Ameaça de guerra agita a Turquia

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Fábio G.

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Ameaça de guerra agita a Turquia
« em: Maio 30, 2004, 01:40:40 pm »
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Ameaça de guerra agita a Turquia

Contexto

Hasan Srabakhshain/ap


Ali Kutlu, 27 anos, assume, junto às muralhas da velha cidade de Dyarbakir, principal cidade no sudeste da Turquia, que tem medo de que os rebeldes do Congresso do Povo do Curdistão (Kongra-Gel), herdeiro do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), entrem pelo Iraque e retomem uma guerra sangrenta contra Ancara (pela autonomia, que provocou 37 mil mortos desde 1984), depois de terem ameaçado, anteontem, romper as tréguas decididas unilateralmente em 1988 e retomar as armas.
O medo de Ali é extensível aos moradores de uma cidade turca que foi palco de violentos confrontos durante 15 anos, desde 1984. "Eles não podem obter a paz fazendo a guerra", diz Ali. Faruk Boybey, professor de Francês, 49 anos, também admitiu, em
declarações à AFP, que a ameaça de guerra o espantou. "Se os combates recomeçarem, perderemos toda a esperança de viver em paz. Eu abandonarei a região".
Selahattin Demirtas, responsável pela Associação dos Direitos do Homens de Dyarbakir, diz que uma das razões da ameaça será a expulsão forçada do Iraque, imposta pelos EUA ao Kongra-Gel. Por outro lado, segundo Demirtas, a ameaça dos rebeldes curdos está relacionada com a amnistia que exigem para regressarem das montanhas, onde se escondem. Outra exigência é a defesa dos seus costumes.
Baris Ciftci, 23 anos, explica que o Governo turco tarda a adoptar as reformas prometidas. "As reformas, decretadas na esperança da Turquia pertencer à União Europeia, não passaram do papel", comentou o jovem universitário. "Os curdos já podem falar livremente a própria língua, comprar livros e discos em curdo, mas não têm a sua televisão. O Parlamento autorizou a difundir duas horas por semana em curdo, mas, até agora, nada". Outra exigência dos curdos: estarem representados no Parlamento turco.
Preocupado, o presidente da Câmara de Dyarbakir, Osman Baydemir, membro do partido pró-curdo Dehap, quer que os membros do PKK deponham as armas. Mas admite que isso poderá não acontecer.
Nação sem Estado
Os curdos fazem parte da maior nação do Mundo que, há séculos, luta por um Estado. Distribuídos por vários países, estão implantados na Turquia, onde chegam aos 15 milhões de habitantes.
Mais de 37 mil mortos
Os confrontos entre curdos e turcos, no Leste da Turquia, entre 1984 e 98, um ano antes da detenção do dirigente do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) Abdullah Ocalan, provocou 37 mil mortos e milhares de evacuados.