A Batalha de Alcácer-Quibir

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TOMSK

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« Responder #15 em: Dezembro 10, 2008, 11:56:33 pm »
A questão da idade permite-nos duvidar, como diz. Mas também não é um factor eliminatório. Poderia Dom Sebastião não fazer parte da média que morria nos 40-50 anos...

Pessoalmente, acredito mais na hipótese de ter morrido de facto na batalha. Há relatos de que entre os prisioneiros portugueses, os fidalgos serem chamados no dia 5 de Agosto a uma tenda para identificar o corpo do Rei.

"Estava despido, apenas com uma toalha a tapar as partes intímas, e apresentava vários cortes, com um grande inchaço no sobrolho devido a um golpe de espada nessa área, apresentando já algum estado de decomposição. Os fidalgos viraram o olhar, enojados, não vendo mais na face inchada de sangue do monarca aquele brilho no olhar, que o acompanhara no dia anterior"

Agora, esta teoria da sobrevivência do Rei apresenta provas verosímeis.
O relato do Frei Estevão, o episódio da espada e do anel...
Nada tem a ver com os outros impostores que afirmavam ser " O Desejado"...
 

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André

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« Responder #16 em: Maio 01, 2009, 12:30:01 am »
Felipe II foi o verdadeiro vencedor de Alcácer-Quibir


Numa só batalha perdeu-se um rei, um reino e um projecto geo-estratégico. Filipe II, não tendo combatido em Marrocos, foi o grande vencedor de Alcácer-Quibir. Mas, mesmo uma eventual vitória de D. Sebastião teria trazido benefícios ao monarca espanhol.

Fosse qual fosse o desfecho da batalha de Alcácer-Quibir, Filipe II de Espanha sairia sempre a ganhar. Se D. Sebastião desaparecesse - como aconteceu a 4 de Agosto de 1578 - o rei castelhano ficava em posição favorável para reclamar o trono português. Se os portugueses tivessem ganho e restabelecido o controlo sobre o litoral marroquino, diminuiria a ameaça da pirataria inglesa e holandesa entre os Açores e a costa do continente. Ou seja, não combatendo (embora empenhando algumas forças residuais cedidas ao rei português), o rei de Espanha foi o verdadeiro vencedor da batalha.

Esta leitura, que poderá surpreender algumas pessoas, porventura habituadas a uma visão mitificada daquele acontecimento, resume, de alguma forma, a sessão desta semana do II Curso Livre de História Militar "Os Rostos da Batalha", a decorrer, por iniciativa do Centro de História da Universidade de Lisboa até 3 de Junho.

A conferencista foi Maria de Fátima Reis, investigadora daquele Centro, que explicou o contexto e as circunstâncias em que foi travada a batalha de Alcácer-Quibir. Essa explicação mostrou que a campanha foi longamente preparada e não resultou de um capricho do jovem rei. Este visitou o Alentejo e o Algarve, em 1573, as praças-fortes de Ceuta e Tânger no ano seguinte e reuniu-se em Guadalupe com o seu tio, Filipe II de Espanha, em 1578.

Deste último encontro resultaram duas coisas: algum apoio militar espanhol à operação e os arranjos para o casamento do rei português com a princesa D. Joana de Áustria, dita "a noiva da Europa", pela sua beleza, cultura e pelo poder a que este matrimónio daria acesso.

D. Sebastião lançou impostos, contraiu empréstimos, adquiriu material bélico moderno no estrangeiro e daí mandou vir mercenários. Se é inegável que a operação foi preparada, já é menos certo que a sua execução tenha obedecido a um plano de operações bem delineado. Qual era a base de operações? Qual o papel da frota? Devia avançar-se sobre Larache por terra ou por mar? Larache, abandonada pelos portugueses no reinado de D. João III, asseguraria, juntamente com Arzila, o domínio sobre a costa e a navegação.

A conferencista destacou as hesitações e polémicas no seio do comando português e que poderão ter feito com que alguns do material bélico transportado a bordo da frota não tenha chegado a ser desembarcado. No momento da batalha, D. Sebastião ter-se-á portado mais como um combatente que como um comandante, desdobrando-se pelo campo de batalha, intervindo em combates individuais mas não tendo uma visão conjunta da situação, nem comandando efectivamente.

Com a perda da batalha, perdeu-se, a prazo, a independência nacional e, sobretudo, acabou, de vez o sonho imperial luso. Isto num contexto internacional em que o centro do mundo se começava a deslocar do Mediterrâneo para o Atlântico.

José Varandas, investigador ligado à organização do curso, chamou a atenção para uma série de perguntas que, ainda hoje, estão sem resposta. Onde estava a artilharia, responsável pelos sucessos da marinha portuguesa da época no Oriente? (os canhões dos marroquinos revelaram-se mais eficazes que os lusos) Que caso se fez dos conselhos dos alcaides e capitães portugueses do Norte de África, conhecedores do terreno e da forma de combater dos locais? (a experiência destes desaconselhava uma marcha por terra, em ambiente de calor e de sede e longe do apoio da frota, como a que foi feita) Que sentido fazia utilizar mercenários nórdicos para combater no tórrido Verão marroquino? Que tropas foram usadas, que grau de preparação tinham e qual a sua familiaridade com o armamento moderno de finais do séc. XVI? (até ao séc. XIX, as vitórias dos europeus em África e no Oriente resultaram sempre de um uso eficaz e concentrado das armas de fogo, mesmo combatendo em situações de inferioridade numérica ainda maiores que a de Alcácer-Quibir)

Resumindo, há muitos relatos trágico-heróicos da batalha mas falta um relatório de operações que nos esclareça acerca da colocação das forças portuguesas e do uso das bocas de fogo. Ou seja, uma visão objectiva do campo de batalha.

Expresso

 

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TOMSK

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« Responder #17 em: Maio 14, 2009, 07:13:16 pm »
É a primeira vez que encontro uma descrição detalhada de como se deu a Batalha. Provavelmente não sabiam que estivémos quase a ganhá-la...

«ALCÁCER-QUIBIR»



Exército Português

«A ordem de batalha do exército luso era a seguinte:
Aa infantaria dividia-se em três corpos: vanguarda, centro e retaguarda.
A vanguarda foi entregue aos soldados mais experientes ou destemidos. Ao meio, o torço dos aventureiros; à direita, o dos alemães; à esquerda, parte do dos italianos e o terço dos espanhóis.
Todos estavam armados de piques. Por isso, cada grupo era guarnecido com mangas de arcabuzeiros. O terço dos aventureiros com atiradores de Tânger, o dos alemães com arcabuzeiros italianos, o dos italianos e espanhóis com atiradores desta nacionalidade.

O centro era formado pelos terços de Vasco da Silveira e de Diogo Lopes de Sequeira, o primeiro atras dos alemães, o segundo atrás dos espanhóis e italianos. No espaço aberto entre eles e, portanto, atrás dos aventureiros, foram colocados os gastadores, a bagagem mais preciosa, a gente de serviço, os soldados castelhanos sem armamento, os religiosos, que não entravam na batalha, e as mulheres.

A retaguarda era também constituída por dois terços:
O de Francisco de Távora e o de D. Miguel de Noronha. Fechando o espaço existente entre ambos, para amparo das bagagens e da multidão dos não combatentes, ficavam mangas de arcabuzeiros.
A carriagem formava duas longas filas, paralelas e exteriores à infantaria.

A cavalaria portuguesa cindiu-se em três grupos:
À esquerda, do lado de fora da carriagem, ficou o rei, com 600 cavaleiros. À direita, o Duque de Aveiro, com cerca de 300, e a seguir, mas separado por um intervalo, o Mestre de Campo General, com os cavaleiros de Tânger, em número de 400. Na extrema direita, para além do quadrado constituído pelo exército cristão, colocou-se o antigo Xerife, com os seus partidários.
A artilharia caminhava à frente, no espaço do terço dos espanhóis, cercada por um pequeno troço de gastadores.

Exército Muçulmano

A formação do exército muçulmano era em crescente ou meia lua, com a infantaria no centro e a cavalaria nas alas. A ala direita. dirigida por Mulei Ahmede, irmão do Xerife, compunha-se de 1.000 escopeteiros a cavalo, e 10.000 cavaleiros armados de lança e adarga. A ala esquerda, sob o comando de Mohâmede Zarco, tinha 2.000 escopeteiros e 10.000 lanceiros.
A infantaria estava dividida em dois corpos:
A vanguarda, formada pelos andaluzes e gazulas, em cuja valentia menos confiava Abde Almélique;
A retaguarda, constituída pelos elches, ou renegados, e os azuagos, soldados absolutamente seguros, que não só animariam, mas impediriam os outros de fugir. A meio, vinha o Xerife, sentado numa liteira, à frente da qual tremulavam antigas bandeiras dos seus antepassados.
Ao fundo, cingindo a infantaria, talvez 16.000 cavalos, quase todos pertencentes a tribos arabes, na maioria ainda armados de bestas.
A artilharia fora colocada numa dobra do terreno, de maneira a disparar de través ao exército cristão, quando este viesse caminhando.

A Batalha

Terminada a formatura, à frente das tropas, pronunciou D. Sebastião um discurso, exaltando a antiga coragem portuguesa, fiadora de grande vitória. Deram depois as trombetas o sinal de marcha, e o Rei determinou a todos os Coronéis, ao Duque de Aveiro, ao Mestre de Campo General e a Mulei Mohâmede, que ninguém entrasse em combate, sem ordem expressa sua.

Entre o acampamento cristão e o muçulmano havia uma pequena elevação. A seguir era a campina rasa, vulgarmente designada por campo de Alcáicer, com mais de duas léguas em redondo, onde se travou a célebre batalha, conhecida na história universal com o nome de Alcácer-Quibir. Esta povoação fica à distância de 15 quilómetros; por isso, com mais rigor, os mouros chamam-lhe Batalha do rio Mocazim ou dos Três Reis.

Logo que as trombetas portuguesas anunciaram a marcha do exército, o Xerife, a muito custo, montou a cavalo, e reunidos os alcaides principais, proferiu breves palavras, prometendo elevadas recompensas a quantos se distinguissem na batalha. Começaram logo as forças muçulmanas a avançar lentamente. A artilharia devia disparar, assim que os cristãos se encontrassem ao alcance de disparo.

Era por volta das 08:00 horas, quando se puseram em movimento os dois exércitos. Volvida uma hora, o centro das tropas muçulmanas suspendeu a marcha. Avançavam os nossos com confiança, quando se ouviram os primeiros tiros da artilharia muçulmana. Mataram apenas dois cavalos, mas o terror foi tamanho nos terços do centro e da retaguarda, que muitos soldados se lançaram por terra. Uma segunda vez troou a artilharia inimiga, prostrando alguns aventureiros, mas D. Sebastião, como alheado de tudo que o cercava, não se decidia a ordenar a investida.
Novos pelouros abriram clareiras na vanguarda, e o rei continuava hesitante. Em rápidos volteios, os escopeteiros mouros já verejavam com balas os terços da frente, e D. Sebastião permanecia irresoluto.
Brados impacientes se ergueram de diversos lados.

Os aventureiros eram talvez os mais revoltados contra a sua perigosa inacção e, como a ordem demorasse, arrojaram-se sobre a infantaria inimiga, que avançava. Os espanhóis, alemães e italianos acompanharam-nos na arremetida.
O Rei desperta finalmente e, dando voz de «Santiago» aos que o rodeiam, atira-se arrebatadamente contra os cavaleiros de Mulei Ahmede.

"O terço dos aventureiros" - escreve o Sr. Professor Queiroz Veloso no livro D. Sebastião (1554-1578), - "composto de homens decididos, especialmente as primeiras filas, apoiado nos arcabuzeiros de Tânger, investe com vigor. Os andaluzes e gazulas resistem, despejando as escopetas contra os assaltantes. O ímpeto dos aventureiros porém, não afrouxa, e ficando os terços estrangeiros excitados pelo nosso exemplo - carregaam agora em toda a frente. A vanguarda moura oscila e recua, esboçando-se, aqui e além, a retirada.
Os aventureiros redobram de esforços: As cinco filas dianteiras avançam com tamanho ímpeto, que se destacam das restantes. Em desordem, os andaluzes voltam costas, numa fuga precipitada. Pungido da mais viva indignação por este acto de cobardia, Abbe Almélique ergue-se vacilante da liteira e monta a cavalo para ir ao encontro dos fugitivos. Este violento gesto provoca-lhe uma síncope, caindo sobre o pescoço do cavalo. Tomam-no os seus íntimos nos braços e deitam-no na liteira. Minutos depois falecia, sem haver recuperado os sentidos, mas a sua guarda pessoal, corridas imediatamente as cortinas, a todos dizia que estava vivo…

«A cólera de Abde Almélique não resultaria unicamente da fuga dos andaluzes. Também devia concorrer, poderosamente, para esse desespero, a debandada de centenas de cavaleiros da ala direita, comandada por seu irmão, que não podendo resistir à violenta carga do esquadrão real, abandonaram o campo com tão desabalada pressa, que alguns só pararam em Alcácer-quibir…
Esta retirada e a dos andaluzes estiveram, por momentos, a dar-nos a vitória…

«Os aventureiros mais audazes conseguem apoderar-se de dois estandartes de Abde Almélique. Vêem-no descer do cavalo, convencidos de que um tiro de arcabuz tangerino o matara. Soltam-se os gritos: "Vitória ! Vitória ! O Moluco é morto!"
Mas os elches e os azuagos, que formavam a retaguarda, acodem rapidamente a preencher o lugar dos fugitivos e uma bala fere então, numa perna, o capitão Álvaro Pires de Távora. O sargento-mor, Pedro Lopes, manda-o conduzir para uma das liteiras, que havia na bagagem, e certamente, com receio de que a retirada se tornasse difícíl, ordena que se detenham, dando a celebrada voz: "Ter! Ter!"

O entusiasmo, que os impelia, esmorece. Hesitam, e quando decidem retroceder, encontram-se cercados. O avanço que levavam aos seus companheiros, fora ocupado pelos inimigos… Os intrépidos aventureiros da vanguarda ficavam assim abandonados.
O que se passou depois não foi um combate. Foi a inglória luta de três ou quatro centenas de bravos, vendendo cara a sua vida.

O Duque de Aveiro, D. Duarte de Meneses e Mulei Mohâmede lançam-se também na peleja, mas como não há plano, nem direcção superior, cada um arremete ao acaso. D. Jorge de Lencastre, com insuperavel audácia, abre largas clareiras nos esquadrões de Mohâmede Zarco.
Os Cavaleiros de Tânger avançam com tamanha energia sobre a artilharia muçulmana, que a teriam conquistado se fossem sustentados por infantaria. Mulei Mohâmede investe também várias vezes.
Estes feitos isolados nenhuma vantagem traziam, porém, ao resultado da batalha.

A nossa artilharia, que nem tempo tivera para se colocar em posição, é atacada por centenas de inimigos. Corre D. Sebastião a liberta-la, e, num combate muito renhido, consegue repelir os assaltantes, à custa de muitas vidas. Mas a bateria ficou perdida, porque os artilheiros, sem guarda que os defendesse, estavam mortos ou foragidos.

Chega então ao Rei a notícia dum furioso ataque à bagagem. Para lá corre à desfilada, à frente de duzentos cavaleiros - a estes se reduzia o esquadrão real - e desbarata alguns milhares de mouros, entretidos na rapina. Foi, porém, impossível reconstituir os terços de Vasco da Silveira e de D. Miguel de Noronha. Gente arrancada aos serviços agrícolas, sem a mínima instrução militar, escondera-se, cheia de terror, debaixo das carretas.

A vanguarda continuava a ser incessantemente alvejada pelos elches e pelos azuagos. As filas dos aventureiros, como as dos terços estrangeiros, vão rareando. A infantaria moura já se não expõe ao perigo dum combate corpo-a-corpo. Os escopeteiros a cavalo, como os nossos já não tinham mangas de atiradores a defendê-los, avançavam até à distância de tiro, despejavam as suas escopetas, e quando os piqueiros corriam sobre eles, viravam rapidamente, para voltar depois, com as armas novamente carregadas.

Diversos fidalgos pedem ao Rei que se retire. Vencer era impossível, mas fácil ainda salvar-se pelo caminho de Arzila. D. Sebastião recusa.
Atraidos pelo estandarte real, centenas de mouros de cavalo acometem-no de todos os lados. Fernando Mascarenhas pregunta-lhe:
"E agora, Senhor, que havemos de fazer?"
"Fazer o que eu faço", responde o rei, e, com o costumado ímpeto, rompe os inimigos, derrubando os mais próximos.

Na retaguarda, o terço de Diogo Lopes de Sequeira abandonara também os piques. Só o terço de Francisco de Távora combatia com uma coragem que honrava os soldados algarvios, em grande número alistados voluntariamente. A morte do seu heróico coronel deprimiu-lhes, porém, o ânimo e renderam-se. Depois de quatro horas de luta, terminara a batalha.

Apenas D. Sebastião e um pequeno grupo de fidalgos continuavam a combater. Nem a bandeira, nem o guião real, chamavam já a atenção dos mouros sobre o monarca, e talvez a esta circunstância devesse não ter sido ainda morto. Mas era um fim previsto.
Cristóvão de Távora suplica-lhe que se renda. D. João de Portugal acrescenta:
"Que pode haver aqui que fazer, senão morrermos todos?"
Respondeu D. Sebastião: "Morrer, sim, mas devagar".

D. Nuno Mascarenhas chegou a arvorar um lenço, na ponta da lança ou da espada. D. Sebastião, porém, não se rendeu, e travando-se combate, foram mortos o conde de Vimioso, Cristóvão de Távora e alguns fronteiros de Tânger. Os restantes ficaram prisioneiros. Mais adiante, foi o soberano português cercado dum grupo de alarves que o mataram, com profundos golpes na cabeça e algumas arcabuzadas no tronco.

Mulei Mohâmede pretendeu salvar-se, atravessando o Mocazim. A maré começava, porém, a descer ràpidamente. O cavalo meteu uma das patas pela rédea e voltou-se, fazendo cair o cavaleiro, que morreu afogado.

Nunca, na Berbéria, houvera batalha mais sangrenta: cinco a seis mil mouros e sete a oito mil cristãos mortos, com milhares de prisioneiros de várias nacionalidades e de todas as categorias e classes, entre eles muitas centenas de mulheres e de crianças.

Portugal ficou arruinado.

As despesas da expedição e depois o resgate dos prisioneiros levaram as últimas economias. A falta de braços para o amanho das terras era enorme. As consequências políticas da derrota foram, porém, ainda mais terríveis:
A perda da independência.
Tudo isto torna esta batalha uma das mais notáveis da história universal.»
 

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TOMSK

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« Responder #18 em: Julho 12, 2009, 12:38:11 am »
Em jeito de homenagem, aqui fica a lista dos nossos combatentes que tombaram em Álcacer Quibir. Ao todo foram mais de 9.000 homens.
A lista está incompleta...

D. Afonso de Noronha, conde de Odemira, D. Afonso de Portugal, conde de Vimioso, Afonso Serrão, cunhado de Rui de Sousa, Agostinho Pereira, Aires de Miranda, D. Aires da Silva, bispo do Porto, Alexandre de Melo, filho de Garcia de MeIo, Alexandre Moreira, D. Álvaro de Castro, o Romanisco, Álvaro Coutinho, D. Álvaro de MeIo, sobrinho do conde de Tentúgal, Álvaro Pais Sotomaior, Álvaro Pires de Távora, filho de Rui Lourenço de Távora, da Pesqueira, Ambrósio da Costa, cunhado de Miguel de Moura, André de Albuquerque, André Gonçalves, alcaide mor de Sintra, André Pires, filho de Álvaro Pires, António de Carvalho, de Setúbal, D. António da Costa, filho de D. Gil Eanes da Costa, António Jaques, António Lobo, alcaide mor de Monsarás, e um filho do mesmo nome, D. António de Meneses, filho de D. Pedro de Meneses, senhor de Cantanhede, António de Moura, filho de Álvaro Gonçalves de Moura, D. António de Noronha, António Pires de Andrade, filho de Álvaro Pires de Andrade, António de Sousa, filho de André Salema, António de Sousa, filho de Diogo Lopes de Sousa, D. António de Vasconcelos, António Velho Tinoco, Bartolomeu da Silva, Bernardo de MeIo, Braz de Lucena, filho de Sebastião de Lucena, Cristóvão de Alcáçova, filho de Pedro de Alcáçova Carneiro, Cristóvão de Brito, Cristóvão de Távora, filho de Bernardim de Távora, Cristóvão de Távora, filho de Lourenço Pires de Távora, D. Diogo de Castelo Branco, irmão de D. Martinho de Castelo Branco, D. Diogo de Castro, da casa do Torrão, Diogo da Fonseca Coutinho, Diogo Lopes da Franca, Diogo Lopes de Lima, Diogo de Melo, filho de Garcia de Melo, D. Diogo de Meneses, filho de D. Fernando de-Meneses, da casa dos condes de Viana, D. Diogo de Meneses, irmão de D. Pedro de Meneses, da casa de Cantanhde, Diogo Serrão, cunhado de Rui de Sousa, Duarte Dias de Meneses, Duarte de MeIo, D. Duarte de Meneses, filho de D. Garcia de Meneses, Duarte de Miranda, Fr. Estevão Pinheiro, Estevão Soares de MeIo, D. Fernando Mascarenhas, Fernão Barreto, filho de Belchior Barreto, Fernão Martins Mascarenhas, Fernão Rodrigues de Brito, Fernão de Sousa, Francisco Barreto, filho de Nuno Rodrigues Barreto, Francisco Casado de Carvalho, D. Francisco Coutinho, Francisco Domingues de Beja, filho de Rodrigo Afonso de Beja, Francisco Henriques, Francisco de MeIo, filho de Simão de MeIo, D. Francisco de Meneses, filho de D. Fernando de Meneses, D. Francisco Manuel, filho de D. João Manuel, D. Francisco de Moura, filho de D. Luiz de Moura, D. Francisco Pereira, Francisco Sodré, Francisco de Távora, coronel do terço do Algarve, D. Francisco de Vilaverde, filho de D. Pedro de Vilaverde, Garcia Afonso de Beja, filho de Rodrigo Afonso de Beja, Garcia de MeIo, filho de Simão de MeIo, D. Garcia de Meneses, da casa dos condes de Viana, Gaspar Nunes, D. Gaspar de Teive, Gomes Freire de Andrade, de Bobadela, Gomes de Sotomaior, D. Gonçalo de Castelo Branco, filho de D. Afonso de Castelo Branco, Gonçalo Nunes Barreto, alcaide mor de Loulé, filho de Nuno Rodrigues Barreto, Gregório Sanches de Noronha, Gregório Sernache, do Porto, Henrique Correia da Silva, filho de Ambrósio Correia, Henrique de Figueiredo, Henrique Henriques de Miranda, alcaide mor de Chaves, D. Henrique de Meneses, o Roxo, filho de D. Diogo de Meneses, da casa do Louriçal, D. Henrique de Meneses, filho de D. Francisco de Meneses, da casa de Tarouca, D. Henrique Moniz, sobrinho de D. António Moniz, D. Henrique Telo de Meneses, irmão de D. Jorge Telo de Meneses, pagem do guião, D. Jaime de Bragança, irmão do duque de Bragança, D. João, Jerónimo de Freitas, D. Jerónimo de Saldanha, filho de D. Luiz de Saldanha, Jerónimo Teles, filho de Fernão Teles, de Santarém, D. João de Abrantes, D. João de Almeida, filho de D. Duarte de Almeida, João Álvares da Cunha, João Brandão de Almeida, João de Carvalho Patalim, D. João de Castelo Branco, filho de D. Simão de Castelo Branco, João da Cunha, comendador de Malta, João da Gama, João Gomes Cabral, D. João Henriques, D. João Manuel, D. João Mascarenhas, filho de D. Vasco Mascarenhas, João Mendes, morgado de Oliveira, João de Mendonça Furtado, antigo governador da lndia, D. João de Meneses, filho de D. Manuel de Meneses, da casa do Lounçal, D. João de Meneses, filho de D. Pedro de Meneses, senhor de Cantanhede, D. João Pereira, filho de D. Francisco Pereira, D. João de Portugal, filho de D. Francisco de Portugal, D. João de Portugal, filho de D. Manuel de Portugal, João Quaresma, filho de Manuel Quaresma Barreto, D. João de Sá, filho de D. Duarte de Sá, João da Silva, filho de Lopo Furtado de Mendonça, João da Silva, filho de Lourenço da Silva, regedor da Justiça, João da Silveira, de Beja, João da Silveira, de Evora, D. João da Silveira, filho do conde da Sortelha, Jorge da Costa, D. Jorge de Faro, primo do conde de Odemira, D. Jorge de Lencastre, duque de Aveiro, e seu primo do mesmo nome, D. Jorge de MeIo, de Portalegre, D. Jorge de MeIo Coutinho, de Santarém, Jorge de MeIo da Cunha, Jorge da Silva, tio de Lourenço da Silva., D. Jorge da Silva da Gama, filho de D. Duarte da Gama, Leonel de Lima, filho de Jorge de Lima. D. Lopo de Alarcão, Lopo Mendes de Barros, Lopo de Sousa, Lopo Vaz de Sequeira, Lourenço Amado, Lourenço Guedes, Lourenço de Lima, filho de Jorge de Lima, D. Lourenço de Noronha, filho do conde de Linhares, Lourenço da Silva, regedor da Justiça, Lourenço de Sousa, filho de André Salema, Lucas de Andrade, Luiz de Alcáçova, filho de Pedro de Alcáçova Carneiro, D. Luiz de Almeida, irmão do arcebispo de Lisboa, D. Jorge de Almeida, Luiz Alvares de Távora, senhor do Mogadouro, Luiz de Castilho, D. Luiz de Castro, filho de D. Álvaro de Castro, D. Luiz Coutinho, conde do Redondo, D. Luiz Coutinho, cunhado de D. Miguel de Noronha, D. Luiz de Meneses, filho de D. Aleixo de Meneses, D. Luiz de Noronha, alcaide mor de Monforte, Manuel Correia Baharem, Manuel Correia Barreto, Manuel Côrte-Real, Manuel Fradique, D. Manuel de Lacerda, alcaide mor de Souzel, Manuel de Mendonça Cação, filho de João de Mendonça Cação, D. Manuel de Meneses, bispo de Coimbra, Manuel de Miranda, D. Manuel de Noronha, filho de D. Gomes de Noronha, D. Manuel de Portugal, filho do conde de Vimioso, Manuel Quaresma Barreto, Manuel Rolim, Manuel de Sousa, aposentador mor, Manuel de Sousa, filho de André de. Sousa, Manuel Teles, filho de Fernão Teles, de Santarém, Martlm Afonso de Sousa, filho de Pedro Lopes de Sousa, Martim Gonçalves, Martim Gonçalves da Câmara, filho de Luiz Gonçalves de Ataíde, Martim de Távora, D. Martinho de Castelo Branco, senhor de Vila Nova de Portimão, Mateus de Brito, filho de Lourenço de Brito, D. Matias de Noronha, Miguel de Abreu, irmão de Lopo de Abreu, Miguel Cabral, D. Miguel de Meneses, filho de D. Manuel de Meneses, da casa do Louriçal, Nuno Freire de Andrade, filho de Gomes Freire de Andrade, de Bobadela, D. Nuno Manuel, Pedro Alvares de Carvalho, irmão de Francisco Casado de Carvalho, Pedro de Carvalho Patalim, filho de João de Carvalho Patalim, D. Pedro de Castro, alcaide mor de Melgaço, D. Pedro da Cunha, Pedro Lopes de Sousa, filho de Martim Afonso de Sousa, governador da fndia, D. Pedro Mascarenhas, irmão de D. João Mascarenhas, Pedro de Mesquita, bailio de Leça, Pedro Moniz, filho de Bernardo Moniz, D. Pedro de Noronha, filho do conde de Linhares, D. Pedro da Silva, de Elvas, D. Pedro de Vilaverde, D. Rodrigo de Castro, da casa do Torrão, e seu sobrinho do mesmo nome, D. Rodrigo de MeIo, filho do conde de Tentúgal, D. Rodrigo Lobo, barão de Alvito, Rui de Figueiredo, Salvador de Brito, alcaide mor de Alter do Chão, D. Sancho de Faria, D. Sancho de Noronha, Sebastião Gonçalves Pita, Sebastião de Sá, irmão de Francisco de Sá de Meneses, Sebastião da Silva, filho de Fernão da Silva, D. Simão de Meneses, filho de D. Diogo de Meneses, da casa do Louriçal, D. Simão de Meneses, filho de D. Rodrigo de Meneses, da mesma casa, Simão da Veiga, Tomé da Silva, Vasco Coutinho e D. Vasco da Gama, conde da Vidgueira...

 :Soldado2:  :Soldado2:
 

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« Responder #19 em: Julho 12, 2009, 06:58:48 pm »
Por favor, TOMSK onde encontrou a lista ?  :shock:

Eramos vassalos que tinha-mos assento en Alcácer do Sal no século XIV.

Era so para verificar que é bem de um antepassado meu que se fala.
... obrigado.  :wink:
"Obviamente, demito-o".

H. Delgado 10/05/1958
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« Responder #20 em: Julho 12, 2009, 09:09:32 pm »
Está aqui Texou:

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teXou

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« Responder #21 em: Julho 13, 2009, 11:12:36 am »
Citação de: "TOMSK"
...
Já agora, pode-nos dizer qual é o seu antepassado que figura na lista?

Não é à toa que se diz que todos nós perdemos um antepassado nesta batalha... :lol:
Porque assim vou poder completar certas coisas. E ir mais longe que as armas/brasão/inicio do nome/... porque com uma família tão velha (certos dados dizem que existe já sobre D. Sancho I.) é muito fácil perder-se na genealogia da família.  :N-icon-Axe:
"Obviamente, demito-o".

H. Delgado 10/05/1958
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« Responder #22 em: Julho 13, 2009, 08:51:11 pm »
O apelido "Salema" é de origem judaica , nao é ?
Eu logo vi que o Texous tinha origens hebraicas ehehehehheehehe
A pior das ditaduras é a que se disfarça de democracia
 

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« Responder #23 em: Julho 14, 2009, 03:36:14 pm »
:toto:
"Obviamente, demito-o".

H. Delgado 10/05/1958
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Lusitano89

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Re: A Batalha de Alcácer-Quibir
« Responder #24 em: Novembro 17, 2009, 06:55:50 pm »
Exertos do filme Non, ou a Vã Gloria de Mandar de Manoel de Oliveira, dedicada à Batalha de Alcacer Quibir


 

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cromwell

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Re: A Batalha de Alcácer-Quibir
« Responder #25 em: Fevereiro 07, 2010, 07:06:51 pm »
Um facto que eu sempre achei muito estranho quanto a mim próprio é que o meu pai morreu 2 semanas antes de eu nascer, tal e qual como aconteceu com o pai de D. Sebastião. :roll:
"A Patria não caiu, a Pátria não cairá!"- Cromwell, membro do ForumDefesa
 

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TOMSK

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Re: A Batalha de Alcácer-Quibir
« Responder #26 em: Fevereiro 08, 2010, 09:42:43 pm »
Citação de: "cromwell"
Um facto que eu sempre achei muito estranho quanto a mim próprio é que o meu pai morreu 2 semanas antes de eu nascer, tal e qual como aconteceu com o pai de D. Sebastião. :mrgreen:
Até penso que na verdade Dom Sebastião reencarnou na minha pessoa.
Deixem-me só ir buscar a espada e o cavalo...
 

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cromwell

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Re: A Batalha de Alcácer-Quibir
« Responder #27 em: Fevereiro 09, 2010, 02:16:55 pm »
Citação de: "TOMSK"
Citação de: "cromwell"
Um facto que eu sempre achei muito estranho quanto a mim próprio é que o meu pai morreu 2 semanas antes de eu nascer, tal e qual como aconteceu com o pai de D. Sebastião. :mrgreen:
Até penso que na verdade Dom Sebastião reencarnou na minha pessoa.
Deixem-me só ir buscar a espada e o cavalo...

E não se esqueça da armadura e da viseira! :mrgreen:

EIA,EIA, POR SANTIAGO, A ELES!
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HSMW

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Re: A Batalha de Alcácer-Quibir
« Responder #28 em: Julho 03, 2020, 10:44:42 pm »


Excelentes episódios sobre a batalha que mudou o destino de Portugal.
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