Cimeira Ibérica

  • 20 Respostas
  • 6139 Visualizações
*

Leonidas

  • Analista
  • ***
  • 618
  • Recebeu: 3 vez(es)
  • +1/-2
(sem assunto)
« Responder #15 em: Novembro 22, 2005, 07:37:58 am »
Saudações guerreiras, Emarques.

Citação de: "emarques"
Alhos/bugalhos.
Claro que o transporte fluvial e marítimo é muito mais económico. (Como exemplo há o estudo que dizia que transportar o vinho de Peso da Régua por barco até Liverpool era mais barato que transportá-lo de camião até ao Porto.) Só que em muitos casos a utilização dos portos não é viável, seja porque o transporte é urgente (um cargueiro não é exactamente rápido) ou por qualquer outra razão.
Atenção que as mercadorias também têm que ser transportadas até ao seu destino e isso pode não ficar mesmo ao lado dos portos marítimos. Por isso a minha sugestão vai para o transporte de camiões com respetivas cargas, para atenuar o impacto negativo de uma redução de postos de trabalho nas empresas terrestres de mercadorias.
E para que no destino não haja a necessidade de contratar terceiros para fazer aquilo que os próprios portugueses podem fazer.

Outra questão que, a meu ver, faz todo o sentido e que também poderá mais que comprovar a viabilidade destas medidas, é o próprio processo de produção de aviões Airbus. Quantas fábricas não existem espalhadas pela Europa? Onde é que se situa a montagem final? Não é em Toulouse? Toulouse que fica bem no interior da França, será que por causa disso os preços dos aviões ficaram mais caros? Claro que não. Segundo os peritos estes métodos de produção são mais baratos e eficientes por comparação com a Boing.  

Citação de: "emarques"
Claro que é importante construir acessos aos portos de mar, e muito provavelmente a opção naval (tal como a opção ferroviária) é pouco aproveitada pelos exportadores portugueses. Só que nem todo o tráfego numa via de comunicação é carga para se colocar em porta-contentores.
Neste momento a opção naval é a mais indicada para os nossos interesses. A opção ferroviária, tal como as coisas estão programadas, não só na Europa, mas também entre Portugal e Espanha, não nos é favorável. Temos sempre que negociar e mesmo assim estamos sempre dependentes deles, mesmo que assinemos acordos. E para quê? Para que mais tarde não venham a ser cumpridos??? Onde é que já vimos isso?? Negociar, quando há outras possibilidades mais que aceitáveis sem serem exploradas, é uma autêntica burrice. Negociar implica sempre que tenhamos que fazer cedências, e  para quê, se temos outras alternativas sem ceder um milímetro naquilo que nos pertence???

Existem outras questões que tornam as coisas não fáceis como horários específicos, pessoal qualificado, tráfego, etc, que não abonam nada a nosso favor, também.

Cada vez mais desconfio que há uma crescente pressão por parte de Espanha nesta questão, pura e simplesmente por causa dos sues interesses, seguramente, e nada mais. O resto é conversa.
Se os espanhóis querem que tenhamos o CAV ou outra coisa qualquer, então que o paguem na totalidade. Assim penso que é mais justo, sem bem que não concorde na mesma, porque de resto é estarmos a investir num elefante branco num curto espaço de tempo. Se calhar isto tudo tem a ver com o medo de não queremos perder o comboio da Europa, por isso temos que andar á mesma velocidade. Mesmo que nunca venham a atingir velocidades na ordem dos 300 Km/h, ou mais, teremos sempre o orgulho de ter um TGV, ou seja, andamos tão depressa como os outros da Europa, tão desenvolvida como a “nossa”, mesmo que virtualmente. Isto lembra-me uma anedota.

“Nós” cada vez mais gostamos de ser “enganados” e parece que não há solução á vista. Tanta sabedoria produzida neste país, mas que muito pouca é aplicada inteligentemente, mesmo pelo estado.

Só cerca de 12% das mercadorias na Eurapo são transportades via comboio por causa das mais diversas imcompatibilidades. Nos EUA pela mesma via circulam só 4 vezes mais mercadorias. Mais uma razão para apostarmos numa frota naval para investirmos também na nossa indústria de construção naval.

Citação de: "emarques"
Dito isto, eu continuo a achar que a nossa infraestrutura ferroviária é tão "merdosa" que o CAV (Comboio de Alta Velocidade, já agora, usemos uma sigla portuguesa ;)) não vai resolver nada. O comboio está agonizante neste país (muito por culpa da "política do betão") e seria preciso um esforço muito grande para o reavivar. O CAV é uma medida avulsa e que de certeza não vai ter grande seguimento na política de transportes, e para isso mais vale não fazer nada.

Culpas para o Dom “Acabado” Silva. Foi ele quem começou por causa da política do asfalto. Entretanto não se ficou só por aí. Mandou encerrar uma não sei quantas linhas ditas de não rentáveis. Só para lembrar(-me) que algumas estações nas linhas secundárias com bitola diferente estavam em muito mau estado de conservação no norte, relativamente perto do Porto, não me lembro dos nomes -  sei que foram umas poucas e isto já lá vai uns bons anos. Estruturas essas que são antiquíssimas e algumas delas aposto que tem um elevado valor patrimonial devido à sua traça arquitectónica única culpa para os outros que continuaram a mesma ou nenhuma política, em relação a estes assuntos. Culpas para que lhe seguio, porque também não fez a ponta de um corno par tornar as coisas mais úteis (aproveitamento turistico). AS Scuts são bem melhores.

A linha que liga Guarda à Covilhã. Fiz esse itenerário diversas vezes só para conhecer. Paisagens maravilhosas e espetaculares relevos, durante o precursso. A linha era ou ainda é um autêntico nojo, para não falar do próprio comboio que conseguia ser mais velho que o meu avô.

Como somos todos ricos e não sabemos o que fazer ao dinheiro, porque gostamos de gastá-lo na gasolina, nem que seja para andar 500 metros, mesmo que ela esteja a 2 euros o litro, nunca fará diferença este tipo de prioridades/opções.

O que interessa é encher o olho e continuarmos com ilusões quanto ao nosso modelo de desenvolvimento supostamente (e dito) sustentando. Acho que só estamos a ser coerentes connosco próprios, afinal nascemos ou não na cepa torta? Se não nascemos, temos muito essa predisposição, muita inclinação para ela. Deve ser para treinar a vénia a um par de jarras que eu cá sei.

Reparemos que nem sequer temos uma ligação ferroviária de e para Sines, á rede nacional, sabendo nós o que isso que representa no final e os prejuízos de não ter tal via estruturante.

Cumprimentos
« Última modificação: Novembro 22, 2005, 09:54:55 pm por Leonidas »
 

*

manuel liste

  • Especialista
  • ****
  • 1053
  • +0/-0
(sem assunto)
« Responder #16 em: Novembro 22, 2005, 10:30:00 am »
Citação de: "Leonidas"
Sem dúvida, Manuel, é perfeitamente normal que o tamanho de uma grande maioria de empresas espanholas em relação ás portuguesas sejam maiores, isso é obvio, porque o mercado espanhol foi sempre maior que o português. Porém (pero/sin embargo) há aqui uma coisa que há que ter en conta, se não estou em erro. As negocições para o mercado ibérico é de estado para estado e não exclusivamente entre empresas dos dois países e isso faz com que tenha forçosamente que haver um equilibrio e não uma jogada qualquer unilateral quer de ESpanha ou Portugal.

Se não lhes agrada o mercado único, saiam-se dele. Por esse mercado único, e não por outra coisa, a EDP é dona da espanhola Hidrocantábrico.

Repito: a OPA é entre empresas privadas, e decidirão investidores privados, não o governo espanhol.

Citar
Eu até me atrevo a ir mais longe. Diria que até nem é necessário atravessar a Espanha para chegar ao resto da europa. Afinal para que é que servem os ferries?! Será que não é economicamente viável esta solução? Assim podiamos aceder a mercados mais longíncos. Quantos camiões não poderão serem transportados por um só navio? Centenas deles.


Um comentário interessante. Há uma política européia que tem esse objetivo de transladar caminhões em navios por rotas chamadas "auto-estradas do mar", com a finalidade de reduzir o tráfico pesado.

Não está pensado para o tráfico de pessoas, só para mercadorias.

Há vários portos atlânticos interessados em ter escalas dessas "auto-estradas". Creio que Leixoes competirá com Vigo, Gijón e Bilbao nessa carreira.

Há ferries entre Grã-Bretanha e os portos espanhóis de Bilbao e Santander, mas o tráfico que poupam é pouco. Os ferries têm lógica para ir a ilhas, a outros destinos não compensa por sua lentidão.

PS: O transporte ferroviário está a ganhar usuários em Espanha. O metro e as linhas de cercanias são as que têm mais tráfico, mas as que mais aumentam clientes são... as linhas TGV.
 

*

Leonidas

  • Analista
  • ***
  • 618
  • Recebeu: 3 vez(es)
  • +1/-2
(sem assunto)
« Responder #17 em: Novembro 22, 2005, 10:10:59 pm »
Saudações guerreiras.

Citação de: "M.Liste"
Se não lhes agrada o mercado único, saiam-se dele. Por esse mercado único, e não por outra coisa, a EDP é dona da espanhola Hidrocantábrico.

Repito: a OPA é entre empresas privadas, e decidirão investidores privados, não o governo espanhol.


M. Liste, a mim tanto me agrada (me gusta) vocês em Portugal como nós (nosotros) em Espanha. Mais fácil é assim o clima para se resolverem todos os problemas entre os dois países. Eu não tenho problemas em relação ao MIBEL, desde que, Espanha (empresas e o governo) cumpram os acordos que venham (vengam) a assinar (firmar) com Portugal (empresas e o governo).

Peace, love and rock & roll.

Cumprimentos/saludos
 

*

ferrol

  • Analista
  • ***
  • 717
  • +0/-0
(sem assunto)
« Responder #18 em: Novembro 23, 2005, 08:07:06 am »
Citação de: "Leonidas"
M. Liste, a mim tanto me agrada (me gusta) vocês em Portugal como nós (nosotros) em Espanha.
Pois a min, mentres teñan boa relación calidade/prezo e respeten o medio ambiente, dame igual se son portuguesas ou mozambiqueñas.
Tu régere Imperio fluctus, Hispane memento
"Acuérdate España que tú registe el Imperio de los mares”
 

*

TOMKAT

  • Especialista
  • ****
  • 1173
  • +0/-0
(sem assunto)
« Responder #19 em: Novembro 23, 2005, 11:06:03 pm »
Um bocado off-tópic, mas tudo o que mexe com Espanha, mexe muito muito com Portugal, aqui vai um artigo interessante pelo conteúdo do correspondente em Espanha do Expresso publicado no caderno "Actual" de sábado passado...
Citar
Um totem derrubado?

Um dos pactos não-escritos mais respeitados pela classe política espanhola que protagonizou a transição, e que de imediato foi assumido sem alterações pelos diferentes Governos que regeram os destinos desta nação nos últimos trinta anos, está a romper-se perigosamente.
A figura do Rei Juan Carlos, tema tabu até há bem pouco tempo, está a começar a ser objecto de ataques directos e públicos a partir de instâncias associadas ao espectro político da direita nacional.

Neste país de contrastes, é a esquerda, históricamente republicana, quem de modo mais activa está a defender o Rei e a denunciar os excessos dos seus críticos.
As teses dos adversários são as de que Juan Carlos, em particular, naõ está a intervir num conflito que, na opinião desses sectores da direita política, coloca em perigo a própria existência de Espanha: a reforma dos estatutos de autonomia de algumas comunidades (Catalunha e País Basco, essencialmente) que aspiram a maiores quotas de auto-governo.
E que, em geral, oRei tem mantido melhores relações com os grupos políticos de esquerda do que com os de direita.
Os ataques vêm de alguns programas da cadeia radiofónica COPE (propriedede da Conferência Episcopal espanhola) e do diário «El mundo»,
dirigido por Pedro J. Ramirez, onde se critica asperamente a suposta passividade do Rei, ignorando a propósito que a Constituição de 1978, elaborada com um grau de consenso entre as esquerdas e as direitas como nunca tinha acontecido em Espanha, consagra explicitamente o papel meramente arbitral do Rei. O Rei reina, mas não governa, segundo a carta magna.

Em virtude deste «totem» derrubado, o monarca começa a receber afrontas jornalisticas sobre a qualidade dos seus amigos, os seus gostos em matéria de amores, os seus negócios...Parece que estão a apresentar a factura pela sua suposta traição à memória de Franco, pela sua recusa em patrocionar uma corte como aquela que em boa medida propiciou a queda de vários dos seus antecessores, por se permitir o luxo de manter relações cordiais com todos os partidos, incuindo os de esquerda.
Com á lógico, Nem o Rei nem os que o rodeiam proferiram qualquer palavra, tomaram qualquer atitude ou esboçaram o mínimo gesto perante esta campanha.

                                                         
Angel Luis de La Calle


"Nem tudo vai bem no reino de Matusalém" :roll:
IMPROVISAR, LUSITANA PAIXÃO.....
ALEA JACTA EST.....
«O meu ideal político é a democracia, para que cada homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado»... Albert Einstein
 

*

Leonidas

  • Analista
  • ***
  • 618
  • Recebeu: 3 vez(es)
  • +1/-2
(sem assunto)
« Responder #20 em: Novembro 24, 2005, 12:18:14 am »
Saudações guerreiras, Ferrol.

Estou de acordo consigo.

Cumprimentos/Saludos.
 

 

Península Ibérica: a Batalha pela Água

Iniciado por P44

Respostas: 35
Visualizações: 12890
Última mensagem Dezembro 19, 2010, 09:20:04 pm
por cromwell