Por Jorge Silva Carvalho:
A notícia do jornal alemão Bild de 26 de agosto de 2025, assinada por Julian Röpcke, aponta que a ofensiva de verão russa na Ucrânia, iniciada em abril de 2025, colapsou em agosto sem alcançar os seus objetivos, sofrendo perdas significativas.
A tentativa de capturar Pokrovsk, em Donetsk, falhou, com as forças russas derrotadas ou capturadas após um breve avanço, enquanto a Ucrânia manteve o controlo, com um oficial a afirmar que a situação é mais favorável do que parece nos mapas.
No norte, o plano russo de criar uma “zona de segurança” na fronteira resultou na conquista de apenas 70 km de território, com a operação em Kursk, apoiada por mercenários norte-coreanos, descrita como um grande fracasso.
No sul, em Kherson e Zaporizhzhia, a linha da frente permaneceu estagnada, com a Rússia a abandonar planos ofensivos e a propor reduzir operações em troca de concessões no Donbas, capturando apenas 0,3% do território ucraniano (1.800 km²).
A ofensiva revelou fraquezas russas, como a destruição de 17% da capacidade de produção de combustível por drones ucranianos, causando escassez e aumentos de preços na Rússia, além de perdas massivas de tropas e equipamentos.
Para além disso, a resiliência ucraniana tem sido reforçada por ataques recentes com drones e mísseis contra alvos russos, como refinarias em Tuapse, depósitos em Engels e bases aéreas em Irkutsk e Murmansk, destacando-se a Operação “Teia de Aranha” de junho de 2025, que danificou 34% da frota de bombardeiros estratégicos russos.
Acresce que as armas de longo alcance recém-adquiridas ou desenvolvidas, como o míssil Neptune (1000 km, usado desde março de 2025), o sistema FP-5 “Flamingo” (3000 km, em produção desde agosto de 2025), drones Peklo (700 km) e Palyanytsia, além de sistemas GLSDB fornecidos pelos EUA, aumentam a capacidade da Ucrânia de infligir danos significativos à infraestrutura crítica e logística russa, incluindo refinarias, bases aéreas e ferrovias.
Apoiada por acordos como o de €5 mil milhões com a Alemanha para produção de armas, a Ucrânia opera de forma mais autónoma, intensificando contra-ataques que enfraquecem a Rússia.
Este fracasso expõe as vulnerabilidades russas podendo mesmo criar condições para um desarticular do sistema de forças russo e anular a vantagem quantitativa em homens e material.
Com a chegada do Outono e da época das chuvas a exposição russa vai aumentar e a Ucrânia vai reforçar o seu posicionamento e até força negocial.