A-7P CORSAIR - os acidentes

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papatango

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A-7P CORSAIR - os acidentes
« em: Março 03, 2005, 08:17:05 pm »
Estive a fazer a "ficha" do A-7P Corsair da Força Aérea, para incluir no site ÁreaMilitar. O que salta a vista, na história do A-7, é a enorme quantidade de acidentes em que esta aeronave esteve envolvida. Quase 33% dos aviões recebidos, foi perdida em acidentes.

Não me recordo de já termos falado nesse assunto. Qual será a principal razão do numero de acidentes?

A idade dos aviões?
A dificuldade de adaptação dos pilotos?

É verdade que também os F-16 já sofreram uma perda, mas uma perda, em todo este periodo, é muito, muito menos que o numero de perdas do A-7P.

Alguém tem opinião sobre esta questão?

Cumprimentos
 

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Miguel

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« Responder #1 em: Março 03, 2005, 08:24:55 pm »
:crit:  :cry:

Parece-me que o Loureiro dos Santos estava por traz da escolha desse tipo de Avião?
 

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fgomes

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« Responder #2 em: Março 03, 2005, 09:17:15 pm »
Também os F-104 da Luftwaffe caiam como tordos, ganhando até a alcunha de "caixão voador". A que se deveria isto?
Os outros utilizadores de A-7 e F-104 parece que nunca tiveram problemas assim.
 

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OPCOM

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« Responder #3 em: Março 04, 2005, 03:47:56 am »
Boas
Acho que os acidentes se deviam mesmo á velhice e desgaste dos mesmos, é preciso lembrar que eram todos aviões em segunda mão, sendo alguns provenientes dos EUA e outros da Grécia, senão me engano durante o vôo dos EUA para Portugal perdeu-se um deles.
Eu tive opurtunidade de ver bem de perto os A7 em 1994 em Monterreal, e aquilo era mesmo sucata, vi 3 em estado de vôo o resto era para canibalizar. O tais 3 estavam mesmo em muito mau estado e ainda por cima tinham sido "despejados" dos seus shelters para lá porem os F16. Ainda cheguei a ver 2 deles a voar e um deles a fazer uma aterrizagem com gancho na pista da BA5.
Era um avião muito imponente e muito barulhento, bem mais que o F16, a cada passagem fazia estremecer os hangars. Duante a semana que lá estive (semana final de largada de pilotos de F16) era contaste o vôo tanto de uma como de outra aeronave, mesmo de noite. E ainda cheguei a ver aterrizar um tornado alemão.
 

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mcalberto

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A 7
« Responder #4 em: Março 04, 2005, 09:48:27 pm »
Para além das condições inerentes ao tipo de avião e ao facto de algumas das células já possuirem largas horas de voo, é necessário atender ao tipo de utilização que foi dado a este aparelho na força aérea, nomeadamente o voo a baixa altitude e o voo em formação.

Que me recorde, sem consulta à documentação, 4 aparelhos foram perdidos em colisões aéreas, outros 6 em colisão com o solo em voos a baixa altitude, 1 por eventual doença súbita do piloto, 2 por colisão com aves (1nos EUA), 2 por falha mecânica e um na descolagem.

Estes números não evidenciam problemas associados ao  A7, mas sim, como referi, o tipo de utilização e a utilização de tecnologia que até então não existia em Portugal.
 

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papatango

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« Responder #5 em: Março 04, 2005, 10:58:22 pm »
Devo confessar que também não me parece que as condições do avião (das células) tenham tudo a ver com o elevado numero de acidentes.

Provavelmente, houve um periodo de adaptação. No entanto, mesmo dez anos depois de os aviões terem entrado ao serviço, continuava a haver acidentes.

Cumprimentos
 

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psychocandy

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« Responder #6 em: Março 10, 2005, 07:09:31 pm »
Eu morei perto da base, tinha la muitos amigos e nunca ouvi ninguem referir-se a eles como "sucata". O A-7 sempre foi um avião muito querido entre os pilotos e as equipas de terra. Tal como qualquer outro material portugues, nao e' o melhor nem o ideal (para variar :( ), mas vai servindo e com isso vamos espalhando o bom nome de Portugal pelo mundo fora. Tal e qual o G91, fizemos muito boa figura "com o material disponivel"  tendo em conta que era o unico caça realmente capaz da FAP na decada de 80/90, serviu como pau para toda a obra. Como diriam os americanos, "workhorse" ;D
De facto havia problemas com sobressalentes e com os custos a eles associados. Lembro-me perfeitamente que todos os dias os ceus de Leiria se enchiam de A-7's, de manha a' noite.
Obviamente que se alguem visitou a BA5 1 ano ou 2 antes do abate ao activo, deve ter-los encontrado num estado menos cuidado, mas nao relembro ver-los como "degradados" ou como "sucatas".
Em relação aos acidentes, como o proprio nome indica sao ocorrencias fortuitas, no caso do A-7 foram bastantes para o numero de aeronaves disponiveis, mas penso que essa mancha nao e' por si so' sinonimo do serviço por ele prestado a' FAP.

Fica aqui uma foto que achei ah pouco, http://www.scramble.nl/photos/nostalgia/14.htm

"The nation which forgets its defenders will be itself forgotten."
 

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Charlie Jaguar

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« Responder #7 em: Abril 16, 2005, 07:20:04 pm »
Fica só aqui o breve testemunho, de alguém que adorava os A-7 e que com 15 anos de idade presenciou a queda de um Corsair a escassos 100 metros da cabeceira da pista principal da B.A.6, no fatídico dia de 29 de Abril de 1992.

O mal afortunado SLUF, vítima de um "bird-strike" após mais um costumeiro treino A-G no CTA, não teve como conseguir alcançar a pista. O seu piloto, um verdadeiro herói, antes de morrer junto com o seu aparelho, ainda se desviou de uma fábrica e de uma escola. As imagens a que assisti ainda hoje me assombram. O seu "asa" esteve durante todo o tempo a seu lado até pouco antes do embate no solo. Passou por mim a uma velocidade elevada fazendo-me pensar no que estaria a sentir naquele momento ao se aperceber que tinha perdido um companheiro!

Sem qualquer vergonha, admito que desatei a chorar desalmadamente enquanto assistia ao esforço inglório tanto dos Puma como dos bombeiros da Base Aérea do Montijo que, para chegarem mais rápido ao local do acidente, não tiveram qualquer problema em derrubar a vedação da mesma mas infelizmente já nada havia a fazer!

Quanto às razões apontadas para a elevada taxa de acidentes do A-7 Corsair II na FAP, penso que não poderemos reduzi-las apenas a uma ou duas. Era um avião reacondicionado (termo elegante para recauchutado), tinha todos os problemas inerentes a isso, um motor antigo e pouco fiável (o PW TF-30 P-408), as falhas humanas (tanto que se pediu um simulador mais cedo devido à complexidade dos sistemas no A-7P), a quebra na cadeia logística, etc, etc! Apesar de ter sido o nosso "widowmaker", para mim o A-7P avião foi o menos culpado de todos. Talvez fosse melhor recuarmos até à polémica decisão do CEMFA de então, General Lemos Ferreira, e analisarmos friamente todos os dados. Como disse um amigo meu há bem pouco tempo, apesar de tudo o A-7 cumpriu, e bem, a missão para que estava vocacionado!


Quanto aos que nele partiram para outro mundo, para outros võos, que descansem para sempre em paz!
Saudações Aeronáuticas,
Charlie Jaguar

         "PER ASPERA AD ASTRA"
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komet

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« Responder #8 em: Abril 16, 2005, 08:57:46 pm »
Lembro-me de ver há imenso tempo uma fotografia de um A-7 português virado ao contrário estatelado no chão, alguém a possui?
"History is always written by who wins the war..."
 

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Maginot

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« Responder #9 em: Abril 18, 2005, 03:17:04 pm »
Penso que chegaram e colidir dois nosso no ar :(

MAs a primeira recordação que tenho de ver um avião militar a sério a voar é um A7 com um bank de 270 graus.

Que lindo....
EX MERO MOTU
 

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Charlie Jaguar

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« Responder #10 em: Abril 18, 2005, 04:22:15 pm »
Já agora, para os colegas que quiserem mais dados sobre operações e acidentes com os A-7P:

 :arrow: http://walkarounds.home.sapo.pt/corsair/registo.htm

 :wink:
Saudações Aeronáuticas,
Charlie Jaguar

         "PER ASPERA AD ASTRA"
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soultrain

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« Responder #11 em: Abril 18, 2005, 10:48:53 pm »
Boas,

Desculpem, mas pelo o que sei não concordo com as opiniões aqui expressas acerca dos motivos de perda de aeronaves(A-7P). Pelo contrário estas são bastante fiáveis.

Pelo que me confiaram na BA do Montijo alguns Oficiais aquando de um curso de Orientação e Sobrevivência, as causas foram as seguintes:

  -Choque tecnológico com a chegada dos A-7 que requereu logistica e verbas que Portugal não estava preparado na altura, o que levou a manutenção "menos eficiente".

  -Doutrina de uso, com o tipo de missões de treino proconizadas para o A7 a probabilidade de erros humanos ou avarias se tornarem em acidentes fatais é enorme.

Na minha opinião a escolha foi acertada tendo em conta as missões NATO que Portugal tinha que desempenhar.

Quem tiver dúvidas, consulte as caracteristicas técnicas e toda a electrónica que o A-7P possuia e chegarão a conclusão que para 1981 (data da entrega das primeiras aeronaves) tinhamos o que era mais moderno no mundo em Ar-terra/mar e mesmo Ar/Ar. É claro que o A-7 não é um caça de superioridade mas.... só faltava a velocidade para cumprir totalmente a missão.

Cump.
 

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Ricardo Nunes

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« Responder #12 em: Abril 18, 2005, 11:33:32 pm »
Podem consultar um artigo interessante sobre a escolha dos A-7 ( nomeadamente a sua preferência face aos F-5 ) no seguinte link:

 :arrow: http://www.falcoes.org/f5a7.htm
Ricardo Nunes
www.forum9gs.net
 

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Luso

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« Responder #13 em: Abril 19, 2005, 08:00:41 pm »
De facto muito interessante...
Obrigado, Esquilo Canibal!
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Maginot

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« Responder #14 em: Abril 20, 2005, 02:51:52 pm »
Perdoem a minha ignorância sobre aviação militar.

Mas o A7P não era um avião de ataque ao solo?
O mais interessante para Portugal não seria intercepção?

(vou ler o artigo )
EX MERO MOTU
 

 

Recordar - Montijo 94, formação de 12 A-7's Corsair

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