EUA: Bons nos negócios, Maus na Cultura...

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Moi

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EUA: Bons nos negócios, Maus na Cultura...
« em: Agosto 01, 2005, 11:33:19 pm »
EUA: O melhor país para fazer negócios, o pior na riqueza cultural - Estudo
   

Nova Iorque, 01 Ago (Lusa) - Os Estados Unidos são o melhor país desenvolvido para se fazer negócios, mas levam a nota mais baixa no que toca à riqueza cultural, revelou um estudo hoje divulgado.

Segundo o inquérito trimestral da empresa Anholt-GMI sobre 25 países desenvolvidos, a que responderam 18 mil consumidores em 18 países, os Estados Unidos continuam a ser considerados a melhor nação para montar um negócio.

No entanto, o inquérito coloca o país em último lugar em matéria de riqueza cultural.

"A fraca nota da cultura é muito mais perturbante do que a má nota, sem surpresas, na governação política, porque dá uma indicação real sobre como o resto do mundo encara os americanos, a sociedade e o espírito do país", sublinhou Simon Anholt, co-autor do estudo.

Segundo Anholt, este anti-americanismo pode mesmo prejudicar as marcas que os consumidores associaram aos Estados Unidos, como a Nike, MacDonald+s ou Ford.

Os Estados Unidos surgem no 11º lugar na classificação geral do estudo, liderado pela Austrália, Canadá e Suiça. A Turquia surge no último lugar da classificação.

LUSA

Parece que a «mão invisível» não chega à Cultura....
 

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Moi

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Russos liam mais na Era Soviética
« Responder #1 em: Agosto 01, 2005, 11:36:56 pm »
Russos liam mais na Era Soviética


Rússia: Mais de metade dos russos não compra livros nem lê
   

Ignacio Ortega, da agência Efe/Serviço Lusa Moscovo, 01 Ago (Lusa) - Mais de metade dos russos não compra livros e ignora os autores clássicos, segundo a Associação de Livreiros da Rússia, estatística que contrasta com a era soviética, quando se dizia ser o povo que mais lia no Planeta.

«Antes, era obrigatória a leitura de Dostoievski, Gogol e Tolstoi para entrar na universidade. Agora, nenhum estudante consegue recitar de memória um poema de Pushkin», lamenta-se Svetlana, 52 anos, professora de teatro e ávida leitora dos clássicos.

Só 23 por cento dos adultos russos se considera leitor habitual de livros, enquanto 37 por cento confessa que nunca lê, estatísticas que levaram os especialistas a falar de "catástrofe" na leitura.

«Na Rússia, os livros nunca deveriam ser um luxo», reconhece Serguéi Stepashin, antigo primeiro-ministro e presidente da Associação de Livreiros da Rússia (RKS).

Em tempos, as autoridades soviéticas baptizaram a URSS como «o país que mais lê no planeta» e o "aumento" generalizado da leitura, entre a população de todas as idades, converteu-se no orgulho da nação.

Em contraste, agora o diário oficialista Rossískaya Gazeta titula "De Dostoievski a Steele", numa referência à tendência dos tempos, dos clássicos para a novela cor-de-rosa.

«A Rússia é um país de livros. Isto constata-se no aparecimento, na vida real, de personagens parecidas com os heróis literários. Continuamos a comparar as situações quotidianas com as personagens dos livros», escreve o diário.

«Se, dentro de vinte anos, as novas gerações crescerem sem substrato literário, que será delas?», interroga o periódico.

E acontece que 80 por cento dos russos não entra em bibliotecas, 36 por cento não tem qualquer livro em casa e os estudantes russos ocupam um dos lugares mais baixos da Europa, no que se refere a qualidade de leitura.

A média do tempo de leitura é de 7,1 horas por semana, o que explica que a tiragem média dos livros tenha baixado, nos últimos anos, de cinco mil para três mil exemplares.

Nos primeiros seis meses deste ano, a venda de livros caiu 15 por cento e o preço médio é de 90 rublos (2,3 euros), cinco vezes menos do que nos países ocidentais mas representando 8 por cento do custo mensal do cabaz de compras.

«O livro já não é o melhor prazer. Basta viajar no metro e ver que, agora, só se vêem novelas de detectives e latas de cerveja nos corredores», comenta Dimitri, secretário de uma empresa alemã.

Entre as "desculpas" invocadas pelos russos para não lerem, a mais habitual é a falta de tempo, seguida pelo elevado custo, a ausência de uma literatura de qualidade e, por último, falta de interesse pela leitura.

Na opinião dos peritos, uma das explicações é a escassez de livrarias, uma por cada sessenta mil habitantes, enquanto que, na União Europeia, a média é de uma livraria por cada dez mil habitantes.

Seja como for, os norte-americanos ainda lêem menos do que os russos, já que 53 por cento não dedica nem um minuto à leitura.

A resposta para a crise, segundo Stepashin, poderia ser o lançamento de um programa de promoção da leitura, já que a Rússia é um dos poucos países que o não tem à escala nacional.

«Agora só se promovem livros-lixo, que marginalizam e mancham a dignidade humana. Esta é uma literatura para atrasados mentais», diz, indignado, Serguéi Kapitsa, famoso cientista e escritor, para além de presença assídua na televisão russa.

As novelas rosa e policiais encabeçam as listas de vendas na Rússia, seguidas por +best sellers+ do brasileiro Paulo Coelho ou do russo Boris Akunin.

A novela infantil ocupa um escalão mais baixo, seguida por livros de culinária, psicologia, saúde ou história, enquanto, entre a juventude, os livros mais populares tratam temas de ficção científica, mística e terror.

Os clássicos russos e estrangeiros ocupam o penúltimo lugar, enquanto só 3 por cento dos russos investiu algum tempo a ler poesia, nos últimos três meses.

LUSA :shock:  :shock:  :shock:  8)
 

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komet

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« Responder #2 em: Agosto 01, 2005, 11:49:36 pm »
Está aí a explicação da queda da URSS, tanto leram que se aperceberam do ridículo que era o comunismo.
"History is always written by who wins the war..."
 

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Moi

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« Responder #3 em: Agosto 02, 2005, 09:49:58 am »
Então e os americanos não lêem para não lhes acontecer o mesmo, é isso?

Fraquíssimos argumentos esses.

Independentemente dos preconceitos que possamos ter em relação às ideologias, há que saber distinguir as coisas.

O Comunismo tinha/tem alguns defeitos, mas também tinha/tem algumas qualidades. Entre elas o alto nível de literacia/educação das populações.

Basta ver que 14/15 anos após a desagregação dos regimes de Leste, a população (desses países) apresenta níveis de edução superiores à grande parte dos países europeus, portugueses obviamente incluídos. Daqui a uns anos, quandos eles «descolarem» na UE lá teremos de arranjar mais desculpas para as nossas falhas...

Os tempos do «McArturismo» foram na década de 50, apesar da cegueira embalada pela cantilena «or with US, or against US» ser um mal vicoso e intemporal, bastante fácil de pegar e cómodo de defender.


..."History is always written by who wins the war..."
 

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alfsapt

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« Responder #4 em: Agosto 02, 2005, 12:42:13 pm »
...isto é apenas uma meia verdade...

Os Livros foram durante muito tempo a única fonte de informação... principalmente em regimes que limitavam a imprensa.

Hoje existe a internet e quase nenhum tempo para lazer: o propósito a que quase se reduziu a leitura.

Quanto ao "analfabetismo" americano é mesmo cultural: o que para um Europeu é cultura pode não o ser para um americano e vice-versa.

Não discordo que se diga que comparativamente o americano típico tem pouca "cultura geral", mas tb percebo que o seu "universo cultural" pouco se extenda para além das suas fronteiras e Lingua Inglesa.

E não é verdade que a romanização não foi mais do uniformizar a assimilação de culturas superiores à romana?

Facto é que a "globalização" anda de mãos dadas com a "americanização" do mundo desde os anos 50... e sem fim à vista.

Eu ainda diria que: a história é escrita na língua dos vencedores...
"Se serviste a patria e ela te foi ingrata, tu fizestes o que devias, ela o que costuma."
Padre Antonio Vieira
 

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komet

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« Responder #5 em: Agosto 02, 2005, 03:29:22 pm »
Os russos liam de facto muito... poesia patriótica, que tentava confortar as mães pelo facto dos seus filhos estarem nas frentes de combate.

Uma curiosidade, sabiam que durante o cerco a Leningrado as bibliotecas nunca fecharam? E tinham sempre afluência  :wink:
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Luso

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« Responder #6 em: Agosto 02, 2005, 05:22:55 pm »
De que adianta a cultura se não é capaz de traduzir melhores condições de vida?
Até que ponto é que a cultura é um escapismo?
Até que ponto não será a cultura a nossa razão de viver?
Até que ponto não seremos muito piores que os americanos a nível cultural (cultura geral, geografia, etc).
É que o que vejo (ouço) para aí não é nada animador. Isso já foi tempo em que a garotada tinha gosto e vaidade em saber. Agora...
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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komet

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« Responder #7 em: Agosto 02, 2005, 05:27:49 pm »
Pois é caro Luso, a minha geração ( primária no inícios dos anos 90) foi a última que se safou... aprendiamos o hino, e ninguém faltava ao respeito à Sr. Professora. Havia um certo espírito de competição desde muito cedo, quem era "burro", sentia-se excluído... é incrível como hoje em dia é exactamente o contrário  :wink:
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Luso

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« Responder #8 em: Agosto 02, 2005, 05:42:09 pm »
Mas és muito novinho, Komet!!! :wink:
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komet

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« Responder #9 em: Agosto 02, 2005, 05:48:03 pm »
Faço 21 este sábado  :oops:

Quem me quizer pagar um copinho depois é só dizer (eu que nem sou amigo de beber).
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Moi

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« Responder #10 em: Agosto 03, 2005, 10:07:46 am »
Mau... Querem ver que agora ler é mau e soviético!??

A fraqueza dos argumentos apresentados só pode descobrir a necessidade imperiosa de colocar o precoceito à frente de qualquer argumentação... não vá o papão regressar...

Que me digam que eles (povos da URSS e sua esfera de «influência») liam apenas obras dos seus grandes escritores, concordo e não há discussão.

Agora que digam que liam obras de embalar e de encantar as mães é de uma falta de conhecimento e leveza de crítica geracional do mais demagogo que há.  :lol:

Então Dostoevsky, Tolstoy, Nabokov, Chekov, Pushkin eram o quê? e muitos são anteriores ao período soviético.


E o que tem a cultura a ver com a economia? Pode dizer-se, é obvio, que o Comunismo falhou em termos económicos e políticos (e muitos foram e são os comunistas que são contra o partido único) agora nunca nenhum quis combater a fome com livros, são duas coisas distintas.


Então ler é escapismo da realidade, lazer?

Pensava que fosse uma maneira de aprofundar conhecimentos, de aplicar o tempo em prol de um desenvolvimento pessoal, aprofundar matérias, um forma de estudar, de estar melhor preparado para o mercado de trabalho, uma boa forma de passar de ano, etc...

É que com estes argumentos fica-se a pensar que os professores dizem aos alunos para não lerem, não vão eles estar a criar pequenos comunistas...

Não, a leitura e o prazer de ler é um benefício das sociedades, e um bem ou dever que trespassa qualquer tipo de pensamento político. E nesse aspecto o comunismo dava cartas, sejam honestos em reconhece-lo, ao fazerem-no não se tornam comunistas.

Por outro lado, se havia limitação de informação na imprensa esta não poderia ser colmatada com os livros, já que os livros não espelhavam a actualidade fora de portas. Dificilmente os livros contém informação que se mantém rigorosamente actual por muito tempo, na medida em que esta passa e este fica escrito.

14/15 anos após a desagregação do Bloco de Leste seria de esperar alguma distância histórica que permitisse a «elucidação das almas» pelo menos em alguns aspectos. Se calhar ainda é cedo e a lavagem cerebral/propaganda/desconhecimento ainda surge efeito.

É sempre bom tomar conhecimento dos dois lados da questão, sobre as mais diversas políticas, ideologias, governos, países, discusos do paizinho, etc.... e tal...


GORA EUSKADI ASKATUTA
 

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dremanu

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« Responder #11 em: Agosto 03, 2005, 04:16:10 pm »
Quem quiser ler o inquérito, pode encontrar-lo aqui: http://www.nationbrandindex.com/

Culture and Heritage In this point of the hexagon, we ask two questions which are designed to measure perceptions of the country’s cultural heritage (“How would you rank the cultural heritage of this country”) and appreciation of or intention to consume its popular, more commercial cultural products and activities (“Do you avoid or seek out cultural activities that originate in the following countries (for example, buying a record or going to a concert or show)?”). In addition, we ask respondents to name the kind of cultural activity they most expect to find in each country, in order to understand how they perceive the country’s main cultural strengths.

Ou seja, o inquérito não quantifica a "cultura geral" do Americano comum, mas sim, identifica, as percepções globais que existem em vários segmentos da população de vários países em relação a  outros países, em relação aos vários aspectos que compoêm a "marca nacional" que esse país detêm noutros países.

E dizer que os Americanos não lêem é um exagero desligado da realidade. A Amazon é a maior livraria do mundo, que oferece uma seleção de 5 milhões de títulos para todos os gostos e interesses. Do livro mais obscuro ao mais conhecido, tudo se encontra na Amazon, e eles são Americanos. Existe uma indústria de publicação de livros na America que provavelmente não existe igual em qualquer outra parte do mundo.

E quando se agrega o volume da produção de revistas, jornaís, filmes, teatro, música, "fashion", culinária, pintura, artes gráficas, blogs, etc, que os Americanos fazem e consumem no dia-a-dia, como se pode dizer que este país não tem cultura geral?

E quem é que define o que constitui ter ou não, cultura geral? O que é ter cultura geral?
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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typhonman

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« Responder #12 em: Agosto 03, 2005, 06:15:33 pm »
Komet somos da mesma criação.. lOL

Sim, ainda me lembro que quem não tirasse boas notas.. era considerado atrasado.. LOL

cantava-se o hino.. e respeitava-se a professora..

agora... :x

Já agora parabens..:G-beer2:  :G-beer2:
 

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komet

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« Responder #13 em: Agosto 04, 2005, 03:34:27 am »
Passeando por uns sites, deparei-me com a descrição de uma viagem de um americano pelo algarve, quando não é minha surpresa (por acaso não foi) que leio este curioso comentário:

Citar
We are quite nervous about the language barrier, as neither of us knows a word of Portuguese. Amy has been practicing from our dictionary, and carefully says to a local "Onde � Hotel Bela Vista da Luz".

H e replies in an almost Texan accent, "Lady, the hotel is up on the hill, about 300 meters". The moral of the story is that, unlike Madrid, pretty much everyone in southern Portugal speaks good English.


http://www.tgw.net/other/spain-portugal/portugal.htm
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