O português que espiou para as forças de Hitler

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Lancero

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O português que espiou para as forças de Hitler
« em: Março 04, 2009, 12:12:26 pm »
Muito interessante.

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O português que espiou para as forças de Hitler

Rede. Britânicos desconfiaram da frota bacalhoeira a operar no Atlântico Norte

A captura de Ferraz viabilizou a vitória das tropas aliadas

Por 15 mil escudos por mês, Gastão de Freitas Ferraz informava os alemães de Hitler sobre o movimento dos navios no Atlântico Norte. Ficheiros secretos britânicos, agora revelados, dão conta de como o operador de rádio do navio-hospital Gil Eannes, de apoio à pesca do bacalhau, foi apanhado em alto mar antes de conseguir avisar a Alemanha de que uma frota aliada se preparava para invadir o Norte de África, o que aconteceu a 8 de Novembro de 1942.

De acordo com os documentos, a captura de Gastão Ferraz ocorreu uma semana antes da invasão de Marrocos e da Argélia, ocupados por tropas da Alemanha e do regime francês de Vichy (pró-nazi) - a "Operação Torch" - , por tropas norte-americanas e britânicas sob o comando do general George S. Patton.

As forças alemãs - ao contrário das francesas que foram rapidamente dominadas - , sob o comando do general Erwin Rommel (também conhecido como a Raposa do Deserto), resistiram aos aliados. Só em 1943 e após violentas batalhas no deserto, os alemães foram derrotados. Tratou-se de um momento de viragem na guerra que ajudou nos planos para a invasão do Dia D, em 1944.

Tudo isto, porém, podia ter fracassado se Gastão Ferraz não tivesse sido capturado pelos serviços secretos britânicos. O facto de Portugal ser neutral no conflito possibilitava a navegação da frota pesqueira nacional, o que facilitava a vida aos que se dedicavam à espionagem. De acordo com os documentos agora revelados, os serviços secretos britânicos começaram a suspeitar, em 1942, do "comportamento anormal" de navios de pesca portugueses, incluindo alguns com equipamento de comunicações elaborados. Ferraz foi detido em pleno Atlântico, a 1 de Novembro de 1942, e levado para Gibraltar e depois para o Reino Unido, onde foi interrogado e onde confessou. Três anos depois, era deportado para Portugal e, em 1953, Londres retirou-o da lista que o impedia de entrar no país.

Christopher Andrew, historiador da Universidade de Cambridge, considera que o ficheiro de Ferraz "muda o entendimento da história britânica" e fornece informação nova dos serviços secretos do país na luta contra os nazis.

José António Barreiros, estudioso em assuntos de espionagem da II Guerra Mundial, disse à Lusa que a autoridade de Andrew "é suficiente para eu ter plena convicção de que o dossier em causa tem o maior interesse para a avaliação do relacionamento das informações alemães através da frota pesqueira portuguesa". Na opinião deste advogado, fica agora demonstrada a importância do Gil Eannes na rede de informações alemães.

http://dn.sapo.pt/2009/03/04/internacio ... hitle.html

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Primeiro Lahneck, depois Gil Eannes

04.03.2009, Maria José Oliveira


Navio foi requisitado pelos britânicos em 1916


O ficheiro pertence à categoria Agentes secretos alemães e suspeitos, ostenta o código KV 2/2946 - 2947 e foi transferido ontem dos arquivos do MI5, os serviços britânicos de segurança interna, para os Arquivos Nacionais do Reino Unido. Até aqui nada de novo. Até porque a desclassificação de documentos do MI5 contabiliza já mais de quatro mil registos.
Contudo, desta vez, ao lado do código surge um nome português - Gastão de Freitas Ferraz, um operador de comunicações da Marinha portuguesa que, notava ontem a imprensa mundial, mudou o rumo da II Guerra Mundial. Ou melhor, a captura e prisão deste homem que fez trabalhos de espionagem ao serviço da Alemanha nazi terão contribuído para apanhar desprevenidas as tropas alemãs e francesas estacionadas no Norte de África. Nos primeiros dias de Novembro de 1942, e uma semana depois de ter sido detido pela Marinha britânica durante uma operação em alto mar, a bordo do navio Gil Eannes, onde trabalhava, as tropas britânicas e norte-americanas desembarcaram em Marrocos e na Argélia, dando início a longos combates que só terminaram em 1943, com a derrota do exército nazi.
A agência Associated Press citava ontem o historiador Cristopher Andrew, professor na Universidade de Cambridge e autor convidado para escrever a história do MI5, para sublinhar a importância da detenção de Freitas Ferraz. Apontando que as forças lideradas pelo general alemão Erwin Rommel (recorte) estavam longe de imaginar que o ataque dos Aliados seria feito no Norte de África (julgavam que estes apontavam o alvo para França e Noruega), Andrew salientou que a crença alemã não teria acontecido, "se Freitas Ferraz não tivesse sido capturado": "Ele estava no encalço das tropas do [general George] Patton e teria informado os alemães sobre o rumo dos norte-americanos."

Capturado em alto mar
Gastão de Freitas Ferraz entrou ontem na constelação dos espiões mais famosos que operaram durante a II Guerra Mundial. Mas a história deste agente que informava os serviços secretos alemães sobre os movimentos dos navios Aliados no Atlântico, a troco de uns valiosos (para a época) 15 mil escudos, não é nova. Rui Araújo, jornalista e ex-
-provedor do leitor do PÚBLICO, escreveu abundantemente sobre este caso no livro O Diário Secreto Que Salazar não Leu (Oficina do Livro), publicado em Outubro do ano passado.
Nesta obra, Araújo, que vasculhou arquivos nacionais e estrangeiros, conta a história detalhada do Gil Eannes e persegue o trajecto biográfico de Freitas Ferraz. Este, pode ler-se no livro, transmitia as suas informações para uma rádio clandestina localizada na zona do Estoril e mantida por dois operacionais alemães. Estes dados não constam, porém, do documento disponibilizado nos Arquivos Nacionais britânicos, em cujo site se pode ler que os documentos agora abertos ao domínio público não se encontram em bom estado e a sua leitura é difícil.
A abertura da ficha do espião permite aceder a um depoimento biográfico escrito na primeira pessoa e a uma confissão sobre os seus trabalhos de espionagem - depois de ter sido detido, foi levado para Gibraltar e depois para o Campo 020, um estabelecimento dos serviços secretos britânicos, situado nos arredores de Londres. Freitas Ferraz ficou ali prisioneiro até Setembro de 1945 e foi deportado no mesmo ano. Só em 1953 o seu nome foi rasurado de uma lista de deportados até então impedidos de viajar para a Grã-Bretanha. E dois anos depois o MI5 arquivou o seu ficheiro.
No Arquivo da PIDE/DGS, na Torre do Tombo, há uma ficha com o seu nome. Contudo, ao que o PÚBLICO apurou, não existem ali informações relevantes sobre Freitas Ferraz - apenas que estava colocado no "posto emissor CT3 A.U." e que morava na Rua do Til, no Funchal. Rui Araújo nota, porém, que o operador de rádio tinha também habitação em Lisboa.
Na ficha do MI5 pode ler-se que o espião foi recrutado (o ano não é confirmado) pela Abwehr, um serviço de espionagem germânico criado em 1921 e aparentemente extinto em 1944. Em Julho de 1942, contudo, as suas comunicações foram interceptadas pelo ULTRA, um órgão dos serviços secretos britânicos responsável pela interpretação de mensagens encriptadas, emitidas via rádio. Apanhado pelo ULTRA, o português esteve prestes a ser preso no Canadá, a bordo do Gil Eannes. Mas a captura só aconteceu em alto mar, quando o navio britânico Duke of York apresou o barco português e prendeu o radiotelegrafista.
Gil Eannes não foi o nome de baptismo do barco em que foi preso Gastão de Freitas Ferraz. O nome original do navio era Lahneck e a sua origem era alemã. Nos primeiros anos da I Guerra Mundial estava fundeado no Tejo. E foi essa circunstância que ditou o seu destino. Em Fevereiro de 1916, a neutralidade portuguesa foi quebrada em nome da aliança luso-britânica: com uma frota de navios cada vez mais reduzida devido aos ataques dos submarinos alemães, a Grã-Bretanha pediu a Portugal a requisição dos navios germânicos ancorados em portos nacionais. À anuência da então jovem República, presidida por Bernardino Machado, a Alemanha respondeu com a declaração de guerra a Portugal, a 9 de Março de 1916. Nesta sequência, o Lahneck foi rebaptizado com o nome Gil Eannes. E, a partir de então, teve diversas funções: transporte de tropas, cruzador, marinha mercante e navio-hospital. Freitas Ferraz trabalhava no Gil Eannes quando este prestava apoio aos pesqueiros de bacalhau. Quase dez anos após o fim da II Guerra Mundial, em 1954, o navio fez a sua última viagem. Foi vendido em Itália e dois anos depois foi desmantelado e deposto numa sucata. M.J.O.


http://jornal.publico.clix.pt/
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

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SmokeOn

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« Responder #1 em: Março 04, 2009, 12:32:53 pm »
Não posso colocar aqui documentos mas o que vos posso dizer é que Manuel António Vilela natural do Porto e nascido em 1900 trabalhou para os serviços secretos Americanos na 2ª Guerra Mundial, OSS ( Escritório de Assutos Estratégicos) antecessora da actual CIA.
 
Recebeu por escrito um louvor do presidente dos EUA.

Esse documento não se encontra em minha posse, está com a minha tia.
Mais documentos encontram-se no arquivo da PIDE na torre do Tombo, foi preso duas vezes pedia PIDE por ser um dos principais apoiantes  no Porto do General Humberto Delgado nas eleições de 1958, e claro não era republicano.

Sou neto dele.
 

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André

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« Responder #2 em: Março 06, 2009, 10:30:35 am »
MI5 ponderou afundar navio português onde trabalhava espião nazi


Os serviços secretos ingleses ponderaram «afundar sem deixar vestígios» o navio onde trabalhava o espião nazi português Gastão de Freitas Ferraz para o impedir de fornecer informações à Alemanha, durante a II Guerra Mundial.

A «solução drástica» é revelada no livro do jornalista Rui Araújo sobre a espionagem em Portugal durante a II Guerra Mundial, O diário secreto que Salazar não leu, de Setembro de 2008.

O livro parte do diário do director da contra-espionagem do MI5 entre 1940 e 1945, Guy Liddell, onde a entrada de 5 de Setembro de 1942 indica aquela possibilidade.

«Conversei com Lamplough (do Sub-Comité Conjunto de Informações do Gabinete de Guerra) acerca do GIL EANNES (navio hospital de apoio à pesca de bacalhau, do qual Freitas Ferraz era operador de rádio) que, segundo cremos, a 4 e 5 de Agosto, comunicou aos alemães os movimentos dos nossos navios, a partir de S. João da Terra Nova. (…) Ele acha que devíamos abalroar o GIL EANNES, que assim se tornaria spurlosversenkt (afundado sem deixar vestígios) e sem sobreviventes», confessa Liddell.

Rui Araújo explica: «A solução drástica (…) proposta pelo MI5 é proporcional à ameaça: o navio podia divulgar aos alemães o itinerário dos comboios de tropas para a operação Torch, invasão aliada do Norte de África».

«Na medida em que o Gil Eannes podia representar o fracasso de uma ofensiva e causar milhares de baixas militares, a morte de algumas dezenas de pescadores portugueses é considerada um mal menor», adianta o jornalista no livro.

Os ingleses acabaram por capturar Gastão de Freitas Ferraz a bordo do Gil Eanes no alto mar, cinco dias antes do desembarque a 8 de Novembro de 1942, das tropas britânicas e norte-americanas sob o comando do general Dwight D. Eisenhower em Marrocos e na Argélia, que estavam ocupados por tropas da Alemanha e do regime francês pró-nazi de Vichy.

Visando abrir uma segunda frente face aos nazis envolvidos na URSS, o sucesso da operação Torch constituiu um movimento de viragem na Segunda Guerra Mundial.

Ficheiros secretos britânicos divulgados esta semana pelos Arquivos Nacionais do Reino Unido contam a história da captura de Gastão de Freitas Ferraz, levado primeiro para Gibraltar e depois para o Reino Unido para ser interrogado.

O ficheiro do MI5 inclui um depoimento biográfico na primeira pessoa e a confissão.

No diário de Guy Liddell, a 9 de Dezembro de 1942, pode ler-se: «Após alguma casmurrice, Gastão de Freitas, o radiotelegrafista do GIL EANNES, confessou. (…) foi sondado por um Fernando Rodrigues, que o convidou a encontrar-se com um alemão chamado SCHMIDT, que lhe ofereceu 1.500 escudos por mês para enviar mensagens via rádio, relatando o que observasse enquanto no mar».

«Posteriormente, foi treinado no uso de um código. Admitiu ter enviado duas mensagens na sua segunda viagem, uma das quais relacionada com navios no porto de S. João da Terra Nova», adianta o diário, citado no referido livro, que reproduz o texto da confissão de Freitas Ferraz.

A propósito do convite de Rodrigues, o espião declara: «(…) era a forma de eu ganhar mais algum dinheiro. Como estava com a vida atrapalhada (…), eu a princípio rejeitei, mas infelizmente no final anuí».

E ainda: «Desejo declarar por ser verdade que nunca denunciei qualquer navio em viagem nem tão pouco qualquer comboio pois que repugnava fazê-lo (…)», para terminar «Pedindo todo o perdão a V. Exa».

Rui Araújo diz que Robin Stephens, que foi comandante do centro de interrogatórios do MI5 Camp 020, onde esteve Freitas Ferraz, concluiu após a confissão: «Se há um homem que merece morrer por ser espião é ele».

No entanto, Gastão de Freitas Ferraz não foi condenado à morte e acabou por ser deportado para Portugal em Setembro de 1945.

No livro são ainda reproduzidas duas cartas, de uma filha do espião ao embaixador de Portugal em Londres (13 de Novembro) pedindo informações sobre o pai e do Sindicato Nacional dos Radiotelegrafistas, Telegrafistas e Ofícios Correlativos a Salazar solicitando a libertação do seu presidente Gastão de Freitas Ferraz (24 de Novembro).

Nesta última pode ler-se sobre Freitas Ferraz: «Pessoa ponderada, irrepreensível na sua conduta quer particular quer oficial, nunca tivemos ocasião de notar qualquer facciosismo arreigado por um ou outro beligerante».

«Como graduado da Legião Portuguesa, sempre o vimos norteado nos sãos princípios do Estado Novo e na palavra do CHEFE. Por tudo isto, custa-nos a crer numa desobediência aos princípios da neutralidade definidos por Vossa Excelência», adianta a direcção do sindicato.

A notícia do Diário de Notícias que dava conta da chegada a Portugal de Freitas Ferraz, citada por Rui Araújo, indica que aquele foi «alvo de suspeitas no desempenho das suas funções», mas que «nada se provou» contra ele.

Lusa

 

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André

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« Responder #3 em: Março 07, 2009, 12:37:00 am »
Um Espião Português
Vasco Pulido Valente


Quarta-Feira, o DN e este jornal (este jornal na primeira página) revelavam com grande orgulho patriótico que Portugal tinha tido um espião nazi, que mudara o “curso” da Segunda Guerra Mundial. Quem lesse atentamente a notícia descobria depois que o dito espião não mudara coisíssima nenhuma, entre outras razões porque foi preso antes de passar aos seus senhores da Alemanha a informação, que poderia mudar o dito “curso” (e é, de qualquer maneira, absurdo que mudasse). A (heróica?) figura de que se trata era o capitão Gastão de Freitas Ferraz, que trabalhava por dinheiro e que Inglaterra devolveu a Portugal em 1945 e acabou por indultar em 1953. Calculo que a alma nacional ficou muito contente por adquirir o seu pequeno traídor, um ornamento que nos fazia muita falta.

Lastimo desiludir tanto entusiasmo. Segundo a história oficial, Freitas Ferraz vigiava tráfego naval no Atlântico e, se estivesse em liberdade, avisaria com certeza a Alemanha da aproximação da frota anglo-americana, com as tropas que a seguir invadiram o Norte de África em 7 e 8 de Novembro de 1942. Só que, apreendido pouco antes pela Marinha Britânica numa operação de alto mar, a bordo do navio português Gil Eanes, não conseguiu comunicar com ninguém e o desembarque aliado apanhou a guarnição francesa inteiramente desprevenida. Isto não é, pura e simplesmente, verdade. Os serviços secretos militares da Alemanha, que Espanha e Portugal regularmente ajudavam, sabiam muito bem da existência da frota anglo-americana. Mas supunham que ela se dirigia a Malta (um ponto estratégico essencial) ou milhares de quilómetros para leste, para Tripoli, na retaguarda de Rommel.

E porque não ao Norte de África Francês? Porque Hitler julgava que a hostilidade da França de Vichy à Inglaterra a levaria a resistir em África e a intensificar a colaboração com a Alemanha; e que a América, calculando isso, não pensava em hostilizar Vichy. Engano dele. O Norte de África Francês, que esperava e se preparara para um assalto aliado, trocou de lado, e de inimigo em menos de um dia. O papel (ou a ausência de papel) do espião português Freitas Ferraz nem longinquamente influenciou o “curso” da guerra, como com inexplicável orgulho contaram os jornais. Mesmo com mais de 30 anos de Democracia e 20 de “Europa” a saloiice indígena continua sólida. Em 2009, até já lhe serve um mísero mercenário nazi.

Público
« Última modificação: Março 07, 2009, 02:21:21 am por André »

 

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teXou

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« Responder #4 em: Março 07, 2009, 01:01:25 am »
Citação de: "André"
...
Mesmo com mais de 30 anos de Democracia e 20 de “Europa” a saloiice indígena continua sólida. Em 2009, até já lhe serve um mísero mercenário nazi.

 :G-Ok:  f2x2x  yu23x1
"Obviamente, demito-o".

H. Delgado 10/05/1958
-------------------------------------------------------
" Não Apaguem a Memória! "

http://maismemoria.org
 

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rmda14

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GASTÃO CRAWFORD DE FREITAS FERRAZ
« Responder #5 em: Junho 24, 2009, 02:25:46 am »
Boa noite,
Tive, hoje, oportunidade de ler (por mero acaso) os comentários sobre o "espião" do navio Gil Eannes. Tomo a liberdade de vos endereçar estas linhas. Pensei que este complemento de informação podia interessar-vos. Sou o autor do livro "O Diário Secreto que Salazar não leu". Recorri aos seguintes arquivos : Britânico (Kew), norte-americano (CIA/FBI), alemão (militar e diplomático). Em Portugal, consultei o arquivo do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Torre do Tombo, arquivo da Marinha, arquivo Histórico-Militar, etc.
A investigação prolongou-se durante 19 longos meses.
As minhas principais fontes para o tratamento do caso GIL EANNES resumem-se a três arquivos nacionais: (MNE, Arquivo da Marinha e Torre do Tombo - PIDE) e a duas fontes estrangeiras: arquivo britânico e CIA.
Nos arquivos portugueses está o essencial: a história do navio e, sobretudo, o caso Freitas Ferraz, incluindo as confissões, as cartas da família, os apoios do sindicato, as acções diplomáticas, etc.
É importante acrescentar que solicitei ao MI5 a desclassificação de vários "dossiers" sobre cidadãos portugueses (incluindo Freitas Ferraz), mas não obtive uma única resposta positiva por parte serviço de informações britânico. Quatro meses depois da publicação do meu livro, desclassificaram a totalidade do material sobre o radiotelegrafista. O resto continua por ser desclassificado...
Os textos do Moderador Lancero e de Maria José Oliveira (baseados numa notícia da agência noticiosa Associated Press, que foi reproduzida pela agência LUSA em Portugal) apresentam um dado errado: o radiotelegrafista do navio Gil Eannes não auferia 15.000 escudos, mas apenas 1.500.
O MI5 não pode ser só por si considerado uma fonte credível...
Nem todos os documentos do serviço britânico mencionam essa quantia (15.000 escudos mensais era, aliás, muito dinheiro). É certamente uma gralha do autor da prosa.
O MI5 "cometeu" erros mais graves: considerou, por exemplo, um colega de Salazar seu familiar. Trata-se de um advogado que foi detido no aeroporto de Bathurst em 1942.
Apesar de estar a preparar o segundo volume de "O Diário Secreto que Salazar não leu", posso fornecer aos eventuais interessados sobre as desventuras do "espião" do Gil Eannes mais dados relevantes.
Só me resta acrescentar mais duas coisas: Freitas Ferraz foi denunciado. E não era, por outro lado, o único radiotelegrafista português a colaborar com os serviços de informações do Eixo (Ex: o navio Álvaro Martins Homem).
Espero não os ter maçado excessivamente,
Os melhores cumprimentos,
Rui Araújo
 

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Portucale

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« Responder #6 em: Junho 25, 2009, 12:19:44 am »
Seja bem vindo……

Espero que nos dê mais informações fundamentadas do nosso passado num futuro próximo.
Eis aqui
quase cume da cabeça da Europa toda
O Reino Lusitano
onde a Terra se acaba
e o Mar começa.

Versos de Camões
 

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Daniel

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Re: O português que espiou para as forças de Hitler
« Responder #7 em: Dezembro 05, 2009, 04:30:26 pm »
Espiões portugueses na II Guerra «eram medíocres e vendiam-se por pouco»


Informações para os aliados e para os nazis, sinais da ambivalência nacional

Citar
Espiões portugueses durante a II Guerra Mundial, os da triste figura. «Não era por ideias, sexo ou emoções, que se dedicavam à espionagem: era por dinheiro, por serem pobres», diz Rui Araújo, autor de «O diário secreto que Salazar não leu».

Portugal vivia sentado na neutralidade urdida por Salazar, presidente do Conselho que acumulava a pasta dos Negócios Estrangeiros. Aliados e Nazis tentavam recrutar espiões portugueses, sobretudo em África, de modo a obter informações entendidas como vitais para o decurso da guerra.

«A posição portuguesa servia os dois lados, mas pendia mais para a Alemanha. A verdade é que quando Hitler morreu a bandeira foi colocada a meia-haste», explica o jornalista Rui Araújo.

Ainda segundo o autor, a ambivalência portuguesa chegava ao interior da secreta de então, a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), de onde emergiria, anos mais tarde, a PIDE. O número 1, Agostinho Lourenço, espiava para os alemães; o número 2, José Catela, ia passando informações aos ingleses.

«Os ingleses davam por eles e forneciam listas de nomes a Salazar, que geralmente não fazia nada»

Entretanto, em Londres, o director da contra-espionagem do MI5 era Guy Liddell, um sujeito metódico que resolveu manter um diário. No fim da guerra constituía 12 grossos volumes, só muito recentemente desclassificados.

Estudado por Nigel West, conhecido autor de livros sobre espionagem e amigo de Rui Araújo, viria a servir de base a este livro. «Foram 19 meses de pesquisa, em arquivos nacionais e estrangeiros, de modo a complementar a informação contida no diário», conta o jornalista. O resultado foi o triplo das páginas que agora vão surgir editadas, com a chancela da Oficina do Livro.

«Diplomatas, marinheiros e caixeiros-viajantes eram os alvos principais dos recrutadores. Contudo, revelaram-se muito desajeitados. Os ingleses davam por eles e forneciam listas de nomes a Salazar, que geralmente não fazia nada», conta Rui Araújo.

Mas, se não paravam com as suas acções, nalguns casos os ingleses intervinham. Foi o caso do radiotelegrafista do navio Gil Eanes, que fornecia informações aos alemães sobre os barcos aliados que avistava, tornando-os presas fáceis para os submarinos de Hitler.

A marinha inglesa apresou o Gil Eanes e, simplesmente, raptou o radiotelegrafista, levando-o para Londres. Mas tais factos nunca chegaram ao conhecimento do grande público.

«Ouvia os passos do pelotão de execução nos corredores, convencido que o vinham buscar para o matar»

«Todos confessaram», diz Rui Araújo, que sublinha a história de um caixeiro-viajante apanhado em África, encarcerado nos arredores de Londres. «Confessa tudo. Depois escreve uma carta à mãe e tenta cometer suicídio, espetando a caneta no escroto».

Transportado para um hospital militar, fica perto da loucura. «Ouvia os passos do pelotão de execução nos corredores, convencido que o vinham buscar para o matar». Acabou por ser libertado em 1945. Como, aliás, todos eles. «Os ingleses só condenaram à morte e executaram um único espião. Um inglês que, por acaso, operava em Portugal».

Houve, no entanto, um português que chegou a ser condenado à pena capital. Era um diplomata, dactilógrafo do MNE. «Salazar pagou-lhe um bom advogado e intercedeu junto do Foreign Office para que não fosse executado. Esteve preso até 1949, mas safou-se», explica Rui Araújo.

Para os espiões lusos, o tom geral não é muito abonatório: «estavam muito mal preparados, eram medíocres, facilmente se expunham e vendiam-se por muito pouco», conclui Araújo.

O lançamento de «O diário secreto que Salazar não conhecia» decorre no dia 27 de Outubro, na FNAC/Colombo, sendo apresentado por Francisco Pinto Balsemão e Ramiro Ladeira Monteiro, o primeiro director do SIS.
A Vida é um teste e uma incumbência de  confiança.
 

 

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