Estou a contabilizar os casos até o momento:
Pelo menos 35 pessoas morreram em decorrência de incidentes envolvendo o ICE e outros agentes federais de imigração entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, muitas delas sob custódia ou durante operações de fiscalização. O número de mortes sob custódia do ICE aumentou significativamente, atingindo o nível mais alto em mais de 20 anos em 2025. Incluo os mais notáveis casos de inocentes civis, cidadãos americanos,
assassinados na via pública, à luz do dia e filmados de vários ângulos. Os nossos olhos não mentem.

Mortes causadas por Panteras Negras no mesmo período: 0, zero. Nada. "os Black Panthers são uma entidade legal, uma associação política não‑incorporada, com sede, liderança, jornal e programas comunitários. Participaram em processos judiciais como parte legal reconhecida. O facto de terem sido alvo de repressão estatal não altera a sua legalidade enquanto organização." Parece que o único "crime" é a cor da pele na mentalidade de alguns.
Não deixa de ser curiosa a mentalidade MAGA: o padrão é simples e já é conhecido há décadas: a defesa da Segunda Emenda, para alguns, não é um princípio, é um privilégio reservado ao “grupo certo”.
Quando alguém ideologicamente alinhado com o movimento MAGA enfrenta problemas legais com armas, a narrativa é sempre a mesma: “perseguição política”, “deep state”, “estão a violar direitos constitucionais”. Mas quando o caso envolve alguém fora da bolha, seja um opositor político, um ativista, ou simplesmente alguém que não encaixa no estereótipo do “bom cidadão armado”, o discurso muda instantaneamente para “criminoso”, “extremista”, “não devia ter armas”.
Isto não é novo. Basta lembrar o exemplo histórico mais óbvio: os Black Panthers exerciam legalmente o "open carry" na Califórnia nos anos 60, e a resposta foi o "Mulford Act", apoiado por conservadores e assinado por Reagan, enquanto governador, que restringiu precisamente esse direito.
Ou seja: quando eram afro‑americanos politicamente organizados a exercer um direito constitucional, de repente esse direito deixou de ser tão absoluto.
O que vemos hoje é a mesma lógica reciclada:
– Direitos constitucionais para uns.
– Suspeita, silêncio ou apoio a restrições quando são “os outros”.
No fundo, não é sobre a Segunda Emenda.
É sobre quem é considerado digno de a exercer.