Energias Renováveis

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Re: Energias Renováveis
« Responder #255 em: Agosto 02, 2020, 03:54:06 am »
A meu ver não é o investimento no hidrogénio que está mal. São todos os outros!!!!

Ficámos para trás na revolução industrial do séc IXX, ficámos para trás na revolução tecnológica da segunda metade do séc XX, na industria aeronáutica, espacial, informática, automóvel... Em quase tudo!!

Não devemos ficar para trás num sector que que nos pode colocar fora da dependência energética de outros países.

Investir no hidrogénio não é mau, o volume de dinheiro que vamos investir é que me preocupa!!!!!

Ainda por cima parece-me, pelas empresas identificadas, que é o mesmo lóbie que já está metido na produção eólica subsidiada por todos nós. Parece que a mais que evidente sobre-exposição à energia eólica intermitente e que produz essencialmente à noite, vai ser novamente financiada para armazenar esse excesso de energia através do hidrogénio!? Julgo que será isso.

Deixo uma entrevista lúcida de um professor universitário a abordar o assunto e que tanto chateou o Mister Galamba:
Outro pormenor, efectivamente devíamos apostar muito mais na indústria, é uma evidência, mas insisto que quem nunca visitou o norte e o centro (aconselho ver os pólos industriais de Braga, Guimarães, Felgueiras, do Porto que tem vários, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Aveiro.....
Nós temos muitas milhares de empresas industriais que funcionam muito bem e produzem imenso, não olhem só para a capital ou sul do país que de facto não tem quase indústria nenhuma! O norte e centro litoral tem imensa indústria que produz qualquer coisa (desde a mais simples à mais complexa), desde robótica, máquinas industriais, sector automóvel, aeronáutica, calçado, polímeros e moldes, energia, .........

https://eco.sapo.pt/2019/09/17/industria-no-norte-comercio-no-sul-em-que-setores-trabalham-os-portugueses/
https://www.dinheirovivo.pt/economia/turismo-industria-e-energia-fazem-do-norte-regiao-que-mais-cresceu-em-2018/

Neste período de mais ou menos confinamento, convido-os a visitarem os pólos industriais do norte e centro, vão ficar com outra ideia totalmente diferente do país, não olhem só para a capital que vive dos serviços e função pública (sedes das instituições públicas e das empresas) e que não produz um parafuso  :mrgreen:
« Última modificação: Agosto 02, 2020, 03:56:48 am por Viajante »
 
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Re: Energias Renováveis
« Responder #256 em: Agosto 11, 2020, 01:30:24 am »
Ligar interruptores acima das nossas possibilidades
de José Diogo Quintela

A electrólise portuguesa é superior às outras. Além de separar hidrogénio de oxigénio, consegue ainda separar contribuintes portugueses de 7 mil milhões de euros.

Estou muito entusiasmado com a Estratégia Nacional para o Hidrogénio. Segundo percebo, vamos passar uma corrente eléctrica por água para separar o hidrogénio do oxigénio e ficar assim com combustível. Como a electricidade é gerada por painéis solares, na prática vamos usar energia cara para produzir energia caríssima. É um processo químico chamado electrólise que, pelos preços que têm sido noticiados, nos vai deixar electrolisos. Porque a electrólise portuguesa é superior às outras. Além de separar hidrogénio de oxigénio, consegue ainda separar contribuintes portugueses de 7 mil milhões de euros. (É o valor que o Governo diz que vai ser investido por privados, o que quer dizer que é o valor com que o Governo vai subsidiar os privados, para que possam investir sem risco).

O Governo diz que temos mesmo de apostar no hidrogénio por causa da descarbonização e do clima. Que é a mesma justificação que nos deram para apostarmos nas energias renováveis. Em Portugal, mais renovável do que a energia eólica e solar, só a lábia do Governo a vender banha da cobra. Que, se fosse uma venda literal, acabava por prejudicar menos, porque a banha sempre é uma fonte de energia mais barata.

Entretanto, 15 anos e muitas facturas de electricidade depois, os portugueses já puderam ver o resultado do grande investimento em renováveis que foram obrigados a fazer. Um sacrifício que teve grande impacto no aquecimento global, como sabe toda a gente que se lembra daquele dia, em Maio de 2017, em que esteve frescote de manhã. Fomos nós! Valeu a pena.

Mas não é apenas o imperativo ético que leva o Governo a avançar com o hidrogénio. Parece que também acha que é um bom negócio, porque hoje é uma tecnologia cara, pouco testada e pouco disseminada. E, como é evidente, é muito mais vantajoso meter mais dinheiro agora do que menos dinheiro quando a tecnologia já for barata e de uso corrente. É o raciocínio das pessoas que, numa loja, pedem ao vendedor para fazer “preço de inimigo”.

No fundo, é o equivalente a perguntar a alguém: “Se tivesses de levar um murro do Muhammad Ali, preferias levar a 25 de Fevereiro de 1964, quando ganhou o primeiro título mundial, ou a 3 de Junho de 2016, mesmo antes de morrer de Parkinson?” Está visto que o Governo optava pelo soco do jovem Ali. Custa mais, mas confere mais prestígio. É que dizer “levei um murro do Muhammad Ali” impressiona menos do que “leei uu muu do uaaa aui”, que é a mesma frase dita por alguém sem dentes.

Há outra forma de produzir hidrogénio, através da queima de gás natural. Sucede que é mais barata. Isso, como é obvio, não nos interessa, porque não nos destaca. Queremos a mais cara, a que faz hidrogénio verde. Há quem julgue que se chama “verde” por ser a mais ecológica, mas é por ser a cor do dinheiro que é desperdiçado. É possível que, se queimarmos o dinheiro numa fornalha, a energia produzida seja mais barata.

A ideia que dá é que só estamos a embarcar no hidrogénio para armar ao pingarelho na Europa. Já não bastava termos da energia mais cara da UE, agora temos a mais fina. Quando virem, os países do Norte vão deixar de criticar o que gastamos em vinho e passar a criticar o que esbanjamos em electricidade. Aliás, vão passar a ser compreensivos com o que gastamos em vinho: ao preço que está a energia para aquecedores, é graças ao álcool que nos mantemos quentes. Estamos a ligar interruptores acima das nossas possibilidades. Se o objectivo é sobressair, fomos bem-sucedidos. Portugal mostrou que é um país singular, o único país do mundo em que a Tabela Periódica funciona ao contrário e o hidrogénio só vem depois do ouro. Muito ouro.

Agora, quem diz que o hidrogénio é uma energia limpa, sem resíduos, nunca viu a conta de Twitter do Sec. de Estado da Energia. A sujeira que para ali vai. João Galamba tuíta insultos com uma cadência impressionante. Se calhar, era mais barato aproveitar a fúria com que bate nas teclas como fonte de energia. Em vez de hidrogénio, mau génio. No Twitter, João Galamba apresenta-se com uma foto sua em criança. Faz sentido. Pode estar a falar de assuntos de Estado, mas a postura é de um garoto brigão no recreio. Não tenho acompanhado sempre, mas é provável que já tenha sido usado o argumento “o meu pai é polícia e bate no teu”.

Não é a primeira vez que um profeta salva um povo através de um processo de divisão de água. Tal como João Galamba levará os portugueses até à plenitude energética, separando hidrogénio de oxigénio, há 4 mil anos Moisés conduziu os hebreus até à Terra Prometida, apartando as águas do Mar Vermelho. Moisés e Galamba, dois predestinados. Um acha-se numa missão divina; o outro foi resgatado das águas do Nilo pela filha do Faraó.

Galamba é incansável no ataque a quem discorda dele. Nunca pára. Parece mesmo o coelhinho da Duracel. Dura, dura, dura. A diferença é que a energia que o coelhinho da Duracel vende é barata.

https://observador.pt/opiniao/ligar-interruptores-acima-das-nossas-possibilidades/

Bem apanhado: "João Galamba tuíta insultos com uma cadência impressionante. Se calhar, era mais barato aproveitar a fúria com que bate nas teclas como fonte de energia. Em vez de hidrogénio, mau génio."     :mrgreen:
« Última modificação: Agosto 11, 2020, 01:32:33 am por Viajante »
 
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Re: Energias Renováveis
« Responder #257 em: Agosto 11, 2020, 09:53:27 am »
Eu cá acho que esse artigo é algo que o Trump diria contra as energias renováveis. Parece mais anti-energias renováveis, que outra coisa. É também alarmante que qualquer cromo ligado ao negócio das energias não renováveis, pudesse vir opinar o mesmo e o pessoal aceitava logo a opinião.

Se o uso de energia for baseado apenas no factor "preço para o consumidor", estamos bem tramados, já que esta é a única vantagem das energias não renováveis.
 
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Re: Energias Renováveis
« Responder #258 em: Agosto 11, 2020, 10:21:22 am »
Eu cá acho que esse artigo é algo que o Trump diria contra as energias renováveis. Parece mais anti-energias renováveis, que outra coisa. É também alarmante que qualquer cromo ligado ao negócio das energias não renováveis, pudesse vir opinar o mesmo e o pessoal aceitava logo a opinião.

Se o uso de energia for baseado apenas no factor "preço para o consumidor", estamos bem tramados, já que esta é a única vantagem das energias não renováveis.

É a função dele, que é humorista.

Eu por exemplo sou a favor do hidrogénio, aliás já coloquei aqui vários artigos sobre o hidrogénio.
A questão não é esse, é o facto de quase todos os projectos que nos vão fazer gastar 7 mil milhões de euros no hidrogénio, vêem dos mesmos lobbies que já estão a ser subsidiados nas eólicas e solar! A brincar o autor coloca o dedo na ferida, quer a eólica quer a solar são subsidiadas e principalmente a eólica produz imenso...... mas à noite!!!!
Gastar energia cara para produzir outra mais cara não me parece uma grande solução e então pelos valores envolvidos!!!!!
 
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Re: Energias Renováveis
« Responder #259 em: Agosto 27, 2020, 07:52:09 pm »

É na Austrália mas por cá é parecido...  :o  :mrgreen:
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"Tudo pela Nação, nada contra a Nação."