La Lys - Alemães eram mais que as moscas

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papatango

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« Responder #30 em: Janeiro 10, 2008, 10:47:13 pm »
Essa é uma questão que qualquer país se pode colocar.

Os ingleses tinham gente à altura quando começou a I guerra?
Todas aquelas mortes porque não havia solução para a guerra de trincheiras...
Os franceses estavam preparados para a guerra em 1940?

Haverá um país europeu preparado para um conflito ?

Aquilo que podemos dizer é que provavelmente o enorme fosso que existia entre a nossa realidade e a realidade dos principais países da Europa é hoje muito menor que o que era no passado.

Quando Portugal compete com outros países europeus para que um sistema portugues de gestão de dados de combate seja adoptado por toda a NATO, alguma coisa deve ter mudado Luso.

Estamos felizmente muito longe dos homens de casaco de pele de ovelha ou carneiro.

Agora se temos gente com a coragem e valentia clássicas que esperamos nos livros de histórias, isso não sei. Mas isso não é um problema português é um problema da sociedade ocidental.
Na França ganharam o hábito de se renderem, na Espanha os soldados casam-se uns com os outros, na Inglaterra rendem-se aos iranianos e tomam champanhe com eles.

Se formos a ver as coisas por esse ponto de vista estamos perdidos...  :shock:
 

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Luso

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« Responder #31 em: Janeiro 10, 2008, 10:52:37 pm »
Andas a ganhar demasiadas argumentações, PT! :mrgreen:
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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JoseMFernandes

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« Responder #32 em: Janeiro 11, 2008, 11:28:28 am »
Citação de: "Lancero"
Obrigado pela partilha e, especialmente, pelo trabalho que teve na tradução.

Apesar de os meus parcos conhecimentos sobre o assunto me aferirem que o texto é bastante correcto, denoto algum chauvinismo - nomeadamente no que toca aos comentários da relação Portugal/Reino Unido.


André:Isso é normal nos francius, eu tenho que aturar um françês na minha turma, que tá sempre a rebaixar os feitos de Portugal e a dizer que somos uns pobres e a que França é o paraiso supremo e coisas do genero ...  

                                    ****

Como em tudo na vida, sabemos que não se deve generalizar, mas não  será por acaso que 'chauvinismo' é um termo francês  :)
Mas creio que sem dúvida foi positiva a divulgação, mesmo se evidentemente perfectível, da participação portuguesa, tanto mais que algumas reacções espelhadas no Forum da revista deixam entender quanto ela era/é desconhecida pelos franceses em geral, e neste caso até mesmo por interessados na matéria.

Por exemplo:


"E pensar que a minha prof. de História, trinta anos atras nos contava,  que a única participação dos portugueses se limitara a uma delegação diplomática e suas mulheres a dias(femmes de ménage)"

"...sobre "A BATALHA PERDIDA DOS SOLDADOS DESCONHECIDOS PORTUGUESES" descobri com muito interesse esta parte, para mim desconhecida, da Grande Guerra; nem sequer sabia que havia monumentos em memória dos soldados portugueses mortos em França !!!"



Este ano que agora começou representa aquilo que por aqui se convenciona chamar 'um aniversário redondo', ou seja passam 90 anos  sobre essa 'Batalha Perdida' na Flandres pelos soldados portugueses, espero pois que haja oportunidade de aparecerem mais contribuições aqui no Forum.
Os nossos compatriotas de então... esgotados, doentes, mal equipados, enterrados todo o dia, e todos os dias na lama(um dos seus maiores 'horrores'), 'gazeados', sofrendo os rigores do tempo,  sem direito sequer a apoio moral ou religioso... merecem bem que os recordemos.
Que pelo menos para nós eles não sejam, (como os franceses os classificam )...  uns soldados desconhecidos portugueses !
 

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Ricardo

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« Responder #33 em: Janeiro 12, 2008, 01:30:01 pm »
Sobre o Soldado Aníbal Augusto Milhais, encontra-se  uma exposição permanente no Museu Militar do Porto:

















 

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Lancero

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« Responder #34 em: Fevereiro 04, 2008, 03:27:41 pm »
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

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Lancero

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« Responder #35 em: Abril 09, 2008, 12:45:35 pm »
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Defesa: Ministro da Defesa participa em França nas cerimónias evocativas da Batalha de La Lys  



 

    Lisboa, 9 Abr (Lusa) - O Ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, parte sexta-feira para Lille, em França, para assistir às cerimónias evocativas do 90º aniversário da Batalha de La Lys e da participação militar portuguesa na I Guerra Mundial.  

 

    Severiano Teixeira, acompanhado pelo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, General Valença Pinto, participa nesse dia num colóquio dedicado à Batalha de La Lys, na Universidade de Lille, com a intervenção de historiadores portugueses e franceses.  

 

    No sábado, a delegação portuguesa participa nas cerimónias militares no cemitério militar português, em Richebourg, com homenagem junto do Monumento aos Mortos em La Couture.  

 

    Posteriormente, em La Peylouse - Saint Venant, decorrerá uma cerimónia onde será descerrada uma placa comemorativa naquele que foi o Quartel General do Corpo Expedicionário Português (CEP).  

 

    A Batalha de La Lys marca a participação do corpo expedicionário português na Primeira Guerra Mundial (ao lado da França, contra a Alemanha) em 1918. Os portugueses sofreram uma pesada derrota na Batalha de La Lys, neste conflito bélico mundial em que participaram com cerca de 55 mil homens.  

 

    Quando a Alemanha declarou guerra a Portugal em Março de 1916, foi decido enviar para França uma força portuguesa constituída por uma força de infantaria, apoiada por um grupo de artilharia (Corpo de Artilharia Portuguesa), num total de 30 mil homens.  

 

    Esta decisão teve razões militares mas também políticas que estavam ligadas à necessidade de garantir para Portugal um lugar na mesa dos vencedores da guerra, de forma a assegurar a continuação do império, o qual era avidamente olhado pela maior parte das potências europeias.  

 

    As primeiras tropas portuguesas chegam à Flandres a 8 de Fevereiro de 1917 e, logo a 4 de Abril, morria em combate nas trincheiras o primeiro militar português, António Gonçalves Curado.  

 

    A 17 de Outubro de 1917, toma posições o Corpo Português de Artilharia Pesada, com 10 baterias de artilharia, representando o apoio português nos sectores franceses.  

 

    A 28 de Outubro de 1917, Portugal perde (por necessidades britânicas) o apoio dos últimos navios que serviam para reforçar o CEP e efectuar a ligação com Portugal. A partir desta data deixa de ser possível efectuar reforços de monta. O total de 30.000 homens previsto, não será atingido.

 

 

    Entre meados de Janeiro e meados de Fevereiro ocorre em Portugal uma guerra civil, com a instauração da monarquia no Porto. A instabilidade em todo o país é generalizada.  

 

    Só em 16 de Março de 1918, a artilharia pesada portuguesa entra em acção. É entretanto decidido transferir a artilharia pesada para o CEP, para apoio das forças portuguesas. Essa transferência não chegará a ocorrer.  

 

    Na Primavera de 1918, o CEP (Corpo Expedicionário Português) encontrava-se desmoralizado, com os soldados há demasiado tempo na frente de combate. Estava instalado um enorme mal-estar entre as fileiras porque parte dos comandos das tropas portuguesas se encontrava comodamente instalado em Paris, enquanto os escalões inferiores, sargentos e praças viviam nas trincheiras meses seguidos sem que fossem regularmente substituídos.  

 

    Tornando-se inviável o envio de mais tropas desde Portugal, o que permitiria render parte das forças, a solução foi deixar aqueles que se encontravam no local, sem possibilidade de substituição.  

 

    Em Abril de 1918, o CEP encontrava-se estacionado numa região relativamente secundária e era constituído por duas divisões (às quais faltavam efectivos). A 2ª Divisão portuguesa, tinha ocupado posições nas primeiras linhas (a frente defendida pelo CEP tinha cerca de 12 Km), rendendo a 1ª Divisão.

 

    A situação era conhecida dos comandos britânicos que, conhecedor da situação e de que era possível um ataque alemão no sector tinham dado ordens para a retirada também da 2ª Divisão que seria substituída pela 50ª Divisão britânica. As ordens eram para retirar exactamente a 9 de Abril, o dia em que começou o ataque de grande envergadura alemão, apanhando as forças portuguesas numa posição completamente desfavorável.  

 

    Com a ofensiva "Georgette", integrando 50 mil soldados alemães, montada por Erich von Ludendorff, os portugueses acabaram por sofrer uma derrota esmagadora na Batalha de La Lys (sector de Ypres), em 9 de Abril de 1918, logo após a derrota do Exército Britânico em Arras.  

 

     Nesse dia, o Corpo Expedicionário Português sofreu cerca de 7.500 baixas, com um número ainda mais elevado de prisioneiros.  
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

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FS

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« Responder #36 em: Abril 09, 2008, 02:31:38 pm »
A um bom artigo sobre La Lys no Publico:

http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain2%2Easp%3Fdt%3D20080409%26page%3D6%26c%3DC

Uma boa maneira de celebrar esta efeméride, muitas vezes mal contada!
 

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ferrol

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« Responder #37 em: Abril 09, 2008, 03:10:20 pm »
As voltas que da a vida:
http://www.worldwar1.com/france/portugal.htm
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Contributed by Hugo Rodrigues
Sintra, Portugal

The survivors of the CEP were used by the British as labour for digging trenches and road repairs as "punishment" for what the British perceived as their "cowardice". Even though first some isolated Portuguese units and then the 1st Division did eventually return to the frontline for combat, it proved impossible to rebuild completely the CEP. Nonetheless, Portuguese troops earned, with this terrible sacrifice, their place at the famous Victory Parade in Paris on 14 July 1919.
Tu régere Imperio fluctus, Hispane memento
"Acuérdate España que tú registe el Imperio de los mares”
 

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FS

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« Responder #38 em: Abril 09, 2008, 04:38:45 pm »
O que e triste e que os primeiros a "cavar" foram as divisões Inglesas nos flancos do Corpo Expedicionário Português...

Mas isso eles chamam de retirada estratégica...

A verdade e esta:

"The collapse of the CEP can be explained by the insufficiency of the troops available to hold such a lengthy frontline and to provide unit rotation, to the crushing numerical superiority of the German attackers and the intensity of the preliminary bombardment, and to the exhausted and demoralized condition of the rank-and-file, which - and with good reason, as we have seen - considered itself left to its fate by the Portuguese Government, the British, and even its own officers, and finally to the fact that the CEP was attacked on the very day set for its relief. When all the facts all weighed in, it's obvious the battle could have only one outcome."
 

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PereiraMarques

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« Responder #39 em: Abril 09, 2008, 04:42:58 pm »
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Cumprem-se hoje 90 anos sobre o sangrento embate
Presidente homenageia portugueses que combateram na batalha de La Lys

09.04.2008 - 12h13 PÚBLICO

O Presidente da República homenageou os soldados portugueses que combateram na I Guerra Mundial, no dia em que se assinala o 90º aniversário da batalha de La Lys, um dos mais sangrentos embates em que estiveram envolvidas tropas nacionais.

Num texto publicado no site oficial da presidência, Cavaco Silva lembra que os efectivos do Corpo Expedicionário Português “combateram em defesa dos valores da democracia e da liberdade” que norteavam os países aliados “na sua luta contra as potências centrais”.

O Presidente recorda que a então jovem República entrou no conflito em 1916, numa altura em que procurava “reconhecimento político externo”, “tendo as duas divisões de tropas portuguesas chegado à Flandres no início do ano seguinte, onde permaneceram nas trincheiras da frente, sem quaisquer reforços, suportando as agruras dos combates, do frio e das múltiplas privações”.

“O dia 9 de Abril de 1918, quando se desencadeou no sector português uma ofensiva alemã que alteraria o curso da guerra, viria a constituir-se num marco histórico de profundo significado para Portugal, com as tropas inimigas a abaterem-se sobre os soldados portugueses”, sublinha o Presidente.

Cavaco Siva acrescenta que "La Lys – ou Armentières – ficou na memória colectiva da nação portuguesa e dos aliados" porque "ali combateram, sofreram e morreram, numa guerra fratricida e sangrenta, muitos soldados portugueses". Segundo dados recentes, terão morrido no confronto 400 militares portugueses e outros 6500 foram feitos prisioneiros, números muito inferiores aos divulgados nos anos que se seguiram ao conflito e que admitiam 7500 mortos.

Sustentando que aqueles militares “não lutaram em vão”, o chefe de Estado considera que “lembrar a batalha de La Lys e os militares portugueses que nela participaram é celebrar o exemplo que estes deixaram em prol da fraternidade entre os povos irmãos europeus”.


 :arrow: http://ultimahora.publico.clix.pt/notic ... id=1325261
 

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papatango

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« Responder #40 em: Abril 09, 2008, 08:33:17 pm »
Citação de: "Jornal Público"
São 4h15 da madrugada do dia 9 de Abril de 1918. A artilharia alemã começa a cair sobre as trincheiras. Cai também o gás asfixiante, fosgénio e mostarda. Em meia hora, as redes de arame farpado estão destruídas. As comunicações telegráficas e telefónicas são cortadas. Há mortos e feridos por todo o lado. Muitos soldados são feitos prisioneiros, a maior parte dos comandantes também.
Fica-se com a ideia de que em meia hora, portanto às 04:45, já havia mortos e feridos por todo o lado e que a maioria dos comandantes tinham sido feitos priosioneiros.

Para começo a descrição do «Público» é péssima, e um mau serviço à verdade histórica.
Durante o bombardeamento das trincheiras, ninguém é feito prisioneiro, porque pura e simplesmente os atacantes estão escondidos e protegidos atrás das suas próprias trincheiras.

Citar
As unidades da primeira linha tentam resistir, sem saber a quem obedecer. Às 7 horas o fumo mistura-se com o nevoeiro matinal e a infantaria alemã, aproveitando a má visibilidade, avança sobre as trincheiras da frente
:roll:  :roll:
às 07:00 ainda continuava o bombardeamento de artilharia.

A única resistência (ou resposta) foi a da artilharia portuguesa que de facto respondeu, mas os sistemas de trincheiras alemães resistiam melhor que os dos aliados, pelo que a resposta portuguesa, não teve repercussão nenhuma.

A descrição feita pelo Gen. Gomes da Costa e os relatórios ingleses, resultam no horário que está aqui:
http://www.areamilitar.net/Analise/analise.aspx?NrMateria=24&p=2

A ordem para substituição das forças portuguesas tinha já sido dada, mas não foram apenas as linhas portuguesas que ficaram desorganizadas com o bombardeamento que começou às 04:15 e que só terminou por volta das 08:45, ou seja, após quatro horas e meia.

Na verdade, numa frente de aproximadamente 12km pode acontecer muita coisa. Muitas secções da frente podem quebrar enquanto outras resistem.

Sabemos que o facto de a frente se ter quebrado em muitos lugares, levou a que os portugueses vissem surgir os alemães pelas costas.

Perante uma situação destas, a rendição foi a solução para muitos.

O numero de baixas é enorme, evidentemente, mas quando olhamos para a dimensão da chacina que foi a I guerra mundial, aquilo era o pão-nosso-de-cada-dia.

Na operação Michael (a primeira das quatro ofensivas de 1918) e que antecedeu a Georgette, os britânicos tiveram 38.000 baixas nas primeiras 24 horas. Desses 21.000 foram soldados que se renderam.

Normalmente a violência a que eram submetidas as primeiras linhas tornava as tropas inoperacionais. Havia casos de loucura. Os soldados pura e simplesmente passavam-se.

Ocorre que também entre os britânicos havia tropas que eram submetidas à violência dos bombardeamentos e que só serviam para cavar trincheiras. O que acontece é que os britânicos, tinham capacidade para transferir as unidades que tinham ficado inoperacionais para divisões de segunda linha, permitindo às divisões continuar na frente.

Por exemplo, os quatro grandes ataques de 1918 (Las Lys foi o segundo) foram tão violentos para o IV exército britânico, que no final, esse exército passou a chamar-se V exército.

Cumprimentos
 

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EB

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« Responder #41 em: Abril 10, 2008, 11:52:21 am »
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Um outro olhar sobre a Primeira Grande Guerra

A batalha de La Lys na I Grande Guerra Mundial «não foi a mortandade» que a historiografia tradicional afirma ter sido, diz a historiadora Isabel Pestana Marques, autora de um livro sobre a participação portuguesa no conflito, informa a Lusa.

«Das trincheiras com saudade», de Isabel Pestana Marques, procura, segundo a autora, «dar voz aos combatentes, mostrar o lado humano da guerra, que é aquele que verdadeiramente a decide».

O título remete para uma das fontes essenciais da autora: as cartas que os militares escreviam.

Arquivos oficiais e particulares foram outras das áreas de pesquisa, além das entrevistas que fez a alguns dos militares participantes que ainda conheceu.

Na sua opinião, «a participação portuguesa no conflito é pouco conhecida e até pouco investigada. Mas quando se refere este período nas aulas, os alunos lembram a memória familiar de um antigo combatente e até têm algumas recordações como cartas, postais, ou algum apetrecho militar».

Na historiografia internacional, o principal óbice «será talvez - referiu - os estudos que existem serem em Língua Portuguesa e não traduzidos».

«Legitimação da República»

Portugal participou na I Guerra (1914-1918) fundamentalmente para «legitimação da República e para o seu prestígio, para procurar fazer esquecer internacionalmente o regicídio (1908) e unificar os portugueses pela causa da guerra, o que falhou».

A participação portuguesa está, na avaliação da historiadora, muito mistificada, desde logo pela mortandade que afirma não ter não existido e pelo mito do «soldado desconhecido».

Segundo a historiadora, morreram dois mil militares portugueses na Europa, 300 deles na batalha de La Lys, muito abaixo dos números divulgados, e seis mil foram feitos prisioneiros.

«Inflacionámos os números para obtermos mais dinheiro das indemnizações de guerra», indicou a investigadora.




Em: http://diario.iol.pt/sociedade/primeira-grande-guerra-grande-guerra-historia-historiadora-trincheiras-conflito/938429-4071.html
"Dos Fracos Não Reza a História"
 

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papatango

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« Responder #42 em: Abril 10, 2008, 12:41:13 pm »
É sempre interessante que os participantes do fórum tragam estes textos, que para muitos passam despercebidos.

Pessoalmente fico espantado com a facilidade que estas coisas são ditas.
Quem escreveu o texto acima,nunca olhou para as estatísticas oficiais.
Nunca houve documentos oficiais a apontar para 7.000 mortos em La Lys.

Mais uma vez, recomendo a matéria do areamilitar.net (ver link acima) que inclui uma estatística sobre todas as baixas portuguesas.
E essa estatística é da altura, não é de agora.

O número de 7.000 mortos é resultado da confusão entre baixas e mortos.
As baixas são o numero de homens, com que uma unidade militar, cmpanhia, batalhão, brigada ou divisão regista como tendo deixado de estar no efectivo de combatentes.
Um morto é uma baixa, da mesma maneira que um ferido que teve que ser evacuado, ou um prisioneiro.

As tropas portuguesas em 9 de Abril, mercê do facto de terem sido mantidas praticamente sem rotação desde que chegaram a França, foram submetidas a um bombardeamento de quatro horas e meia.

A preparação de artilharia, durante a I guerra mundial, juntamente com o gás, que só era utilizado quando as condições atmosféricas permitiam, destinava-se a gerar o pânico e o terror do outro lado da trincheira.
O objectivo era que a tropa estivesse tão desmoralizada, as suas comunicações tão trituradas, o seu sistema de apoio logístico tão desorganizado, que o avanço da infantaria ficaria muito facilitado.

Em África, ainda hoje estão vivos, militares que estiveram em Guilege e Gadamael na Guiné e que contam que o bombardeamento do PAIGC foi terrivel.

Multipliquem Guilege e Gadamael, pela difernça entre o PAIGC e o Império Alemão, e teremos a diferênça entre as duas operações.
Mas qualquer dos defensores da Guiné dirá (e com razão) que passou por uma situação terrível e dificil de descrever.

Muitas das tropas portuguesas renderam-s quando apareceram os alemães pelas costas e ficaram isolados de qualquer abastecimento, exactamente como se renderam os mais de 20.000 ingleses no inicio de Março na operação Michael.

É no entanto verdade, que se exageram os actos de heroísmo (que os houve sem dúvida), como também se exagera a cobardia. O medi, é resultado do esgotameno nervoso.
A indisciplina que se refere (especialmente no caso do Publico) existiu sim, mas não desde o inicio e apenas nos meses finais, quando Lisboa se desinteressou das tropas.

Cumprimentos
 

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Lancero

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« Responder #43 em: Abril 10, 2008, 03:36:06 pm »
Mais uma para a fogueira...

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10 Abril 2008 - 00.30h

La Lys: A realidade vista 90 anos depois

Exagero na tragédia

A evocação da batalha de La Lys, cujo 90.º aniversário se comemora amanhã e depois em França, surge quase sempre ligada a milhares de mortos. Lê-se isso em muitos artigos sobre a participação portuguesa na Primeira Grande Guerra, 1914-18, na imprensa e na internet, e até em reputadas Histórias de Portugal. A realidade é, contudo, diferente. O desastre militar, às vezes comparado à tragédia de Alcácer Quibir, acabou de facto com a capacidade operacional do Corpo Expedicionário Português (CEP), mas as baixas – 398 mortos, dos quais 29 oficiais – são muito inferiores ao habitual: morreram ‘327 oficiais e 7098 praças’.




Após viagem de barco até Brest, os portugueses avançavam alimentados a pão e conserva de sardinha


O exagero tem uma das origens num livro escrito por um dos comandantes do CEP, Gomes da Costa, promovido a general nos campos da Flandres e mais tarde chefe do golpe militar do 28 de Maio de 1926, que impôs uma ditadura, mantida pelo Estado Novo até ao 25 de Abril de 1974. Para além dos seus interesses de carreira militar, a presença portuguesa nos campos de batalha na Europa suscitou os maiores exageros nas baixas. Por um lado devido à luta política interna, depois do levantamento militar que levou Sidónio Pais ao poder em Dezembro de 1917, quase ao mesmo tempo que partia para França o último contingente militar português, com por soldados do Infantaria n.º 17, de Elvas. Mas sobretudo porque depois de três batalhões nacionais acompanharem a ofensiva vitoriosa e participado com a bandeira portuguesa nos desfiles da consagração em Paris e Bruxelas, era importante apresentar muitas baixas, para obter maiores indemnizações a nível financeiro e de armamento na Conferência de Paz.

'Ao contrário de hoje, na altura considerava-se que um maior número de mortos significava uma campanha mais heróica', observa a mestre em História, Isabel Marques, que acaba de publicar um desenvolvimento da sua tese com o título ‘Das Trincheiras, com Saudade'.

HERÓI MILHAIS PASSOU A SER O 'MILHÕES'

Do 9 de Abril de 1918, em La Lys ficou a memória de muitas histórias. Nos anos 30, início do Estado Novo, teve grande popularidade um sobrevivente da trágica batalha, o soldado Aníbal Augusto Milhais, trasmontano de Murça, a quem se atribuiu o feito de sozinho, numa trincheira, com uma metralhadora Lotz, desbaratar uma coluna de alemães que se deslocava de mota, e outras forças de forma a retardar o seu avanço e permitir o estabelecimento das linhas aliadas 30 km. Foi condecorado com a Torre Espada e até mudou de nome depois do seu chefe militar lhe dizer: 'Tu és Milhais, mas vales Milhões'. Da ficção é o ‘capitão Afonso’ do romance ‘A Filha do Capitão’, de José Rodrigues dos Santos. 'Na hora do ataque às 04h00 estava numa trincheira de la Lys a bebericar uma chávena de chá. Com o susto da tempestade de metralha explosiva quase o ia entornando', escreve o autor.

DAS REVOLTAS AOS DESFILES DA VITÓRIA

As forças portuguesas ficaram destroçadas pelo ataque alemão na madrugada de 9 de Abril de 1918 em La Lys. Cansados e desmoralizados, perante a ofensiva de quatro divisões alemãs, os nacionais opuseram frágil resistência. Segundo Isabel Marques Pestana, convidada oficial para falar amanhã, na Universidade de Lille, sobre a participação portuguesa na Guerra 14-18, o desastre deve-se a uma situação calamitosa. A partir de Dezembro de 1917 não se enviaram mais tropas para França nem se renderam as que lá estavam. Isso ficou patente em 18 revoltas. Ainda assim, a partir de Setembro de 1918 foi possível reconstituir três batalhões que participaram na ofensiva vitoriosa final e desfilaram com a bandeira portuguesa nas paradas do triunfo em Bruxelas e Paris.

SARGENTO FERREIRO VIRA ARTISTA

Um encontro fortuito, na frente da Flandres, com um médico de Aveiro que já o conhecia como o ‘Almeida de Coimbra’, ferreiro com talento, facilitou ao sargento Lourenço Chaves de Almeida, da Coluna de Transportes de Feridos n.º 1, o cultivo da sua arte em França. Começou por arranjar uma lança para o estandarte de um regimento e aproveitava as cápsulas das granadas e de outros projécteis para artesanato muito elogiado. Também reparou uma bengala ao general Tamagnini, comandante-chefe das forças portuguesas, dando-lhe uma grande alegria pela estima em que ele tinha o utensílio oferecido por Mouzinho de Albuquerque.

Da batalha de La Lys recorda a confusão e que os ingleses lhe ficaram com um guarda-jóias feito na forja que improvisara em La Fosse. Estas e outras peripécias da presença portuguesa na guerra são contadas no livro ‘Memórias de um Ferreiro’ que Lourenço de Almeida escreveu antes de falecer em 1952, com 76 anos, e a vontade de um neto, Afonso Almeida, conseguiu que fosse publicado há menos de um mês com o apoio da Liga dos Combatentes.

MINISTRO NA COMEMORAÇÃO

Severiano Teixeira, ministro da Defesa Nacional, participa amanhã e depois em França nos actos dos 90 anos de La Lys.

HOMENAGEM NO CEMITÉRIO

O cemitério militar português de Riche-bourg é um dos locais da cerimónia que se alargam a La Couture e La Peylouse-St. Venant.

398 MORTOS

É o número mais exacto das perdas sofridas em La Lys.

29 OFICIAIS

Estão entre os mortos do 9 de Abril, alguns por suicídio.

 João Vaz


CM


Eu já tinha apresentado este livro neste tópico e, sabendo a editora, previa algo do género.
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

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Boina_Verde

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« Responder #44 em: Abril 28, 2008, 03:49:04 am »
naquela altura o soldado portugues da provincia nao fazia a minima ideia do que ia fazer para a flandres...eram capazes de ter uma ideia mas mesmo assim tenho as minhas duvidas...

eles adaptaram-se bem ás trincheiras,eles já estavam habituados a dificuldades...

pelo que eu vejo e refiro ate com muita pena e como eu outras pessoas q conheço, os "nossos rapazes" estao a ficar froxos...é o resultado da sociedade de consumo e das televisões e da vida sedentária...enfim
 

 

Submarinos Alemães Afundados em Águas Portuguesas

Iniciado por João Vaz

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Última mensagem Outubro 12, 2010, 05:14:08 pm
por João Vaz