ZOT e a guerra em Tete

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papatango

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Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #30 em: Fevereiro 15, 2011, 03:03:58 pm »
Tinha escrito um texto mais substancial, mas perdeu-se quando a sessão terminou. Fiz click para publicar e perdeu-se tudo...

Tentando resumir, o que tinha escrito: Basicamente.

Vantagem da FRELIMO no Norte:
Povos Macuas, entre os quais os Macondes, com apoio nas mesmas etnias na Tanzania.
Isto permite à FRELIMO uma vantagem considerável.
A ligação entre os povos e a FRELIMO é muito mais intensa e permite a remoção de aldeamentos inteiros.

O resultado é inevitável. A FRELIMO passa a ter um apoio popular muito mais esparso e dependente da actividade psico-social dos portugueses.
Onde tivessem passado médicos portugueses que tivessem curado crianças e velhos, a FRELIMO não tinha a mesma aceitação.
O problema étnico, foi o principal problema da ofensiva do Tete, porque sem o mesmo tipo de apoio por parte dos nyanjas (diz-se nhanja, e trata-se de uma étnia diferente), que tinha por parte dos vários povos Macuas, a FRELIMO também tinha problemas logísticos graves.

Soma-se a isto que a região é de maioria «nyanja», que não está relacionada com os «macuas», sendo que segundo consegui apurar, é de um grupo étnico aparentado com os «nyanja», os «sena», que vieram muitos dos moçambicanos recrutados para o exército português. Esta ligação entre a étnia Nyanja/Sena e o processo de africanização do exército, não a pude confirmar, porque apenas tenho impressões em primeira mão.

A ofensiva do Tete, realizou-se contra uma área onde a população não tinha o mesmo tipo de aceitação à FRELIMO e onde anda por cima se gerava um conflito em que havia muitos africanos a servir no exército.
Para determinar para que lado «pendia» a balança na ofensiva do Tete, temos que considerar:

A questão étnica, que complicava as linhas de abastecimento da FRELIMO e a sua capacidade para efectivamente montar ofensivas.
A pressão sobre a Zambia e sobre o Malawi, para garantir o não apoio à FRELIMO.
A pressão da Rodésia, cuja fronteira ficava a poucos quilometros.
O apoio crescente da África do Sul, maior quanto mais se avançasse para sul.

Creio que devem existir poucas dúvidas e a confirmação disto é fácil:
So a 26 de Abril de 1974 é que a maioria dos portugueses de Moçambique se começou a aperceber do que poderia vir a acontecer. A ofensiva do Tete, praticamente não existia para muitos portugueses.

Falar do avanço da FRELIMO no terreno não faz grande sentido, tratando-se de uma força irregular, que dependia de células ocultas.
A FRELIMO avançou no terreno, como avançou a ALQAEDA sobre a América em 11 e Setembro.

Do teatro operacional, resultou no entanto uma derrota estratégica, que prejudicou mais a posição portuguesa que todas as iniciativas da FRELIMO.

Essa derrota estratégica chamou-se Wiryamu.
O chamado massacre de Wiryamu (que foi uma brincadeira de crianças, quando comparada com a orgia de terror e morte, patrocinada pelo Samora depois da independência), foi fervorosamente aproveitado pelos comunistas e pelos movimentos contrários a Portugal.
Os acontecimentos de Wiryamu foram exagerados, multiplicados até à exaustão, dando uma ideia completamente absurda e despropositada do que aconteceu na realidade.

E claro, não é possível falar de Wiryamu, sem esquecer as rivalidades étnicas entre os Nyanja/Sena que são originários da área que vai da Beira, até à margem sul do Zambeze que têm fronteira, com outros povos Nyanja, na área Chemba-Moatize-Songo(Cabora Bassa).

A ofensiva do Tete, produziu apenas o efeito Wiryamu, a única vitória efectiva da FRELIMO e dos comunistas na Europa.
Foi um efeito terrível e que se prestou a dificultar a vida aos portugueses na Europa, numa altura em que a América aparecia muito mais favorável a Portugal, com a chegada dos republicanos ao poder em Washington.
 

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Fencer

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Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #31 em: Fevereiro 15, 2011, 04:12:53 pm »
Citação de: "papatango"
Vantagem da FRELIMO no Norte:
Povos Macuas, entre os quais os Macondes, com apoio nas mesmas etnias na Tanzania.

Caro PT,

Lendo-o atentamente, chego à conclusão de que a visão que me propunha usar nesta tese é muito semelhante àquela que teve a bondade de partilhar - só não consigo é ser tão preciso e conciso. E é talvez por inveja que lhe faço uma correcção: os Macondes não são um povo Macua. Sim, são ambos povos Bantus, e como tal aparentados, mas os Macondes vivem mais ao Norte, bem junto da fronteira com a Tanzânia, e foram sempre favoráveis à Frelimo, enquanto os Macuas vivem mais abaixo, na zona de Nampula, e foram sempre amigáveis e hospitaleiros. Caso nas suas pesquisas tenha obtido dados diferentes, isso significa que tudo aquilo que aprendi em 46 anos de vida estava errado!

Muito obrigado pela ajuda!
 

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papatango

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Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #32 em: Fevereiro 15, 2011, 05:19:52 pm »
Bom, como terá reparado as etnias não são o meu forte. No entanto, a informação que tenho é a de que os Macuas são de facto um povo Bantú.
Mas os Macondes são um povo Bantú, uma sub etnia (se é que o termo existe) dos Macuas.

A mesma coisa ocorre com os Nyanja (ou Nhanja) e os Sena. Os Sena são aparentemente aparentados com os Nyanja. Esta etnia e a sua rivalidade com os Macuas e Macondes, é importante para analisar as dificuldades da FRELIMO na operação contra o Tete.
Mas as próprias rivalidades entre Nhanjas e Senas também deveriam ser estudadas.

Para a maioria dos militares portugueses que estavam em operações, a verdade é que muitos não se apercebiam da situação. Para eles havia «pretos» que eram inimigos e havia os «pretos» que eram nossos amigos. Alguns deles até estavam na tropa.

Não conheço nada publicado, sobre as opções de africanização do exército português em Moçambique.
No entanto, considerando o que foi feito em Angola, em que na prática jogámos com umas etnias para atacar as outras (havia uma guerra entre a UNITA e o MPLA) antes do 25 de Abril, tudo leva a crer que ao mobilizar soldados de determinada etnia moçambicana, se poderia estar a tentar produzir um efeito semelhante.
Não tenho no entanto nenhum dado que comprove esta tese. Apenas as circunstâncias conhecidas, apontam para uma possibilidade que teria que ser estudada.


O que do meu ponto de vista é importante frisar quando falamos da ofensiva do Tete, é que ela foi apresentada como prova da derrota final.
Mas quando olhamos para as realidades no terreno, para os problemas étnicos e para as forças que se moviam naquela região de África (Zambia condicionada pela Rodésia e pela África do Sul e pelo enclausuramento e dependência do Kaunda dos portos portugueses, Tanzania relativamente fora do conflito após a operação Nó Górdio que colocou tropas portuguesas na fronteira e dificultou o apoio do Nyerere à FRELIMO, Malawi favorável a Portugal), as coisas não eram muito favoráveis à FRELIMO.

E claro, seria necessário também estudar o mais ruidoso dos silêncios: A possibilidade de a FRELIMO ser apoiada por militares portugueses, que poderiam ter desviado armas contra pagamento. Mas aí estamos a entrar no campo da especulação pura. Ninguém se atreveu a falar realmente no assunto.
Um dos ministros que se terá atrevido a estudar o que se fazia com os excedentes de armas em Portugal, chamava-se Adelino Amaro da Costa.
 

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gaia

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Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #33 em: Fevereiro 15, 2011, 06:32:38 pm »
Acho que o Papatango , está a ter uma visão correcta .

Os macuas , eram aliados dos portugueses, e foram eles que , que posteriormente apoiaram a Renamo.

Acho , que devem ler este livro " Contra-Subversão em África " de John p. Cann.

Este autor , acha que a situação em Moçambique poderia ser revertida, como aconteceu em Angola . O sistema de informações era notável , face por exemplo ao americano no Vietnam, mas houve uma falha  " em 1969 a Frelimo começou por eliminar sistematicamente os chefes tribais no norte da Zambézia e a situação deteriorou-se rapidamente no que diz respeito à segurança , apanhando os portugueses desprevenidos "

Este autor não tem uma visão tão negativa , como a maioria dos portugueses tem actualmente, influenciados, pelo "politicamente correcto" em dizer que a guerra estava perdida, porque é algo que agrada aos políticos actuais e para dizerem que 25 A, foi   um acontecimento muito importante. mas história vai dizer o contrário , uma data infame , pelo o que aconteceu posteriormente em África , nas antigas colónias , mais de 2 milhões de mortos, e as consequentes desgraças a toda uma população , em beneficio de uma pequena maioria.

Segundo este autor , a guerra estava contida na Guiné, ganha em Angola e em Moçambique havia grandes hipóteses de ser ganha.

Este tipo ,de guerras que aparentemente , parecem perdidas, muitas vezes , existem volte faces extraordinários , e o exemplo disso , foi a vitória na frente leste.
Basta estes movimentos mão terem financiadores , ou os países que davam guarida às bases, começarem a sentirem-se pressionados , ou sofrerem retaliações .

A vitória em Angola , deve-se ao facto de  a Zambia , para exportar tinha de utilizar o caminho ferro em Angola, e a operações encobertas pouco conhecidas , pelas TE e GE, no Zaire e Zambia.

Conheço uma pessoa , que conheceu um líder terrorista ( treinado na URSS), que passou para o lado português com o seu grupo de 500 homens ,e foi morto numa emboscada no norte de Angola, quando ía com uma companhia portuguesa  .
O seu grupo para vingar a morte do seu chefe , entra no Zaire  , e faz muitas retaliações. Em Angola havia as TE , com elementos do antigo Catanga, em que entravam no Zaire , quando fosse necessário.

Os portugueses também tinham soluções de recurso, e que neste tipo de guerra assimétrica também contavam e intimidavam os vizinhos.
 

Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #34 em: Fevereiro 25, 2011, 08:13:34 pm »
Boas a todos do Fórum.
Sobre Tete e Zot, entre 1972 1 agosto de 73, posso fornecer informações .Fui Alferes da 3ª companhia de transportes na secção de via aérea, antes disso estive em Cabo Delgado e Chioco(Tete), tambem gostava de saber de alguns elementos em serviço nesses anos tanto na ZOT como na companhia do Chioco.
 

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macua

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Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #35 em: Março 17, 2011, 12:27:53 am »
Caros companheiros do fórum.
É a primeira vez, que entro e foi por casualidade que encontrei numa busca de Tete/Zot.
Fui militar em Moçambique de 1970/73,como furriel e mais tarde graduado em Alferes, fiz o curso de comandos em Cabo Delgado(Montepuez ) e vivia numa zona de guerra enquanto civil. Na saída dos Comandos prestei serviço no Meluco Cabo Delgado e nas operações Nó Gordio, ao ser graduado foi formar uma companhia de intervenção e fomos destacados para Tete, para o  Chioco ao sul de tete e no caminho da Chicoa(cabora Bassa). Nos ultimos messes de tropa fui requesitado devido ás minhas funções enquanto civil para o quartel da ZOT ao serviço da 3ª compª de Transportes a chefiar a secção de via aérea.Então aqui é onde posso resumidamente contribuir com alguns eesclarecimentos,era da minha area requisitar e coordenar a logistica aérea de abastecimentos e correio para unidades no mato. Nunca faltou absolutamente nada desde que nos fosse requisitado tanto por aviões militares ou civis. Andei 26 messes em zona 100% em teatro de guerra, fui ferido, apanhei com minas, e nunca faltou munições e que eu saiba nunca faltou a ninguem, viveres frescos isso sim em especial na época das chuvas em que as picadas estavam intransitáveis e o abastecimento era feito apenas por via aérea.Eu estvie lá como civil e como militar, nunca houve segregação dos civis para com os militares, tanto os de lá como os do continente de onde sou natural e só fui para Moçambique com 17 anos.Agora lembrem-se escória há em todo o lado e tanto civis como militares.Há sempre excessos e se não vejamos agora não há guerra mas continua a haver abusos.
Não sei a quem pode servir as histórias da guerra do ultramar, ninguem dos que nunca estiveram lá sabem sequer o que é África ou guerra,medo ou heroismo. São conceitos tabus para quem os viveu, fico entristecido com o que se escreve sobre a guerra em especial de Moçambique. Enfim a mentira e ignorância sempre andaram de mãos dadas e temos esse exemplo ao vermos como fazem de certos elementos heróis e outros de traidores. Lembrem-se heróis são os que escaparam da guerra e não aqueles que fizeram tropa nas cidades e contam estórias mirambólicas, ADeQUADAS A LIVROS DO RAMBO...esses nunca estiveram na guerra, nunca o meu filho viu fotos ou ouviu da minha parte falar de guerra, é um tabu nosso, sentido no intimo, guardado nos confins da mente, mas sempre presente, podemos classificar como uma maldição , não pela guerra mas sim como somos retratados e tratados pela geração do pós guerra, nada sabem sobre ela só conhecem mentiras escritas por individuos que nunca estiveram lá.Estou a lembrar-me do livro Anjo Branco, é de lamentar que se ganhe dinheiro com inverdades, as verdades estavam com quem as viveu e eu estava lá, o personagem nunca escreveu e agora vem o badameco dum filho, que faz parte de uma elite que nos suga o sangue escrever algo que desconhece.Estarei ao dispor para esclarecimentos técnicos nunca psicológicos. Passem bem.
 

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Fencer

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Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #36 em: Março 25, 2011, 04:35:52 pm »
Caro Macua,
Muito obrigado pela sua intervenção e por confirmar algumas informações que já me tinham sido transmitidas. Permita-me, porém, que discorde de si relativamente a não se falar da guerra, colocando uma pedra sobre o assunto. Esse pacto de silêncio terá consequências dramáticas no futuro, pois permitirá que os nossos netos venham a aprender uma versão completamente falsa do que se passou nas ex-colónias, contada por quem não passou por lá ou, não sei se melhor ou pior, por quem, tendo lá estado, não saiu dos quartos das messes de oficiais ou dos gabinetes de Estado-Maior.
Como outros já escreveram neste tópico, é ainda cedo para contar a guerra colonial. Há demasiados intérpretes ainda vivos que têm, todos eles, versões diferentes dos factos. A guerra não é o que se vê nem o que se ouve. É o que se sente a cada instante. E cada um de nós sente de forma diferente os mesmos factos, criando memórias diversas e, em muitos casos, discrepantes. Mas cada um dos que passou por lá (mesmo aqueles que, como eu, não tinham ainda idade para combater e estavam como filhos de militares - apesar de ter visto muito e visitado locais bem "quentes") tem a obrigação moral de deixar registada a sua experiência. Só assim se poderá, um dia, escrever uma História minimamente precisa. Talvez muitos portugueses não o mereçam, mas Portugal merece-o, sem qualquer dúvida!
 

Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #37 em: Junho 01, 2013, 05:30:54 pm »
Caro amigo: é bom que alguém tente contar a história tal qual ela é e por isso vou dar-lhe uma ajuda.
Eu faço parte de um grupo de ex-combatentes que esteve em Moatize entre 1972/1974, que se reúne anualmente no mês de Maio para confraternizar. Atualmente somos 84 os que nos mantemos em estreito contacto. ,
Quando afirma que a relação entre militares e civis era má, só quem lá passou, por exemplo no natal de 1972 poderá testemunhar o carinho que tivemos enquanto militares perante os civis daquela região.
Relativamente ao que diz dos militares serem “os bêbados” eramos exercito Português ao serviço da nação com os melhores treinos à época.
Agora um esclarecimento, nunca nos foi dito para atacar alguém, embora tivéssemos treino para isso, e contrariamente ao que afirma, nunca saímos do quartel sem levar pelo menos 2 carregadores por cada soldado. A nossa Missão era defender os civis, fazer proteção ao caminho-de-ferro, que eram muito importantes para a passagem de todo o material para Cabora Bassa, bem como a proteção do transporte de geradores que eram transportados em camiões com 84 rodas. Se nunca isto teve estragos devesse à forte segurança que havia nesta zona. Na verdade eramos muitos mais, mas estes são os resultados que conseguimos não para a guerra mas para formação da riqueza daquele país. Como diz, de facto Cabora Bassa era o projeto mais importante de Africa, mas o seu sucesso deve-se em muito a proteção assegurada pelo exército português. Volto a afirmar que a nossa missão ainda era importante, quando protegíamos a passagem de todos os civis e mercadorias entre Tete, Maláui e Rodésia, bem como todas as mercadorias que vinham da Beira e que chegavam a ser entre vinte e trinta traileres em cada coluna militar. Ao nível dos cuidados médicos, enquanto militares não os andávamos a oferecer, mas sim estes eram nos solicitados, porque não existiam postos de socorros civis e muito menos os atuais Inem. Talvez sejamos mal vistos pelas novas gerações que pensam que fomos fazer guerra mas, para que fique escrito o nosso lema era defender e não fazer guerra! Para terminar, em memória dos meus colegas que foram feridos e dos que perderam a vida em defesa de brancos e negros (a distinção não é racista), que se tente contar a verdade e não heroísmos. Este são alguns esclarecimentos de uma vivência de 2 anos em Moatize.
 

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Lightning

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Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #38 em: Junho 04, 2013, 10:29:25 pm »
Eu quase nada tenho a acrescentar ao tópico, não tenho familiares que tenham estado em Moçambique, mas o assunto da falta da munições lembrou-me um episodio parecido mas na Guiné.

Um meu familiar foi para-quedista na Guiné em 1970, mais ano menos ano, e ele disse-me que quando iam reforçar guarnições mais aflitas, que teve casos de soldados desses quarteis lhe pedirem munições, não sei se tinham alguma dificuldade logística como aqui se fala em Moçambique, mas agora pensando no assunto ...um quartel de quadricula na Guiné dos anos 70, nunca tem munições a mais :mrgreen: .
 

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Carlos Rendel

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Re: ZOT e a guerra em Tete
« Responder #39 em: Junho 10, 2013, 03:09:45 pm »
Algumas questões em aberto: Eduardo Mondlane,Agostinho Neto e Amílcar Cabral, eram líderes de movimentos independistas das ex-colónias portuguesas,mas não eram homens de mão de Moscovo.

Ao morrerem de morte violenta a primeira suspeita era a PIDE. Dá-se que estes africanos, por formação e frequência eram moderados e passíveis de dialogar com os portugueses. Neste contexto  a

quem mais convinha o seu desaparecimento ?  As segundas linhas  do PAIGCV,MPLA e FRELIMO, eram homens preparados nos países de leste,onde frequentaram estudos universitários,designadamente

"o marxismo científico",se é que alguém saiba o que isto seja!  Quando forem abertos os arquivos dentro de algumas dezenas de anos se saberá. Tudo?  Se o prazo não fôr alargado...

Quanto á revolta dos moçambicanos contra as FA, julgo que isso tenha a vêr com a nossa maneira de fazer a guerra.Enquanto se viam rodesianos e sul africanos assumirem uma guerra activa de

enfrentamento e perseguição dos independistas, a nossa tropa aguardava desmotivada.Aliás o próprio governo  português  ao ver a guerra fria aquecer creía iminente  a guerra na Europa e aí sim,

seriam reconhecidos os méritos portugueses em África.Treze anos de guerra? Para Mao-Tse-Tung  "não há país que tenha beneficiado de uma guerra prolongada"

Cumprimentos,CR
CR
 

 

"Memórias da Guerra - 1961-1974"

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