La Lys - Alemães eram mais que as moscas

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papatango

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #60 em: Abril 11, 2010, 01:52:39 am »
A questão neste caso depende de interpretações dos factos.
A verdade é que aparentemente o governo de Portugal provocou a Alemanha de forma a que não deixasse qualquer hipótese aos alemães que não fosse a da declaração de guerra.

-> http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=131

A campanha do Quionga, logo em 1916, foi um desastre e não parece ter sido por falta de meios. Até o cruzador Adamastor foi mandado para fazer fogo sobre posições alemãs e os alemães estavam completamente isolados da Alemanha.

Em Portugal ignoramos paulatinamente as movimentações de Von Lettow [1] no norte de Moçambique, não porque tenhamos esquecido os soldados, mas porque a nossa prestação naquele teatro foi desastrosa. A nossa, a dos ingleses e a dos belgas, há que dize-lo.


[1] - Lettow e não Bulow, como inicialmente escrito
« Última modificação: Julho 30, 2010, 02:43:41 pm por papatango »
 

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drum major

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #61 em: Abril 11, 2010, 08:46:02 pm »
Efectivamente todas as nossa acções na Grande Guerra foram desastrosas, se analisarmos bem, fomos sempre de derrota em derrota...esta é a realidade, mas seja como for não é por esse motivo que não se deva analisar e destacar os actos de heroísmo, sacrificio dos nossos militares que ao fim e ao cabo quer em África quer em França foram "carne para canhão", como diziam os franceses "pobres serranos aqui abandonados pelo seu País" e era verdade!

Então em África foi um total abandono.  Meios havias, mas... o mais interessante é que Gomes da Costa, sobre as campanhas de Moçambique afirmava: "para os que, como eu, viram em Mocímboa da Praia, ao terminar a guerra, as montanhas de pneus, os centos de automóveis, os rios de águas minerais e de vinho, as máquinas de toda a espécie, algumas das quais nem tinham quem delas soubessem servir; os refrigeradores, as toneladas de víveres que, estragados pelo tempo, tiveram de ser atirados ao mar, indo envenenar os peixes da baía, as cruzes de pau dos cemitérios abandonados dos nossos soldados; quem viu tudo isto, é que pode compreender bem e revoltar-se contra a inépcia, incapacidade, incúria, desleixo, estupidez e desumanidade dos que, com os meios de acção mais poderosos que nenhuma outra expedição portuguesa teve em África, deixaram devastar e destroçar à fome e à sede, esses pobres soldados de Portugal... " e finaliza: "Mentira! Tudo Mentira! Ninguém quer a Verdade, porque a Verdade, como a luz ofusca essas aves sinistras que se governaram a si, fingindo governar a Nação. Políticos da força dos básicos de Mocímboa da Praia, comendo e bebendo em repetidos banquetes, sem que lhes perturbe as digestões a lembrança dos que a esta hora dormem nos cemitérios de França e de África, vítimas da sua incapacidade e da eterna falta de preparação do exército! Mentira só possível num País onde o Povo, bestializado por uma secular vida de submissão, consente que o crucifiquem sem soltar, sequer um grito!"

Agora uma nota curiosa: eu estive em Mocímboa da Praia de 1970 a 1972 (em comissão ) e vi perdidos pelas ilhotas da baía e pos outros locais, como: Palma, Nangade, Antadora, etc. Restos e vestigios de campas de militares portugueses da 1.ª Guerra!

Reconheço que nós sempre tivemos uma certa tendência para coleccionar derrotas e o interessante é que não é por falta de bravura, resistência, espírito de sacrificio já os inglese na Guerra Peninsular diziam " os portugueses são soldados tão bons ou melhores dos que de outras nações, mas desde que comandados e enquadrados por tropas estrangeiras", é verdade!

Claro que tivemos oficiais brilhantes, mas...muito devemos ao Conde Lippe, Beresford e outros.

Saudações do
Drum Major
 

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Lancero

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #62 em: Abril 18, 2010, 04:41:34 pm »
Citar
I Guerra Mundial: A filha do vendedor de bicicletas recorda "O Português" nos campos de La Lys
 

    Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa  


    Paris, 18 abr (Lusa) - Até na pior batalha há repouso, conta Felícia Glória d'Assunção Pailleux. "Os soldados portugueses vieram uma vez à quinta dos meus avós", na Flandres francesa. "Viram umas raparigas e voltaram outras vezes", até ao final da guerra nessa terrível primavera de 1918.  

 

    Quando a guerra acabou, muitos soldados do Corpo Expedicionário Português (CEP), oficiosamente abandonados por Lisboa nos campos da Flandres, ficaram pelo norte de França. Foi o que aconteceu a João Manuel da Costa Assunção, natural de Ponte da Barca. O pai de Felícia.  

 

    "O meu pai, no final da guerra, ainda foi até Brest, mas voltou para aqui. Como não tinha dinheiro, teve que procurar trabalho, montou uma loja e ia trabalhar com a única roupa que tinha, que era o uniforme do CEP. Por isso chamavam-lhe 'O Português'", contou Felícia Glória d'Assunção-Pailleux à Lusa nas comemorações da Batalha de La Lys, em La Couture.  

 

    "O Português" teve sucesso com a loja e conseguiu montar outro negócio, prossegue a filha. "Montou uma loja de bicicletas" em Ecquedecques, a comuna na região de Nord-Pas-de-Calais onde viveu desde o final da guerra, em 1918, até à sua morte, aos 81 anos, em 1975.  

 

    Em 1924, João "O Português" e outros ex-elementos do CEP fundaram a Associação de Ex-Combatentes Portugueses, de que o vendedor de bicicletas era o tesoureiro. A associação apenas começou, de facto, em 1929, porque "a papelada" demorou cinco anos a ser remetida pelas autoridades.  

 

    Foi no mesmo ano de 1929 que os 65 ex-combatentes e benévolos da associação receberam de Portugal o estandarte que, até hoje, continua a recordar os soldados portugueses da Primeira Guerra Mundial, ano após ano, nas comemorações de La Lys.  

 

    Há vinte anos que Felícia Glória d'Assunção Pailleux carrega o estandarte nas cerimónias evocativas do 09 de abril de 1918, início das operações conhecidas como Batalha de La Lys, e do 11 de novembro, data do Armistício e da vitória dos Aliados contra a Alemanha.  

 

    "Não é só nas comemorações dos soldados portugueses que eu carrego o estandarte do meu pai. É também na dos franceses. No domingo passado estive em Arras. No próximo estarei em Lorette", explica Felícia, com uma vivacidade espantosa após ter empunhado o estandarte nas cerimónias do Cemitério do CEP em Richebourg e diante do monumento aos combatentes portugueses em La Couture.  

 

    "Do amor entre 'O Português' e a minha mãe resultaram 15 filhos. Dez raparigas e cinco rapazes. Eu sou a terceira", conta Felícia.  

 

    "Há vinte anos que eu sou a continuidade do estandarte do meu pai", resume a pequena mulher, muito firme e digna no chapéu de feltro, na gravata impecável, camisa branca e um sobretudo com pequenos brasões na lapela.

 

    "A Grande Guerra marcou profundamente a região e a nossa história", explica uma das netas de Felícia, Aurore Rouffelaers. A bisneta do vendedor de bicicletas fundou uma agência de guias turísticos para roteiros nos grandes campos de batalha da Flandres, na memória das trincheiras entre Dunquerque, Lille e Ypres (na Bélgica).  

 

    "Estes são locais de memória, tanto como o estandarte da minha avó", resume Aurore, abraçada à pequena filha d'O Português.  

 
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

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drum major

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #63 em: Abril 19, 2010, 06:54:35 pm »
Perante esse texto apenas poderei dizer:
Lindo! Maravilhosamente lindo e comovedor!

Já o major Bento Esteves Roma, afirmava: O nosso soldado arrancado aos labores do seu torrão, levado pelos caprichos da sorte para um País dele ignorado, colocado em condições de meio e clima muito diferentes daqueles a que estava habituado, depressa se familiarizou com tudo e depressa aprendeu o que era preciso,"

" Causava justa admiração aos ingleses, e era uma coisa que lhes custava a compreender como os soldados analfabetos, bisonhos, sem a desenvoltura dos seus, os suplantava em tudo o que fosse aprender e apreender, classificando-os, eles os ingleses, de muito sagazes. E era para consolar o ver, em concursos com os ingleses, serem os nossos a ganhar"

Mais adiante diz: " Nós , os da frente éramos designados pelos da retaguarda pela "malta das trincheiras" E na realidade, quando de là saíamos, cheios de lama trazendo bem estampados nos rostos as noites sem dormir, éramos  "uma verdadeira malta!"

E assim "a malta" suja e de baixa condição no seu aspecto, sabia amar e sabia sofrer, rinha uma alma grande, muito grande, capaz de sacrifícios e heroicidades, toda ela cheia de Portugal!
 

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SmokeOn

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #64 em: Junho 03, 2010, 04:35:55 pm »
Agora que se comemora o centenário da república que o Povo está pouco se borrifando temos de fazer uma homenagem ao Afonso Costa ministro republicano responsável pela entrada de Portugal na Grande Guerra com a justificação de Portugal recuperar o prestígio perdido pelo facto de ter deixado de ser uma Monarquia. Sim os heróis para alguns de há 100 anos têm o sangue nas mãos de milhares de compatriotas, e a verdade é que as Forças Armadas estavam descontentes e completamente esquecidas : as tropas não eram rodadas no campo de batalha como os outros aliados e a logística praticamente não existia.
Portugal e principalmente as Forças Armadas em 1919 revoltaram-se e o país ficou dividido a meio com a Monarquia do Norte comandada pela enorme figura e Patrono da Arma de Cavalaria ... Paiva Couceiro.
 

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HSMW

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #65 em: Junho 03, 2010, 05:08:33 pm »
Citação de: "SmokeOn"
e Patrono da Arma de Cavalaria ... Paiva Couceiro.

Então não é o Mouzinho de Albuquerque?
http://www.youtube.com/profile_videos?user=HSMW

"Tudo pela Nação, nada contra a Nação."
 

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drum major

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #66 em: Junho 03, 2010, 08:19:45 pm »
O Mouzinho da Albuquerque é que é o Patrona da Arma de Cavalaria
 

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GI Jorge

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Re:
« Responder #67 em: Julho 15, 2010, 02:11:33 am »
Citação de: "emarques"
(para não falar da situação caricata de andar a disparar peças Krupp contra os alemães :)).

eis a prova de que a ironia magoa...
Confunde-se em Portugal tantas vezes a justiça com a violência que é vulgar não haver reacções contra o crime e haver reacções contra a pena.

Oliveira Salazar
 

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Carlos Rendel

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #68 em: Julho 28, 2010, 10:16:23 am »
Julgo que seria interessante divulgar os sucessos de outros teatros da guerra de 14/18,sobretudo tratando-se de matéria militar relevante,embora correndo o risco de saír um pouco do contexto.


Refiro-me à campanha da África Oriental,do gen.Paul von Lettow-Vorbeck,chefe das forças alemãs
 na área,que ao ser atacado pelos britânicos,desenvolveu o que hoje se chama uma guerra de guerrilhas,
talvez a primeira no continente africano,porque:


                                  1.-A desproporção de forças era enorme;


                                  2.-Não ser possível qualquer ajuda da Alemanha,pois a Esquadra britânica
                                      dominava os mares;

                                  3.-A guerra na Europa era prioritária.


Temos assim como forças em presença:


                                Britânicos-120 000 soldados coloniais,com predominância de indianos,
                                               comandados pelos generais sul-africanos Smuts e Van Deventer.

                                Alemães-155 soldados e oficiais alemães,mais 1 200 homens escolhidos
                                             nas etnias locais



   Von Lettow batia e fugia,chegando a ser empurrado para o norte de Moçambique,onde enfrentou
     
   tropas portuguesas sem experiencia de combate,que se retiraram após sofrerem algumas dezenas

   de mortos.


   No entanto é mais conhecida a Batalha da Praia de Tanga (05/11/14),em que o Corpo

   Expedicionário Britânico foi obrigado a retroceder,deixando na praia armas,munições e mantimentos

   que seviram a von Lettow para prolongar a sua guerra até á rendição da Alemanha em 1918.


   O que se passou na realidade foi a mobilização em Àfrica de milhares de ingleses e aliados

   impedindo-os de passar à Europa,isto com meios reduzidos e custos baixos.             C.R.
CR
 

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papatango

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #69 em: Julho 28, 2010, 03:41:57 pm »
Eventualmente estamos a deixar de lado o tema do tópico, que é a batalha de La Lys.
Creio que haverá por aí um tópico especificamente dedicado à campanha do Quionga e aos feitos do tal do Von Bullow contra os exércitos de Portugal, da Bélgica e da Grã Bretanha em África.
 

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Carlos Rendel

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #70 em: Julho 30, 2010, 09:37:00 am »
Peço desculpa por voltar ao assunto da Àfrica Oriental,em particular,à Batalha de Tanga onde ocorreu um episódio
caricato e perfeitamente imprevisível.


Quando o Corpo Expedicionário Britânico (CEB) desembarcou ao longo da praia de Tanga,havia vegetação arbustiva
nalguns locais e deu-se o ataque.


Por razões conhecidas os alemães andavam à mingua  de munições e estas ao acabarem  levaram Lettow-Vorbeck
a ordenar uma carga de baioneta.

O CEB  atacou com estridente vozearia e tiroteio indiscriminado,ao ponto de atingir uma colmeia de abelhas
africanas -bem maiores que as europeias e com um ferrão maior-centenas ou milhares que se abateram sobre
alvos em movimento,neste caso os atacantes.


Algumas dezenas de homens retrocederam,e os outros foram atrás.


E é por isso que a batalha de Tanga também é chamada batalha das Abelhas.


E aqui está como um factor imprevisto e imprevisível é o factor chave de uma confrontação.


papatango: na sua resposta não percebi quem foi o "tal de von Bulow"que andou em África em 14/17.
Karl v. Bulow foi o comandante do II Exército que tomou a Bélgica e parte da França e travou sem
sucesso a 1ª Batalha do Marne,na frente ocidental.                                           C.R.
CR
 

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papatango

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #71 em: Julho 30, 2010, 02:41:40 pm »
Erro meu, evidentemente, que com tantos nomes destes mouros na cabeça, confundi Lettow com Bullow.
 

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xpto49

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #72 em: Fevereiro 02, 2011, 11:47:18 am »
Ainda há poucos dias li que na batalha de La Lys morreram cerca de 14.000 portugueses em apenas 24 horas, mais que nos 13 anos de guerra que tivemos nas 3 antigas províncias ultramarinas.

Curioso, dá para pensar.
QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM
 

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papatango

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #73 em: Fevereiro 02, 2011, 12:38:45 pm »
Acho que deve haver muita confusão nessa «fonte» entre baixas e mortos.

Normalmente considera-se como baixas, os mortos, os feridos e soldados que caíram em mãos inimigas.
A maior parte das baixas portuguesas em La Lys, foram prisioneiros e não mortos.
 

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xpto49

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Re: La Lys - Alemães eram mais que as moscas
« Responder #74 em: Fevereiro 06, 2011, 12:44:31 pm »
Sofremos efectivamente 14.000 baixas e não 14.000 mortos.

Obrigado pela correcção papatango :oops: .
QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM
 

 

Submarinos Alemães Afundados em Águas Portuguesas

Iniciado por João Vaz

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Última mensagem Outubro 12, 2010, 05:14:08 pm
por João Vaz