PORTUGAL - GALIZA

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JoseMFernandes

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PORTUGAL - GALIZA
« em: Março 03, 2007, 10:12:05 am »
EXPRESSO 3/03/2007:com subtitulo 'Galiza dos ovos de ouro'


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A Galiza é hoje o principal cliente português em Espanha e é cada vez mais um fenómeno de integração transfronteiriça na Península Ibérica. Só nos primeiros meses do ano passado, a região galega comprou mais de 1750 milhões de euros em produtos portugueses e ultrapassou zonas mais ricas como Madrid ou a Catalunha.

Se fosse um país autónomo seria hoje o sexto maior destino das exportações portuguesas, logo atrás do Reino Unido. Desde 1999, as trocas aumentaram mais de 1100 milhões. Mas nem só no comércio a integração se tem feito sentir. Os parques industriais de Valença e Vila Nova de Cerveira têm actualmente cerca de 70% de empresas espanholas, a maior parte das quais da vizinha Galiza. Com falta de espaço a norte do rio Minho, muitas empresas acabam em Portugal.

As duas regiões de fronteira são quase vistas, no exterior, como uma única economia. De tal forma que os Governos dos dois países têm alinhado estratégias para fazer uma gestão integrada da política de transportes. Além da ligação de alta velocidade entre Porto e Vigo, que está em preparação para os próximos anos, estão já em marcha planos para transformar o aeroporto de Sá Carneiro na infra-estrutura aeroportuária de referência da zona. Muitos espanhóis utilizam-no para, a partir dali, viajar para diversas partes do mundo


O nosso melhor cliente

 
Galiza é o principal destino das exportações para Espanha
 
Integração. As empresas espanholas estão a invadir os parques industriais no Norte de Portugal
   
Quando a IKEA anunciou o investimento de 225 milhões de euros em Matosinhos para criar a sua maior superfície comercial na Europa, a direcção da empresa foi clara: os clientes-alvos serão portugueses e espanhóis, porque a Galiza “está a apenas uma hora de distância”. Mais que uma estratégia comercial montada a pensar num mercado alargado de seis milhões de consumidores do Noroeste peninsular, a decisão da IKEA mostra que até na Suécia a crescente proximidade entre as duas regiões é já uma realidade conhecida.

A Galiza é hoje o principal destino das exportações portuguesas. Dentro do ‘cliente’ espanhol, que é o maior consumidor mundial de produtos nacionais, a região consegue mesmo ultrapassar gigantes económicos como a Comunidade de Madrid ou a Catalunha, onde o poder de compra é bastante superior. Os galegos tinham em 2004, de acordo com as últimas estatísticas do Eurostat, um produto interno bruto (PIB) «per capita» de 17.416 euros. Na região da capital e de Barcelona os valores ultrapassam os 25 mil euros.

Nos primeiros 11 meses do ano passado, Portugal exportou mais de 1750 milhões de euros para a Galiza - cerca de 22% do total vendido em Espanha. No mesmo período, Madrid e a Catalunha, com as quais a economia portuguesa sempre teve uma forte ligação, compraram, respectivamente, 1121 e 1629 milhões de euros. Continuam a ser, ainda assim, as duas zonas de onde os portugueses mais importam. A Galiza surge em terceiro lugar com 14,5% do total.

A região galega tem hoje uma importância estratégica para o comércio externo português. Desde 1999, as vendas de produtos portugueses cresceram mais de mil milhões de euros por ano. Se fosse um país, a Galiza era hoje um dos principais destinos das exportações nacionais, quase ao nível do Reino Unido, que é um mais antigos parceiros nacionais (5º maior cliente), e mesmo acima de economias como a italiana ou a holandesa. A proximidade entre Portugal, em particular o Norte, e a Galiza vê-se também no investimento. Os primeiros passos na internacionalização de muitas empresas das duas margens do rio Minho são muitas vezes dados na região vizinha.


Parques industriais partilhados


No terreno, multiplicam-se os sinais da crescente integração das duas economias. Um dos mais visíveis está nos parques empresariais de Valença e Vila Nova de Cerveira, onde mais de 70% das empresas e das intenções de investimento são espanholas. Mas há outras explicações para a forte procura espanhola dos parques empresariais minhotos. Do lado galego “há muita dificuldade em encontrar terrenos industriais e isso encarece muito os preços em Espanha”, admitem dirigentes associativos dos dois países. Um artigo recente do diário ‘El País’ referia que há mais de duas mil empresas com novos projectos para a Galiza pendentes de local e autorização administrativa, avaliando em 5 mil milhões o investimento “em fila de espera”. Só no Parque Tecnológico de Vigo terão ficado mais de 300 empresas sem lugar para materializar o seu investimento.

“E, enquanto do lado de lá eles estão no limite, nós estamos ainda numa fase emergente ao nível dos parques industriais”, refere Joaquim Covas, da União Empresarial do Vale do Minho. José Carpinteira, presidente da Câmara Municipal de Cerveira, diz mesmo que os investidores do país vizinho presentes nos parques industriais do seu município “não são estrangeiros, são, também, investidores nacionais”.

Em Vigo, de onde saem 5 autocarros diários para o aeroporto Sá Carneiro, a direcção da Confederação Empresarial de Pontevedra acredita que Pontevedra e Ourense “têm já mais relações com o Norte de Portugal do que com Lugo ou outras regiões espanholas”.

E, numa altura em que a concorrência asiática afasta muitas encomendas dos grandes grupos têxteis galegos, como a Inditex, da indústria nacional, surgem novas áreas de aproximação. “As relações podem até acentuar-se e diversificar-se em áreas distintas como o turismo, as energias renováveis, o sector automóvel e a biociência”, defende Valente de Oliveira.

O projecto da plataforma logística de Valença deve ser outro factor favorável ao fortalecimento da integração das duas regiões. Mas António Marques, presidente da Associação Industrial do Minho, prefere salientar as diferenças na aproximação entre o Norte de Portugal e a Galiza: “Enquanto eles vêm mais com capital, nós vamos mais com mão-de-obra”.

Junto ao rio Minho, mesmo sem números oficiais, todos dizem que são mais de 30 mil os portugueses que trabalham do outro lado, muitos empurrados pelo desemprego nos têxteis do Ave e pela crise na construção.

Do lado de cá, os espanhóis mais populares são os médicos. Já este ano, o novo governo da Xunta de Galicia, confrontado com a carência de médicos na região, apelou ao regresso dos seus emigrados, lançando o pânico no Minho porque só em Viana do Castelo um em cada cinco médicos nos centros de saúde é espanhol.

A forte proximidade entre as duas regiões obrigou os Governos a repensar toda a rede de transportes na zona. Os fluxos de pessoas e mercadorias têm aumentado consideravelmente nos últimos anos e, para muitas empresas, não interessa sequer se fazem ou não parte do mesmo país.


Política de transportes comum


A região Noroeste peninsular - a Galiza e o Norte de Portugal -, que gera o maior fluxo de transporte transfronteiriço, vai beneficiar de uma coordenação estratégica cada vez maior entre os Governos português e espanhol, ao nível de políticas integradas portuárias, de transportes e de logística do lado português que, gradualmente, deverão ser utilizadas também por empresários galegos. Trata-se de um universo de cerca de 6,4 milhões de habitantes, dos quais 3,7 milhões localizados na região Norte de Portugal. “Dos cerca de 76,5 mil passageiros que, em 2004, atravessavam diariamente a fronteira, cerca de um terço faz a travessia entre estas duas regiões, com particular destaque para a fronteira de Valença-Tuy que representa aproximadamente um quarto do total diário de passageiros entre Portugal e Espanha”, observou a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, na última reunião do Eixo Atlântico recentemente realizada em Vila Nova de Gaia. Nas mercadorias, do total de 10.360 veículos pesados que atravessavam, em 2004, diariamente a fronteira Portugal-Espanha, “cerca de 18% faziam-no entre a região Norte e a Galiza”, refere.

Ao nível dos passageiros que cruzaram as fronteiras em 2004, “cerca de 95,9% utilizaram o modo rodoviário, com destaque para os cerca de 87% que realizavam as suas viagens em automóvel, e apenas os restantes 4,1% utilizavam outros meios de transporte.

Foi lançada recentemente uma campanha de «marketing» na Galiza para posicionar o aeroporto Francisco Sá Carneiro como líder do Nordeste peninsular. Os resultados foram imediatos e já é consensual que, até 2011, chegue aos cinco milhões de passageiros, segundo estimativa do Ministério das Obras Públicas. Para o efeito, a ANA-Aeroportos e Navegação Aérea contratualizou com a empresa Autna a ligação rodoviária entre Porto e Vigo, cinco vezes ao dia. Tudo isto com o objectivo de encurtar a curta distância entre as duas margens do rio Minho.

A IMPORTÂNCIA DA GALIZA

1750
milhões de euros é o total das exportações para a Galiza no ano passado

2000
milhões de euros em mercadorias galegas foram compradas pelos portugueses entre Janeiro e Novembro de 2006

507
milhões de euros entraram em Portugal vindos da Galiza nos últimos 14 anos; na última década, o investimento da região ultrapassou os 473 milhões de euros

747
milhões de euros foi quanto as empresas portuguesas investiram na Galiza desde 1993; a maior parte deste investimento foi feito nos anos 2002 e 2004, quando a entrada de fundos somou mais de 550 milhões



Lactogal na liderança ibérica
 
A empresa de Vila do Conde escolheu a Leche Celta para ganhar dimensão internacional no sector dos lacticínios

A empresa liderada por Casimiro de Almeida aproveitou a Galiza para abrir a primeira porta no seu projecto de internacionalização. A compra da Leche Celta à multinacional americana Dean Foods, anunciada em Agosto, rondou os cem milhões de euros e colocou a Lactogal entre as 20 maiores empresas europeias do sector dos lacticínios. Dez anos depois de apostar na fusão das cooperativas Agros, Lacticoop e Proleite para criar um grande grupo nacional capaz de responder à ameaça dos operadores externos, a empresa lusa conquista uma quota de 18% na Península Ibérica e atinge a fasquia dos mil milhões de euros na sua facturação, reforçando em 50% a capacidade de processamento de leite.

Pescanova vem pescar a Portugal
 
A multinacional galega acaba de garantir a expansão dos seus projectos de aquacultura a Mira e estuda novos investimentos
     
A partir de Pontevedra, a Pescanova controla o segundo maior grupo de pescas da União Europeia e sétimo a nível mundial. Dificuldades em garantir a aprovação de novos projectos na Galiza levaram a multinacional a olhar para o outro lado do rio Minho. Começou por interessar-se pelo litoral norte, mas foi em Mira que conseguiu ‘luz verde’ e apoio do Governo português para um investimento de €180 milhões que criará 300 postos de trabalho e vai produzir 10 mil toneladas de peixe. Presente em 21 países, a Pescanova tem uma frota de 170 navios-fábrica e navios-congeladores e captura em média 130 mil toneladas de peixe por ano, para uma facturação de €900 milhões. Em Portugal, estuda já um novo projecto de aquacultura em local ainda a definir.


Galp é mais barato em Espanha
 
Na margem galega do rio Minho, as garrafas de gás da Galp mudam de cor e de preço. Revendedores nacionais queixam-se de quebras nas vendas até 80%
     
   
“Em Arcos de Valdevez, mais de 300 famílias já compram gás mais barato. E você, de que está à espera?” Esta é a pergunta dos anúncios publicitários de uma empresa nacional que está a lançar-se no novo negócio da venda e distribuição ao domicílio de gás de garrafa espanhol em Portugal.

Até a Galp é mais barata no país vizinho. Em Valença, basta atravessar a ponte para comprar nas bombas de gasolina do lado espanhol do Minho gás butano da Galp a €11,80. À nova cor esverdeada da garrafa e ao peso de 12,5 quilos (menos 500 gramas do que a versão nacional) corresponde uma economia de €5,20.

Os automóveis de matrícula portuguesa sucedem-se quase ininterruptamente, mesmo aos dias de semana, nas bombas junto à fronteira. Abastecem o depósito com gasolina e o porta-bagagens com garrafas de gás. Deixam os revendedores oficiais da Galp e da Repsol em Portugal “desesperados”, a ver “os potenciais clientes passar”. “Vêm cada vez de mais longe. E até já há carrinhas do Vale do Sousa e do Douro a carregar Galp e Repsol para vender depois ao público”. “Está a instituir-se um novo circuito de economia paralela”, denunciam.

No caso da empresa de Arcos e de uma congénere em Melgaço, cumprem os formalismos legais. Mesmo quem atravessa a fronteira três vezes por semana para carregar garrafas de gás e respeita as burocracias da Alfândega por causa do ISP pode oferecer “preços imbatíveis”, de €14,50 para o butano e €14 para o propano, contra os €17 e os €17,5 das mesmas marcas em Portugal, refere a sócia Dalila Brandão.

“Na verdade, em Espanha, vendem o gás ao público ao preço a que nós o compramos aos fornecedores em Portugal”, queixam-se os revendedores nacionais. A explicação está na política de preços do Governo espanhol, nos impostos (Portugal tem ISP e IVA a 21% contra 16% em Espanha) e nas margens de comercialização das petrolíferas, dizem.

 

 

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