NATO-Russia

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typhonman

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NATO-Russia
« em: Fevereiro 10, 2007, 03:30:28 am »
http://www.guardian.co.uk/russia/articl ... 57,00.html

Ai estão os planos russos para confrontar a NATO com a colocação do sitema Anti-Missil Americano.

Li no JN que os russos ameçam sair do tratado CFE(Convencional Forces in Europe), alguem sabe mais alguma coisa?

http://usinfo.state.gov/journals/itps/0 ... ocombe.htm
 

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Pantera

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Re: NATO-Russia
« Responder #1 em: Fevereiro 11, 2007, 05:41:30 pm »
Citação de: "Typhonman"
http://www.guardian.co.uk/russia/article/0,,2008657,00.html

Ai estão os planos russos para confrontar a NATO com a colocação do sitema Anti-Missil Americano.

Li no JN que os russos ameçam sair do tratado CFE(Convencional Forces in Europe), alguem sabe mais alguma coisa?

http://usinfo.state.gov/journals/itps/0 ... ocombe.htm


O sistema anti-missil pouco ou nada pode fazer contra misseis inter-continentais ou misseis com um alcance de 4000 quilometros, alias nem mesmo misseis que tenham pequenos alcance, não se poderá dizer que esse sistema possa ser fiàvel. Estas criticas da Rússia não fazem grande sentido.

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typhonman

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« Responder #2 em: Fevereiro 20, 2007, 12:15:18 am »
http://www.areamilitar.net/noticias/not ... ?nrnot=329

Alguem sabe se os EUA ja se desfizeram de todos os seus misseis Pershing II?
 

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typhonman

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« Responder #3 em: Julho 14, 2007, 10:07:49 pm »
E hoje marca o dia em que a Russia abandona o tratado CFE (Conventional forces europe), na pratica podem mobilizar homens e armas bem junto da fronteira OTAN.
 

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SSK

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« Responder #4 em: Julho 15, 2007, 06:51:46 pm »
E o que é que os países da OTAN estavam a fazer com os misseis junto às fronteiras da Russia.

Isto é como o respeito, quem quer paz tem que dar paz...
"Ele é invisível, livre de movimentos, de construção simples e barato. poderoso elemento de defesa, perigosíssimo para o adversário e seguro para quem dele se servir"
1º Ten Fontes Pereira de Melo
 

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SSK

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« Responder #5 em: Agosto 07, 2007, 06:49:32 pm »
Citar
Rússia oferece parceria estratégica à NATO
Um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou recentemente que a Rússia está a oferecer uma parceria estratégica à NATO como alternativa ao plano dos EUA, que querem implementar um sistema de defesa anti-míssil na Europa de Leste. Como alternativa, a Rússia propõe o uso comum de uma estação de radar “alugada” ao Azerbeijão.


2007/07/31

Ler mais... :arrow: http://en.rian.ru/russia/20070726/69715508.html


Citar
Rússia propõe sistema anti-míssil
Moscovo vai apresentar uma nova proposta aos EUA e à NATO sobre a criação, em parceria, de um sistema global de defesa anti-mísseis, até 2020.

“Propomos a criação, aproximadamente até ao ano 2020, de um sistema global único de defesa contra mísseis, com participação equitativa de muitos Estados e com o acesso de todos eles ao comando desse sistema”, afirmou o vice-primeiro-ministro russo, Serguei Ivanov, numa entrevista recente à cadeia televisiva Rossia. O convite feito pelo dirigente russo dirige-se não só aos EUA e aos estados-membros da NATO, mas também a outros países europeus.

Ivanov referiu ainda que está disposto trocar “tecnologias militares muito sensíveis”, que iriam favorecer todos e gerar “um clima de maior confiança entre si” e alertou para o facto de que a instalação dos mísseis norte-americanos na “Velha Europa" "não somente criaria uma ameaça militar à Rússia, como fariamaumentar os riscos políticos” para todos os países europeus.

“Se as nossas propostas forem aceites, desaparecerá a necessidade de a Rússia colocar novos mísseis na parte ocidental do país, designadamente na região de Kalininegrado”, concluiu Ivanov.
2007/07/31
"Ele é invisível, livre de movimentos, de construção simples e barato. poderoso elemento de defesa, perigosíssimo para o adversário e seguro para quem dele se servir"
1º Ten Fontes Pereira de Melo
 

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raphael

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« Responder #6 em: Junho 20, 2008, 02:02:39 pm »
Citação de: "Typhonman"
E hoje marca o dia em que a Russia abandona o tratado CFE (Conventional forces europe), na pratica podem mobilizar homens e armas bem junto da fronteira OTAN.


Já um pouco fora de prazo mas... A Rússia abandonou o tratado CFE, porque alguns dos países que entretanto aderiram à NATO, já foram do Pacto de Varsóvia e/ou não tinham ratificado o referido tratado.
Um abraço
Raphael
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Lightning

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« Responder #7 em: Setembro 25, 2008, 11:06:02 pm »
Como não encontrei nenhum tópico especifico sobre a NATO decidi colocar aqui esta informação, mas se estiver mal agradeço que coloquem no topico correcto.

É uma lista que encontrei no site na NATO, em que está indicado por pais, todos as missões em que esses paises participam e com que tipo de forças, navais, aéreas e terrestres.

http://www.nato.int/issues/commitment/index.html
 

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André

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« Responder #8 em: Março 19, 2009, 10:44:27 pm »
Secretário-geral da NATO "confuso" com declarações de Medvedev sobre rearmamento de FA russas


O secretário-geral da NATO afirmou hoje estar "confuso" sobre as palavras do presidente russo, Dimitri Medveded, que na terça-feira apontou o alargamento da Aliança Atlântica a leste como uma das razões para o rearmamento das Forças Armadas russas.

Questionado pelos jornalistas num encontro no quartel-general da organização sobre se considerou o anúncio do presidente Medvedev como uma ameaça para o futuro, o secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, respondeu negativamente mas disse estar "um pouco confuso" com os argumentos de Moscovo e defendeu que a Aliança "terá sempre" um papel defensivo.

"Não, não considero [uma ameaça], estou um pouco confuso com o argumento do alargamento da NATO, porque a NATO foi sempre e será sempre uma aliança defensiva e acho que Medveded percebe muito bem que a NATO não tem nem terá nenhum objectivo ofensivo", declarou o responsável máximo da Aliança Atlântica.

"Deste ponto de vista estou um pouco confuso com a argumentação usada pelo presidente Medveded, mas é só o que tenho a dizer sobre este assunto", acrescentou Scheffer.

Na terça-feira, Moscovo anunciou um novo processo de "modernização" do Exército e da Marinha russas, a começar em 2011.

Na sua intervenção, Medvedev justificou a decisão com os conflitos que estão a acontecer em algumas regiões do mundo e referiu a expansão da Aliança Atlântica a países do antigo Pacto de Varsóvia.

"Uma análise da situação político-militar do mundo mostra que há potenciais conflitos que são significativos em várias regiões", disse o chefe de Estado russo, acrescentando que "as tentativas da NATO de alargar a sua infra-estrutura não têm diminuído".

O secretário-geral da NATO falou ainda da decisão de retomar as relações diplomáticas com a Rússia, tomada na reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros há duas semanas, e frisou que tal não significa que a Aliança "tenha passado a concordar" com Moscovo.

As relações entre a NATO e a Rússia estavam "congeladas" desde o final do Verão passado, aquando da invasão da Geórgia pelas Forças Armadas russas.

"Temos uma discordância fundamental com a Rússia em relação à invasão da Geórgia e ao que se passou a seguir, o reconhecimento da Rússia da Abecázia e da Ossétia do Sul e a intenção de Moscovo de possuir bases militares naqueles territórios é algo que a Aliança não pode aceitar", advogou.

Jaap de Hoop Scheffer lembrou, contudo, que há aspectos onde NATO e Rússia devem "concertar posições" como no "Afeganistão, na luta contra o terrorismo ou na luta contra o narcotráfico".

Na conversa com os jornalistas, o holandês enumerou alguns dos principais temas que vão ser abordados próxima cimeira da NATO, em Estrasburgo/Kehl, que comemora os 60 anos da organização, como o regresso da França à estrutura militar da NATO, a apresentação da Declaração de Segurança da Aliança e o alargamento a novos membros - na cimeira franco-alemã a adesão da Croácia e Albânia deverá ser formalmente anunciada.

Sobre o Afeganistão, o secretário-geral reiterou o que tem dito por diversas vezes, que há uma necessidade de reforçar os contingentes presentes naquele território e que a missão da ISAF é a "prioridade operacional da NATO neste momento".

Lusa

 

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André

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« Responder #9 em: Abril 06, 2009, 06:28:57 pm »
General Mattis diz que Rússia não pode ser vista como ameaça


O comandante estratégico para a transformação da NATO, o general James Mattis, considerou hoje que «a longo prazo há razões de optimismo» para as relações com a Rússia e salientou que a Aliança não vê Moscovo «como uma ameaça».

Questionado pelo deputado socialista João Soares sobre a necessidade de «transformar» o relacionamento com a Rússia durante uma conferência no Parlamento sobre os desafios da Aliança Atlântica, o general norte-americano defendeu mais «transparência e dialogo saudável para que não haja noções erradas para ninguém».

João Soares interrogou ainda o responsável máximo pela transformação das estruturas e capacidades da NATO sobre se «não há que considerar de uma forma diferente» as relações diplomáticas com aquele país», referindo que «muitos ainda vêem a Rússia como a antiga União Soviética», o que chamou de «clichés da Guerra Fria».

«Temos de reconhecer que a Rússia está ligada à Aliança Atlântica em termos de segurança. A curto prazo poderemos ter alguns problemas, mas a longo prazo acho que há razões para ser optimista», afirmou o general Mattis, que também lidera o Comando Conjunto de Forças dos Estados Unidos, cujo quartel-general fica em Norfolk, no estado de Virgínia.

«Nós não os vemos como ameaça», afirmou o general, que disse também que caso vá a Moscovo, irá «tentar mostrar aos oficiais russos que a NATO não é uma ameaça para eles».

Ao longo da sua intervenção, o general norte-americano sublinhou ainda que o futuro da NATO tem de passar pela «resposta às ameaças não convencionais» e ao «irregular warfare», algo que deve ser feito através de «um sistema militar integrado».

«As boas ideias hoje em dia valem milhões para nós, temos de trabalhar juntos ou teremos problemas, nenhuma nação consegue defender-se por si só», concluiu o militar.

A abrir a conferência estiveram o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e o deputado socialista e presidente da comissão parlamentar de Defesa, Miranda Calha, perante uma audiência de mais de 100 pessoas, constituída por vários responsáveis políticos e militares.

Lusa

 

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André

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« Responder #10 em: Abril 20, 2009, 05:55:05 pm »
Moscovo apresenta ultimato à NATO


A Rússia não irá restabelecer contactos com a NATO ao nível militar se a Aliança Atlântica não desistir da realização de manobras na Geórgia, declarou hoje Dmitri Rogozin, embaixador russo junto da NATO.

«Se não houver uma reacção (aos protestos da Rússia contra a realização das manobras), iremos tomar medidas concretas. Posso já anunciar uma: o encontro de chefes dos Estados-Maiores Rússia-NATO, marcado para 07 de Maio», será suspenso, declarou Rogozin ao canal televisivo russo Vesti-24.

As manobras da NATO na Geórgia, cuja realização está prevista para o período entre 06 de Maio e 01 de Junho, estão a ser mal recebidas na capital russa, que as considera uma ingerência nos assuntos internos desse país.

Dezanove países vão participar nos exercícios Cooperative Longbow/Cooperative Lancer 09, organizados pela NATO na Geórgia e que, segundo uma nota emitida pela Aliança hoje, terão como objectivo «aperfeiçoar a coordenação entre a NATO e os países que participam no seu Programa Associação para a Paz, em particular no que diz respeito às operações anti-crise autorizadas pela ONU e auspiciadas pela NATO».

Prevê-se a participação de um total de 1.300 militares da Albânia, Arménia, Azerbaijão, Bósnia e Herzegovina, Canadá, Cazaquistão, Croácia, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Geórgia, Grã-Bretanha, Grécia, Hungria, Macedónia, Moldávia, República Checa, Sérvia e Turquia.

A primeira etapa prevê um exercício de chefes dos Estados Maiores em Tbilissi, capital georgiana, enquanto a segunda fase compreende manobras de campo a nível de batalhões e irá ter lugar na base militar de Vaziani, de 18 de Maio a 01 de Junho.

Lusa

 

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HaDeS

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Re: NATO-Russia
« Responder #11 em: Abril 22, 2010, 11:51:35 pm »
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Otan desafia Rússia e diz que manterá armas nucleares na Europa

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) afirmou nesta quinta-feira que manterá seu arsenal nuclear na Europa, considerado parte essencial de sua defesa.

Em recado à Rússia, que se opõe publicamente ao crescimento da Otan nos seus arredores, a aliança atlântica afirmou que gostaria que Moscou retirasse seu arsenal de perto das nações-membros como gesto de confiança, caso ela venha a retirar seu arsenal do continente.

Os ministros de Relações Exteriores dos países da Otan começam esta noite o debate sobre o futuro da política nuclear de defesa da organização, pouco após a Cúpula de Segurança Nuclear nos EUA determinar um compromisso global pela segurança de material nuclear e de Washington e Moscou assinaram acordo para maior redução de seus arsenais nucleares.

O secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen, disse, em entrevista coletiva que a Otan deve fazer o que puder dentro de um "compromisso ativo" para apoiar os esforços internacionais a favor do desarmamento --mas que é favorável à manutenção das armas táticas.

Cinco países da aliança (Alemanha, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Noruega) convocaram o debate para a retirada das armas nucleares americanas armazenadas no continente. A ideia é que a Otan dispõe de armamento atômico estratégico dos EUA e Reino Unido, enquanto outro Estado-membro, a França, possui armas nucleares, mas que não estão incorporadas à estrutura militar aliada.

Os Estados Unidos preferem, primeiro, negociar uma retirada paralela de numerosas armas táticas russas com Moscou, em seguida ao tratado Start 2 recentemente concluído sobre a redução dos armamentos estratégicos dos dois países.

Em discurso preparado para o evento, a secretária de Estado, Hillary Clinton, afirma que "enquanto as armas nucleares existirem, a Otan permanecerá como uma aliança nuclear". "Como uma aliança nuclear, dividir riscos e responsabilidades nucleares é essencial", dirá.

Não é o caso de retirar unilateralmente as 240 bombas, próprias para serem lançadas de aviões, que estão em cinco países (Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália e Turquia), defendem alguns aliados --mesmo porque estes engenhos são considerados ultrapassados 20 anos após o fim da Guerra Fria.

Outras nações da Europa Oriental e Central defendem sua retirada porque simbolizam, para eles, o guarda-chuva atômico americano, comentou um diplomata europeu.

O chefe da diplomacia alemã, Guido Westerwelle, partidário declarado de uma retirada das bombas atômicas de seu país, afirmou em Tallinn "que já era tempo de fazer avançar o desarmamento, aí compreendido o nuclear".

A versão final do documento, que não apresenta modificações profundas desde 1999, deverá, depois, ser submetido a uma reunião de cúpula da Otan no final de novembro, em Lisboa.

Reforma

Rasmussen explicou que, durante a primeira sessão da reunião de dois dias na capital da Estônia, recebeu o forte apoio ministerial a várias ideias que apresentou para conseguir "profundas reformas" na organização, para uma melhor gestão dos recursos.

Rasmussen insistiu na urgência de mudanças profundas na Otan. Segundo ele, a aliança "tem uma estrutura de quartéis-generais própria da Guerra Fria que já não pode ser permitida".

"Nossa sede é um paraíso para as pessoas que gostem de comitês, mas eu não sou uma delas e tenho certeza que podemos agilizar as coisas nesta área", disse Rasmussen.

A ideia é apoiada por França e o Reino Unido, segundo diplomata europeu.

Folha de São Paulo
 

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João Vaz

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Re: NATO-Russia
« Responder #12 em: Outubro 07, 2010, 05:36:37 pm »
Visão Geoestratégica Norte-Americana da Europa, séc. XXI

"E se os antigos portugueses, e ainda os modernos, não foram tão pouco afeiçoados à escritura como são, não se perderiam tantas antiguidades entre nós (...), nem houvera tão profundo esquecimento de muitas coisas".
Pero de Magalhães de Gândavo, História da Província Santa Cruz, 1576
 

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Cabeça de Martelo

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Re: NATO-Russia
« Responder #13 em: Outubro 07, 2010, 05:39:30 pm »
Mentira, à anos que não temos as taxas de crescimento do Brasil... :(
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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Lusitano89

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Re: NATO-Russia
« Responder #14 em: Outubro 23, 2010, 05:22:54 pm »
Rússia, parceiro indispensável?
Alexandre Reis Rodrigues
 
 
 
Há visões muito diferentes, no seio da NATO, sobre a necessidade e forma de fazer progredir o relacionamento com a Rússia. Como conciliar essas visões, sob a forma de uma política coerente, é um dos mais importantes desafios a que o novo conceito estratégico da Aliança deve responder.

A Europa divide-se entre duas posições extremas. Por um lado, os que continuam a olhar a Rússia como uma ameaça à sua segurança e vêm na NATO a garantia da sua defesa. Por outro lado, os que procuram activamente um entendimento com Moscovo, sob a ideia de que não pode haver, verdadeiramente, uma segurança europeia global sem a participação da Rússia; inclui-se nos argumentos deste grupo o papel que a Rússia pode ter na solução dos problemas energéticos da Europa, no médio prazo, pelo menos.

Mas não é apenas por estas diferentes visões no campo europeu que a questão do estabelecimento de uma parceria com a Rússia se tornou muito complexa. É também, em grande parte, pela posição da própria Rússia e dos EUA. Washington precisa, no seu próprio interesse, de melhorar o relacionamento com a Rússia mas não se mostra disposto a alterar a essência da política de contenção da Rússia – evitar o regresso ao anterior estatuto de potência imperial. No entanto, também não subscreve os receios dos que avaliam a situação a Leste como prioritária para NATO (são principalmente os três países do Báltico). Os EUA consideram importante a segurança a Leste mas, obviamente, não vêm na Rússia uma ameaça à Europa. Pelo que se disse atrás, esta posição acaba por em nada ajudar a resolver a divisão entre os europeus.

A postura russa é a principal dificuldade. Logo, em primeira instância, porque nada tem feito - bem ao contrário - para ajudar a enterrar o passado do domínio soviético, para fazer esquecer as razões de queixa que as antigas Repúblicas da União e países satélites conservam desses tempos e impedir que essas lembranças continuem a interferir no futuro. Depois, porque a utilização que Moscovo faz dos seus recursos energéticos tem frequentemente contornos de coacção, em especial, na vizinhança próxima, aproveitando a dependência, nalguns casos quase total, que se verifica nesses países (100% em relação ao gás, no caso da Lituânia, Letónia, Finlândia, por exemplo).

Moscovo quer uma nova arquitectura de segurança para a Europa. Alega, pela voz do Presidente Medvedev, que a actual não permite resolver os conflitos com eficácia por excesso de fragmentação na forma como os europeus se relacionam internacionalmente, em matéria de segurança e defesa (NATO, UE, OSCE, etc.). No entanto, as razões de fundo da sua proposta decorrem de não ter qualquer voz activa nas duas primeiras instituições, as que, de facto, cuidam da segurança e defesa na Europa.

Moscovo já concluiu que os instrumentos de participação que a NATO lhe tem oferecido não lhe dão qualquer capacidade de participação efectiva, de ser ouvida como um igual, de ter influência no respectivo processo de decisão. Aceitou o que lhe foi proposto porque, estando impotente para parar o alargamento da NATO, viu nos mecanismos que então a Aliança criou - primeiro o Political Joint Committee e depois o NATO/Russia Council - alguma possibilidade de participação útil. Esta esperança levou um primeiro golpe com a crise do Kosovo e depois desapareceu com os alargamentos por que a NATO passou, em particular, o de 2004 em que nove dos 12 membros admitidos vinham precisamente da área de influência soviética, nomeadamente, os três países do Báltico que constituíam o caso mais sensível para Moscovo.

O que o Presidente Medvedev pretende precisamente ainda não se tornou claro, mal grado ter entretanto avançado com uma proposta de Tratado. Presume-se, que agora, de forma mais realista do que no início deste processo, já não pretende substituir o que existe, nem tentar dissociar a participação dos EUA da defesa da Europa. Em alternativa, defende um arquitectura que englobe as organizações existentes num novo quadro de compromissos, assente no princípio de que as medidas a implementar têm que ter em atenção os interesses de todas as partes. Refiro-me ao nº1 do artigo 2º da proposta apresentada, regra que, na prática e se aceite, introduziria o direito de veto a, por exemplo, um novo alargamento da NATO, se a Rússia alegasse que afectaria os seus interesses.

Têm sido dados alguns passos para tentar demonstrar que a organização de segurança existente, incluindo as mudanças recentemente feitas, não está feita contra a Rússia; inclui-se aqui, por exemplo, a mudança de percurso decidida pelo Presidente Obama na área da defesa anti-míssil. Mas a verdade é que também não está a ser feita com Moscovo, pelo menos na óptica do Kremlin, como acima explicado. Aliás, a possibilidade, que continua em aberto, do alargamento da NATO continuar e, eventualmente, incluir a Ucrânia deixa escassas perspectivas de melhoria do relacionamento, menos ainda de estabelecimento de uma parceria com finalidade prática, isto é, que nos permita conseguir o que necessitamos em troca do que possamos ceder.

Não é este, no entanto, o problema central. À partida, uma parceria com a Rússia na área da segurança europeia estará sempre limitada pelo facto de esse sector estar centralizado em duas instituições (NATO e UE) de que a Rússia não faz parte, e com as quais mantém apenas ligações muito ténues. Não se imagina que esta situação se possa alterar proximamente; há explicações dos dois lados que não permitem prever outro desfecho. Da parte da Rússia, porque não é essa a prioridade; como se viu acima, o objectivo de Moscovo é a construção de uma nova arquitectura de defesa e não a sua integração na existente. Da parte dos aliados, porque a “desejabilidade” de participação da Rússia na segurança europeia, embora consensual para vários países europeus, não tem força suficiente para levar o colectivo a alterar a política de “incorporação”, que tem sido seguida desde o fim da Guerra Fria, por uma estratégia de “integração” implicando a aceitação da inclusão da Rússia nos processos de decisão dessas duas instituições.

Não quer isto dizer que não existe margem de manobra para tentar mudar, de algum modo, esta realidade; existe alguma, para já, no funcionamento do NATO-Russia Council (NRC), mas sob condições. O Relatório do Grupo de Peritos refere a principal quando recomenda que a agenda do NRC passe a responder às preocupações de segurança de ambas as partes («Allies should work with Russia to ensure an agenda for the NRC that responds in a frank and forward looking way to the security concerns of both sides ...»). O NRC é o único mecanismo disponível para desenvolver formas de cooperação susceptíveis de se traduzirem por uma maior inclusão da Rússia e induzirem uma maior transparência no relacionamento, isto é, darem uma maior e mais eficaz dimensão ao esforço de “incorporação”. Há, portanto, que tentar continuar a explorar a sua potencialidade, mudando o respectivo estatuto onde necessário.

Parece-me ser também sob uma perspectiva idêntica que a UE tem agora para apreciação uma iniciativa da Chanceler Merkel e do presidente Medvedev para a criação do Euro-Russia Political and Security Committee (a que a França e Polónia já aderiram). Vamos ter oportunidade a curto prazo de verificar até que ponto esta iniciativa europeia poderá inspirar a NATO para seguir um caminho semelhante.

Jornal Defesa