Currículos das escolas vão ser revistos. Sistema educativo vai “dar um salto enorme” com IAMariana Bandeira
Ministro Fernando Alexandre espera que, até 2027, o sistema centralizado de gestão esteja mais digitalizado e com interoperabilidade entre as mais de 300 aplicações com dados da comunidade escolar.O ministro da Educação, Ciência e Inovação disse esta terça-feira que a reforma do sistema educativo, que está a ser levada a cabo até ao final do próximo ano, vai torná-lo “irreconhecível” com a aplicação de inteligência artificial (IA). Fernando Alexandre defendeu a manutenção de um modelo centralizado por ter capacidade de obter eficiência através da tecnologia e explicou que “vai levar a uma revisão dos currículos”.
“Os sistemas centralizados podem ser mais eficientes pelo processamento da informação. Quando temos um sistema que pode integrar IA, as vantagens e desvantagens têm de ser repensadas. Com sistemas de informação, capacidade de processamento de dados e ferramentas de IA, podemos gerir de forma mais eficiente um sistema centralizado. Temos um potencial enorme para mudar a gestão do ministério”, afirmou Fernando Alexandre, no discurso de abertura da conferência “Reprogramar o Trabalho”, organizada pelo ECO.
Em causa estão os resultados da análise que está a ser realizada pelo grupo de trabalho “Digital e IA na Educação” para delinear esta visão estratégica, cujos resultados serão apresentados “nos próximos meses”. O ministro com a pasta da Educação informou que existem mais de 300 aplicações com informação sobre todo o sistema educativo. “O problema é que nunca foram organizadas para comunicar. Vamos poder usar essa informação para fazer gestão de recursos de um ministério que têm 27% dos funcionários públicos. Com a IA vamos dar um salto enorme no nosso sistema educativo”, garantiu.
Espero que até 2027 esteja concretizada com um sistema educativo gerido de forma completamente diferente, irreconhecível e do melhor que se está a fazer no mundo. Vamos ter a possibilidade de aproveitar o digital e a IA.
A reforma do Ministério da Educação, que mencionou, foi uma rampa de lançamento para a mensagem partilhada com a audiência: “Todas as organizações vão ter de mudar os processos e a forma de trabalhar lá dentro”.
Fernando Alexandre fez referência ao pensamento do economista Daron Acemoglu, galardoado com o Prémio Nobel da Economia em 2025, e que estima que, entre 1980 e 2010, metade do crescimento do emprego nos Estados Unidos, adveio de “novas operações” relacionadas com tecnologia.
Fernando Alexandre considera que a “IA não anula as operações, mas anula parte das tarefas” e apresentou alguns números que permitem “relativizar o efeito da tecnologia no modo de trabalho”, entre os quais os dados da tecnológica norte-americana Anthropic que concluem que existe substituição de até dois terços das tarefas por IA em apenas 4% das operações da força de trabalho.
“Há profissões que deixam de existir mas, normalmente, o efeito é eliminar tarefas da força de trabalho, que passam a ser realizadas por máquinas. Em quase todas as revoluções tecnológicas, o que temos é uma alteração na forma como a força de trabalho se complementa com a IA”, declarou, no evento sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, que decorre no CCB – Centro Cultural de Belém.
O governante alertou ainda para o ensino adequado da tecnologia dentro das escolas e a reconfiguração de competências na era digital, tendo em conta que a “tecnologia trouxe sempre à Humanidade a possibilidade de fazer tarefas diferentes, normalmente de uma forma eficiente, e muda necessariamente a forma de trabalhar”.
Então, o que fazer? Primeiro, é necessário entender a tecnologia. O ministro com a pasta da Educação defende a promoção do pensamento computacional e diz que temos de educar as crianças, jovens e adultos a interagir com as máquinas, promover o pensamento computacional. Segundo, perceber quais são as competências humanas a desenvolver porque as máquinas são incapazes.
Simultaneamente, a componente social é prioritária, adiantou o ministro da Educação, Ciência e Inovação. “Foi uma das razões pelas quais proibimos os telemóveis. Perguntaram-nos se éramos contra o digital nas escolas. Não, valorizamos muito o digital, até porque, pela primeira vez, temos provas digitais”, começou por dizer.
“A proibição dos telemóveis contribui para mudar os comportamentos, mudar a socialização das crianças e a capacidade de estabelecer relações com os seres humanos que não é substituída – penso eu – pela IA”, concluiu, garantindo que este bloqueio está ser um “sucesso”, bem recebido escolas e famílias e a “ter efeitos muito positivos” nos alunos.
https://eco.sapo.pt/2026/03/17/curriculos-das-escolas-vao-ser-revistos-sistema-educativo-vai-dar-um-salto-enorme-com-ia/