https://cnnportugal.iol.pt/irao/eua/imagens-de-satelite-mostram-ataques-do-irao-a-sistemas-de-radares-norte-americanos-na-jordania-arabia-saudita-e-emirados/20260306/69ab2612d34e28842c81778fmagens de satélite mostram ataques do Irão a sistemas de radares norte-americanos na Jordânia, Arábia Saudita e Emirados

O radar é um elemento crucial para o sofisticado sistema de interceção de mísseis, utilizado para intercetar e destruir mísseis balísticos no seu percurso até ao alvo. Os EUA operam oito baterias THAAD, enquanto os Emirados Árabes Unidos operam duas e a Arábia Saudita uma. Esta estava localizada na Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, a mais de 800 quilómetros do Irão
Novas imagens de satélite de várias bases militares importantes na Península Arábica sugerem que o Irão está a tentar enfraquecer as defesas aéreas destruindo radares de fabrico norte-americano que detetam mísseis e drones.
O sistema de radar de uma bateria de mísseis THAAD norte-americana na Jordânia foi alvo de ataques e aparentemente destruído nos primeiros dias dos ataques lançados pelos EUA e Israel contra o Irão, como mostra uma imagem de satélite obtida na segunda-feira.
Edifícios que albergam sistemas de radar semelhantes também foram atingidos em dois locais nos Emirados Árabes Unidos, segundo uma análise da CNN, embora não se saiba se o equipamento foi danificado.
O radar é um elemento crucial para o sofisticado sistema de interceção de mísseis, utilizado para intercetar e destruir mísseis balísticos no seu percurso até ao alvo. Os EUA operam oito baterias THAAD, enquanto os Emirados Árabes Unidos operam duas e a Arábia Saudita uma. Esta estava localizada na Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, a mais de 800 quilómetros do Irão.
O sistema de radar dos mísseis THAAD é o radar transportável AN/TPY-2, fabricado pela Raytheon. De acordo com a Agência de Defesa Antimíssil para 2025, o seu custo é de quase 500 milhões de dólares.
A imagem mostra duas crateras de 4 metros de diâmetro na areia perto do radar, sugerindo que podem ter sido necessárias várias tentativas para atingir o sistema, que está dividido em cinco reboques de 12 metros. Todos parecem ter sido destruídos ou gravemente danificados.
O radar e a bateria de mísseis THAAD estavam em Muwaffaq desde, pelo menos, meados de fevereiro e parecem ter sido atingidos a 1 ou 2 de março. A base tem sido um centro de atividades para os Estados Unidos. Imagens de satélite obtidas antes do início dos combates mostram mais de 50 caças na pista, juntamente com drones e aviões de transporte. É provável que mais aviões estivessem armazenados em dezenas de hangares, escondidos da vista de satélite.
Este pode não ser o único radar THAAD atingido nos primeiros dias da guerra com o Irão.
Numa imagem de satélite capturada a 1 de março, é possível ver fumo a sair de uma instalação de radar perto da Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, onde estão estacionados dezenas de aviões norte-americanos. No local, uma tenda utilizada para abrigar um sistema de radar de uma bateria THAAD nas proximidades estava bastante carbonizada, com destroços espalhados ao seu redor.
Uma imagem de satélite capturada em janeiro mostrava a unidade de antena do sistema de radar posicionada no interior da tenda, apontada para nordeste, em direção ao Irão. Não é claro se o radar estava presente no momento do ataque ou se o sistema anteriormente ali instalado pertencia aos Estados Unidos ou à Arábia Saudita.
As autoridades sauditas não responderam a perguntas sobre a propriedade do sistema, e um responsável da defesa dos EUA recusou comentar, alegando segurança operacional.
Pelo menos três edifícios numa instalação militar perto de Ruwais e quatro numa instalação em Sader, ambas nos Emirados Árabes Unidos, foram danificados entre 28 de Fevereiro e 1 de Março. Os barracões para veículos utilizados para armazenar sistemas de radar para baterias THAAD em ambos os locais estão entre os edifícios atingidos.
A CNN determinou que estes dois locais armazenavam baterias e radares THAAD, segundo uma análise de imagens de satélite que mostravam a sua presença em Sader e Ruwais já em 2016 e 2018, respetivamente. Nas imagens, os componentes dos sistemas de radar podem ser vistos regularmente no exterior dos armazéns de veículos.
A CNN não conseguiu determinar imediatamente se os locais de defesa antimíssil eram utilizados para abrigar baterias THAAD pertencentes às forças armadas dos EUA ou as duas que tinham sido vendidas aos Emirados Árabes Unidos. As imagens de satélite de alta resolução não estavam imediatamente disponíveis para determinar se os sistemas de radar estavam presentes no momento dos ataques.
Danificar o radar não torna o sistema THAAD completamente inoperável, afirmam os especialistas, uma vez que existem outras características e configurações, mas certamente degrada a capacidade e a flexibilidade.
Em declarações à CNN, N.R. Jenzen-Jones, especialista em munições e diretor da empresa de estudos Armament Research Services (ARES), explica que o radar não pode ser facilmente substituído, classificando o sucedido como uma perda significativa.
“O radar AN-TPY/2 é essencialmente o coração da bateria THAAD, permitindo o lançamento de mísseis intercetores e contribuindo para uma imagem de defesa aérea em rede”, acrescenta o especialista. “Além disso, é um equipamento incrivelmente caro. A perda de um único radar deste tipo seria um acontecimento operacionalmente significativo. É provável que uma unidade de substituição tenha de ser redistribuída a partir de outro local, o que exigirá tempo e esforço”.
O THAAD tem uma ampla zona de envolvimento, pelo que pode ser utilizado para proteger uma vasta área, explica Jenzen-Jones. “No entanto, também precisa de ser complementado com outras defesas antimíssil balística e aérea, como o Patriot, para garantir uma boa cobertura contra diferentes tipos de ameaças e fornecer alguma proteção à própria bateria.”
Na quarta-feira, a CNN noticiou que os ataques iranianos contra bases e instalações militares norte-americanas na Península Arábica atingiram e danificaram equipamentos de comunicação, radar e de inteligência, numa aparente tentativa de as isolar do mundo exterior.
Além disso, as imagens de satélite mostram danos num sistema de radar de alerta antecipado de fabrico norte-americano do Qatar em Umm Dahal, de acordo com imagens analisadas por Sam Lair, investigador associado do Centro James Martin de Estudos de Não Proliferação.
“Devido à segurança das operações, não vamos comentar o estado de capacidades específicas na região”, respondeu um porta-voz do Pentágono. A CNN também tentou entrar em contacto com as autoridades jordanas e dos Emirados Árabes Unidos.
Os residentes dos Emirados Árabes Unidos relataram um aumento da atividade de caças na quarta-feira. Na terça-feira, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, afirmou que a França enviou caças Rafale para sobrevoar o espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos para proteger as suas bases militares. Não deu detalhes sobre as missões realizadas pelos caças, nem se estiveram envolvidos no abate de drones ou mísseis que pudessem ameaçar as bases.
Os Emirados Árabes Unidos reportaram uma redução significativa no número de mísseis lançados contra o seu território desde o início da guerra, caindo para sete mísseis na quinta-feira, contra 137 no sábado, o primeiro dia do conflito.
Os ataques com drones, no entanto, continuam a ser frequentes e representam agora a maior parte dos ataques contra os Emirados Árabes Unidos, que albergam tropas norte-americanas em Dafra, e estão entre os países árabes mais visados no Golfo, com 1.072 drones e 196 mísseis balísticos.