Portugal Ultramarino

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TOMSK

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« Responder #120 em: Março 15, 2009, 11:44:55 pm »
Impressionante e ao mesmo tempo triste, esse poema... :censurado:  :bang:  :down:
 

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nelson38899

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« Responder #121 em: Março 16, 2009, 09:15:54 am »
Boas

á pouco tempo comecei a fazer colecção que sai num jornal todas as quartas feiras, sobre a guerra colonial. Ontem pela primeira vez tive o tempo de começar a ler o primeiro livro da colecção, depois de algumas páginas lidas, começou a aparecer informação que me custou a ler, ou seja, Salazar desde 1960 sabia que a upa se preparava para atacar os colonos no norte de Angola, mesmo depois de ter sido avisado pelos americanos de que iria acontecer o ataque, Salazar continuou  sereno e nada fez, deixando 800 brancos e cerca de 8000 pretos morrerem à catanada.
Pelo livro a explicação para Salazar não ter feito nada, era a sua necessidade de voltar a juntar o povo á sua volta, pois sentia que depois das eleições com Humberto DElgado o povo já não estava com ele.
Querem maior filho da puta que Salazar.
"Que todo o mundo seja «Portugal», isto é, que no mundo toda a gente se comporte como têm comportado os portugueses na história"
Agostinho da Silva
 

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Luso

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« Responder #122 em: Março 16, 2009, 09:39:32 am »
Citação de: "nelson38899"
Boas

á pouco tempo comecei a fazer colecção que sai num jornal todas as quartas feiras, sobre a guerra colonial. Ontem pela primeira vez tive o tempo de começar a ler o primeiro livro da colecção, depois de algumas páginas lidas, começou a aparecer informação que me custou a ler, ou seja, Salazar desde 1960 sabia que a upa se preparava para atacar os colonos no norte de Angola, mesmo depois de ter sido avisado pelos americanos de que iria acontecer o ataque, Salazar continuou  sereno e nada fez, deixando 800 brancos e cerca de 8000 pretos morrerem à catanada.
Pelo livro a explicação para Salazar não ter feito nada, era a sua necessidade de voltar a juntar o povo á sua volta, pois sentia que depois das eleições com Humberto DElgado o povo já não estava com ele.
Querem maior filho da *** que Salazar.


Estou (estava?) a fazer essa colecção. Já vi o tipo de conteúdo e os lugares comuns habituais.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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nelson38899

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« Responder #123 em: Março 16, 2009, 09:54:34 am »
Citação de: "Luso"
Citação de: "nelson38899"
Boas

á pouco tempo comecei a fazer colecção que sai num jornal todas as quartas feiras, sobre a guerra colonial. Ontem pela primeira vez tive o tempo de começar a ler o primeiro livro da colecção, depois de algumas páginas lidas, começou a aparecer informação que me custou a ler, ou seja, Salazar desde 1960 sabia que a upa se preparava para atacar os colonos no norte de Angola, mesmo depois de ter sido avisado pelos americanos de que iria acontecer o ataque, Salazar continuou  sereno e nada fez, deixando 800 brancos e cerca de 8000 pretos morrerem à catanada.
Pelo livro a explicação para Salazar não ter feito nada, era a sua necessidade de voltar a juntar o povo á sua volta, pois sentia que depois das eleições com Humberto DElgado o povo já não estava com ele.
Querem maior filho da *** que Salazar.

Estou (estava?) a fazer essa colecção. Já vi o tipo de conteúdo e os lugares comuns habituais.


e???
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TOMSK

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« Responder #124 em: Março 16, 2009, 10:54:46 am »
O que Salazar sabia sobre esse assunto, baseava-se nas informações dos americanos, e para ele, essas informações nunca eram para levar muito a sério, dado que os americanos não eram uma parte completamente desinteressada no problema colonial...
 

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nelson38899

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« Responder #125 em: Março 16, 2009, 11:36:58 am »
Citação de: "TOMSK"
O que Salazar sabia sobre esse assunto, baseava-se nas informações dos americanos, e para ele, essas informações nunca eram para levar muito a sério, dado que os americanos não eram uma parte completamente desinteressada no problema colonial...


 e os relatórios da PIDE, também devia ter sido levados a sérios???

já agora em 1960 Portugal tinha 1800 militares para angola toda
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Duarte

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« Responder #126 em: Março 16, 2009, 02:49:36 pm »
O que deveria preocupar mais era o facto da UPA ter recebido treino e finaciamento dos EUA, através da CIA, via o Congo.  :roll:

Os aviso dos "amigos" Americanos não eram mais que chantagem, e foram tratados como tal pelo regime.
 

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legionario

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« Responder #127 em: Março 16, 2009, 06:33:30 pm »
Ja vi em qualquer lado uma teoria que diz que o Salazar queria que Portugal aparecesse aos olhos do mundo como vitima de actos de agressao e de terrorismo, para melhor poder legitimar a  reaçao das nossas tropas contra os terroristas.
De qualquer das maneiras, Portugal no principio dos anos sessenta tinha um exercito pouco preparado para a guerra subversiva ...
Nao deixa de ser estranho que Portugal querendo manter o império, nao tenha desenvolvido um aparelho militar à altura.
A pior das ditaduras é a que se disfarça de democracia
 

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FoxTroop

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« Responder #128 em: Março 16, 2009, 06:46:10 pm »
Citar
Nao deixa de ser estranho que Portugal querendo manter o império, nao tenha desenvolvido um aparelho militar à altura


Simples. Nem sequer se pensava que existiam as provincias ultramarinas.

Esse território estava entregue a meia duzia de grandes corporações (algodão, diamantes, marmores, café, etc) que a ultima coisa que queriam era uma presença politico-militar capaz no terreno. Quando os abuso dessas corporações foi capitalizado por forças estrangeiras e rebentou a guerra é que em Lisboa se lembraram das provincias. Excusado será dizer que foram essas mesmas corporações que exigiram ao governo medidas para que tudo voltasse ao mesmo, nunca pensando que a coisa se poderia arrastar. Basta ler os relatórios militares sobre a situação encontrada no terreno e sibre a forma como esses povos eram tratados para perceber muita coisa.

Claro que a raposa fedorenta do Salazar precisava de uma coisa como o massacre da UPA em 61. Unificou o povo e galvanizou a opinião publica. Então deixa acontecer, afinal que são 9000 portugueses entre brancos e negros?......
Tecnica aliás muito usada nestes dias por outras nações......
 

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Duarte

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« Responder #129 em: Março 16, 2009, 06:54:24 pm »
Citação de: "legionario"
Ja vi em qualquer lado uma teoria que diz que o Salazar queria que Portugal aparecesse aos olhos do mundo como vitima de actos de agressao e de terrorismo, para melhor poder legitimar a  reaçao das nossas tropas contra os terroristas.

Será difícl imaginar qual a origem desta tese?


Citação de: "legionario"
De qualquer das maneiras, Portugal no principio dos anos sessenta tinha um exercito pouco preparado para a guerra subversiva ...
Nao deixa de ser estranho que Portugal querendo manter o império, nao tenha desenvolvido um aparelho militar à altura.


Foi a forretice lendária de Salazar..
c34x
 

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Duarte

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« Responder #130 em: Março 16, 2009, 07:10:25 pm »
Citação de: "FoxTroop"
Citar
Nao deixa de ser estranho que Portugal querendo manter o império, nao tenha desenvolvido um aparelho militar à altura

Simples. Nem sequer se pensava que existiam as provincias ultramarinas.

Claro que **censurado** :roll:
 

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legionario

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« Responder #131 em: Março 16, 2009, 07:42:02 pm »
Fosse como fosse, uma coisa é certa : nos nao perdemos militarmente em Angola e Moçambique , e os anos da guerra conheceram tambem um extraordianrio desenvolvimento nestes territorios, nao so material mas tambem ao nivel das leis.
Outra certeza que temos é que a descolonizaçao exemplar provocou muitas centenas de milhar de vitimas .
Foi penas nao termos tido uma transiçao para a democracia da mesma maneira que em Espanha. Ou antes, foi pena nao termos tido democracia nenhuma nessa altura, porque se democracia houvesse, tinham-se referendado as independencias e feito as coisas com calma.
Pegue-se por onde se pegar, os capitaes de abril sao culpados de grandes crimes que so no futuro serao julgados.
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FoxTroop

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« Responder #132 em: Março 16, 2009, 08:21:16 pm »
Por favor, não se faça de tolo, nem de ignorante, e jogue com as palavras. O que escrevi está bem claro. Se quer desconversar isso já é outra coisa, mas não lhe abona muito.

Uma coisa é planear outra coisa muito diferente é executar e planos sempre houve muitos. Uma pedra e alicerce que só quando deflagrou a guerra é que se lembraram. Mais uma vez digo. As provincias estavam entregues a meia duzia de corporações. O governo nada fazia nem tinha interesse nisso. Nunca houve uma politica ultramarina coesa com um plano definido. Apenas, e só apenas, depois da guerra iniciada é que se tomaram medidas de desenvolvimento e investimento e revogadas muitas das disposições legais que permitiram a revolta (junto com apoio e incitamento externo) dos povos autocnes. Essas medidas foram muitas vezes tomadas isoladamente num contexto sem articulação com outras medidas.

Mais uma vez afirmo o que ouvi da boca de quem passou por aquilo tudo.
Angola estava controlada sem dúvida (muito diferente de estar ganha)

Moçambique apenas com uma imaginação fertil é que se poderia dizer que estava controlada. Toda a região dos Macondes era um inferno onde por exemplo uma coluna de Mueda a Nangololo que dista pouco mais de 30kms demorava mais de 10 dias a percorrer e sempre com baixas significativas. O distrito de Cabo Delgado estava paralizado e a Frelimo tinha já conseguido abrir nova frente em Tete. Várias infiltrações para ul por parte da guerrilha chegaram tão longe com o parque nacional de Gorongosa. Operação Nó Gordio foi um fiasco e a partir daí as NT levaram cada vez mais porrada.

Guiné nem vale a pena dizer nada.

Se o que aconteceu na descolonização foi errado (eu reconheço que foi) não foi por culpa só dos capitães e afins. Foi em primeira mão por culpa de um governo que não soube aproveitar  14 anos de esforço sem igual dos seus militares para resolver um problema que só tinha uma saida.
 

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Duarte

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« Responder #133 em: Março 16, 2009, 08:55:13 pm »
Citação de: "FoxTroop"
As provincias estavam entregues a meia duzia de corporações. O governo nada fazia nem tinha interesse nisso. Nunca houve uma politica ultramarina coesa com um plano definido.

E agora, estão controladas por quem? Não há corporações a controlar aquilo? Houve, e haverá sempre corporações e empresas a controlar aquilo. A diferencça agora é que não são Portuguesas. Foram primeiro os Russos, os Cubanos, alemãs da RDA, Americanos, Sul-Africanos a meter o nariz em Angola. E Agora são as petroleiras, e quem está podre de rico? O povo Angolano?  :wink:

Citar
Moçambique apenas com uma imaginação fertil é que se poderia dizer que estava controlada. Toda a região dos Macondes era um inferno onde por exemplo uma coluna de Mueda a Nangololo que dista pouco mais de 30kms demorava mais de 10 dias a percorrer e sempre com baixas significativas. O distrito de Cabo Delgado estava paralizado e a Frelimo tinha já conseguido abrir nova frente em Tete. Várias infiltrações para ul por parte da guerrilha chegaram tão longe com o parque nacional de Gorongosa. Operação Nó Gordio foi um fiasco e a partir daí as NT levaram cada vez mais porrada.

Guiné nem vale a pena dizer nada.

A Guiné tinha pouco valor económico, e basicamente é um país inviável. Será "colonizada" pelos vizinhos, duma forma ou doutra. Ou possívelmente será outra Somália, pelo andar da carruagem.
Teria sido a primeira das províncias a ter a escolha se queria continuar como parte de Portugal, ou a independência. Estaria bem melhor hoje se tivesse optado por permanecer como parte de Portugal.

Moçambique, é também outra colecção de etnias que pouco ou nada têm a ver umas com as outras, para além da cor da pele. O investimento económico e social que se estava a desenvolver teria feito de Moçambique um sucesso na África austral. A situação não era tão má como quer pintar..

Citar
Se o que aconteceu na descolonização foi errado (eu reconheço que foi) não foi por culpa só dos capitães e afins. Foi em primeira mão por culpa de um governo que não soube aproveitar  14 anos de esforço sem igual dos seus militares para resolver um problema que só tinha uma saida.


Está a torcer a verdade.
A mesmíssima crítica pode ser feita, e com muito maior culpabilidade, aos traidores de Abril. Não era Salazar quem estava no poder em 1974.
Estes 14 anos de esforços foram deitados fora. Por quem?
 

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TOMSK

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« Responder #134 em: Março 17, 2009, 12:21:13 am »
Malaca foi Portuguesa durante 130 anos
João Brandão Ferreira


 
“... e perdido o Poder Político tudo o resto será perdido”.  (frase inscrita numa placa à entrada do Museu de Marinha, em Malaca)

Visitámos Malaca à algum tempo. Confessamos que foi com alguma emoção que percorremos os lugares que portugueses antigos e ilustres, calcorrearam, e pisámos as pedras do que resta da Fortaleza, cognominada “A Famosa” mandada erigir pelo grande Afonso de Albuquerque e da Igreja de Santiago onde, durante nove meses, repousou o corpo de S. Francisco Xavier, em 1552, depois da sua morte na China, e antes de ser transladado para a sua morada final, em Goa, onde ainda hoje repousa.

Malaca, era no princípio do século XVI, a chave da entrada para o Extremo Oriente, já que dominava o estreito do mesmo nome. Cedo se aperceberam os portugueses da sua importância e, logo em 1509, uma delegação Lusa, comandada por Lopes de Sequeira, visitou a cidade a fim de propor termos de comércio. As negociações goraram-se com o governador da praça que era muçulmano, e alguns portugueses ficaram cativos. Aí os foi resgatar o “tirribil” Albuquerque, em 1511.

Não havendo novamente acordo, os cerca de 1400 homens do contingente português tomaram a cidade de assalto, em 10 de Agosto desse ano. Por lá ficámos 130 anos resistindo a todos os ataques que, entretanto, foram intentados pelos nossos inimigos. Até que, em 1641, após prolongado cerco, as reduzidas forças nacionais sucumbiram aos holandeses, gente que sempre nos tentou piratear e com os quais já estivemos em guerra durante 80 anos. Não julguem os contemporâneos que estas coisas se apagam com o tempo ou deixaram de ter importância. Basta, aliás, ver a posição da Holanda relativamente a Portugal aquando das operações de soberania em reforço das autoridades locais, realizadas em África, entre 1961 e 1974, e no seu posterior posicionamento após a invasão de Timor-leste pela Indonésia, em 1975.

Os holandeses permaneceram em Malaca até 1824, data em que foram substituídos pelo emergente imperialismo britânico, que intentou destruir a fortaleza portuguesa na sua estratégia para vencer os holandeses (que já tinham destruído todas as igrejas portuguesas, à excepção da referida, na sua sanha persecutória contra o catolicismo).

Os ingleses vieram a ser expulsos, por sua vez, em 1963, data da independência da Malásia, após uma acesa guerra de guerrilha.

Malaca é hoje capital de uma província com cerca de meio milhão de habitantes e a cidade malaia com maior e mais diversidade histórica. O que resta da presença portuguesa em Malaca é pouco, mas faça-se justiça às autoridades actuais que têm preservado o que resta e têm dos factos históricos uma visão equilibrada. Mais espantoso é haver uma pequena comunidade, hoje muito dispersa, de descendentes de portugueses, que mantiveram alguns costumes e um “dialecto” repleto de palavras portuguesas. A força da cultura é de facto insuspeitável!...

Agora o que nunca pensámos que nos podia acontecer é ter que ir a Malaca para poder apreciar e visitar uma réplica à escala verdadeira de uma nau portuguesa do século XVI! E lá está ela, no museu de Marinha a que aludimos. É certo que já temos a réplica de uma caravela, construída por altura da exposição de Sevilha, em 1992, se não estamos em erro; e conseguiu-se ainda esse milagre que foi a reconstrução da fragata D. Fernando e Glória a partir de uns destroços carcomidos, do casco original.

Mas que diabo, num país que deve a sua existência ao Mar, que atingiu a sua glória maior nos Oceanos da Terra, cuja Marinha de Guerra se reclama a mais antiga em todo o mundo, convenhamos que não é muito. Mar esse que é hoje em dia, ainda e sobretudo, a chave da nossa liberdade e independência e janela aberta ao desenvolvimento. Apesar de, desde há 30 anos, termos deixado de entender isto.

Daí nos vir à ideia que seria razoável e patriótico que o Museu de Marinha e respectiva Liga de Amigos, conseguissem reunir os apoios necessários (devia ser o governo a incentivar isto, mas enfim ...), para se conseguirem construir réplicas dos principais tipos de navios que equiparam a Marinha Nacional o que, conjuntamente com o muito espólio que há ainda para tratar e expor, pudessem vir a construir núcleos museológicos noutras partes do país – note-se que, por exemplo, o Porto, sendo a segunda cidade do país e terra de nascimento do Infante D. Henrique não tem um Museu de Marinha, idem para Lagos cuja importância no início da saga marítima foi fundamental!

Do mesmo modo apelamos à Armada para que consiga vir a conservar um submarino da classe Albacora, uma fragata da classe João Belo e um patrulha da classe Cacine e respectiva “palamenta”, com o mesmo fim. O esforço de apoio à conservação dos monumentos que os portugueses construíram pelo mundo, já há alguns anos levada a cabo pela Fundação Gulbenkian e outras entidades, deve ser continuada.

Mas tal deve passar a estar ligado a outros eventos de índole cultural e de reforço da identidade nacional: divulgação nas escolas, complementaridade de acção de outras instituições (por exemplo, Academia de Marinha, Sociedade de Geografia, Academia Portuguesa de História, Sociedade Histórica para a Independência de Portugal, Revista Militar, Fundação Oriente, Academia Portuguesa de Cultura, etc.) e até a criação de uma espécie de “roteiro lusíada do mundo”, que pudesse ser fomentado junto do grande público e “explorado” pelas agências de viagens em termos de turismo.

Em Portugal, salvo melhor opinião, não há “deficit” de democracia, nem de cooperação, nem de intervenção e outras. O que tem havido é uma tremenda falta de autoridade e liderança que nos está a conduzir ao aviso das autoridades malaias e que deveríamos fazer nosso: “... e perdido o Poder Político tudo o resto será perdido”.


 ys7x9
É sempre um prazer ler as opiniões do Tenente-Coronel Brandão Ferreira.
Este, juntando ao Medina Carreira, também é dos poucos que lá vai dizendo publicamente umas verdades incómodas...
 

 

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