Conflito na Venezuela

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Tiger22

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Conflito na Venezuela
« em: Maio 28, 2004, 08:08:11 pm »
Gostaria que debatêssemos o conflito que se vive hoje em dia neste país sul-americano.
O 5º maior produtor de petróleo do mundo, onde vivem 500.000 portugueses e lusos descendentes, vive nos últimos tempos mergulhado num grave conflito político provocado principalmente pelo seu actual presidente: Hugo Chavez. Este homem de ideais esquerdistas sonha com implementar na Venezuela, segundo os seus adversários, um regimem em todo semelhante ao regimem cubano, do qual ele é admirador e amigo íntimo do seu promotor, Fidel Castro. Ao mesmo tempo desafia os Estados Unidos acusando-os de tentarem derruba-lo através dos mais diversos meios e faz ou tenta fazer alianças estratégicas com líderes de nações que ele considera que são o exemplo a seguir: Fidel Castro de Cuba, “Lula” da Silva do Brasil, Kadafi da Líbia, Putin da Rusia, e antes do seu derrube Saddan do Iraque. Por outro lado os seus partidários vêem nele o homem que é capaz de lutar contra a classe politica e empresarial corrupta que se instalou na Venezuela e que levou esse pais (um dos mais ricos do mundo) a ter uma maior parte da população empobrecida e a viver na miséria, enquanto uma minoria concentra e controla a maior parte da riqueza do país.
"you're either with us, or you're with the terrorists."
 
-George W. Bush-
 

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Ricardo Nunes

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« Responder #1 em: Maio 28, 2004, 09:36:58 pm »
É uma questão bastante interessante.

Devo dizer que o presidente Hugo Chavez não me inspira quase nenhum respeito e que o seu modo de governação tem sido bastante irregular. Por outro lado, e isto todos temos de admitir, ele foi eleito democraticamente e até ao final do seu mandato ( que termina este ano salvo erro ) ele tem legitimidade para se manter no governo.  :roll:
Ricardo Nunes
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Tiger22

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Chavez pronto para a «verdadeira batalha»
« Responder #2 em: Junho 07, 2004, 07:24:40 pm »
TSF 2004/06/04

Citar
«Estamos prontos. O CNE (Conselho Nacional Eleitoral) deve dar-nos os números definitivos e anunciar a data. Quando o Conselho ordenar estamos prontos para começar a verdadeira batalha», disse Chavez, referindo-se aos resultados preliminares da revalidação de assinaturas recolhidas pelos opositores para submeter o seu mandato a um referendo revogatório.

Numa alocução ao país, transmitida em simultâneo e de modo obrigatório pelas rádios e televisões nacionais, Chavez pediu que o processo não pode durar muito mais tempo: «recolheram as assinaturas, assumamos pois (os resultados) e vamos ao revogatório».

Chavez, que poderá ser afastado do poder através da consulta prevista para Agosto, recordou que «a figura do referendo revogatório (incluída na reforma Constitucional aprovada no ano de 2000)» foi uma ideia sua e pode servir para dar «forma a um novo modelo democrático na Venezuela».

«Tenho muito gosto que os venezuelanos que são militantes da oposição estejam a usar as vantagens da Constituição e estejam a praticar esta democracia participativa», sublinhou a partir do palácio de Miraflores.

Segundo as autoridades eleitorais, para submeter o mandato do presidente Hugo Chávez os opositores precisavam de recolher pelo menos 2.436.083 assinaturas tendo sido confirmadas, até à tarde de quinta-feira (noite em Portugal), 2.451.821 rubricas válidas.

Na quinta-feira, violentos confrontos no centro de Caracas provocaram pelo menos um morto e dois feridos, três camiões foram incendiados, parte do edifício histórico da Câmara Maior de Caracas foi destruídos e a sede de um canal de televisão e de dois jornais foram atacadas.
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Rui Elias

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« Responder #3 em: Junho 08, 2004, 11:12:41 am »
A Venezuela

Qunto a mim considero que em tempos de crise, a agitação social é normal, ainda para mais na América Latina, e todos estamos recordados do que aconteceu há 2 anos na Argentina.

Em relação à Venezuela, Chavez foi eleito democráticamente e à oposição cabe respeitar as regras do jogo democrático que aceitou.

Mudar as regras a meio do jogo é que não serve os interesse de qualquer povo.

Se Chavez tivesse recorrido a um golpe constitucional que limitasse os movimentos da oposição, como Fujimori fez no Peru, seria outra coisa, mas Chavez não fez isso.

Pode ser uma personalidade polémica e pouco amiga dos EUA.

Mas foi eleito democráticamente.

Os acontecimentos de há 2 anos e que agora parecem querer renascer fazem lembrar os tempos que antecederam o 11 de Setembro chileno, com greves sucessivas e desestabilização contra o governo democráticamente eleito de Salvador Allende, e que culminaram no golpe dos militares liderados por Pinochet.

E como se sabe, a CIA, segundo documentos recentemente desclassificados pela administração Clinton confirmaram o que toda a gente desconfiava.

Mas em relação a Chavez é diferente.

Enquanto Salvador Allende era um civil sem apoios significativos nos meios castrenses, Chavez é um militar com apoios em sectores da FA venezuelanas, pelo que qualquer golpe militar contra ele pode degenerar numa guerra civil (lembram-se daquela golpada que culminou com a sua detenção e como as próprias FA acabaram por recolocá-lo no poder?).

Por isso cabe à oposição venezuelana apresentar projectos políticos alternativos, lutar por eles e esperar pelas próximas eleições para que a população decida.

Isso é Democracia.

Quanto às afinidades entre Hugo Chavez e Fidel Castro, e à parte algumas simpatias pessoais e afinidades políticas, relembro que Fidel Castro subiu ao poder através de uma revolução armada, e que desde cedo se converteu ao marxismo-leninismo de matriz soviética, enquanto Chavez se situa mais nos parâmetros do chamado terceiro-mundismo dos anos 60 e 70.

Um pouco desactualizado, e diferente da política de Lula da Silva que actualizou o seu discurso e praticas políticas, é certo.

Po isso, julgo que não se pode comparar uma coisa com outra.
 

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Guilherme

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« Responder #4 em: Junho 08, 2004, 01:01:10 pm »
Citação de: "Rui Elias"
Em relação à Venezuela, Chavez foi eleito democráticamente e à oposição cabe respeitar as regras do jogo democrático que aceitou.


Ele foi eleito democraticamente, mas tomou atitudes anti-democráticas no poder. Por isso, acho que ele não merece respeito.

Ele deve abandonar o cargo quando acabar o mandato. Senão, deve ser retirado à força.
 

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JIOF

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« Responder #5 em: Junho 08, 2004, 10:37:41 pm »
Saludos
Veamos chavez es un fenomeno politico, eso es innegable. Sin duda es su condicion de lider carismatico. Tambien (a diferencia de su mentor castro) es un politico habilidoso, especialmente a la ofensiva. Y bueno no se le pude negar que siente afinidad por ciertos estratos sociales.

Pero mas alla de eso, chavez carece de los ideales democraticos, consenso, respeto y libertad. No es una persona de escrupulos, al menos de la forma tradicional. Como todo buen comunista, es falso y mentiroso.

Ademas de que su condicion sicologica y hasta siquiatrica esta seriamente dañada. Este señor se ve a si mismo, como alguien predeterminado, como un elegido. Ademas dentro de su delirio en reiteradas oportunidades se ha igualado, no solo a Simón Bolívar o algun otro heroe de la independencia, sino hasta con el mismo Jesucristo,  sabra Dios que clase de sicopatia tendra ese señor.

La crisis venezolana solo tiene en comun con los paises de la region, la degeneracion que han tenido los partidos politicos de la region en organizaciones corruptas y meramente electorales.

Actualmente las instituciones venezolanas carecen de legitimidad en su funcionamiento. no solo son parcializadas hacia el gobierno, sino que son organizaciones ineficientes y burocraticas en grado superlativo, incapaces de realizar un accionar correcto. Ni hablar de doctrina institucional, cumplimiento de sus funciones o apego a la ley.

Con respecto a las FAS venezolanas (FAN), pues bueno, con dolor he de decir que una parte importante d ella esta identificada con el gobierno. Es algo logico el gobierno de chavez es un gobierno abiertamente militar, por lo cual lo militares se identifican con el.

Frente a todo esto esta la sociedad civil venezolana, bueno una parte de ella, que siendo minoritaria en un principio, hoy dia suma a la mayoria de la poblacion venezolana. Carece de un liderazgo eficiente, es mas ese es su punto debil. Esta masa opositora ha sido sometida a un proceso de desgaste, que sin duda pasa factura. Ha sido duro llegar hasta el referemdum revocatorio, pero si el resultado es la salida del regimen de chavez, habra vailo la pena tal sacrificio.

JIOF
 

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Fábio G.

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« Responder #6 em: Junho 08, 2004, 10:52:20 pm »
Sea bienvenido JIOF ou bem-vindo JIOF.
 

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Fábio G.

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« Responder #7 em: Junho 09, 2004, 12:17:35 pm »
DD

Citar
Referendo contra Chávez marcado para 15 de Agosto

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano decidiu esta quarta-feira que o referendo revogatório do mandato do presidente Hugo Chávez vai celebrar-se no próximo dia 15 de Agosto. Se o governante perder serão convocadas eleições num prazo de 30 dias.



O vice-presidente do CNE, Ezequiel Zamora, anunciou ainda que os resultados do referendo serão anunciados na noite do dia 15 de Agosto, e que o processo será automatizado e não manual, tal como pediu a oposição.
Zamora, que falava em conferência de imprensa, explicou ainda que se, por alguma razão, os resultados apenas forem conhecidos após 19 de Agosto – altura em que o presidente iniciará o seu quinto e penúltimo mandato – tal facto não impedirá que ocorram eleições antecipadas.

O presidente do CNE, Francisco Carrasquero, deverá tornar públicas estas decisões nas próximas horas na rádio e televisão estatal.

09-06-2004 7:49:08


Será desta que começará a queda de Chavéz...
 

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Rui Elias

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« Responder #8 em: Junho 09, 2004, 03:43:51 pm »
Caro Fábio G.:

Como disse acima, eu acho que as regras do jogo democrático não se devem mudar a meio do jogo.

Se a Constituição venezuelana permite que haja um referendo para depor ou não o Hugo Chavez, é porque apesar de tudo as instituições democráticas, apesar de frágeis ainda vão funcionando.

Chavez pode ter uma personalidade polémica, mas será o povo nas urnas a decidir da sua continuidade ou não.

Que os militares se mantenham nos quarteis, e que se Chavez acabar por vencer, que Washington se abstenha de vez de interferir na política daquele país.
 

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JIOF

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« Responder #9 em: Junho 09, 2004, 10:21:39 pm »
Saludos
A ver, a chavez no se le debe nada, el referendum (RR) es un invento absurdo del chavismo(¿?).

Primero: antes el periodo cuonstitucional era de 5 años, es decir ya estaria fuera.

Segundo: el referendum no se ha activado por que chavez lo facilitara, todo lo contrario, lo ha impedido a niveles nunca antes vistos en Venezuela. El RR se activa por el gran sacrificio de la sociedad civil.

A mi me da mucha risa cuando hablan de la intervencion gringa (de USA) en Venezuela, como?? cuando?? no se me parece poco creible. No existe una base real para decir tal cosa, al menos en Venezuela.

JIOF
PD: gracias Fabio G. espero participar bastante
 

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papatango

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« Responder #10 em: Junho 17, 2004, 06:23:43 pm »
A mim, o que me preocupa é aquilo que parece ser a facilidade com que este senhor Hugo Chavez corta as emissões de televisão, para por no ar os seus discursos a la Fidel Castro.

É como se em horário nobre, cá em Portugal, quando está toda a gente a ver novelas ou concursos, o Durão Barroso mandasse cortar a emissão de todos os canais nacionais e começasse a discursar em simultaneo neles todos.

Nestas circunstâncias a legitimidade do próprio voto pode estar em causa

Cumprimentos
 

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Rui Elias

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« Responder #11 em: Junho 18, 2004, 02:56:10 pm »
Papatango:

Que eu saiba, a generalidade da comunicação social privada na Venezuela, nas mãos de investidores, apoiou as manifestações contra o regime de Chavez, e a tentativa de golpe.

Ou será que a coisa mudou em tão pouco tempo?
 

 

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