, Cartum, James Copnall, a independência do sul agora parece inevitável.

No entanto, apesar de muitos sudaneses do sul comemorarem os primeiros resultados do referendo, ainda há problemas como o subdesenvolvimento e os conflitos entre etnias.

E há também a difícil negociação sobre a divisão dos recursos econômicos entre o norte e o sul, que tem a maior parte do petróleo do país.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticia ... o_fn.shtml
Saudações Patrióticas.
 

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VICTOR4810

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Re: Referendo – Sudão. A abertura de uma caixa de Pandora?
« Responder #2 em: Fevereiro 08, 2011, 02:57:43 pm »
Era tão previsível em um país como o Sudão, onde a sharia é aplicada ao máximo a NO musulmanes  e onde os cristãos estavam sendo mortas e reduzido à escravidão (inclusive sexual) para as esposas e filhas dos cristãos,  ¿ alguém pensou que estas iriam quer permanecer unidos neste regime criminoso?. Era previsível
1.492, DESCUBRIMOS EL PARAISO.
"SIN MAS ENEMIGOS QUE LOS DE MI PÁTRIA"
 

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Cunha

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Re: Referendo – Sudão. A abertura de uma caixa de Pandora?
« Responder #3 em: Abril 07, 2012, 05:41:38 pm »
Lancei este tópico porque se me pareceu que a independência do Sudão do sul ia abrir um grave precedente em Africa, e o Sudão já é independente.
Agora são os rebeldes tuaregues no Mali que declaram a independência da zona norte do pais, o Azawad com capital em Gao.
http://expresso.sapo.pt/rebeldes-tuareg ... li=f717479

A União Africana diz que não reconhece, e a UE igual, eles fazem também um referendo e depois quero ver.
O precedente está aberto, e isto não vai ficar por aqui.
A seguir vai ser a Cirenaica a decretar a independência da Líbia.

Saudações Patrióticas.
Saudações Patrióticas.
 

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latino

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Re: Referendo – Sudão. A abertura de uma caixa de Pandora?
« Responder #4 em: Abril 09, 2012, 11:13:02 pm »
Felicidades por el foro:
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En mi opinión:

- hasta para la independencia   de un país   de otro ...  además de ganas  “hace falta “ tener “padrinos todopoderosos  exteriores “ que   apoyen esa independencia ; pocas veces se consigue “ solo”  por  “cojones” sino con la ayuda de un “amigo “ exterior.

-También con lo de la independencia podríamos  llegar al  anuncio televisivo  de Ikea     y cada uno  a veces    declarar frente al vecino, suegra …etc:

“El   reino independiente de ni casa “ (no sé si ese anuncio lo ponen en Portugal )

-Siempre en  cada punto y época hay  motivos nacionalistas (incluso no históricos sino elficos)   para declarar cualquier independencia; pero si no se dan las circunstancias adecuadas de ayuda / necesidad de “un amigo exterior  poderoso “.....están  casi predestinadas al fracaso más sangriento.
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Centrándonos   en los temas que sacas :

-Sudan del sur tienen motivos más que sobrados  para declarar su independencia ; las ristras de esclavos que se llevaban los árabes al norte, el caos de la colonización  inglesa , el fanatismo  islamista , la opresión  del norte , el cristianismo…. Etc.
-Cirene lo mismo ;  el  odio eterno entre  Tripolitania y Cirene , las rivalidades desde los cartagineses   y  luego romanos , las tribus , que Gadafi fuera tripolitano  y que lleven  30 años de opresión  de él y su tribu tripolitana , que la capital  sea Trípoli y no Bengasi , que nunca fuera un verdadero  país (Libia)  hasta los italianos  y ellos lo impusieron a la fuerza.….etc.
- Los AMAZIGH…. Los  Tuareg / bereberes del Chad  (y del Sahara entero )    contra los  cartagineses, romanos , árabes , franceses , marroquíes , esclavos negros que se resistían a ser esclavizados ….. etc,
-Los kurdos, eritrea,  Biafra, Liberia, Namibia …. Historia y mito elfico  tambien  ... etc .

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Si te das cuenta  tada la “ HISTORIA “  se puede leer de una forma o de otra  …. Según interese y   apetezca en un momento dado ( y pueden ser “ dos” historias completamente distintas y  opuestas) …….   así  por ejemplo muchos bereberes también fueron orgullosos ciudadanos romanos de Mauritania contemporáneos de nuestra Hispania y … también muchos bereberes fueron orgullosos musulmanes    invasores de tu país y el mío cuando  crearon  Al Andalus conquistándonos … ¡es curiosa “LA HISTORIA “ !
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Pero ahora por el motivo que sea puede que no   interese  recordar lo que realmente fue sino lo que interesa… pero siempre necesitará una independencia  para que tenga éxito   …. “ un amigo exterior poderoso  “ …….  por un interés que puede ser petróleo , oro diamantes , uranio …etc.  O ......simplemente  que logre con  esa independencia un imperio debilitar  a otro imperio enemigo.
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Así que no te preocupes ; cada uno siempre nos hemos querido independizar  alguna vez de nuestro vecino ; como muchas veces nos unimos ante un enemigo mayor ; pero para entender porque algunos tienen éxito  en un momento determinado y otros no ; no hay que verlos como “ buenos y malos”  sino como piezas de una partida de ajedrez mundial  o ………  como dicen los franceses “cherchez la femme “  (el motivo):

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En tu caso

 Sudan del sur… “ SI  a la independencia” …..  Porque  tenía petróleo y Sudan con tanto islamismo radical había hecho mucho “el tonto”   y no tenia defensores ni entre los países árabes.

Cirene … “ a día de hoy no” …..  Porque no tienen todavía dinero y tienen que reconstruirse, no les interesa ni a ellos mismos,   porque nosotros  y en especial   Francia no hizo  la guerra para volver a perder el petróleo … con el tiempo se verá pero, hoy por hoy, no.

El sultanato  Amazigh  de Tombugtu (su sueño real... mito elfico /historico)  …….  desgraciadamente no me atrevo a decir lo que pasará ……  el defensor de Mali (Francia ) no está para perder dinero y  además porque no  hay petróleo ni otro metal interesante salvo arena  ; pero el problema  aparte de que hay bereberes en Marruecos  y  Argelia … es que el “ amigo  exterior “ suyo  es el conglomerado de lo  que queda de “ Alcaeda” …. Esta partida   son "palabras mayores"  y para que la jueguen  USA y sus aliados  “enemistados entre ellos”  de Marruecos y Argelia…. después de solucionar Irán/Israel  … y... ! si les  deja China! …..  luego la partida  se prevee  larga y  será ……   “ una buena partida de ajedrez”

Espero que te haya ayudado con  mi punto de vista.
 

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urso bêbado

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Re: Referendo – Sudão. A abertura de uma caixa de Pandora?
« Responder #5 em: Abril 13, 2012, 07:40:24 pm »
Não há caixas de Pandora desde que falem os povos e se respeitem suas vontades.  :evil:
« Última modificação: Abril 20, 2012, 08:17:10 pm por urso bêbado »
 

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latino

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Re: Referendo – Sudão. A abertura de uma caixa de Pandora?
« Responder #6 em: Abril 14, 2012, 10:32:50 am »
Yo lo diría de otra manera:

Todo poder es " peligroso"  ; porque si no es  “controlado y  no tiene contrapesos” …. puede tener la tentación de trabajar ...."para si mismo "  por el bien de  la nación X.... “sea la que sea”.

- Contra mayor es el poder más peligroso puede ser, si  ese poder  no tiene contrapesos; porque  tiene más poder para hacer daño.

-Todo poder  "que va contra alguien " es el peor  porque tiene claro,   desde su origen, que busca "hacer mal"
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Así que la única solución  es   “ control ciudadano”   de sus políticos , que este poder sea limitado en el tiempo y el poder repartido  entre  muchos "contrapesos independientes"

Todo poder único o poseedor de la verdad ; simplemente es un fascismo o tiende  a él.
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Así  que en mi opinión es mejor dejar las “grandes ideas” para asociaciones de ciudadanos  no políticas  y al  poder   simplemente “la gestión del dinero común”   y que cada uno de los ciudadanos "libres " se acupe de  LAS IDEAS.   No permitiendo que ningún poder lo haga por Él  en su beneficio particular.
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En resumen desconfía de cualquier político (aunque sea de tus ideas) que de  “algo gratis” o te diga que tiene” la solución a tus problemas “;  porque  ya sabemos que en la vida nada es gratis ni fácil

Animo Portugal