Indústria Aeroespacial

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Re: Indústria Aeroespacial
« Responder #30 em: Dezembro 04, 2018, 05:50:15 pm »
O futuro do setor espacial português vai ser discutido em Coimbra


O Diretor-Geral da Agência Espacial Europeia e o Ministro da Ciência e Tecnologia vão estar no evento de celebração do 4.º aniversário da incubadora espacial portuguesa, organizado pelo Instituto Pedro Nunes. Iniciativa vai mostrar as mais recentes aplicações de tecnologia espacial na Terra, apresentar novas start-ups e discutir o futuro do setor espacial em Portugal.

A incubadora espacial portuguesa da Agência Espacial Europeia (ESA BIC Portugal), coordenada pelo Instituto Pedro Nunes (IPN), assinala nos dias 20 e 21 de dezembro, em Coimbra, o seu 4.º aniversário com o evento “Portugal Espaço 2030”, organizado em colaboração com a Ciência Viva e o Gabinete do Espaço da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

No dia 20, quinta-feira, seis novas start-ups incubadas na ESA BIC Portugal vão ser apresentadas nesta iniciativa e é inaugurada uma exposição onde se poderão conhecer ao vivo produtos e protótipos funcionais com aplicação terrestre desenvolvidos com tecnologia espacial.

A impressora 3D da BeeVeryCreative, desenhada para a Estação Espacial Internacional – MELT, capaz de imprimir em ambiente de microgravidade vai estar em funcionamento à vista de todos. Com a ajuda do IPN, enquanto Broker de Transferência Tecnologia da ESA, a BeeVeryCreative está a transferir tecnologia desta impressora para desenvolver um novo produto para prototipagem industrial.

Outra empresa que estará presente com um protótipo é a Pavnext. Vencedora de vários prémios, esta startup está a aplicar uma cortiça da Amorim Cork Composites, usada no isolamento de foguetões, no desenvolvimento um pavimento que reduz a velocidade dos carros e gera energia.

Também a ActiveSpace Automation, spin-off da Active Space Technologies, está a incorporar tecnologia espacial em aplicações terrestres e terá para mostrar um veículo teleguiado usado para suporte à logística em ambientes industriais. Este veículo incorpora o know-how que a Active Space Technologies adquiriu no desenvolvimento de um sistema robótico para os testes de locomoção de um rover utilizado na exploração de Marte, na missão europeia ExoMars.

Já a Matereo vai apresentar um rover aquático e um satélite marítimo capazes de recolher, em tempo real, dados bioquímicos de monitorização da qualidade das águas, combinados com dados de Observação da Terra.

O futuro do setor espacial em Portugal

Os trabalhos do segundo dia, 21 de dezembro, sexta-feira, começam às 10 horas com as intervenções de Teresa Mendes, Presidente da Direção do Instituto Pedro Nunes, Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, e Gui Menezes, Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia dos Açores.

Estará também presente o Diretor-Geral da ESA, Jan Wörner, keynote speaker, com uma intervenção sobre as novas oportunidades no Espaço 4.0.

Durante a manhã, tem destaque o tema da plataforma de lançamento de satélites nos Açores – Atlantic International Satellite Launch Programme, numa sessão conduzida por Luís Santos, coordenador da Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço, e que conta com a participação de Chris Larmour, presidente executivo da Orbex, Tiago Rebelo, do Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, e ainda da PLD Space, que trabalha com foguetões suborbitais.

O projeto Space Rider, que deverá aterrar nos Açores, vai ser outro tema marcante. Pelas suas condições de microgravidade, este projeto pode trazer muitas oportunidades de investigação nas áreas da saúde e farmacêutica como, por exemplo, testar como o sangue circula em microgravidade. A Avio, empresa italiana que opera no setor aeroespacial, tem presença confirmada neste painel.

Empresas como a Spin.Works e a organização EUMETSAT também vão estar presentes para fazer uma análise sobre os futuros mercados terrestres potenciados por dados de Observação da Terra.

A Ciência Viva estará presente num painel dedicado à Educação para o Espaço e Espaço para a Educação, contando ainda com a participação das parcerias internacionais MIT Portugal e UTAustin.

A ESA BIC Portugal é coordenada pelo IPN e tem polos no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e na agência DNA Cascais. É um dos 20 centros de incubação da Agência Espacial Europeia a nível europeu, onde são apoiadas start-ups que transfiram tecnologia espacial para setores terrestres, mas também novas empresas que pretendam entrar no mercado espacial comercial, no chamado New Space.

O Instituto Pedro Nunes é também membro da rede de Brokers de Transferência Tecnologia da ESA, apoiando a comercialização da tecnologia espacial em mercados não espaciais e divulgando as melhores e mais promissoras tecnologias espaciais e competências das empresas e academia espaciais portuguesas.


:arrow: https://boasnoticias.pt/o-futuro-do-setor-espacial-portugues-vai-ser-discutido-em-coimbra/?fbclid=IwAR0WOgXHSy4CXaj67T80hST9Gi8VWazJ2R2sX_RTwD-HoImH5-hsDjjRQpU
 

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Re: Indústria Aeroespacial
« Responder #31 em: Dezembro 21, 2018, 01:00:12 pm »
É a Portugal Espaço. A Agência Espacial Portuguesa nasce no início de 2019


A Agência Espacial Portuguesa - Portugal Espaço vai nascer durante o primeiro trimestre de 2019. Com sede na ilha de Santa Maria, nos Açores, e pelo menos um polo em Lisboa, o novo organismo vai promover o desenvolvimento do setor nacional do espaço, dinamizando a criação de programas, de novas empresas e de mais emprego qualificado nesta área, no país.

O objetivo "é multiplicar por 10 em 2030 o volume de negócios deste setor em Portugal, que é atualmente de 40 milhões de euros, e chegar pelo menos aos 400 milhões de euros dentro de uma década. A criação da agência espacial faz parte da estratégia para lá chegar", explica ao DN o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

Pedra de toque para toda essa estratégia serão as verbas do financiamento público da União Europeia, através do novo programa europeu para o espaço, que será lançado em 2021, para vigorar até 2027. "Vão ser ao todo 16 mil milhões de euros, e Portugal ambiciona captar 2% [320 milhões de euros] dessa verba", adianta Manuel Heitor, sublinhando que "a ambição para a próxima década é também criar pelo menos mil novos postos de trabalho qualificado nesta área em Portugal"

"Para isso temos de nos preparar, e a criação da agência faz parte dessa estratégia", garante o ministro, que anuncia hoje a Portugal Espaço em Coimbra, na presença de Johann-Dietrich Woerner, o diretor-geral da ESA, a agência espacial europeia, e de Gui Menezes, o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, do Governo Regional dos Açores.

A agência será criada "em articulação com o Governo regional dos Açores", um dos membros associados fundadores do novo organismo.

A Portugal Espaço "será sobretudo um corpo técnico profissional de peritos, que vai dinamizar novos mercados e negócios, e novas atividades do espaço no país", resume Manuel Heitor, sublinhando que "não se trata de criar uma agência espacial tradicional de grandes dimensões e com laboratórios próprios", mas um organismo "afiliado da ESA", no que será "uma nova geração de agências nacionais nesta área, promotoras de novas atividades".

Estratégia para 2030, com novos mercados e atividades

O espaço, acredita Manuel Heitor, está cheio de novas oportunidades e a sua estratégia para a próxima década no setor passa por tirar partido delas. "Há um leque crescente de novas aplicações na observação da Terra para satélites de baixa altitude, entre 400 e 800 km, e novos mercados que vão desde a segurança marítima à agricultura de precisão, às pescas ou ao desenvolvimento urbano", explica.

Esse é um dos nichos que o setor nacional, com a criação de novas empresas e mais emprego qualificado, poderá explorar, defende o governante. Atualmente os pequenos satélites e microssatélites, "que já têm resolução de imagem dos ordem dos 10 centímetros, abrem essa possibilidade de novas aplicações em tecnologias e sistemas de observação da Terra", e Portugal pode aproveitar essa via aberta.

Outra linha a ser dinamizada é a da produção própria de satélites no país, na gama dos pequenos e microssatélites, que fazem, justamente, essas observações. "A ideia é que possa ser lançada uma indústria de pequenos satélites e de microssatélites em Portugal", avança Manuel Heitor.

O terceiro objetivo é entrar na área dos pequenos lançadores e facilitar o acesso ao espaço através dos Açores", enumera o ministro. Esse plano está delineado, "e em curso", e se tudo correr como previsto, os primeiros lançamentos a partir do porto espacial que está planeado para a ilha Santa Maria, poderão começar em 2021.

Estações de rastreio e um porto espacial

Essa é, de resto, uma aposta concertada com o Governo Regional dos Açores, que vê o setor espacial como decisivo. "Temos uma estratégia para o espaço desde 2008, e os Açores têm condições muito favoráveis ao desenvolvimento de projetos nesta área", sublina ao DN o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Meneses.

Isso mesmo ficou demonstrado em 2016, com a instalação na ilha de Santa Maria da estação de rastreio de lançamentos espaciais da ESA. Depois disso, os projetos multiplicaram-se. Já em fevereiro do próximo ano, começa a ser montada ali uma nova antena de 15 metros, "para fazer rastreio de satélites e prestar outros serviços à ESA", adianta Gui Meneses.

Entre outras atividades, a nova antena vai integrar a rede mundial de estações no solo que vão receber os dados da sonda europeia Proba 3 que vai estudar o Sol, e que tem lançamento previsto para o final de 2020.

Nos próximos meses, será igualmente concluída a instalação de uma outra antena, essa destinada ao serviço da EUMETSAT, a organização europeia que opera e coordena os satélites meteorológicos.

Quanto ao porto espacial, o plano prossegue, para já, como delineado. Há duas semanas, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), tutelada pelo Ministério da Ciência, anunciou que foram selecionados cinco consórcios, entre os 14 que tinham manifestado interesse em instalar e operar um porto espacial na ilha de Santa Maria. Esses cinco - AVIO, AZUL Consortium, Isar Aerospace Technologies GmbH, PLD Space, Rocket Factory Augsburg e Edisoft - terão agora de apresentar, em fevereiro, os respetivos estudos de impacto ambiental, que até maio de 2019 serão avaliados pelas autoridades regionais.

Se tudo correr de feição, e com a "salvaguarda absoluta de todas as questões ambientais e de segurança", como sublinhou há dias Gui Menezes numa audição na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, os primeiros lançamentos poderão acontecer em 2021.

Em toda esta estratégia, a nova agência Portugal Espaço será uma peça central.


:arrow: https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/e-a-portugal-espaco-a-agencia-espacial-portuguesa-nasce-no-inicio-de-2019-10348497.html?fbclid=IwAR1bPfDQftKqRXEFefh_hfPo44Pg_XhbPQLcTgGua4A1v_2Nxnqls7wTwQE
 

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Re: Indústria Aeroespacial
« Responder #32 em: Janeiro 15, 2019, 05:22:43 pm »
Conheça a primeira astronauta portuguesa


Ana Pires terminou com sucesso o curso da NASA que prepara os candidatos para voos espaciais.
A investigadora do Instituto Superior de Engenharia do Porto foi uma das 12 pessoas selecionadas para um programa de investigação apoiado pela agência espacial norte-americana. Durante um mês e meio esteve em formação na Flórida, naquela que considera ter sido uma experiência única.

Em breve parte para o Estado do Arizona, onde vai fazer um curso de Geologia Lunar e de Marte.

:arrow: https://sicnoticias.sapo.pt/pais/2019-01-15-Conheca-a-primeira-astronauta-portuguesa?fbclid=IwAR3fIsp2iyv_NKw1rmpL9U7qm0qW0FgU3DnWG6pVzP6SzBuA24Jgs6FhkVw
 

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Cabeça de Martelo

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Re: Indústria Aeroespacial
« Responder #33 em: Março 26, 2019, 11:45:52 am »
Chiara Manfletti escolhida como presidente da Agência Espacial Portuguesa

Tem nacionalidade alemã e italiana, é assessora para os programas do director-geral da ESA e será a terceira mulher a presidir a uma agência espacial, segundo o ministério da ciência. A presidente da Agência Espacial Portuguesa tem agora pela frente um mandato de cinco anos.



Chiara Manfletti é a primeira presidente da Agência Espacial Portuguesa – Portugal Espaço, anunciou esta sexta-feira o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES). A escolha foi feita durante a primeira assembleia-geral da agência que decorreu esta sexta-feira em Lisboa e que contou com a presença de representantes das entidades fundadoras da Portugal Espaço: a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a Agência Nacional de Inovação, a Direcção-Geral de Recursos de Defesa Nacional e a Região Autónoma dos Açores através da Associação RAEGE Açores - Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais.

Chiara Manfletti tem nacionalidade italiana e alemã e é assessora para os programas do director-geral da Agência Espacial Europeia (ESA), Johann-Dietrich Woerner. Luís Santos, até agora coordenador da Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço, foi o escolhido como vice-presidente da agência recém-criada.

Chiara Manfletti e Luís Santos terão agora pela frente um mandato renovável de cinco anos e terão de escolher entre uma e três pessoas para a direcção nos próximos seis meses. Haverá ainda um conselho de orientação e de estratégia e um conselho fiscal. A apresentação da presidente e do vice-presidente será feita no Workshop Portugal Espaço, a ESA e o Programa Espacial Europeu (2021-2027) no Teatro Thalia (Lisboa), na quinta-feira, às 14h30.


“Considerei que o facto de Portugal querer ter uma agência espacial é um avanço maravilhoso. Além disso, o país tem ideias inovadoras de como o espaço pode interagir com a sociedade e a economia”, diz ao PÚBLICO Chiara Manfletti sobre o desafio de liderar a agência, um papel que começará a desempenhar gradualmente a partir de segunda-feira. E reforça: “A ideia de ajudar um país a criar uma agência espacial do zero – e um tipo de agência diferente das que já existem hoje – é empolgante.”

Esta decisão foi tomada depois de um processo de selecção feito entre a FCT e a ESA e teve “vários candidatos”, segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor. “Estamos a pôr a agência operacional até ao final de Março tal como nos tínhamos comprometido”, salienta sobre o passo dado esta sexta-feira.

Durante este mês, temos assistido ao desenrolar da criação da Portugal Espaço. A 7 de Março foi aprovada em Conselho de Ministros e no início desta semana foi formalizada nos Açores a sua constituição. Esta estrutura resulta da parceria entre o Governo português e Governo Regional dos Açores e tem a colaboração da ESA.

A sede da agência ficará na antiga casa do director do aeroporto da ilha de Santa Maria (Açores), que vai entrar em obras, e tem instalações no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa, onde funciona o MCTES.

Mas o que se pretende com esta agência? Uma das grandes ambições é estimular o sector do espaço em Portugal. Para tal, irá pôr em prática a estratégia nacional do espaço (Portugal Espaço 2030) e articular a gestão de programas nacionais ligados ao sector para que o investimento e o emprego qualificado aumentem.

“Um dos objectivos é o crescimento económico em Portugal”, frisa Chiara Manfletti. Mas quando questionada sobre que estimativa faz desse crescimento, cita Manuel Heitor e refere que se espera que nos próximos dez anos o sector do espaço facture 400 milhões de euros (actualmente são 40 milhões de euros anuais). Para os próximos três anos, o Governo português – através da FCT e da Anacom - Autoridade Nacional de Comunicações – irá financiar a agência em oito milhões de euros.

Espera-se também que sejam criados mil novos postos de emprego qualificado, de acordo com Manuel Heitor. Até ao final do ano, prevê-se que estejam a trabalhar para a agência cerca de dez pessoas – incluindo a presidente, o vice-presidente, as pessoas do Gabinete do Espaço da FCT e da Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço, que são agora integrados na agência. Estima-se que daqui a cinco anos o número de “funcionários” suba para 20. Mas Chiara Manfletti prefere não lançar números: “Seria bom termos dez pessoas a começar nos próximos meses, mas vamos ver. Não é tanto o número que conta, é a qualidade que fará a diferença.”

Projecto “muito interessante”

Outro dos grandes objectivos da Portugal Espaço está relacionado com o serviço de lançamento de micro-satélites que se pretende criar em Santa Maria, nos Açores. “Portugal tem uma visão interessante de como uma agência espacial deve ser diferente do que já existe e este projecto demonstra-o”, afirma Chiara Manfletti.

“Os Açores estão num sítio muito interessante em termos de lançamentos porque podem alcançar-se diferentes órbitas”, aponta Chiara Manfletti. “Também acho que pode contribuir para o desenvolvimento sustentável como o transporte marítimo autónomo, assim como criar núcleos de novas economias nos Açores.”

Como o lançador de Santa Maria será para pequenos satélites, Chiara Manfletti explica que estes microssatélites vão formar constelações que fornecerão dados espaciais – por exemplo – para o clima. “De todas as 50 variáveis essenciais climáticas para observar o clima e analisar o que está a acontecer em termos de aquecimento global, 26 podem ser estudadas a partir do espaço”, destaca. “Podemos observar a subida do nível do mar, a salinidade da água ou outros parâmetros como as concentrações de dióxido de carbono.”

Mesmo assim, Chiara Manfletti reforça que a Portugal Espaço só irá acompanhar o processo de negociação e concretização deste porto espacial. “Não vamos gerir o porto espacial, serão as empresas a fazer isso.” Esta semana começou a segunda fase do concurso público internacional para instalação e operação do porto espacial. Segundo o calendário oficial, os primeiros lançamentos acontecerão em 2021.

E será este um porto espacial competitivo? “Isso será da responsabilidade das empresas [dos consórcios interessados em operar o porto espacial], mas tenho a certeza que o Governo português e o Governo Regional dos Açores irão ajudar no desenvolvimento da sua competitividade”, responde Chiara Manfletti.

Mas os projectos desta recém-agência não ficam por aqui. Chiara Manfletti salienta o desenvolvimento do Centro Internacional de Investigação do Atlântico (AIR Centre) para estudar os oceanos, clima, atmosfera, espaço ou ciência dos dados.

Além disso, pretende-se aumentar a consciencialização da sociedade portuguesa sobre o espaço. “Por um lado, acho que é importante aumentar a consciencialização sobre o que a ciência pode fazer pelas futuras gerações e para o crescimento económico do país. Por outro, queremos aumentar a consciencialização sobre como as infra-estruturas do espaço podem contribuir no dia-a-dia.” Entre as iniciativas pode estar uma sondagem sobre o que os portugueses pensam da importância do espaço.

Citação de: Chiara Manfletti
A ideia de ajudar um país a criar uma agência espacial do zero – e um tipo de agência diferente das que já existem hoje – é empolgante

A Portugal Espaço tem uma “forte ligação” com a ESA, indica ainda Chiara Manfletti, adiantando que a agência vai representar Portugal no Conselho da ESA e discutir com a agência europeia as actividades portuguesas.

Segundo Manuel Heitor, a agência portuguesa terá uma “dupla tutela”. “Queremos ter uma agência com interesses nacionais, mas que ao mesmo tempo ajude a criar um hub [ligação] da ESA em Portugal”, explica Manuel Heitor, esclarecendo que o primeiro laboratório da ESA em Portugal ficará nas instalações do AIR Centre na ilha Terceira (Açores) e também será coordenado por Chiara Manfletti. “É uma forma de participarmos mais activamente na ESA e de a ESA ter uma maior presença em Portugal, assim como dar um contributo para modernizar a sua estrutura.”

Uma agência “diferente”

E quais são as prioridades de Chiara Manfletti? “Fazer a agência criteriosa, extremamente dinâmica, consciencializar as pessoas e acelerar o sector do espaço em Portugal”, afirma, acrescentando que é preciso falar com todos os intervenientes desde empresas, a partes interessadas como o Ministério da Defesa até ao público em geral.

Também é determinante perceber que o sector espacial está a mudar e que esta agência terá de ser diferente de outras já criadas. “No passado, uma agência espacial iria decidir o que seria o sector espacial. Mas hoje o que uma agência tem de fazer é perguntar aos utilizadores o que precisam e ser facilitadora e impulsionadora.” Como tal, a presidente da Portugal Espaço refere que se deverá abrir convocatórias para empresas que tenham boas ideias sobre o uso de dados do espaço e para assim se criar serviços e produtos que possam ser usados por outros sectores.

“Não lhes teremos de dizer [às empresas] necessariamente o que devem fazer, elas podem criar as suas opções e trazer ideias. Seremos um intermediário na interligação entre diferentes sectores.” E exemplifica: “O sector dos transportes marítimos, da inteligência artificial e da observação da Terra poderão criar transportes autónomos, uma das grandes áreas do futuro.”

E resume: “Uma agência tradicional actua sobretudo como uma agência. Já uma agência moderna actua como uma agência, um mediador, um facilitador, um intermediário e um impulsionador.” Para a presidente, há assim várias funções a ser desempenhadas desde estímulos ao surgimento de novos negócios até à divulgação científica. “Isto alavanca o financiamento público, mas também estimula investimentos privados e comerciais, ou promove interacções entre diferentes sectores e áreas de investigação do espaço e fora do espaço. É tudo sobre a construção de pontes e conexões.”

A aprender português

Chiara Manfletti tem 39 anos e nasceu em Itália, onde frequentou a Escola Americana de Milão. Tem no seu currículo um mestrado em engenharia aeronáutica no Imperial College de Londres e um doutoramento em propulsão de foguetões na Universidade Técnica de Aachen (Alemanha). Durante mais de 13 anos trabalhou na agência espacial alemã (DLR). Agora é assessora do director-geral da ESA, com sede em Paris. “Quando me perguntam a minha nacionalidade [que é italiana e alemã], é uma questão complicada. Sinto-me em casa na Europa.”

Assume-se como uma fascinada pela exploração espacial. “Gosto de missões científicas que estudam buracos negros e estrelas. E acho fantástico saber mais sobre como foi o Big Bang”, conta. Sobre as missões actuais, destaca a BepiColombo da ESA e da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, lançada em Outubro. “Vai estudar Mercúrio e dar-nos mais informações sobre um planeta do nosso sistema solar.”

Mas também a fascina o contributo que as missões espaciais podem ter na sociedade como o desenvolvimento sustentável. “Por exemplo, na Estação Espacial Internacional estamos a fazer crescer plantas em condições adversas com pouca água ou luz solar. Depois serão trazidas para locais da Terra onde há secas”, explica.

“Conseguimos atrair para Portugal uma verdadeira cidadã europeia e uma mulher”, frisa Manuel Heitor, referindo que só conhece mais dois exemplos de mulheres a presidir agências espaciais: Megan Clark, presidente da Agência Espacial Australiana; e Pascale Ehrenfreund, que dirigiu a DLR. Mas, embora assuma que está feliz por contribuir para o equilíbrio entre géneros, Chiara Manfletti relativiza: “Não gosto de dizer que vou alcançar isto ou aquilo porque sou mulher. Gosto mais de pensar que todos os seres humanos podem trazer diversidade.”

Por agora, diz que também vai contribuir para essa diversidade aprendendo português. “É uma língua que soa muito bem”, elogia. E, de certeza, uma língua que ouvirá nos próximos tempos neste seu “grande desafio”, como a própria considera.

https://www.publico.pt/2019/03/22/ciencia/noticia/chiara-manfletti-escolhida-presidente-agencia-espacial-portuguesa-1866397
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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Cabeça de Martelo

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Re: Indústria Aeroespacial
« Responder #34 em: Março 28, 2019, 02:07:48 pm »
“O Espaço é hoje parte da nossa vida diária”
Virgílio Azevedo



Chiara Manfletti, presidente da Agência Espacial Portuguesa, disse ao Expresso que Portugal quer fazer parte de uma realidade maior e que é preciso abrir o país ao mundo. “Não se trata apenas de desenvolver atividades espaciais para Portugal, mas de trazer pessoas de fora e também desenvolver atividades para o resto do mundo”

A Agência Espacial Portuguesa foi constituída em Ponta Delgada no início da semana e nesta sexta-feira, em Lisboa, a primeira assembleia-geral nomeou para presidente a italiana Chiara Manfletti, conselheira da Agência Espacial Europeia (ESA). A cientista vai ser responsável pela execução da estratégia nacional para o sector aprovada pelo Governo e diz ao Expresso que acumula as duas funções e será “uma ponte entre a Portugal Space e a ESA”. Mas tem muitas tarefas pela frente, desde o apoio técnico ao projeto da base espacial de Santa Maria (Açores) e ao desenvolvimento de pequenos satélites e lançadores de nova geração, à representação de Portugal em organizações e programas internacionais ou à captação de financiamentos.

Ficou surpreendida por ter sido convidada para primeira presidente da Portugal Space?

Sim, claro [risos].

Não acha estranho que a responsável máxima da Agência Espacial Portuguesa seja estrangeira?

Bom, não sei como os portugueses vão reagir, mas para mim é uma forte indicação de que Portugal quer fazer parte de uma realidade maior e que é preciso abrir o país ao mundo. Não se trata apenas de desenvolver atividades espaciais para Portugal, mas de trazer pessoas de fora e também desenvolver atividades para o resto do mundo.

Vai viver em Portugal?

Parcialmente. Terei um apartamento em Lisboa. Na verdade, já vivo em vários lugares. No trabalho estou baseada em Paris, na sede da ESA, mas tenho casa na Alemanha e os meus pais estão em Itália. Fiz a licenciatura e o doutoramento no Centro Aeroespacial Alemão (DLR), acabei por viver 13 anos no país e tenho dupla nacionalidade italiana/alemã. Em Itália frequentei uma escola americana, depois estudei no Reino Unido e França, antes de ir para a Alemanha.

Que línguas fala?

Italiano, inglês, francês e alemão. E irei falar português [risos].

Que funções tem na ESA?

Sou conselheira de programas do diretor-geral, Johann-Dietrich Wörner. Dou-lhe apoio na gestão dos programas em curso e na preparação de futuras atividades a desenvolver pela agência.

Mas vai deixar a agência?

Não, vou estar uma parte do meu tempo no polo da Portugal Space em Lisboa e outra na sede da ESA em Paris. Serei uma espécie de ponte entre as duas agências.

A Portugal Space é a primeira agência da Europa a funcionar como um “ESA-Hub” para garantir a coerência entre atividades nacionais e programas europeus?

Precisamente. Vamos trabalhar juntos nas atividades que tiverem um contexto internacional, e quanto mais coordenadas forem mais produtivos serão os recursos investidos. E quanto maior a troca de ideias, maiores os benefícios para todos. Portugal acredita fortemente na Europa e a ESA também, por isso há muitas razões para trabalharmos juntos.

Todos os programas nacionais do Espaço serão integrados na Portugal Space, que é a executora da estratégia nacional para o sector. Quais são as prioridades?

A primeira é pôr a agência a funcionar, ligando-a às pessoas e entidades do sector: universidades, escolas, centros de investigação, empresas, instituições. E ligando-a também ao mundo exterior. Todas as tarefas da Portugal Space são extremamente importantes. Uma agência moderna não tem de fazer tudo, tem de ser mais uma mediadora e dinamizadora que junte pessoas e organizações em torno dos mesmos objetivos, promova programas, investimentos, negócios, conhecimento.

O sector espacial está a mudar muito rapidamente?

Sim, ainda está na sua infância. A corrida ao espaço começou com duas superpotências (EUA e União Soviética) que pretendiam demonstrar uma à outra o seu poder. Hoje a corrida é diferente, envolve cada vez mais países e está relacionada com infraestruturas ao serviço da nossa vida diária, onde não ficamos apenas fascinados com o que é descoberto no Espaço mas descemos à Terra sob a forma de informação, dados, tecnologias usadas em missões científicas e de exploração, telecomunicações e atividades de observação do nosso planeta. O Espaço tornou-se uma parte da nossa vida do dia a dia, mesmo se por vezes as pessoas não o reconhecem.

Como vê a atual democratização do acesso ao Espaço a países como Portugal, com a emergência dos pequenos lançadores e satélites?

É uma coisa maravilhosa. Na ESA chamamos-lhe Espaço 4.0. A fase inicial foi a 1.0, a 2.0 a corrida ao Espaço, a 3.0 a colaboração, como acontece na Estação Espacial Internacional, e a 4.0 está a emergir agora. É a era do Novo Espaço, do envolvimento crescente das empresas privadas com as suas próprias fontes de financiamento, da transformação digital, da participação de muitos atores e até do público, que tem aumentado. Portugal quer ganhar capacidades promovendo o desenvolvimento de empresas e startups e usando a grande quantidade de dados (big data) das constelações de satélites de observação da Terra. A futura base espacial a construir na ilha de Santa Maria, nos Açores, é parte desta grande visão.

Vai nascer um laboratório de observação da Terra, o ESA-Lab@Azores. É uma atividade promissora?

Sem dúvida, pode fornecer serviços a uma grande diversidade de áreas, como o ambiente, alterações climáticas, energia, segurança marítima, tráfego aéreo ou gestão das cidades.

https://www.msn.com/pt-pt/noticias/ciencia-e-tecnologia/%E2%80%9Co-espa%C3%A7o-%C3%A9-hoje-parte-da-nossa-vida-di%C3%A1ria%E2%80%9D/ar-BBV93Sm?fbclid=IwAR3c2sLxlvio8ACdsQxd2I619d0R1BfoXhV0eACnmdvCcgthImbPlGm7nl0
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Re: Indústria Aeroespacial
« Responder #35 em: Abril 27, 2019, 05:17:29 pm »
China vai lançar satélite português "Infante" em 2021


A China vai lançar para o espaço o satélite português "Infante", com data prevista para 2021, no quadro da sua participação no laboratório tecnológico STARlab, uma parceria luso-chinesa, avançou hoje um dos parceiros.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da empresa aeroespacial portuguesa Tekever, Ricardo Mendes, adiantou que o envolvimento da China no satélite "Infante" passa pelo seu lançamento e pelo desenvolvimento de alguns sensores.

A colaboração da China na construção e no lançamento do satélite de observação da Terra, "totalmente português", é feita ao abrigo do STARlab, que resulta de uma parceria entre entidades públicas e privadas portuguesas e chinesas.

A Tekever é um dos parceiros e lidera o consórcio de empresas e universidades responsável pelo desenvolvimento do satélite "Infante", que irá recolher dados marítimos e da superfície terrestre.

Ricardo Mendes espera que o "Infante", que tem um custo de cerca de 10 milhões de euros, cofinanciado por fundos europeus, possa ser a antecâmara para o fabrico de novos satélites em Portugal.

Em outubro, o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ), que faz parte do consórcio de construção do satélite, anunciou que o "Infante" será o precursor de outros satélites a lançar até 2025 para observação da Terra e comunicações, com foco em aplicações marítimas.

Direcionado para a produção de pequenos satélites e a observação dos oceanos, o STARlab está em fase de instalação em Portugal.

Para breve, disse o presidente da Tekever, sem precisar prazos, está a criação de um polo de investigação em Matosinhos, no CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, outro dos parceiros portugueses e que tem projetos na área da vigilância marítima e exploração do mar profundo.

O anunciado polo de Peniche do laboratório transitou para as Caldas da Rainha, onde a Tekever tem instalações, adiantou Ricardo Mendes, acrescentando que o STARlab será constituído como uma associação sem fins lucrativos, entre os parceiros públicos chineses e os privados portugueses.

Em novembro, em declarações à Lusa, o ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, afirmou que o STARlab estaria a funcionar em pleno em março deste ano e teria dois polos em Portugal, um em Matosinhos e outro em Peniche.

Para Ricardo Mendes, o que tem demorado mais tempo é a harmonização entre a legislação portuguesa e a chinesa para formalizar a constituição do laboratório.

O STARlab vai candidatar-se a fontes de financiamento nacional, comunitário e chinês, estimando investir, em cinco anos, 50 milhões de euros, montante repartido em partes iguais entre Portugal e China, país que tem crescido no setor da construção e do lançamento de microssatélites.

O laboratório luso-chinês está também envolvido em projetos de robótica subaquática (veículos e sensores) e na produção e no lançamento de uma constelação de pequenos satélites para validar "tecnologias de posicionamento" de satélites no espaço.

O STARlab resulta da colaboração entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia, a Tekever, o CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, do lado português, e a Academia de Ciências Chinesa, através dos institutos de microssatélites e de oceanografia.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, o laboratório deverá incentivar a abertura de centros científicos e tecnológicos em Portugal e na China, neste caso em Xangai.


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asalves

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Re: Indústria Aeroespacial
« Responder #36 em: Maio 06, 2019, 06:09:31 pm »
Secalhar sou eu que sou paranoico. Mas meter os chineses ao barulho com tecnologia que pode vir a ser usada por forças de segurança ou até as forças armadas, secalhar não é boa ideia. Mas isto sou eu que acho que o guito barato da China vem sempre com coisas atrás.
 
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Lusitano89

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Re: Indústria Aeroespacial
« Responder #37 em: Maio 31, 2019, 12:57:40 pm »
Portugal lembra Apollo 11 com equipamento que simula reentrada de naves na atmosfera




Portugal vai assinalar simbolicamente os 50 anos da missão Apollo 11, que colocou o primeiro Homem na Lua, com a inauguração em julho, em Loures, de um equipamento que simula a reentrada de naves espaciais na atmosfera terrestre.

O equipamento, um tubo de 16 metros de comprimento instalado no Laboratório de Plasmas Hipersónicos do Instituto Superior Técnico (IST), será inaugurado em 24 de julho e estará a funcionar em pleno em setembro ou outubro, disse à Lusa o investigador Mário Lino da Silva, coordenador científico do projeto.

Em 24 de julho perfazem 50 anos sobre a reentrada na atmosfera terrestre da nave que levou a tripulação da Apollo 11 à Lua.

O tubo de choque, onde se gera uma onda de choque com energia equiparável à das estrelas cadentes, servirá as campanhas experimentais das missões da Agência Espacial Europeia (ESA), que financiou a infraestrutura, ao reproduzir as condições de reentrada de uma nave na atmosfera terrestre ou a sua entrada na atmosfera de outros planetas do Sistema Solar, com exceção de Júpiter.

As experiências que serão feitas servirão de balão de ensaio para a ESA otimizar o funcionamento dos veículos espaciais em futuras missões, com escudos térmicos mais eficientes, para evitar que ardam quando entram ou reentram na atmosfera planetária.

No tubo de choque, feito em aço ultrarresistente e com um diâmetro equivalente a uma mão, gera-se uma onda de choque a partir da combustão de uma mistura de gases a uma pressão extremamente elevada, tendo como fonte de ignição impulsos laser.

Numa câmara de alta pressão, a combustão de oxigénio, hidrogénio e hélio é feita a uma temperatura de 2.500 graus Celsius e a uma pressão de 600 atmosferas. A mistura explosiva inicia uma onda de choque quando se rompe a membrana que separa a câmara de alta pressão da câmara de baixa pressão.

A onda de choque percorre o tubo a uma velocidade superior a 10 quilómetros por segundo (mais de 30 vezes a velocidade do som) e, a jusante, o gás aquecido, que atinge uma temperatura acima dos 10.000 graus Celsius (quase o dobro da temperatura à superfície do Sol), leva à formação de plasma de reentrada atmosférica (plasma hipersónico), que emite uma grande luminosidade.

A nave da Apollo 11 reentrou, em 24 de julho de 1969, na atmosfera terrestre a uma velocidade de 12 quilómetros por segundo. Uma nave entra na atmosfera de Marte entre cinco a seis quilómetros por segundo, enquanto na de Saturno, Neptuno e Urano, que são gigantes gasosos, a 20 quilómetros por segundo, precisou Mário Lino da Silva, acrescentando que todas estas velocidades podem ser reproduzidas no tubo de choque.

Júpiter é o único planeta do Sistema Solar, o maior, cuja entrada na atmosfera não é possível de simular no equipamento, porque exige uma velocidade acima das potencialidades do tubo, na ordem dos 47 quilómetros por segundo, adiantou o investigador do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear, ao qual pertence o Laboratório de Plasmas Hipersónicos, assinalando que tal velocidade apenas é testada nos Estados Unidos, num tubo de choque da agência espacial norte-americana NASA, mas onde os resultados são obtidos com "mais impurezas".

O tubo de choque do IST, único na Europa, está numa espécie de 'bunker', num edifício semienterrado feito com "betão reforçado para resistir a explosões". O edifício, construído de raiz, funciona desde 2015 no Campus Tecnológico e Nuclear do IST, em Bobadela, Loures, distrito de Lisboa.

Durante dois anos foram realizados testes num protótipo, um tubo de seis metros de comprimento, e desenvolvida "uma tecnologia inovadora a nível mundial de ignição por laser", que permitiu à equipa do IST quebrar em 2017 "um recorde de pressão", ao atingir numa experiência uma pressão de 610 atmosferas.

O tubo de choque foi financiado pela ESA, em três milhões de euros, e a construção do Laboratório de Plasmas Hipersónicos pelo IST, em 200 mil euros.

Portugal é Estado-Membro da Agência Espacial Europeia desde 2000.


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Lusitano89

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Re: Indústria Aeroespacial
« Responder #38 em: Julho 03, 2019, 04:52:33 pm »
NASA vai usar vulcão dos Capelinhos para treinar exploração em Marte





A NASA vai usar o vulcão dos Capelinhos, nos Açores, para treinar a exploração da paisagem de Marte e perceber como evoluiu nos últimos milhões de anos.

A expedição, que ainda não tem data marcada mas que acontecerá "em breve", levará cientistas da NASA, do Reino Unido e de Portugal a estudar o vulcão da ilha do Faial que nasceu do mar no final dos anos 50, em condições muito semelhantes às que se terão verificado em Marte "há mil milhões de anos".

"Quando Marte tinha mares e lagos, vulcões entraram em erupção nas águas e produziram relevo como o que vemos nos Capelinhos, que erodiu na presença de água persistente. Depois, as águas secaram. O clima de Marte mudou e hoje só temos os esqueletos fantasmagóricos dessa paisagem, preservada nas rochas", disse James Garvin em entrevista à Lusa à margem da Global Exploration Summit, que começou hoje em Lisboa.

James Garvin, que dirigiu o departamento científico da NASA entre 2004 e 2005, afirmou que os Açores são "um laboratório especial" só comparável a mais dois locais da Terra, um na Islândia, outro em Tonga, com vulcões de erupção recente em meio aquático, com "água e lava a interagirem de forma dinâmica".

"Sítios como esses, quentes, húmidos e com atividade térmica, seriam bons para surgir vida microbial", disse.

Na próxima expedição aos Capelinhos, os cientistas olharão para a paisagem em terra e do ar, usando 'drones', em preparação para a próxima fase da exploração.

"Voltaremos lá para ver se podemos usar [o vulcão] como caso de estudo para o nosso 'helicóptero marciano', que enviaremos com a missão Mars Rover em 2020", que incluirá um veículo da NASA e outro da Agência Espacial Europeia.

Garvin explicou que "algumas coisas nos Capelinhos acontecem muito depressa numa escala menor, algumas numa escala maior" e que a expedição terá resultados úteis para as compreender na Terra.

"Vemos as maiores a acontecer do espaço e observamos nós próprios as mais pequenas. Depois, juntamos matematicamente as duas e podemos criar modelos para como o vulcão dos Capelinhos evoluirá à medida que o ambiente muda e o nível do mar sobe", acrescentou.

Comparando os dados recolhidos há 25 com os atuais, será possível ter "um registo dos últimos sessenta anos de erosão no oceano Atlântico" em torno da ilha.


 :arrow:  https://www.jn.pt/mundo/interior/nasa-vai-usar-vulcao-dos-capelinhos-para-treinar-exploracao-em-marte-11073487.html?fbclid=IwAR11am0rNlZPsJYsvcR9LYcFNoX9Y8JFe96eeJtntaGXumpo_O9K9XIT_eE
« Última modificação: Julho 03, 2019, 05:03:00 pm por Lusitano89 »
 

 

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