Empresas de Defesa Portuguesas

  • 249 Respostas
  • 128000 Visualizações
*

miguelbud

  • Especialista
  • ****
  • 1057
  • Recebeu: 202 vez(es)
  • Enviou: 77 vez(es)
  • +89/-447
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: Duarte

*

Malagueta

  • Especialista
  • ****
  • 900
  • Recebeu: 357 vez(es)
  • Enviou: 443 vez(es)
  • +196/-174
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #241 em: Janeiro 07, 2026, 10:31:07 am »
https://eco.sapo.pt/2026/01/07/inovacao-nacional-voa-mais-alto-na-defesa-com-drones-satelites-e-avioes/

Inovação nacional voa mais alto na defesa com drones, satélites e aviões

Setor da Defesa desperta o interesse das empresas portuguesas, que encaram o mercado como uma oportunidade estratégica. Conheça alguns dos projetos made in Portugal.

Osetor da Defesa saltou para os holofotes e é hoje uma das áreas de investimento estratégicas a nível europeu e nacional num momento em que o país está a fazer, com os 5,8 mil milhões de euros do programa de empréstimos europeu SAFE, o “maior investimento de uma só vez” nas Forças Armadas. As empresas portuguesas estão a olhar para o setor como uma “oportunidade” de negócio, sejam drones, aviões militares, satélites, veículos anti-motim, placas de proteção balística ou têxtil.

Drones made in Portugal nos céus da Europa
A Tekever é um exemplo de uma empresa portuguesa que desenvolveu sistemas e tecnologias avançadas de defesa, atualmente utilizados por organizações, governos e agências de segurança em todo o mundo. Desbravou terreno até chegar ao estatuto de unicórnio, na mesma altura que anunciou um investimento de mais de 400 milhões de euros no Reino Unido e, mais tarde, de que iria construir neste mercado a sua quarta unidade de produção. França é igualmente um mercado aposta da empresa, com a unidade de Cahors a ter abertura prevista no “último trimestre” de 2026, projeto que “concentra parte muito substancial do plano de investimento de 100 milhões de euros em França até 2030”.

Em Portugal, a empresa tem vários escritórios, tendo recentemente, apostado em Leiria, onde instalou um hub.

A empresa liderada por Ricardo Mendes, que através do seu acordo com as Forças Armadas britânicas tem drones a voar os céus da Ucrânia, fechou recentemente um contrato no valor de 30 milhões com Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA) para vigiar as águas europeias através de drones.

No âmbito deste contrato-quadro com a ESMA, a unicórnio nacional vai fornecer dois sistemas aéreos não tripulados (UAS) AR5, cada um composto por duas aeronaves não tripuladas, para apoiar operações multirregionais simultâneas em águas europeias.

Na área de drones está igualmente a Beyond Vision. A startup, cofundada por Dário Pedro, está entre as 50 startups de maior crescimento, e vai construir uma fábrica de 50 milhões de euros nos EUA, depois de ter fechado um contrato de “no mínimo” 15 milhões de euros nos EUA para fornecer 300 drones de emergência.

Para além dos EUA, tem ainda na mira de expansão o Brasil, Médio Oriente e Europa, avançou ao ECO/eRadar o líder da empresa, apontando a Polónia como um mercado aposta da companhia que, está a expandir a sua unidade de produção em Alverca, dos atuais 2.000 metros quadrados, para 4.000 metros quadrados, num investimento na ordem dos 5 milhões.



Ainda neste setor, atua a Connect Robotics quer desenvolver e dar maior robustez na área de logística de defesa através do uso de drones. A startup é uma das duas nacionais selecionadas para o mais recente cohort do acelerador da NATO, o DIANA.

“O nosso propósito principal é levar a tecnologia que já provamos ser um sucesso e uma necessidade na área civil, nomeadamente nas entregas médicas e logísticas e mais recentemente numa nova vertical de inspeção e provar que é indispensável no setor da Defesa. No fundo, queremos provar que a complexidade logística pode ser superada com recurso à tecnologia. A tecnologia serve para isso, para melhorar a vida das pessoas e a segurança das nossas nações”, explicou Ana Manuel Martins, chief operating officer (COO) da Connect Robotics, ao ECO/eRadar.

“A nossa solução é drone agnostic, o que significa que qualquer drone no mercado pode ser utilizado, adicionando o nosso computador de bordo e os nossos sistemas de gestão de drones transformando drones industriais numa plataforma logística”, explica. Isso faz com que, quando há substituição de drones, não seja necessário formação adicional dos operadores, bastando transferir os sistemas da Connect Robotics para o novo equipamento. Algo “fundamental para a soberania nacional”. Ana Manuel Martins explica porquê. “Significa que não nos prendemos a um único sistema proprietário e em vez disso, permitimos que se integre rapidamente a melhor e mais atual tecnologia de drones pronta a usar. Isto assegura que cada Estado-membro pode construir as suas próprias capacidades logísticas resilientes e adaptáveis, reforçando a sua postura individual de Defesa e, por extensão, toda a Aliança”, explica.

Na mesma lógica de tecnologia de uso dual, destaque para a NeuroSpace. A startup do setor aeroespacial também foi uma das escolhidas para fazer parte do DIANA vai, no âmbito da sua participação no acelerador da NATO, “evoluir o NeuraspaceDEF, a nossa plataforma de defesa de Consciência Situacional do Domínio Espacial/Gestão do Tráfego Espacial, baseada em IA explicável, fusão de sensores e autonomia de comunicação a bordo dos satélites, demonstrando impacto operacional real e adoção pela NATO e Nações Aliadas”, detalha Chiara Manfletti, CEO da Neuraspace, ao ECO/eRadar.

Outro dos exemplos no setor aeroespacial é a Spotlite. A startup levantou 3,5 milhões de euros para escalar a sua plataforma de monitorização de risco em infraestruturas por satélite e a sua presença internacional. Presente em Europa, Estados Unidos e América do Sul, com esta injeção de capital, a empresa quer expandir para “novos mercados estratégicos, incluindo a América do Norte”.

“A Spotlite está atualmente a operar com clientes em vários mercados na Europa, Estados Unidos e América do Sul, incluindo Portugal, Colômbia e Brasil. Com o novo investimento, vamos acelerar a nossa presença comercial nestas regiões e expandir para novos mercados estratégicos, incluindo a América do Norte e outras geografias com grandes redes de infraestrutura crítica. O plano de expansão está em curso e será executado de forma faseada ao longo dos próximos 12 a 18 meses”, adianta Ricardo Cabral, CEO da Spotlite, ao ECO/eRadar.

Primeiro avião militar português
E também no setor do espaço, realce para o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Geosat no âmbito da “Constelação do Atlântico”, para criar uma constelação de satélites de observação da Terra de alta resolução (VHR/HR), focada em defesa, segurança, proteção ambiental e gestão de recursos, visando uma presença europeia mais soberana no espaço, colaboração de entidades como o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA) e a Força Aérea Portuguesa.

Estas três entidades — Geosat, CEiiA e Força Aérea Portuguesa — estão igualmente envolvidas no desenvolvimento do primeiro avião civil militar projetado e fabricado em Portugal, que deverá realizar o primeiro voo em 2028. Batizada de LUS-222 é um bimotor de asa alta com porta de carga traseira. O projeto poderá criar até 300 empregos diretos e os últimos números apontam para um investimento total de 220 milhões de euros. Só para a fábrica são mais de 30 milhões.

O avião terá a capacidade de transportar 19 passageiros ou até duas toneladas de carga, podendo atuar em missões militares, missões de busca e salvamento e também na aviação comercial regional. A aeronave terá um alcance de até 2.100 quilómetros e poderá atingir velocidade de até 370 quilómetros por hora.



Na áreas dos materiais e têxtil, a indústria nacional também tem vindo a apresentar projetos. É o caso da Beyond Composite. Com sede em Canelas, Vila Nova de Gaia, a empresa desenvolve produtos para o setor da Defesa, nomeadamente placas de proteção balística para serem inseridos em coletes balísticos, capacetes e escudos com proteção balística para os soldados.

A empresa, fundada por investigadores da Universidade do Minho e adquirida pela Sonae Capital Industrials, continua empenhada no negócio da defesa. Estão a “desenvolver e implementar uma estratégia de investigação e desenvolvimento a curto, médio e longo prazo que passará por desenvolver produtos mais leves, com melhor performance e com novas funcionalidades, tais como monitorização do impacto balístico e proteção eletromagnética”, conta Fernando Cunha, CEO da Beyond Composite.

Veículos anti-motim e defesa militar
Fundada há 71 anos pelo bombeiro voluntário Jacinto Marques de Oliveira, a Jacinto começou a produzir, na década de 80, em parceria com a Salvador Caetano, veículos de combate a incêndio, até que no final de 2016 começaram a olhar para a Defesa com outros olhos. Iniciaram o percurso no setor com a produção de um veículo anti-motim para a GNR, um contentor para o exército português e no final do ano passado cinco veículos anti-motim para a República Dominicana.

A empresa de Esmoriz, que emprega 170 pessoas e fatura 50 milhões de euros, quer estar na linha da frente da Defesa e lançou em abril do ano passado uma linha de produtos direcionados à defesa e segurança nas áreas militares e polícia.



“Esperamos que esta aposta possa alavancar a entrada de uma empresa portuguesa na produção de veículos de defesa militar que muito elevaria esta indústria em Portugal”, diz o diretor-geral, Jacinto Reis, que pertence à quarta geração da família.
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: Duarte, PTWolf, yuwanko

*

miguelbud

  • Especialista
  • ****
  • 1057
  • Recebeu: 202 vez(es)
  • Enviou: 77 vez(es)
  • +89/-447
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: Duarte, Lightning, Malagueta

*

Duarte

  • Investigador
  • *****
  • 6850
  • Recebeu: 1367 vez(es)
  • Enviou: 3215 vez(es)
  • +3812/-1749
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #243 em: Janeiro 09, 2026, 10:24:40 pm »
Portugal vai receber e testar tecnologia de defesa em exercício militar europeu
Portugal vai acolher entre os meses de setembro e outubro o exercício de experimentação operacional (OPEX) da Agência Europeia de Defesa (EDA), em que será testado armamento desenvolvido por empresas europeias e nacionais.

https://executivedigest.sapo.pt/portugal-vai-receber-e-testar-tecnologia-de-defesa-em-exercicio-militar-europeu/
слава Україна!
“Putin’s failing Ukraine invasion proves Russia is no superpower".
"Every country has its own Mafia. In Russia the Mafia has its own country."
"Even the dumbest among us can see the writing on the wall for Putin"
 

*

Malagueta

  • Especialista
  • ****
  • 900
  • Recebeu: 357 vez(es)
  • Enviou: 443 vez(es)
  • +196/-174
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #244 em: Janeiro 12, 2026, 02:32:45 pm »
https://eco.sapo.pt/opiniao/a-participacao-da-industria-nos-investimentos-em-defesa/

A participação da indústria nos investimentos em Defesa

A afirmação internacional das nossas empresas é um passo necessário para a criação de resiliência na Defesa Nacional e para um apoio de proximidade aos Ramos militares no desempenho das suas missões.

Ogoverno de Portugal que tomou posse em 2024 assumiu como prioridade política a Defesa Nacional. Esta prioridade significou que Portugal recuperou, após décadas de secundarização da segurança, o que a História nos ensina sobre o retorno do investimento nesta área: em soberania e independência nacional; num futuro com paz; e na prosperidade da comunidade.

Como o investimento em Defesa realizado por cada país tem uma forte correlação com a dimensão da sua indústria, uma vez que o Estado é o seu principal cliente, uma das prioridades do Ministério da Defesa Nacional é potenciar a participação das empresas portuguesas como forma de acelerar o desenvolvimento económico e aumentar o emprego. A opção pelo investimento em Defesa e o duplo uso militar e civil que a tecnologia potencia é, por isso, uma aposta na criação de riqueza.

As cimeiras de Washington, em 2024, e a de Haia, em 2025, consolidaram a expansão das capacidades militares de Portugal dentro da NATO, estabelecendo um compromisso com a produção e o reforço da indústria para garantir o efeito dissuasor baseado em vantagens tecnológicas. Neste âmbito, os investimentos em produtos e no equipamento das Forças Militares previstos até 2030 — onde se incluem navios, blindados, viaturas tácticas, sistemas não tripulados e anti-drone, satélites, munições e sistemas de artilharia e de antiaérea — são uma excelente oportunidade para a indústria Nacional.

O envolvimento da indústria está a ser concretizado de quatro diferentes formas:

Compras diretas de equipamentos e sistemas a empresas portuguesas;
Atração de investimento estrangeiro na construção de capacidades na Defesa que incluem fornecimentos nacionais;
Compras a empresas portuguesas de componentes e produtos que são integrados nas aquisições realizadas pelos Ramos militares;
Encontros entre empresas portuguesas e grandes fabricantes facilitando a sua entrada nas cadeias de fornecimento a nível internacional.
Desenvolvendo a visão estratégica do Ministério da Defesa Nacional, a idD Portugal Defence tem a missão de promover o papel da Indústria na construção de capacidade e de resiliência na Defesa, reforçando a ligação entre as necessidades dos Ramos militares e o conhecimento, a tecnologia e as capacidades disponibilizadas pela Indústria. Para garantir o envolvimento da indústria atua em duas dimensões — aquisições e desenvolvimento tecnológico — que refletem a orgânica da NATO — Comando Aliado Operacional na Europa e o Comando Aliado para a Transformação nos EUA — e dos próprios Ramos nacionais — planeamento e logística, por um lado, e inovação tecnológica, por outro.

Nos investimentos previstos, a idD promove a participação da indústria em cinco fases:

Atualização de contactos das empresas para garantir que pudessem ter acesso a estas oportunidades — o que aconteceu com todas as que fizeram a atualização;
Manifestação de interesse que incluiu a forma como cada entidade poderia integrar o fornecimento dos equipamentos e produtos previstos;
Organização da informação recebida de várias dezenas de empresas sobre a sua capacidade de fornecimento por tipo de equipamento e produto a adquirir;
Envio desta informação aos Ramos para ser considerada nas aquisições a realizar;
Integração na lista de possíveis fornecedores entregues aos potenciais fabricantes dos equipamentos a adquirir.
A concretização destas aquisições pelo Estado português serão o passo seguinte neste processo que visa integrar ao máximo a indústria de Defesa Nacional. Note-se, contudo, que este processo não garante, só por si, as vendas de qualquer uma das 420 empresas e centros de investigação nacionais. A participação da indústria que atua na Defesa, e de novas empresas, está, antes de mais, dependente da posse de tecnologia e de capacidade produtiva que respondam às necessidades militares.

Uma vez que a indústria de Defesa Nacional, na maioria de pequena e média dimensão, não está atualmente preparada para fabricar todos os sistemas de armas necessários para equipar os Ramos militares, o seu desenvolvimento futuro passa também pela maior afirmação internacional de áreas de especialização para ganhar escala, desenvolver tecnologias, estabelecer parcerias, controlar as diferentes fases das cadeias de valor e obter custos de produção médios mais baixos de modo a poder praticar preços e condições de venda competitivos.

A afirmação internacional das nossas empresas é, por isso, um passo necessário para a criação de resiliência na Defesa Nacional e para um apoio de proximidade aos Ramos militares no desempenho das suas missões. As grandes áreas de especialização e de maior competitividade da Indústria de Defesa portuguesa são as seguintes:

Consultoria e programação informática: sistemas de Comando e Controlo, Simulação, Cibersegurança e outras aplicações no Espaço e submarinas;
Reparação, manutenção e remodelação naval, aérea e terrestre;
Engenharia e design: materiais compósitos, mecânica de precisão, aeronáutica militar, etc.;
Equipamento elétrico e eletrónico: comunicações, sensores, fontes de energia autónomas e componentes diversos;
Têxtil, vestuário e calçado como botas, fardamento e proteção operacional;
Sistemas não tripulados em vários domínios: aéreos, de superfície, submarino e terrestre.
O reforço destas vantagens competitivas complementa as oportunidades geradas pelo novo investimento em Defesa, tanto o nacional como o dos aliados, e ajuda a criar condições para que a indústria nacional avance para a produção de novas plataformas aéreas, terrestres e navais, alargue o desenvolvimento de sistemas não tripulados em ar, terra, mar e submarinos, e incorpore mais tecnologia inovadora como Inteligência Artificial, já usada em drones, ou física quântica aplicada em comunicações encriptadas.

Mais do que um benefício imediato, os investimentos que Portugal está a fazer vão potenciar a indústria e alargar a autonomia futura da Defesa Nacional.
 

*

Malagueta

  • Especialista
  • ****
  • 900
  • Recebeu: 357 vez(es)
  • Enviou: 443 vez(es)
  • +196/-174
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #245 em: Janeiro 19, 2026, 09:30:39 am »
Constelação do Atlântico coloca mais três satélites em órbita até junho

Os mais recentes cinco satélites a juntarem-se à Constelação implicaram uma aposta de 67 milhões de euros, num investimento global previsto de 110,6 milhões.

AConstelação do Atlântico vai colocar durante o primeiro semestre mais três satélites em órbita, elevando para seis o número de equipamentos a orbitar a Terra. O projeto, que integra a Agenda NewSpace, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pode evoluir até 16 satélites. Os mais recentes cinco satélites a juntarem-se à Constelação implicaram uma aposta de 67 milhões de euros, num investimento global previsto de 110,6 milhões.

“A aceleração da entrada em operação da Constelação do Atlântico constitui um fator crítico para assegurar o seu papel estratégico no sistema europeu de Observação da Terra. Foi com este objetivo que foi lançado um concurso público internacional que envolve também uma componente abrangente e estruturada de transferência de conhecimento e capacitação, para além do fornecimento de satélites óticos, em linha com os objetivos aprovados de reforço e consolidação industrial da Agenda New Space Portugal”, explica fonte oficial do CEiiA, entidade que lidera o projeto que envolve ainda a Força Aérea Portuguesa, o CTI Aeroespacial, a N3O e a GEOSAT, ao ECO/eRa

O concurso público internacional realizou-se no último trimestre do ano passado, tendo sido avaliadas 34 propostas. “Em particular, foram submetidas propostas pelas seguintes entidades: Deimos Engineering, OHB Sweden, Open Cosmos, Iceye, Telespazio Iberica, Satlantis, Satellogic e Endurosat”, detalha a mesma fonte.

A Iceye ganhou os lotes 1 e 4, “referentes ao desenvolvimento de um satélite VHR NexGen e de dois satélites VHR NexGen —, tendo a Satellogic vencido o lote 7, “referente ao desenvolvimento de dois satélites VHR Light NexGen”, explica fonte oficial.

“Com este modelo de gestão da cadeia de valor foi possível assegurar um investimento de 67 milhões de euros, no quadro da reprogramação da Agenda NewSpace Portugal, que prevê para este conjunto de cinco satélites de nova geração um volume de investimento global de 110,6 milhões euros“, informa fonte oficial do CEiiA.

Destes cinco equipamentos, três irão até junho juntar-se aos equipamentos da Constelação já em órbita. “A Constelação do Atlântico tem neste momento em órbita três satélites — o Geosat2 e dois satélites VHR Light da Agenda New Space Portugal — e durante o primeiro semestre de 2026 será reforçada com mais três satélites (um VHR Light e dois SAR)”, detalha.

Constelação do Atlântico na Defesa da Europa
A Constelação do Atlântico foi destacada por Ursula Von der Leyen no seu discurso do Estado da União em setembro do ano passado, apontado como o exemplo do novo momento da aposta na defesa europeia. “É o maior projeto no setor espacial da história portuguesa, com dois satélites já em órbita e mais em desenvolvimento.”

As capacidades que o país está a desenvolver no setor do espaço foram igualmente realçadas pelo comissário Europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, durante a sua visita. “Portugal tem demonstrado ótimos exemplos de como usaram o dinheiro da União Europeia, por exemplo, para desenvolver uma constelação de satélites, como a constelação Atlantis”, afirmou Andrius Kubilius, em entrevista ao ECO/eRadar

“Portugal está a fazer um excelente trabalho em várias frentes. Fiquei particularmente impressionado com o que estão a fazer no setor espacial. Tive a oportunidade de visitar o centro de comando espacial militar e, realmente, é notável. Portugal está a sair-se muito bem na produção de drones, bem como na área da aeronáutica. O que vi no centro de engenharia e desenvolvimento CEiiA são exemplos realmente muito bons”, afirmou ainda.

“Portugal desempenha um papel muito relevante devido à sua posição geográfica estratégica, tanto no Mediterrâneo como no Atlântico. Os Açores desempenham um papel muito relevante e podem desempenhar um papel ainda mais importante com o desenvolvimento de capacidades de lançamento espacial”, referiu ainda o comissário europeu.

“Temos vindo a discutir a possibilidade de criar aquilo a que chamamos uma vigilância do flanco Mediterrâneo-Atlântico. Atualmente, a União Europeia está a desenvolver, com os Estados-Membros da Europa de leste, na região fronteiriça, um projeto emblemático conhecido como vigilância do flanco oriental. Sugeri às autoridades militares e governamentais [portuguesas] que analisassem a possibilidade de desenvolver também um projeto regional comum semelhante, que pudéssemos chamar de vigilância do flanco Mediterrâneo-Atlântico. Existem algumas questões de defesa que unem muito dos países da região, como por exemplo, a proteção de cabos submarinos ou o controlo de uma grande parte da área atlântica. Há muitas questões em que Portugal pode ter grande influência”, apontou.

A Constelação do Atlântico faz parte da agenda “NewSpace Portugal” que, inicialmente, tinha um apoio do PRR de 137,36 milhões de euros, e viu o seu nível de ambição aumentar com a reprogramação das agendas mobilizadoras, com um aumento dos incentivos de 279 milhões de euros.
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: Duarte

*

Malagueta

  • Especialista
  • ****
  • 900
  • Recebeu: 357 vez(es)
  • Enviou: 443 vez(es)
  • +196/-174
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #246 em: Janeiro 20, 2026, 10:14:29 am »
Empresa portuguesa vai produzir proteção balística

https://www.rtp.pt/noticias/economia/empresa-portuguesa-vai-produzir-protecao-balistica_v1711140

ao minuto 0:46 alguém consegue identificar que veiculo blindado de 8 rodas, esta na imagem do computador?
« Última modificação: Janeiro 20, 2026, 11:23:24 am por Malagueta »
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: PTWolf

*

yuwanko

  • Perito
  • **
  • 548
  • Recebeu: 258 vez(es)
  • Enviou: 345 vez(es)
  • +180/-169
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #247 em: Janeiro 20, 2026, 11:34:50 am »
Empresa portuguesa vai produzir proteção balística

https://www.rtp.pt/noticias/economia/empresa-portuguesa-vai-produzir-protecao-balistica_v1711140

ao minuto 0:46 alguém consegue identificar que veiculo blindado de 8 rodas, esta na imagem do computador?

Parece um CM-32/33 "Clouded Leopard"
 

*

Malagueta

  • Especialista
  • ****
  • 900
  • Recebeu: 357 vez(es)
  • Enviou: 443 vez(es)
  • +196/-174
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #248 em: Janeiro 20, 2026, 03:00:59 pm »
Empresa portuguesa vai produzir proteção balística

https://www.rtp.pt/noticias/economia/empresa-portuguesa-vai-produzir-protecao-balistica_v1711140

ao minuto 0:46 alguém consegue identificar que veiculo blindado de 8 rodas, esta na imagem do computador?

Parece um CM-32/33 "Clouded Leopard"

esta aqui uma melhor imagem 

 

*

Malagueta

  • Especialista
  • ****
  • 900
  • Recebeu: 357 vez(es)
  • Enviou: 443 vez(es)
  • +196/-174
Re: Empresas de Defesa Portuguesas
« Responder #249 em: Janeiro 23, 2026, 10:19:37 am »
https://eco.sapo.pt/reportagem/fomos-a-alverca-ver-construir-os-drones-da-beyond-vision/

Fomos a Alverca ver construir os drones da Beyond Vision

A Beyond Vision está a expandir a sua fábrica em Alverca. Já com 2.000 metros quadrados, deverá duplicar área e capacidade. Em 2026 querem fazer voar da fábrica 500-800 drones por mês.

o cheiro a tinta de edifício novo e o zumbido constante de berbequins invade os sentidos mal entramos nas novas instalações de Beyond Vision em Alverca. Passada a porta de entrada, no fundo vislumbramos diversas fuselagens, em várias fases de montagem, a serem ultimados para expedição para os diversos clientes da fabricante de drones nacional com presença na Europa, EUA ou América Latina. Em 2026, o plano de voo está definido: alcançar entre 30 a 40 milhões de euros em vendas, na sua maioria na Europa, e crescer a equipa dos atuais 100 para 250.

Atualmente, com 2.000 metros quadrados, distribuídos por dois pisos, nas instalações em Alverca há um frenesim de atividade. Fosse este um aeroporto estava com os slots de voo totalmente preenchidos.

No rés do chão, tiras laranja marcadas no soalho assinalam as diversas bancadas onde os colaboradores apressam-se a montar os drones. Em dezembro, o ritmo é, no mínimo, intenso.



“Este mês [dezembro] vão sair 70 drones [da sala de assemblagem]”, adianta Tiago Marques, head of design da Beyond Vision. “Não é a nossa média normal, mas agora estamos a fazer isso. Este mês, temos bastantes pessoas a fazer horas extras, porque temos uma encomenda grande”, explica. Fosse este um período ‘normal’ da linha de assemblagem sairiam entre 15 a 25 drones.

Em cima das várias bancadas espalhadas pela sala, com cerca de 800 metros quadrados, estão drones cinzentos VTOL. “São drones que aterram e levantam voo verticalmente, não precisam de uma pista e que, depois, quando estão no ar, começam a voar horizontalmente”, explica o head of design.

O drone tem capacidade para voar cerca de três horas e pode, consoante a missão prevista, transportar várias câmaras. “Agora não temos nenhuma montada, são as peças mais valiosas, e as últimas a serem montadas”, justifica.



“Temos mais de 40 tipos de payloads integrados no drone. Ou seja, desde câmaras multiespetrais, para mapeamento, câmaras térmicas para inspeções. Temos um payload que, por exemplo para a Proteção Civil, é muito interessante, que é um simcatcher. Permite identificar todos os telemóveis no solo e dá as coordenadas desses telemóveis, de forma semelhante ao que fazem as operadoras [de telecomunicações] com as várias estações”, explica Dário Pedro.

Com uma ‘vantagem’. “Como o drone é quase como uma estação aérea que se está a mexer, vai ter vários pontos de medição e consegue identificar onde é que a pessoa se encontra em vários cenários, por exemplo, de catástrofes, de incêndios, resgate”, detalha o cofundador e CEO da Beyond Vision.

Foi precisamente para um cenário de emergência que a fabricante nacional fechou um contrato de 15 milhões nos Estados Unidos, para fornecer 300 drones até 2028. “De 15 milhões, mínimo. Ou seja, tem compras mínimas de 15 milhões, mas o nosso target é que se aproxime dos 30 ou 40 milhões. Já estamos a começar a nossa expansão para lá, para ter um polo lá”, explica Dário Pedro.

“Numa primeira fase será de representação e de business development, numa segunda instância, evoluirá para termos alguma pré-assemblagem nos Estados Unidos, ou seja, uma pequena fábrica. A longo prazo, a ideia é depois expandir essa fábrica para agregar o máximo de tipo de produção, sub-assemblies, entre outros, que façam sentido fazer nos Estados Unidos”, detalha. Essa unidade deverá exigir um investimento de 50 milhões de euros.



Para este cliente — cujo nome, para já Dário Pedro prefere manter reservado — vão desenvolver um drone mais pequeno, com cinco quilos. O drone é ainda BlueOS e é NDAA compliant [ou seja, cumpre as diretrizes da Lei de Autorização de Defesa Nacional dos EUA (NDAA)] . “O que significa que todos os componentes, desde os chips que utilizamos nas nossas boards, aos motores, os carbonos, que adquirimos na nossa supply chain têm de ser ou da União Europeia ou dos Estados Unidos”, explica o cofundador.

O drone cumprir com o requisito NDDA não é uma exigência do contrato, mas para “forças de segurança e defesa nos EUA é, e como queremos abranger o máximo número de entidades lá, vai ser desenvolvido com esse propósito”, explica.

“Os drones são 80-90% feitos com componentes europeus, alguns dos Estados Unidos e o resto tem que vir da China porque não há fornecedores [desses materiais]. Mas já estamos a fazer um drone que é inteiramente feito só com peças europeias ou dos Estados Unidos: o 418″, explica Tiago Marques. O nome está relacionado com o número e o tamanho das propelas que o fazem movimentar.

Internalização da produção
A empresa está igualmente a internalizar o máximo possível a produção. Sinal disso é a produção da fuselagem do drone. “A partir deste ano [2025] já começámos a fazer o produto desde zero. Antigamente o fornecedor de carbono era externo. Agora temos uma equipa toda que faz a laminação e toda a fuselagem”, descreve o head of design da Beyond Vision.



A equipa de laminação — na sua maioria mulheres — está separada da sala de assemblagem por uma divisória transparente, fazendo o corte do carbono que depois é colocado em moldes, a partir dos quais é criada a fuselagem. “Agora não temos nenhum, estão todos retirados dos moldes”, comenta Tiago Marques enquanto acompanhamos o trabalho feito pela equipa. O material usado é 95% carbono, com o remanescente em Kevlar a ser colocado na zona das ‘asas’ do drone. “Assim fica mais resistente”, justifica.

Mesmo ao lado, da área de moldes, está a equipa de pintura que, com fatos macaco e máscaras, fazem os acabamentos à fuselagem do drone antes do mesmo seguir para a fase de montagem, onde as diversas peças, como partes da asa, eletrónica ou câmaras, são montadas antes dos testes finais.



Um processo de internalização que decorre há cerca de seis meses e com vantagens. “Ganhámos tempo e fiabilidade“, diz o head of design, quando questionado sobre quais os ganhos em ter a área de carbono/laminação in-house. “Sabemos os erros que acontecem e vamos corrigindo mais rapidamente. Não temos de estar sempre à espera e o tempo agora é muito importante”, acrescenta.

“Desenvolvemos toda a parte de eletrónica, por isso qualquer coisinha podemos corrigir nós, não temos que estar à espera de fornecedores ou componentes externos”, destaca ainda.

“Desenhamos o drone, temos uma equipa de engenharia que dá umas regras e daí sai um design, testa-se tudo, faz-se as modificações necessárias e depois de fazer todas as modificações é que se faz a parte de divisão da fuselagem, para fazer as peças de carbono e de plástico”, descreve.



Do conceito ao produto, um drone leva um ano a ganhar asas. “Tudo o que estamos a conseguir fazer in-house encurta o prazo de produto. Conseguimos corrigir o erro muito mais rápido, o que que ajuda imenso, e depois, a nível produtivo, consegue-se tirar logo um protótipo muito mais rápido para testar, porque uma coisa é testar no computador, outra coisa é testar na realidade”, realça o head of design.

E nem a chuva impede a equipa de pilotos de testar os drones e a suas capacidades em campo, como comprovámos no dia da visita à fábrica. Apesar da chuva torrencial, uma equipa aguardava na portaria uma carrinha para levar equipamento e pilotos para realizar testes em campo.

Uma fase importante para a recolha de dados que depois são usados na melhoria do modelo. “A nível de computador, consegues ler muitos logs do drone. E o próprio piloto visualmente consegue dizer muitas coisas: a nível de tempos, se está a voar bem… E nós conseguimos corrigir erros mais rapidamente”, sintetiza Tiago Marques.




Área de produção deverá duplicar em 2026
A produção de drones em ritmo acelerado é acompanhada — em ritmo que desejar-se-ia mais acelerado — pela construção da segunda fase de expansão da unidade de Alverca. O espaço, agora com dois mil metros quadrados, deverá em 2026 atingir os quatro mil metros quadrados. Num investimento global, na ordem dos cinco milhões de euros.

“Infelizmente em Portugal a construção é muito complicada, era suposto termos este espaço pronto em abril-maio e, por múltiplos motivos, tem vindo a atrasar”, lamenta Dário Pedro.

“Temos três espaços, em Lisboa, Aveiro e no Porto, mas [com o crescimento da equipa] o de Alfragide era o que estava realmente com grandes problemas de constrangimentos de espaço, ou seja, nós passámos de cerca de 300 metros quadrados para 2.000 metros quadrados e quando se fizer a segunda metade deste espaço serão 4.000 metros quadrados”, adianta.

“Idealmente, gostaria que em março-abril de 2026 tivéssemos o espaço todo construído“, diz esperançado.

Quando se concretizar, “deve-nos cerca de triplicar ou quadruplicar a nossa capacidade de produção atual”. Em 2026, o “objetivo é ficarmos com capacidade de produzir cerca de 500 VTOL, ou seja, estes drones de asa com multirotores, e cerca de 800 multirotores”, adianta.

E não é o único espaço que a Beyond Vision está a apostada em investir. “Temos novas instalações em Aveiro. No Porto também temos capacidade de produzir alguns componentes e estamos à procura de uns escritórios que nos deem capacidade de ainda contratar mais pessoas e continuar a crescer no Porto, que está exatamente igual como estava há seis meses o nosso espaço em Alfragide, ou seja, a rebentar pelas costuras. Vamos ter um novo espaço a partir de janeiro, semelhante à dimensão deste, em Oeiras, no Oeiras Tech Valley“, refere o CEO.

Indústria em crescimento
O crescimento da companhia surge num momento geopolítico que faz com que na Europa, mas não só, os orçamentos de defesa estejam mais robustos e muita da aposta esteja a ser feita nas chamadas tecnologias de uso dual (ou seja, uso civil e militar) da qual os drones é uma das faces mais visíveis.

“O momento atual da Europa e com praticamente todos os países a querer aumentar a sua capacidade na área da defesa, impulsiona muito esta área”, admite o CEO da Beyond Vision. Neste momento, o setor de defesa é o que tem tido maior procura.

“Esse é o principal neste momento, o que até há três anos não trabalhávamos de todo, por isso ainda somos bastante recentes nesta área, mas o produto está a ter bastante boa aceitação e é uma área que está a crescer exponencialmente”, reconhece.

Em Portugal, a empresa já desenvolveu projetos com a Marinha e o Exército Português, tendo a nível europeu no primeiro Operational Experimentation (OPEX) da European Defense Agency (EDA), em Itália, por exemplo.

Mas não só. “Nos últimos dois, três anos, a perceção das capacidades dos drones tem evoluído muito. Pela quantidade de notícias que as pessoas são bombardeadas deste setor, começam a perceber muitas capacidades, mesmo no setor civil, da utilização dos drones,” na área de infraestruturas, transporte de energia, construção.

“Infelizmente, na área de logística na Europa ainda existe muita burocracia, mas é uma área que acho que tem muito potencial para crescer no futuro com drones”, aponta. “Já fazemos operações interessantes quer na Alemanha, no Médio Oriente e alguns países de África”, diz.



A conversa sobre os planos de crescimento da Beyond Vision prossegue no segundo piso onde as marcas do atraso da construção são igualmente visíveis. Depois de subir as escadas de metal, deparamo-nos com dois drones montados apoiados nas suas caixas de transporte, dois exemplos do produto da empresa, ao lado de um pequeno auditório para apresentações com um video-hall. Mais à frente, passada a copa, deparamo-nos com uma outra sala, com mais de 800 metros quadrados.

“Está a ver ali? É para ser os Phone Boths”, diz Dário Pedro, apontando para uma zona onde, por agora, só vimos cabines e vidros e pouco mais. “Ali ao fundo vamos derrubar aquela parede e vai ficar a fachada”, relata.

E na sala, onde vários trabalhadores distribuídos por ilhas fixam o olhar nos computadores, não faltam cabos negros a cair do teto para se ligar aos equipamentos. “Acredita que ainda não temos eletricidade?”, confidencia meio estupefacto Dário Pedro, “andamos a trabalhar com geradores.”



Dores de crescimento numa empresa em fase de expansão. E nem são os EUA a empurrar o maior crescimento. “Nem são dos nossos principais mercados, comparando com a Europa se calhar representa 10%”, diz Dário Pedro. “Estamos a fazer o mesmo crescimento no Brasil. Temos feito bastantes vendas para lá, já temos pessoas contratadas e estamos a abrir agora escritórios em São Paulo”.

O plano é “criar uma primeira linha de sub-assembly e depois ter alguma capacidade de produção lá para a América Latina toda”, explica. “Estamos a explorar duas joint ventures para o Médio Oriente, uma na Arábia Saudita e outra nos Emirados. E estamos a abrir múltiplos escritórios em países europeus. Estão a ser estudados Espanha, Alemanha, Polónia”, relata.

Temos tentado o máximo que conseguimos trabalhar em contínuo mas o dia só tem 24 horas e chega a uma altura que não dá para crescer mais rápido. Estamos a tentar fazê-lo ao ritmo mais elevado que conseguimos. Este ano deve ter aumentado na ordem entre os 700 e 800%



Nada sendo possível sem talento. Hoje a Beyond Vision conta com 100 trabalhadores, mas até ao final de 2026 a ambição é chegar aos 250.

Mas este — apesar dos diversos cursos de engenharia nacionais colocarem no mercado profissionais — não é um setor de fácil contratação. “Short answer: é muito difícil”, reconhece Dário Pedro. Trata-se de um produto que exige múltiplos talentos de engenharia.

“Temos muita gente quer com mestrados quer com doutoramentos. Desenvolvemos soluções com drones de ponta a ponta, ou seja desde o desenho aeroespacial e mecânico — temos engenheiros mecânicos e aeroespaciais e designers de produtos também trabalhar com essas equipas —; fazemos todo o desenho e desenvolvimento de eletrónica, as nossas boards são totalmente desenvolvidas por nós; o desenvolvimento de robótica, e aí são mais perfis de informática, engenharia eletrotécnica, mecatrónica, em que fazemos algoritmos para os próprios drones, firmwares, kernels para módulos que estão no drone, controladores de voo…”, descreve o cofundador.

“Depois temos equipas de desenvolvimento mais tradicional de software para controlar os nossos drones pela cloud. E com isso conseguimos entregar uma solução final ao cliente em que tem desenvolvimento ponta a ponta.”

“Isso faz com que precisemos de pessoal de engenharia de todas as áreas, praticamente. E embora o ensino em Portugal seja muito, muito bom, os recursos em Portugal são escassos“, sintetiza.

Uma escassez que se estende igualmente ao pessoal técnico. “Pessoal técnico para esta área é também muito difícil de se contratar. Hoje em dia, toda a gente vê quase o futuro dos estudos como seguir uma carreira universitária, em todas as áreas e mais algumas, e em algum trabalho mais técnico — às vezes de grande valor — perdeu-se a ideia de tirar cursos profissionais nessas áreas e trabalhar em empresas focadas nessas áreas. Também existe uma escassez muito, muito grande de recursos para produção de compósitos, para trabalhar com eletrónica. É complexo recrutar também nessas áreas.”

Veja aqui em campo os drones da Beyond Vision:



nota: Na noticia original existe mais fotos.
 
Os seguintes utilizadores agradeceram esta mensagem: LM, PTWolf